quarta-feira, 27 de maio de 2026

Morre Sonny Rollins, o colosso do saxofone, aos 95 anos

 

Sonny Rollins em Viena/2006 - Foto: Jeff Pachoud/AFP via Getty Images

Morreu no dia 25 de maio, véspera de aniversário dos 100 anos de Miles Davis, Sonny Rollins, aos 95.
Nascido em Nova York, Rollins cruzou caminhos com Miles ainda jovem, quando o trompetista de St. Louis já atuava como um arregimentador de prodígios. 
Juntos, compartilharam inúmeras gigs, gravações históricas e a rotina da patota da heroína no Harlem dos anos 1950, um círculo que incluía Dexter Gordon, Tadd Dameron, Art Blakey, JJ Johnson e Jackie McLean. 
Na chamada época de ouro do jazz improvisado e cabeçudo, Sonny Rollins integrou o lendário conjunto de Miles ao lado de McLean, Cannonball Adderley e John Coltrane, fechando o círculo dos derradeiros representantes do jazz pós II Guerra Mundial.
Com Coltrane, manteve uma relação afetuosa, definindo os rumos do instrumento. Lembrando dele, décadas mais tarde, Sonny declarou: "Um ser humano belo, belo".
Rollins ganhou a alcunha de colosso graças ao seu influente álbum Saxophone Colossus, com o qual rompeu as limitações estruturais do jazz, consolidando o hard bop. 
Lançado no concorrido ano de 1956, Saxophone Colossus concorreu com gravações lendárias: Ella and Louis, com Ella Fitzgerald e Louis Armstrong; Ellington at Newport, de Duke Ellington;  Pithecanthropus Erectus de Charles Mingus; Fontessa do Modern Jazz Quartet e a série Cookin', Relaxin', Workin' e Steamin, do  Miles Davis Quintet, que incluía John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones. 
Ao contrário de muitos de seus contemporâneos que morreram cedo, Sonny alcançou a longevidade, aperfeiçoando sua obra após completar 80 anos. Superou problemas respiratórios com o auxílio da ioga, que o ajudou a manter-se longe dos excessos. Nos últimos anos exibia a modéstia dos sábios: “Continuo vivo porque continuo aprendendo”, confessou em 2016.
Para além da música, Rollins utilizou o saxofone como ferramenta de forte comentário social, político e espiritual. 
Em 1958, lançou a emblemática Freedom Suite, peça instrumental de 20 minutos que ecoava abertamente as dores e as esperanças dos afro-americanos na luta pelos direitos civis. 
Na contracapa do disco, registrou um manifesto sobre a ironia de a cultura negra representar o soft power norte-americano, enquanto seu povo era recompensado com a perseguição e a desumanidade.
Seu sopro também se conectou com o misticismo que descobriu em longos retiros na Índia e no Japão. Quatro dias após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, Rollins também subiu ao palco em Boston para um show gravado ao vivo em homenagem às vítimas. 
Com sua morte, silencia-se o sopro que desenhou a liberdade no século XX, deixando um legado indestrutível na história da música.
Sonny Rollins morreu na segunda-feira, 25 de maio, em sua residência em Woodstock, New York. 

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