quinta-feira, 22 de junho de 2017

Santos Jazz Festival 2017 celebra as mulheres e a diversidade de gênero

Em nova locação, o festival traz Liniker e os Caramelows, Ellen Oléria, Divazz, Rosa Marya, Bluebell, Aki Kumar, Traditional Jazz Band, lançamentos de CD e livro entre as atrações

Divazz

O Santos Jazz Festival 2017 trabalhará temas com identificação às origens do jazz homenageando as mulheres, que esse ano, estão em maioria na programação.  
O show de abertura será com a banda Divazz que desenvolveu um repertório especialmente para o festival, incluindo temas de Ella Fitzgerald, Nina Simone, Billie Holiday, Aretha Franklin, Esperanza Spalding, Madeleine Peyroux e outras grandes intérpretes. 
Outro show conceitual é Blubell Canta Madonna que, com seu quarteto, veste com roupa jazzística os clássicos da cantora pop. E ainda Rosa Marya  & Banda Jazzileira, Carla Mariani Blues com o show Jazz Divas e Dolores in Blues.
Também é tema central do festival o combate a qualquer tipo de preconceito. Liniker & os Caramelows e Ellen Oléria & Banda foram os convidados para levar a bandeira da diversidade de gêneros, racial e social e respeito às diferenças. 
Entre as atrações internacionais, Ari Kumar Blues Band (Califórnia - USA), Alba Santos (Espanha), Jes Condado & Banda e Trio de Cuatro (Argentina).
Arcos do Valongo, nosso novo palco - A abertura do festival será no Sesc Santos com o show da banda Divazz. Os outros 16 shows acontecerão no espaço "Arcos do Valongo", no Centro Histórico de Santos - situado ao lado da Estação de Bonde do Valongo, da Igreja do Valongo e do Museu Pelé. O espaço também fica bem próximo ao Prédio da Bolsa do Café e Casa da Frontaria Azulejada - referências históricas da cidade.
Por ser um amplo espaço, serão oferecidas outras atrações como food trucks, food bikes, bares, espaço kids (onde os pais podem deixar os filhos com monitoras), Space Maker, com impressora 3D (faça seu próprio instrumento) e Feira de Vinil. 
Teremos também os lançamentos do livro Blues – The Backseat Music, do jornalista Eugênio Martins Jr e do CD do Igor Willcox Quarteto.
A entrada no espaço Arcos do Valongo e todos os shows são gratuitos, inclusive o do Teatro do Sesc. 

Liniker

Programação

Abertura - Teatro do Sesc
Quinta-feira, 21h - (27/07)
DIVAZZ - Tributo às Divas Jazz (participação de Rosa Marya)

Palco Arcos do Valongo
Sexta-feira (28/07)
19h Rosa Marya & Banda Jazzileira
20h30 50 anos dos Afro-sambas – Quizumba Latina & Lucia Spivak (Argentina)
22hs Ari Kumar Blues Band (USA)
23hs Liniker e os Caramelows

Sábado (29/07)
Estação do Valongo
06h 6° Valongo Motor Classics
12h Komboio Cultural
Palco Arcos do Valongo
13h Djs Santos Jazz + Feira Arts & Foods
15h Escola Simonian in Concert
17h Carla Mariani & Banda – Tributo às Divas do Jazz & Blues
18h30 Thiago Espírito Santo & Silvia Goes convidam Alba Santos (Espanha)
20h Igor Willcox 4tet
21h30 Blubell & Banda
23h Ellén Oléria & Banda

Palco Arcos do Valongo
Domingo 30/07
13h Djs Santos Jazz + Feira Arts & Foods
14h30 Banda Marcial de Cubatão – Clássicos do Jazz
16h Dolores in Blues
17h Jes Condado & Banda (Argentina)
18h30 Roberto Sion & Anaí Rosa
20h Tradicional Jazz Band

Entrevistas Mannish Blog


Eventos paralelos:

Sexta-feira (28/07) 
12 às 14h - Street Jazz Band –  (Restaurantes do Centro Histórico)
17h - Barca DH –  (Santos\Vicente de Carvalho)

Sábado (29/07) 
18h - Lançamento do livro Blues – The Backseat Music, do jornalista e produtor Eugênio Martins Júnior 

Sábado (29/07) e domingo (30/07)
15 e 17h - Bonde Jazz 

Cine Santos Jazz - 28 a 30/07 – Sessões da 18h30 (Cine Arte Posto 4) 

Oficinas:
– Thiago Espírito Santo (Domingo/tarde)

O Palco Arcos do Valongo fica na rua Comendador Neto, 9. Atrás do Museu Pelé, no Centro Histórico de Santos.
O Sesc Santos fica na rua Conselheiro Ribas, 139 – Aparecida.

Aki Kumar

Atrações

Divazz - Neste projeto as duas vocalistas do Programa Altas Horas e Corina Sabbas (do Programa Sexo e as Negas) apresentam um show vibrante e surpreendente. Elas montaram um show especial para o Santos Jazz 2017. No repertório, temas das divas do jazz, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Sarah Vaughn, Anitta O’Day, e as musas do blues, Etta James, Koko Taylor, Shemekia Copeland e muitas outras. Inspiradas pelos Girls Groups norte-americanos das décadas de 60 e 70, como The Supremes e The Marvelettes e aproveitando os diferentes timbres de voz de cada uma, as cantoras Graça Cunha, Nanny Soul e Corina alternam-se entre solos, duetos e novos arranjos vocais, apresentando ao público um show para lá de vibrante.

Rosa Marya e Banda Jazzileira – Idealizada pelo saxofonista Maurício Fernandes, a banda está acostumada a apresentar repertório autoral e releituras instrumentais de compositores populares como Duke Ellington, Tom Jobim, Wayne Shorter, Jonnhy Alf e outros. Já Rosa Marya trabalhou no lendário Beco das Garrafas ao lado de grandes nomes da música brasileira como Sérgio Mendes, Luiz Eça e Edson Machado. É antológica a sua participação na montagem brasileira do musical Hair, mas também é reverenciada pelos seus dotes jazzísticos e blueseiros. Juntos também farão um show especialmente montado para o Santos Jazz Festival. A Jazzileira é Ricardo Teixeira (bateria), Nei Rocha (baixo acústico), Daniel Simonian (guitarra), Robson Nogueira (piano), Sandiego Santos (tuba), André Farias (flauta), Rich Nichols (trompete), Cláudio Guillen (trombone) e Maurício Fernandes (sax).

Quizumba Latina & Lucia Spivak – Afro Sambas – Quizumba Latina é formada por Ugo Castro Alves, Theo Cancello, Rodrigo Vilela, Rodrigo Farias, Jonatas Silva e Alan Plocki, experientes e requisitados músicos do cenário santista. Nasceu quando o músico e produtor Ugo Castro Alves propôs ao cenário musical de Santos as noites de AFROLATINA, febre que rapidamente se espalhou pela cidade. Na festa, que acontece em diferentes locais, a banda anfitriã recebe convidados especiais para participações e improvisos no palco. No Santos Jazz recebe a cantora Lucia Spivak.

Aki Kumar - O indiano Aki Kumar se mudou para o Vale do Silício, na Califórnia EUA, aos 18 anos de idade. Seu objetivo, como o de muitos outros, era ser um engenheiro de software bem-sucedido, porém, algo aconteceu ao longo do caminho: ele descobriu a música de Howlin 'Wolf e os clubes de Blues na área da baía de São Francisco. Seu primeiro álbum foi lançado em 2014, intitulado Do Not Hold Back; o segundo Aki Goes to Bollywood (2016), saiu pelo selo Little Village, do conceituado bluesman Jim Pugh. No Brasil uma banda de feras acompanha o indi-californiano: Beto Zigler (bateria), Raoni Bracher (baixo), Danilo Simi (guitarra), Nicolas Simi (guitarra) e Marcelo Naves abre o show com sua harmônica.

Liniker e os Caramelows – é o resultado de um encontro entre a cantora Liniker e uma banda de Araraquara formada por Rafael Barone (baixo), William Zaharanszki (guitarra), Pericles Zuanon (bateria), Márcio Bortoloti (trompete) e Renata Éssis (backing vocais). Logo lançaram Cru, o primeiro EP, embalado pelo primeiro single, "Zero". Os vídeos com a interpretação das canções do projeto ganharam milhões de visualizações rapidamente.  Durante a turnê de divulgação do trabalho, a banda realizou 80 shows por diversas partes do Brasil. Remonta, o álbum de estreia, lançado em setembro de 2016, contou com a ajuda dos fãs através por meio de financiamento coletivo no Catarse. Hoje Linker e os Caramelows são artistas em ascensão, tendo seus shows concorridíssimos pelos fãs. 

Komboio Cultural - É uma ação itinerante de ativação cultural em espaços públicos, destinado a ocupar praças, ruas, parques e afins com arte e cultura. É plataforma para diversas linguagens artísticas e manifestações culturais, em especial a música, por seu alcance. O Komboio chega com toda a sua estrutura para as apresentações ao ar livre, sem cobrança de ingresso, democratizando o acesso à arte e garantindo este direito constitucional de todo brasileiro. O Komboio vem desde 2016, circulando por espaços públicos das cidades da Baixada Santista e Grande São Paulo. Em cada espaço apresenta diferentes formações e atrações. No Santos Jazz Festival 2017, apresenta o que há de melhor na música instrumental e na canção popular. 

Carla Mariani – Na voz da cantora santista, o Show Blues & Jazz Divas leva ao público uma homenagem às grandes cantoras do Blues e Jazz, fazendo uma passeio na história destes estilos. A apresentação conta com nomes como Janis Joplin, Nina Simone, Etta James, Ella Fitzgerald, entre outras, até chegar em nomes atuais como Joss Stone e Norah Jones, além de composições autorais. Está lançando Time, seu primeiro EP.

Thiago Espírito Santo & Silvia Goes convidam Alba Santos – É da intimidade entre mãe e filho que nascem o CD e o show “Intuitivo”. Duas gerações de músicos que dedicam suas vidas ao ofício. Dessa cumplicidade e parceria, surge lindamente um trabalho coeso, que passeia pelos ritmos brasileiros com a naturalidade de uma conversa fluída na sala de casa. Com habilidade e naturalidade, os músicos compõe um cenário sonoro repleto de nuances e particularidades, que leva os ouvintes à criação de imagens, locais e situações fora da sua rotina. E nesse passeio musicado estão presentes samba, o choro, o bolero, o samba-canção e o jazz. Nesse show especial, convidam a cantora Alba Santos, espanhola, com uma bagagem e formação jazzística, que vem pesquisando as sonoridades brasileiras e sul americanas desde que desembarcou no Brasil em 2010. Fruto desse interesse desenvolve seu trabalho autoral, reflexo de todas as experiências vivenciadas e que resultam numa linguagem e sonoridade próprias, com matizes do flamenco espanhol, melodias jazzisticas, e com o tempero da música latino americana.

Igor Willcox 4tet - Baterista e compositor, Igor Willcox apresentará as músicas do seu primeiro álbum solo, entitulado #1. Com elementos do jazz, funky e fusion, o disco mostra o lado  compositor do artista, explorando toda sua  musicalidade, espontaneidade  como baterista e interação com os músicos.  O cd conta com as participações de Bocato, Carlos Tomati, Vini Morales,  Clayton Sousa, Glecio Nascimento, Rubem Farias, Bruno Alves, Erik Escobar, Jj  Frannco, Fernando Rosa e Marcus Cesar. O quarteto já esteve presente em  alguns dos principais clubes e festivais de Jazz de São Paulo como, Jazz nos Fundos, Jazz no Hostel, Omalley's,  Madeleine, Jazz It Up, Bar de Cima, Qualcasa, The Orleans, Play Jazz  Festival, entre outros.  
Igor Willcox Quartet é formado por: Clayton Sousa (saxofone),  Vini Morales (piano elétrico e synths),  Glécio Nascimento (baixo), Igor Willcox (bateria).

Blubell & Banda - Em Blubell canta Madonna o público do Santos Jazz Festival será embalado pela performance cheia de bom humor e teatralidade da artista. Trata-se de uma fusão harmoniosa dos ritmos dançantes do jazz e pop, a cantora e compositora Bluebell repagina sucessos da rainha do pop, Madonna, além de temas de outros albuns que já fazem parte de seu set list. Bluebell vem com seu grupo, Hugo Hori/Marcelo Pereira (sax), Daniel Grajew (piano), Igor Pimenta (baixo) e Carlinhos Mazzoni (bateria).

Ellen Oléria - Cantora e compositora com 15 anos de carreira. Aumula prêmios em festivais e tem cinco discos lançados. Em sua mais recente turnês alcançou cidades de norte a sul do Brasil e também o público de Espanha, França, Angola, Estados Unidos, Inglaterra, Rússia, Japão e Taiwan. Seu recente projeto musical é o Afrofuturista,  trabalho em que a artista combina com maestria ritmos brasileiros como o samba, o forró, o carimbó, o afoxé, o maracatu com os timbres e arranjos contemporâneos que apontam para um encontro urbano de identidades e discurso do protagonismo das comunidades negras no Brasil. A versatilidade de Ellen estende-se também ao seu ativismo político que podemos acompanhar no Estação Plural, talk show criado pela TV Brasil para tratar de pautas de comportamento e temas do universo LGBT. No inovador programa da TV Pública, Ellen Oléria estreia como apresentadora.

Dolores in Blues - é uma homenagem do músico, pianista, cantor e compositor João Leopoldo à obra de Dolores Duran. Uma releitura sensível, mostrando como a música de Dolores dialoga com o blues e este com o samba-canção, lembrando o tom dos velhos bares esfumaçados e cheios de histórias de encontros e desencontros. A música de Dolores Duran é atemporal. Seu idioma é o amor. Uma das mais respeitadas e importantes cantoras de sua geração, ela falou de sentimentos como ninguém, em todas as línguas. Dolores representa um momento de boemia intensa e criativa no Brasil, em um estilo que nunca será esquecido ou ficará ultrapassado ― suas músicas falam do amor de uma maneira delicada, mesmo que às vezes exagerada ou "dolorida demais". Dolores foi a primeira compositora popular de projeção nacional e um dos maiores expoentes do gênero naquela década de 1950. Escrevia na mesa dos bares, bebendo e fumando, ouvindo canções de bolero, salsa, choro e samba. Não faltarão canções como: "A Noite do Meu Bem", "Castigo", "Fim de Caso" e as parcerias com Billy Blanco, Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim.

Jes Condado - Cantora e baixista de blues e soul da Argentina, residindo atualmente no Brasil, apresenta o seu segundo disco, Natural, produzido pelo guitarrista Netto Rockfeller, conhecido da cena blues brasileira.
Natural é o primeiro disco inteiramente autoral da cantora, com músicas em espanhol, português e inglês. Influenciada pelo soul e o blues de Ruth Brown, Etta James, Aretha Franklin, Sharon Jones e Nina Simone, o disco procura um som moderno com reminiscências dos anos 60s e 70s. Jes Condado nasceu em Mendoza, Argentina, mas morou a maior parte da sua vida em Buenos Aires. Toca guitarra, baixo e continua estudando canto. Mudou-se ao Brasil em março de 2015 para continuar sua carreira musical.

Roberto Sion & Anaí Rosa – O santista Roberto Sion dispensa comentários. Saxofonista, flautista, clarinetista, arranjador, compositor, maestro e professor, tornou-se um dos grandes nomes da música instrumental brasileira. Estudou na faculdade de música de Berklee com Ryo Noda e Lee Konitz, e participou de inúmeros álbuns nacionais. Ao lado de Nelson Ayres, Zé Eduardo Naza´rio, Zeca Assumpção e Luiz Roberto Oliveira, participou como compositor e instrumentista do filme Mandala.
O repertório do Santos Jazz traz temas instrumentais e Luz do Sol (Caetano Veloso), Bisa do Mar (João Donato e Abel Silva), Ladeira da Preguiça (Gilberto Gil), Folhas Secas (Nelson Cavaquinho e Guilherme Brito), Vale o Escrito (Filó Machado) e muitos outros na voz de Anaí Rosa. 

Traditional Jazz Band - Ano 1964. Tempo do grande "boom" cultural e político que sacudiu e revolucionou o mundo todo. Época dos Beatles, Rolling Stones, cabelos compridos, pílula anticoncepcional, Bossa Nova e protestos nas ruas. Nas faculdades proliferavam grupos amadores de teatro, música e movimentos de cultura popular. Foi nessa época que um grupo de jovens universitários paulistanos se uniu com a proposta de não copiar o jazz primitivo, mas sim recriá-lo num espírito evolutivo. Nascia a Traditional Jazz Band (TJB) que há mais de quatro décadas mantém viva as raízes do gênero no Brasil. A banda é formada por Alcides Lima, o Cidão (bateria e washboard), Edo Callia (piano), Eduardo "Dudu" Bugni (banjo e violão), William Anderson (Trombone), Carlos Chaim (contrabaixo), Austin Roberts (trumpet) e Marcos Mônaco (clarinete, sax-alto, sax-tenor, sax-soprano e flauta), e já realizou centenas de shows no Brasil e no exterior, incluindo participações de destaque em vários Festivais de Jazz nas cidades de New Orleans, Califórnia, Washington, Boston e em países como a Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. Com cinquenta e três anos de carreira, a Traditional Jazz Band já lançou 21 CD’s e se prepara novidades no decorrer do ano. O humor é uma outra característica que não podemos deixar de citar. O clima é descontraído e informal, misturando música e informação. Resultado: o público se diverte e aprende a conhecer um pouco mais sobre essa música que nasceu tão longe do Brasil, mas que cada vez ganha mais adeptos.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Harmônica Duo - Little Will & Marcio Scialis


Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.

Músicos: Márcio Scialis (violão, voz e harmônica), Little Will (harmônica e backing na faixa 04; violão)

Gravado no Sesc São JOsé dos Campos em janeiro de 2015 
Mixagem: Daniel Lanchinho
Produção: Harmônica Duo
Fotografia: Nunno Fonseca 
Arte: Dayvik Martins

Músicas:
01 - Freedom/When Loves Come to Town
02 - Route 66
03 - Ain't She Sweet
04 - Proud MARY
05 - Hit the Road Jack
06 - COme Together
07 - Voodoo Child/Crossroads
08 - Dancing in the Streets/Mustang Sally

terça-feira, 13 de junho de 2017

Em menos de três meses Ilhabela recebe outro grande festival, o Bourbon Folk & Blues Ilhabela

Os blueseiros Larry e Steven McCray, a banda Ira, Maria Gadú, Adriano Grineberg, Ana Cañas e Victor Biglione são algumas das atrações na cidade do litoral paulista

Foto: Cezar Fernandes

A paradisíaca Ilhabela, cidade do litoral norte de São Paulo, é cenário, mais uma vez, de shows gratuitos de grandes artistas nacionais e internacionais, em palco montado na Praça da Bandeira. O Bourbon Folk & Blues Ilhabela ganha sua terceira edição e acontece entre os dias 23 e 25 de junho.
Durante os três dias do festival, artistas locais abrem a programação a partir das 17h30. Os fãs de folk e do blues também poderão assistir aos buskers (músicos de rua) espalhados pelas ruas e praias da ilha, todos os dias do festival, além de ouvir os sets do DJ Crizz, antes e após as apresentações.
Na primeira noite o festival recebe o eletrizante show dos irmãos Larry e Steven McCray, guitarra e bateria, respectivamente. Com voz poderosa, o guitarrista do Arkansas é considerado um dos maiores soulman da sua geração.
Reconhecido como um dos melhores músicos de blues contemporâneo do Brasil, o pianista Adriano Grineberg convida Ana Cañas, abrindo o festival para apresentação repleta de referências internacionais.
A cantora e compositora Clarice Falcão faz show com o jornalista Marcus Preto na direção musical, apresentando repertório de seu segundo álbum, "Problema Meu”, algumas canções de “Monomania”, seu álbum de estreia, além de inéditas.
Os shows de sábado (24/06) começam com a banda Folk It All, combinando as raízes do folk com a energia do rock, com a luxuosa participação do virtuoso Leo Mancini, guitarrista que já levou sua música para palcos ao redor do mundo. Para uma homenagem a Etta James, sobem ao palco do festival a cantora norte americana Alma Thomas e o violonista Victor Biglione.
Fechando a noite, um dos principais pianistas de blues do país, com influências dos grandes nomes da música de New Orleans, Luciano Leães se apresenta com a The Big Chiefs. Logo após, sobe ao palco o guitarrista Fernando Noronha e sua Black Soul, que contabilizam mais de 15 turnês por EUA, Canadá e Europa, desde sua criação, em 1995.
Já com ‘gostinho-de-quero-mais’, os últimos shows do Bourbon Folk & Blues Ilhabela acontecem no domingo (25/06), e reservam muitas surpresas, com as apresentações do cantor e guitarrista gaúcho Cris Crochemore & Blues Grooves e o show Maria Gadú in Blues, de uma das cantoras e compositoras mais criativas da atualidade. Fica sob a responsabilidade do guitarrista Edgard Scandurra e do cantor Nasi uma apresentação mais que esperada, o Ira! Folk.

O Festival é realização da Prefeitura de Ilhabela, com curadoria do Bourbon Street Music Club e produção da Lucas Shows. Larry McCray produção Mannish Blog.

Segue programação:

Sexta-feira (23/06)
17h30 – Atração local
18h30 - Adriano Grineberg convida Ana Cañas (SP)
20h00 - Clarice Falcão (RJ)
21h30 - Larry McCray e Steven McCray (USA)
DJ Crizz nos intervalos

Sábado (24/06)
17h30 – Mano Beethoven
18h30 - Folk It All, participação Leo Mancini
20h00 - Alma Thomas (USA) & Victor Biglione (ARG) - homenagem à Etta James
21h30 - Luciano Leães & The Big Chiefs e Fernando Noronha & Black Soul (POA)
DJ Crizz nos intervalos

Domingo (25/06)
17h30 – Tom Cats
18h30 - Cris Crochemore & Blues Grooves (USA/RS)
20h00 - Maria Gadú in Blues (SP)
21h30 - Ira! Folk (SP)
DJ Crizz nos intervalos


Buskers: Vasco Faé (SP) | Jefferson Gonçalves e Kleber Dias (RJ) | Corcel (SP) e Jonavo (MS). Pelas ruas e praias da Ilhabela.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Still Here - Alamo Leal


Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.

Músicos: Alamo Leal (guitarra, voz e slide), Marcos Klis (contrabaixo elértrico e acústico), Bruno Marquesi (bateria).
Convidados: Ari Borger (hammond B3 na faixa 6 e Piano nas faixas 8 e 9), Denilsom Martins (saxofone nas faixas 4, 6, 8 e 9), Flávio Guimarães (harmônica
nas faixas 3 e 10), José Luis Pardo (guitarra na faixa 6), Luciano Leães (hammond nas faixas 1 e 4 e piano Wulitzer na faixa 2), Luciana Dias (backing vocais nas faixas 6 e 9), Netto Rockefeler (guitarra na faixa 10), Otávio Rocha (slide na faixa 5 e guitarra nas faixas 7 e 10).

Produção: Chico Blues, Netto Rockefeller e Alamo Leal
Gravado em: Rockefeller's Ranch, São Carlos SP em abril de 2015.
Mixagem e masterização: Chico Blues e Netto Rockefeller em fevereiro de 2016
Gravações extras: Estúdio Da Totem Music, São Paulo, por Rafael Amarel e Chico Blues
Hanoi Studios, Rio de Janeiro, por Fernando Perazzo
Ari Borger Studios, São Paulo, Por Igor Prado e Chico Blues
Foto: Felipe Fittipaldi
Arte da capa: Dayvik Martins

Em memória a Allen Toussaint (1938-2015)

Músicas: 
1 - On Your Way Down - A. Toussaint
2 - I Wanna Know - S. Pie De Santo
3 - Living in a Prison - S.R. Norcia
4 - I Wanna Shout About It - R. Earl/S. Gomez 
5 - Slide Master - B. Allison
6 - Get Out My Life Woman - L. Dorsey
7 - I Held My Baby Last Night - E. James
8 - I Got News For You - R. Charles
9 - Shell Be So Fine - C. Vachon
10 - No Fighting - L. Butler

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Bourbon Festival Paraty anuncia atrações

Apenas a uma semana da festa o Bourbon Street anuncia atrações em seu festival, que sofre dificuldades de captação, mas mantém a excelência de sempre


Já está ficando chato anunciar uma porrada de festivais de jazz e blues a partir de maio todos os anos. Mentiraaaa!!!
Quanto mais melhor e essa semana mais um festival anunciou seu line up. 
Trata-se do Bourbon Festival Paraty, que acontece entre os dias 09 e 11 de junho no litoral sul do Rio de Janeiro.
As atrações foram anunciadas com algum atraso, é certo, mas temos de levar em conta todas as dificuldades que envolvem produzir um festival de blues e jazz no Brasil. 
E elas não são poucas. Falta de patrocínio é a principal. Diretores de marketing, esses que usam sapatênis e camisa quadriculada de botão e te fazem esperar horas nas suas antessalas moderninhas preferem apostar em eventos de figurões da mídia. A lógica é a da maior visibilidade. Mas as leis de incentivo não nasceram pra isso. Nasceram pra levar qualidade barata ao povo. 
Outra é a falta de apoio de prefeituras medíocres. Claro que preferem contratar cinco atrações sertanejas por 200 mil cada uma e desviar a metade para o próprio bolso do que realizar um festival inteiro onde ele não pode roubar.  
Geralmente esses eventos são planejados em cima de leis de incentivos fiscais que, diante de tanta corrupção no país, têm recebido críticas ruidosas de gente sem a mínima competência para tratar do assunto. Paciência, é melhor ouvir merda do que ser surdo. O que essa gente de Facebook não sabe, é que esses festivais, além dos músicos e produtores, empregam técnicos de iluminação, som, eletricistas, roadies, motoristas de vans, rede hoteleira, profissionais de imprensa, designers, camareiras, cenógrafos, envolvem passagens aéreas, intercâmbio entre artistas e o melhor de tudo, as pessoas podem se divertir com boa música, com tudo grátis. 
Após o breve desabafo, vamos às atrações.

Sexta 09
21h Wallace Roney (USA)
22h30 Marcinho Eiras (one man band)

Sábado 10
21h Léo Gandelman
22h30 Joe Louis Walker (USA)
24h André Frateschi e Miranda Kassin

Domingo 11
21h Hammond Grooves
22h30 Gregóire Maret (Suiça) com Thiago Espírito Santo Trio
24h 3x1 com Mestrinho, Pipoquinha e Alex Buck

Buskers pelas ruas de paraty com Bárbara Silva, Vasco Faé, Jefferson Gonçalves e Kleber Dias e Orleans Street Jazz Band. E nos finais de noite, Dj crizz.





sexta-feira, 26 de maio de 2017

Bourbon Street Music Club e festivais trazem grandes nomes do blues em junho

Junho está chegando e quem é do blues vai gostar. Vários festivais do gênero acontecem pelo país e é só procurar um que está perto de você

Joe Louis Walker

Já nos dias 01, 02 e 03 São Paulo recebe Sonny Landreth e Igor Prado; Malina Moye e Blues Etílicos; e Albert Cummings e Hammond Grooves, respectivamente no Samsung Blues Festival.
Os shows acontecem no Teatro Opus, no Shopping Villa Lobos, avenida Nações Unidas, 4777 - Telefone 3024-3738. 
No Bourbon Street, o músico e protutor Joe Louis Walker traz seu som vigoroso no dia 07, a partir das 09h30. Walker já gravou com B.B.King, Buddy Guy, Bonnie Raitt e Scotty Moore, e concorreu ao Grammy em 2016.
Duas semanas depois, dia 21, um dos maiores nomes do blues da atualidade, o guitarrista Larry Mcray e e seu irmão, o baterista Steven McCRay tocam acompanhado por Flávio Naves nos teclados e Bruno Falcão no baixo. Ambos figurinhas carimbadas do blue nacional e músicos da banda de Nuno Mindelis. Show em parceria com o Mannish Blog. O Bourbon fica na Rua Dos Chanés, 127 – Moema – SP. Telefone: (11) 5095-6100.


Samsung Blues Festival - A primeira noite da edição 2017 do projeto, que acontece dia 1º de junho, será comandada por Sonny Landreth e o brasileiro Igor Prado. O guitarrista americano irá apresentar seu último álbum, incluindo canções como True Blue, Brave New Girl e Uberesso.
O novo álbum, intitulado “Recordered Live in Lafayette”, é um trabalho que enfatiza sua performance individual mais do que qualquer outro disco, onde o artista explora suas habilidades acústica e elétrica, fazendo o som de uma banda completa.
A abertura do show fica por conta do blueseiro Igor Prado. Apaixonado pelo blues, desde os 16 anos, o artista já tocava em bares e festivais. Na bagagem traz apresentações com astros famosos como Steve Guyger, Mark Hummel, J.J Jackson e Phil Guy, entre outros. É também produtor musical e presença constante nas premiações internacionais.
Na segunda noite, o festival recebe o show da explosiva Malina Moye. Cantora, guitarrista e empresária, vem se consolidando como um dos novos nomes da guitarra rock and roll. A abertura é dos Blues Etílicos, grupo pioneiro no gênero e referência nacional. Criado pelo gaitista Flávio Guimarães, o baixista Cláudio Bedran e o guitarrista Otávio Rocha e mais tarde incorporando o cantor e guitarrista Greg Wilson e o baterista Pedro Strasser. Trata-se da primeira e principal banda nacional fiel ao gênero, já participou de importantes festivais de blues e dividiu o palco com astros como BB King, Robert Cray e Buddy Guy.
Albert Cummings encerra o festival com abertura do Hammond Grooves. Ver matéria específica em http://mannishblog.blogspot.com.br/2017/05/samsung-blues-festival-recebe-albert.html

Sonny Landreth

BB Seguridade – Em Curitiba começa a terceira edição do Festival BB Seguridade de Blues e Jazz, no Museu Oscar Niemeyer, no dia 3 de junho com entrada gratuita.
A programação mescla blues e jazz e conta com uma line up que inclui os americanos Joe Louis Walker e Wallace Roney Quintet, lendas, respectivamente, do blues e do jazz, e o brasileiro Zeca Baleiro, fazendo um inédito show de blues na rimeira etapa da programação.
Segundo a organização do festival, no ano passado os shows atraíram 15 mil pessoas em São Paulo; 20 mil em Brasília; 18 mil em Recife e 32 mil em Porto Alegre. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

União 2 - Eduardo Machado e Robertinho Silva


Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.

Músicos: Eduardo Machado (baixo), Robertinho Silva (bateria e percussão), Gil Reis (teclados), Victor Biglione (guitarra), Diego Figueiredo (violão), Gabriel Grossi (harmônica), Nay Carvalho (voz), Chico Oliveira (trompete), Sizão Machado (baixo), Ivinho Loppes (voz) e Alegre Corrêa (voz, violão e percussão).

Arranjos: Eduardo Machado
Técnico de gravação: André Bolela
Mixagem: André Bolela e Eduardo Machado
Masterização: Vitor Hirtsch/Engine Room Áudio (NYC)
Faixa multimídia: Luiz Lema
Vídeo: 3B produções
Fotografia: Delzio Marques
Arte: Gustavo Fiori Galli

Gravado em 15, 16 e 17 de outubro de 2015 no Estúdio Inside Áudio & Midia - Franca SP - Brasil

Músicas: 
1 - Pra Vocês
2 - Choro Carnavalesco
3 - Mano Zé
4 - Lua Laranja
5 - Na Contramão
6 - Cecília
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Encontro das Águas dedicada a Elsio Malta Barboza, in memorian

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Samsung Blues Festival recebe Albert Cummings em junho

Fãs do blues rock terão a oportunidade de assistir no dia 03 de junho pela primeira vez no Brasil o guitarrista Albert Cummings


Albert Cummings está fora do eixo blueseiro do sul ou das cidades com tradição mais ao norte como Chicago e Detroit. Cummings vem de Massachusetts, onde aprendeu os acordes do blues com seu pai. Na adolescência se tornou fã do bluegrass e migrou para o banjo.
Foi tocado pela música de Stevie Ray Vaughan ao assistir o show do virtuoso do Texas e nunca mais abandonou o blues.
Trabalhou como carpinteiro e fundou o grupo Swamp Yankee e com o qual se inseriu no circuito blueseiro da sua região até se apresentar com ícones do gênero, como B.B. King e Buddy Guy. Também trabalhou com o Double Trouble, banda de seu ídolo Stevie.
No Brasil Cummings apresenta as músicas de Someone Like You, seu mais recente álbum e um apanhado de seus discos, marcando seu retorno às raízes com a gravadora Blind Pig Records.
Sua discografia conta ainda com From the Heart (2003), True to Yourself (2004), Working Man (2006), Feel So Good (2008), No Regrets (2012) e Someone Like You (2015).

A realização é da Dançar Marketing Produções, via lei de incentivo do Ministério da Cultura.


Hammond Grooves – Os especialistas no mítico órgão Hammond B3 fazem um show empolgante e descontraído, misturando jazz, funk, boogaloo com ritmos brasileiros, maracatu, samba, baião, frevo, etc. O Show inclui também músicas que ficaram conhecidas nesta formação de orgão trio, homenageando os mestres Jimmy Smith, Wes Montgomery, Jack McDuff, Reuben Wilson, Dr. Lonnie Smith, Jimmy McGriff, Grant Green, Big John Patton, Earl Grant, George Benson e outros.

Serviço:
Show: Albert Cummings e Hammond Grooves
Data: 03 de junho
Local: Teatro Opus - Av. das Nações Unidas, 4777 (Shopping Villa Lobos - terraço).
Horário: 21h (artista nacional duração de 40 minutos e artista internacional duração de 1h).
Ingressos: Alta central: R$150,00
Alta Lateral Vale Cultura: R$50,00
Alta Lateral: R$80,00
Balcão Nobre Vale Cultura: R$50,00
Platéia Baixa Central: R$200,00
Platéia Baixa Lateral: R$100,00
Dispõe de meia entrada
Classificação: 16 anos
Abertura da casa: 2h antes

terça-feira, 2 de maio de 2017

As duas grandes escolas musicais brasileiras, percussão e cordas, presentes na música de Alexandre Birkett


Texto: Eugênio Martins Júnior
Fotos: José Luiz Borges

Alexandre Birkett é professor de música e custeia seus discos com suas aulas. Além de estudioso, é um curioso das cordas, o que faz toda a diferença quando se deixa de lado a rigidez dos estudos para abrir passagem ao lúdico.
Birkett se enquadra na categoria de músicos como Guinga, Marco Pereira, Ulisses Rocha e Paulo Bellinati e, além de linguagem própria, onde as cenas brasileiras se fazem presente sempre, cultiva parcerias duradoras. 
Uma com o baixista Washington Soares, do CD Feira Livre. Outra, prolífica,  com o baterista e percussionista Robertinho Silva que rendeu dois álbuns conceituais de destaque na discografia instrumental brasileira: Mixtura Brasileira e Cordas e Tambores. Verdadeiras viagens pelas montanhas de Minas e o sertão do Nordeste.
Temporal é uma obra prima. Essencialmente de cordas e percussão, as duas grandes escolas brasileiras, o CD nos pega pelos ouvidos e pelo coração.
Além da relação com o tempo, a palavra Temporal também representa a descarga de energia provocada pela natureza. É sem dúvida o CD mais experimental da carreira de Birkett que introduziu timbres de cordas variados, colocando cavaquinho, violão tenor, banjo, craviola, violão de seresta e guitarra portuguesa na frente da vitrine.
Também reuniu um time de bambas. Além de Washington, o musicista Jorge Lampa  e o guitarrista John Stowell que sola durante nove minutos em Fragmentos de Alice e abrilhanta El Guardian. Nesse trabalho as percussões ficam por conta de Plínio Romero e os irmãos Binho e Vanderson Franco, filhos do Mestre Paulinho, da escola de samba Brasil de Santos.
Não existe desculpa. A entrevista realizada há dois anos só está sendo publicada agora pela minha total falta de organização. 
Gravei em fitas – ainda no primeiro gravador analógico que comprei ao entrar na faculdade de jornalismo – que frequentemente desaparecem no triângulo das bermudas das minifitas cassetes que existe aqui no meu apartamento. 
Um dia elas aparecem. E entre uma cerveja artesanal e a lida do dia a dia eu trancrevo e publico as conversas nesse Mannish Blog.


Eugênio Martins Júnior – Quando começou tocar violão e guitarra?
Alexandre Birkett – Comecei os dois ao mesmo tempo, a partir dos 16 anos, Led Zeppelin e Beatles. Tocando com os amigos na rua, na primeira metade dos anos 80, um pouco tarde. Todos eles foram para outros caminhos. 

EM – Naquela época a cena roqueira de Santos era bem forte. Você passou por alguma banda?
AB – A banda mais próxima era o Alta Tensão, do Washington, Dentinho, Mauro e Marcelo Elias. Naquela época também havia bandas de jazz rock, tinha o Tempo e Espaço onde toquei. Música instrumental tocava na rádio. Comecei no rock, mas logo me interessei por Santana e John McLaughlin. Fui por esse caminho. Estudando sozinho e tirando as coisas dos discos. Essa época não tinha internet. Se um cara no Canal 1¹ tirava uma música do Yes a gente ia lá perguntar como ele fazia. A coisa era mais ou menos assim. O guitarrista do Alta Tensão tocava aquele solo da música Eruption, do Van Halen e quando eles fizeram um show na danceteria Heavy Metal a molecada foi ver como ele tocava, mas na hora do solo eles cobriram com uma toalha e não deixavam ninguém ver. Que absurdo (risos). 
O negócio foi indo. O passo importante foi a chegada do CLAM, aquela escola do Zimbo Trio. Em 87 decidi me profissionalizar. Estudei com o José Roberto Araujo, com o João Souto e tinha amizade com o Kiko Moura, um cara que tinha muita informação. A gente tinha de estudar em livros, aprender inglês na marra. Só na segunda metade dos anos 80 foi que o Almyr Chediak começou a organizar uns livros de teoria e harmonia, o Dicionário de Acordes Cifrados, Harmonia e Improvisação. Um marco para o aprendizado de música no Brasil. Ainda fiquei cinco anos no CLAM. 

EM - Passou a levar a música a sério?
AB – Pra mim foi aquele lance de a fome faz a arte. Havia acabado de sair do colegial e decidi me embrenhar na música. Meu pai havia acabado de falecer. Uma coisa que me fez estudar e evoluir foi que aquilo passou a ser meu ganha pão também. É meio clichê falar isso, mas às vezes não é você que leva a vida, é a vida que te leva. 

EM – Nessa época você foi pra São Paulo tocar?
AB – Sim, fui pra mudar de ares. Tocava em Santos no Tempo e Espaço com o Maurício Fernandes, o Paulo Farias, o Marquito na percussão e o Paulinho Batera que hoje está no Japão. Aí fui tocar no Torto, na banda Jornal do Brasil. Toquei um tempão com o Julinho e então larguei pra morar e tocar em São Paulo com outros amigos. Um deles era o Alexandre Faccas, o Monga, o outro era o Rivaldo, um guitarrista muito bom que tocava Jeff Beck, Stevie Ray Vaughn, tinha um Gibson 335. Era a decadência do bairro Bixiga, mas ainda tinha muitas oportunidades para a gente tocar. Conheci a cantora Tutti Baê e toquei um tempão na banda dela. Depois toquei com a Bi Scott em festivais de blues em Ribeirão Preto e no circuito de blues de São Paulo. Todos aqueles bares. 

EM – Passou a viver de música?
AB – Sim, mas tocava de tudo. Até em banda de baile. Música portuguesa, judaica, italiana. O bom é que todas essas músicas eram escritas e o fato de estudar música me dava vantagem para ser contratado. Não que o músico que lê seja melhor, não existe isso. Só tinha essa vantagem. Mas mesmo assim os outros músicos zoavam muito os guitarristas e viviam fazendo as tradicionais piadas sobre as mentiras dos guitarristas. Sabe quais são?

EM – Não.
AB – A primeira é: “Pô, não estou me ouvindo?” A segunda: “Eu não quero solar nessa música”. A outra é: Sabe qual é a melhor maneira de deixar um guitarrista quieto? É colocar uma partitura na frente dele. E a piada do maestro que fala para o pianista: “Olha, o acorde é Dó com sétima maior, nona e décima primeira aumentada. O pianista vira para o guitarrista e fala Dó com sétima maior. Aí ele fala para o baixista Dó. Aí o baixista fala para o baterista, “Bolero”. E o baterista fala para o percussionista, “faz qualquer coisa aí”. Mas são piadas que a gente tem de aguentar. 


EM – Como teve a ideia de gravar o teu primeiro disco?
AB – Meu primeiro disco foi gravado em 1999. Na segunda metade dos anos 90, em contato com o Washington Soares, passei a pensar em música autoral. Pensávamos tocar um som brasileiro, sem influências de fora. O que vejo hoje como uma bobagem porque música é universal. Então comecei a pesquisar os ritmos brasileiros, as religiões afro brasileiras, as músicas dos recônditos do Brasil. O primeiro cara que me deu esse toque da composição foi o Wagner Parra². Incentivou a fazer um disco com as minhas músicas. Então gravamos o Trem Pra Ribeirão, em 1999. Metade das músicas desse disco são minhas e a outra metade são do Washington. Tentando encontrar esse caminho da composição. 

EM – Atualmente o músico está muito aberto para o mundo, é difícil encontrar a sua voz?
AB – Hoje em dia tem grandes artistas fazendo isso. Dando uma volta... e voltando ao ponto de origem.
A pré produção do Trem Pra Ribeirão foi feita aqui, mas foi gravado em São Paulo. Começamos ensaiando em 1997 sem saber se teríamos recurso pra gravar. 

EM – O segundo álbum, o Feira Livre, é bem diferente. Com mais percussão, a tua primeira parceria com o Robertinho Silva. Quando você começou a dar pistas dessa tua influência percussiva.
AB – Comecei a me ligar mais nisso. As pessoas começaram a perguntar porque eu dava tanto espaço para percussão. Eu adoro percussão. Aquele é um disco de arranjador e não de instrumentista. Foi pensado para dar espaço para todos. Foi um disco com as músicas um pouco mais curtas do que o anterior. Inserimos mais instrumentos de sopro também. O Robertinho estava em Santos e o Zé Cintra que toca no disco e é sobrinho dele o convidou para ir ao estúdio e ele gostou do que ouviu. Na época ele estava gravando com o Randy Brecker. Robertinho é um cara que gravou mais de 200 discos na carreira, imagina? 

EM – Eu ouço as tuas músicas instrumentais e imagino cenas brasileiras, principalmente por causa dos títulos: Feira Livre, Fogo Na Chaleira, Bicho Preguiça, Aboio do Encantado, Velha Ermida. Você é influenciado por essas imagens ou é uma viagem minha? 
AB – Procede. Isso que você fala é interessante. O título da música instrumental é o único viés que ela dá pra alguma viagem. Tem o lance imagético. O título te dá uma dica do que pode acontecer. A Feira Livre é a feira em frente à casa do Washington. Ele vive aquilo toda semana e a feira é a mistura de tudo, né? A barraca do cara que é árabe, do português, do pernambucano, do baiano. Tem sotaques e você pode traduzir isso em música. E também com relação as cenas santistas, Chuva no Mar, São Jorge dos Erasmos, Mogiana. Eu ia de trem para casa dos meus avós em Ribeirão Pires. Meu outro avô era maquinista. São referências que acesso nesse banco afetivo. Ouvia os sinos do Valongo na hora de ir embora e compus uma música que está no disco Cordas e Tambores. Minha mãe era professora e eu e Washington estudamos juntos nos lugares onde ela dava aula. Depois ela foi diretora e eu fui atrás, na Areia Branca³. Na escola que era em frente ao cemitério. A molecada jogava bola dentro do cemitério. E nós fazíamos educação física nas ruínas do Engenho dos Erasmos. Íamos correndo até o campo do Jabaquara. Ali foi um dos primeiros engenhos do Brasil. 


EM – Outra coisa que a gente percebe na tua música é o lance da pesquisa de ritmos brasileiros e africanos. Os tambores e as cordas.
AB – Não adiante você falar de ritmos sem conhecer. Todas as minhas viagens para Minas Gerais, Bahia, fronteira do Brasil, no Paraguai com a cantora Perla, em 2003. Ela faz muito sucesso lá. Tocamos em um lugar para mais de três mil pessoas. Então nos deparamos com algumas pessoas o tempo todo falando guarani, tocando uma música chamada chamamé, que uns também chamam de polca paraguaia. Isso acontece em todos os estados do Brasil. Principalmente no interior. É tudo muito misturado. Caldiado, como falava o Darcy Ribeiro. Tem a lenda do pacto com o diabo no Mississippi, mas aqui os violeiros fazem a mesma coisa, eles deixam a cobra enrolar na mão, essas coisas. Então você não precisa se envolver, mas tem de botar o pé no terreiro para poder entender esse processo cultural. A rítmica, os instrumentos que eles tocam nesses rituais. Acabei sendo influenciado por isso. 

EM – Não adianta ficar aqui na cidade, tem de meter o pé na estrada porque aqui chega tudo diluído. 
AB – Quando fui ver o Albert King em São Paulo em 1991 pensava que ele ia tocar com o Robben Ford, mas ele não quis. Talvez, na cabeça dele a música do Robben Ford já fosse uma diluição. Não sei. Mas será que o Blues quando foi pra Chicago também já não foi diluido? 

EM – O Mixtura Brasileira foi um álbum inteiro em parceria com o Robertinho Silva. Fale um pouco sobre esse disco.
AB – Ele sempre foi meu ídolo. O cara que pavimentou o caminho de muitos bateristas e percussionistas. Ficou 28 anos com o Milton Nascimento, gravou com Wayne Shorter, Ron Carter, Toninho Horta, Chico Buarque, um cara respeitadíssimo. Aquilo era um sonho. Achei que ele estava brincando. Fizemos por um selo pequeno do Guarujá que não existe mais, o Marine Music. Usei vários instrumentos, viola caipira, bandolim, violão tenor. Tinha tempo, o disco foi gravado durante um ano, entre 2002 e 2003. Com bastante calma. Hoje vejo um pouco de perigo nisso. Como foi feito por um selo e não precisavámos pagar horas de estúdio, fiquei  com muito preciosismo. O CD vendeu bastante, mas não fizemos nenhuma turnê por causa da agenda dele. Ainda rende bons frutos, tem no iTunes, fácil de achar. Ele gosta muito do disco. Semana passada me ligou falando que ia fazer outro Mixtura Brasileira. Pô, um cara com 73 anos está com pique de garoto. 

EM – Mas chega uma hora que tem de acabar.
AB – Sim, mas como o produtor não nos dava o deadline eu ficava lá tocando, criando, como era feito há trinta anos. 

EM – As composições são de ambos? Especificamente para esse trabalho?
AB – São minhas e uma dele, Duna. Algumas foram criadas para o Mixtura e outras eu já tinha. 

EM – E depois você gravou o Cordas e Tambores.
AB – Não foi o Temporal.


EM – Calma já vou falar dele também.
AB – (risos). No Cordas e Tambores foi o mesmo processo. Em 2010 estávamos pensando em fazer um disco novo e inicialmente seria com um trio, dessa vez com o Luiz Alves no baixo no Rio de Janeiro. Mas ele teve um problema e resolvemos gravar em São Paulo porque era mais barato. Banquei esse disco do meu bolso e gravava quando o Robertinho estava em São Paulo. Gravamos a parte dele em um final de semana. O Vinicius Dorim participou nas flautas e o Alberto Lucas fez os baixos. Tem também a participação do Rogério Botter Maio no contrabaixo e o Everaldo Casimiro no trombone. 

EM – Já falamos sobre a pesquisa dos ritmos e do folclore. Gostaria que você falasse agora sobre a pesquisa de instrumentos de cordas que você faz. O Temporal é uma vitrine desse trabalho. É um disco excepcional nesse sentido.
AB – É um negócio meio maluco. A guitarra compartilha a mesma afinação do violão, mas existem tantas afinações alternativas. O bandolim tem a afinação do violino. O violão tenor é parecido com a viola de orquestra. A guitarra portuguesa é totalmente modal. A de Lisboa é uma e a de Coimbra é outra. Faço uma analogia com o blues, aquelas coisas do Delta que traz a afinação aberta, como a viola capira também tem. Se eu pensar os instrumentos de uma forma cartesiana ficaria louco. Então para esses instrumentos, deixo meu lado mais lúdico e intuitivo tomar conta. A guitarra portuguesa é totalmente intuitiva. É uma diversão com respeito ao instrumento, por isso não digo que “toco” efetivamente. Uso para dar um timbre diferente. Isso virou referência. Outro dia um amigo trouxe um Oud da Jordânia e disse que pensou em mim. Imagina pegar a afinação desse instrumento? Ele não tem traste. São cores diferentes. 

EM – Como foi a participação do John Stowell no Temporal?
AB – É um cara muito generoso e um músico excelente. Nos anos 90 estava em busca de novas ideias e mandei uma carta pra ele sobre dúvidas que tinha. Ele me respondeu com uma carta com um monte de xerox, como se fosse uma aula, de graça. 

EM – Os músicos americanos são muito profissionais. Qualquer coisa que você solicita eles respondem.
AB – Sim, continuamos em contato. Sempre nos correspondendo. Um dia falei pra ele gravar e ele topou, então mandei as músicas e ele gravou nos Estados Unidos. E ele quer muito tocar no Brasil. Ele consegue tocar no Chile, Argentina, mas não no Brasil. Pô, o cara gravou com o Dave Liebman, tem quinze discos gravados. É muito difícil. 

EM – Você nunca gravou um disco no formato quarteto de jazz. Por quê? 
AB – Tenho um projeto para fazer isso. Tenho um disco pronto na minha cabeça, trio ou quarteto com músicas autorais. Também gostaria de gravar um disco com músicas do Tom Jobim, Beatles, e caras que admiro do jazz, mas esbarra na burocracia dos direitos autorais, além de ser uma grana danada. Há muito tempo que não gravo guitarra. Faz tempo que também não gravo bateria porque os estúdios não me convenciam sobre os timbres. E piano não gravava porque queria um piano de verdade e não teclado. Deixei os violões um pouco de canto e voltei a me apaixonar pela minha guitarra. 

EM – Muita gente não acredita na música instrumental autoral no Brasil. O que você acha disso?
AB – É um processo. Não tem nada a ver gravar os clássicos de jazz se eles já foram bem feitos desde os anos 50, os clássicos do Miles com o John Coltrane, Philly Joe Jones, Paul Chambers. Você vai fazer o quê? Os standards são um grande aprendizado, mas não podemos tocar da mesma maneira. Às vezes o produtor de contrata pra tocar daquela maneira. O certo é o músico acreditar no seu trabalho. Ninguém é igual a ninguém. Uma vez fui tocar em Florianópolis e o repertório era metade meu e metade de standards. Chegando lá a produtora não quis. Disse que o público estava acostumado a ouvir música autoral e disse pra tocar as minhas músicas. Era uma semana que estava um monte de gente boa tocando, o Bebê Kramer, Tatiana Cobbet e Marcoliva e outros. Isso pra mim foi uma grande aula: “Acredita no teu som”. 

1 - Para quem não conhece, Santos é cortada por canais que viraram referência de localização.
2 - DJ santista falecido em 2015, poucos meses após essa entrevista.
3 - Bairro periférico de Santos.




terça-feira, 25 de abril de 2017

Abril termina com projeto dedicado ao Jazz. Vai perder?

O Jazz Mansion é uma festa itinerante que comemora o Dia Internacional do Jazz e suas vertentes. Esse ano serão dois dias de boa música, 29 e 30 de abril


O projeto itinerante, um incentivo ao Jazz que chega à sua sétima edição, é realizado em mansões históricas de São Paulo. 
Esse ano acontece em duas sessões, uma no sábado à noite, outra no domingo à tarde, em um casarão dos anos 50. 
O Jazz Mansion já ocupou casarões das décadas de 10, 20 e 40, que carregam um pedaço da história de São Paulo.
A edição de 2017 contará com apresentações de Ari Borger Trio nos dois dias, Chaiss no sábado e FlyBrass no domingo. Luísa Viscardi é a DJ residente do projeto e entre os shows toca um groove que passa do Hip Hop ao Jazz, Funk, Soul entre outros estilos.
O Jazz Mansion é uma parceria entre a Cuco e Bourbon Street Music Club.

Ari Borger Trio -  pioneiro e mestre no piano blues, boogie woogie e hammond B3 no Brasil. Inspirou vários instrumentistas e teve destaque nos principais festivais do gênero nos Estados Unidos e Europa. Abriu shows para artistas como B.B.King e tocou com verdadeiras lendas do piano blues como os mestres Johnnie Johnson e Pinetop Perkins – pianistas de Chuck Berry e Mudy Waters. O trio se apresenta no sábado e no domingo

Chaiss - Com uma levada de Jazz, funk e fusion, o jovem grupo é expoente no cenário instrumental paulista. O quarteto é formado por Vinícius Chagas (saxofone), Éder Martins (guitarra), Rob Ashtoffen (baixo elétrico) e Fábio Albuquerque (bateria) trabalha composições inéditas e temas do disco “Aʄroδιsια”. O grupo se apresenta no sábado.

FlyBrass - Coreografias, interação com o público e muita energia fazem parte de toda versatilidade da banda, composta por bateria, guitarra, baixo e, na linha de frente, saxofone e trombone responsáveis por agitar e trazer o público. O grupo se apresenta no domingo.

Luísa Viscardi - Faz um groove de responsa entre os shows nos dois dias. Fundadora da agência JAMBOX, focada na cultura urbana, seu estilo musical é definido como “freestyle”, capaz de abranger gêneros do Hip Hop ao Jazz, Funk, Soul, Reggae, R&B, House, Drum & Bass, Bass e Música Brasileira.

Serviço 

Local: Avenida das Magnólias, 1182 – Cidade Jardim

Datas:
29/04/2017 - Sábado
20h – 04h – Chaiss e Ari Borger Trio

30/04/2017 - Domingo
15h – 22h – FlyBrass e Ari Borger Trio

Ingresso:
R$ 25,00

Vendas online:
http://bit.ly/IngressosJazz7

Classificação indicativa:  Entrada de menores de 18 anos apenas com pais ou responsáveis.
Capacidade: 250 pessoas
Aceita todos os cartões
Não possui acessibilidade motora.
Evento no Facebook:
http://bit.ly/EventoJazz7

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Ilhabela realiza grande festival de Bossa Nova e Choro em maio

O cast, que inclui Marcos Valle, João Donato, Rosa Passos, Roberto Menescal e muitos outros, celebra a genialidade da música brasileira

João Donato e Donatinho

Na contramão de muitas prefeituras do litoral paulista que preferem gastar dinheiro com música de gosto duvidoso, Ilhabela realiza no primeiro final de semana de maio um super festival de Bossa Nova e Choro com um cast composto por pesos pesados de ambos os estilos.
Entre os dias 4 e 7 de maio, a cidade do litoral paulista recebe o primeiro Ilhabela Bossa e Choro – Música Autêntica Brasileira com o que há de melhor da nossa música. 
João Donato, Marcos Valle, Roberto Menescal, Leo Gandelman, Rosa Passos, Vânia, Bastos, Robertinho Silva, Cris Dellano, Simoninha, Max De Castro, Choro de Bolso, Thiago Espírito Santo e muitos outros artistas irão se apresentar nas belas praias da cidade.
As atrações estarão distribuidas em dois palcos, um fixo e um itinerante. 
O fixo será o Palco Tom Jobim na Praça da Bandeira, no Centro. O Palco Pixinguinha estará em dias diferentes nas praias do Perequê, Do Sino e Praia Grande. 
Segundo a produção do festival, os lugares foram escolhidos para facilitar o acesso das pessoas e para que os turistas possam contemplar a maravilhosa paisagem da ilha enquanto curtem a melhor música do mundo. 
Além de incrementar o turismo na cidade fora das tradicionais temporadas de fim de ano e férias do meio do ano, a iniciativa da prefeitura, realizadora do evento, é atrair agências de turismo internacionais, ligando a imagem da cidade com a autenticidade da música brasileira.
O festival é uma parceria da prefeitura com a Lucas Shows e Eventos e Bourbon Street Music Club, com curadoria de Herbert Lucas. 

Rosa Passos
Programe-se:

Palco Tom Jobim

Quinta-feira, dia 04/05
18h – Quinteto em Choro e Jazz
19h – Tia Ciata
20h30 – João Donato e Donatinho

Sexta-feira, dia 05/05
19h – Pronúncia no Olhar
20h – Leo Gandelman e Serginho Trombone
22h – Rosa Passos canta Tom Jobim

Sábado, dia 06/05
19h – Larissa Cavalcanti
20h – Vânia Bastos e Marcos Paiva – Concerto para Pixinguinha
22h – Marcos Valle (participação Max de Castro)

Domingo, dia 07/05
19 - Valério Wizz
20h – Robertinho Silva e Eduardo Machado
22h – Roberto Menescal e Cris Delanno (participação Simoninha)

Choro de Bolso e Kleber Serrado

Palcos Pixinguinha (itinerante)

Sexta-feira, dia 05/05 – Praia Grande
16h – Quinteto em Choro e Jazz
17h – Thiago Espírito Santos e Sílvia Goes
18h – Felipe Bianchi Trio

Sábado, 06/05 – Praia do Sino
16h – Quinteto em Choro e Jazz
17h – Dudu França, Marcelo Totó e Baggio
18h – Choro de Bolso e Kleber Serrado

Domingo, dia 07/05 – Praia do Perequê
16h – Quinteto em Choro e Jazz
17h – Aline Outa e Banda
18h – Panorama do Choro Paulistano Contemporâneo

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A música de rua corre risco em São Paulo por conta de restrições a manifestações culturais


Texto: Marcelo Moreira/Combate Rock UOL
Foto do blog Choque Cultural

Uma das coisas boas da previsibilidade é que as coisas previsíveis são previsíveis, especialmente na política. Portanto, só os desinformados se surpreenderam com as recentes bobagens e decisões estapafúrdias que os recém-empossados Donald Trump (presidente dos Estados Unidos) e João Doria Júnior (prefeito de São Paulo) cometeram em tão pouco tempo. Eles prometeram eu suas campanhas e estão cumprindo. Qual a surpresa então?
Em meio ao marketing pessoal e decisões polêmicas, o novo prefeito de São Paulo disse a que veio ao ameaçar com privatizações da cultura e fim da arte de rua, em todas as suas formas.
O ataque anunciado aos equipamentos culturais é brutal, com a intenção de privatizar bibliotecas municipais e o Centro Cultural São Paulo, além da transferência da Virada Cultural para o longínquo e inadequado autódromo de Interlagos – “para não incomodar a população de São Paulo”…
A polêmica mais recente é em relação ao grafite, a arte de rua por excelência, onde artistas ocupam muros e paredes com desenhos sensacionais (às vezes nem tanto).
A recente investida dos serviços de fiscalização da prefeitura e da Guarda Civil Metropolitana mostram que a nova administração despreza qualquer tipo de manifestação cultural que não esteja nos “conformes”, com a destruição de desenhos na avenida 23 de Maio e em outros lugares.
A implicância de Doria é com a “pichação”. Com isso, ele joga no mesmo saco o grafite, que é arte reconhecida internacionalmente, sendo que alguns dos artistas mais importantes do mundo são brasileiros.
Um aparte importante: grafite é arte, e pichação não passa de vandalismo e depredação, ainda que muitos “especialistas”, filósofos de boteco e de redes sociais e ainda alguns vândalos insistam que existe um conceito e uma “motivação” política por traz dos rabiscos que sujam a cidade.
E o que tem a ver o ataque de Doria contra os grafites, que amenizam a degradação visual e ambiental da cidade, com a música?
Não tenham dúvidas: a mesma intempestividade e virulência do ataque da prefeitura paulistana contra o grafite será aplicada a todas as formas de arte de rua, em toda a cidade.
Portanto, prepare-se para não ver mais aquela banda de rock indie bacaninha que toca na avenida Paulista aos domingos; esqueça do trio de jazz que de vez em quando, em dias da semana, faz um som legal em frente ao Conjunto Nacional, na mesma avenida Paulista; esqueça da banda de blues que faz a alegria de muita gente no parque Trianon e dos trios de choro que zanzam pelo centro velho de São Paulo.
Além da bem-vinda criação de mais um espaço de lazer, a avenida Paulista fechada ao trânsito aos domingos trouxe um enorme ganho cultural: trupes de teatro amador podem livremente mostrar seu trabalho antes restrito a salas fechadas; artesãos podem expor livremente e comercializar seus produtos; músicos de todos os calibres e quilates podem tocar à vontade, em uma sinfonia sonora estranha, mas totalmente livre e anárquica.
A cruzada contra o grafite – que para Doria é a mesma coisa que pichação – logo chegará aos músicos de rua.
Uma simples serenata será coibida? Grupos de música típica serão proibidos de tocar em festas étnicas de rua? Como imaginar festas italianas no Bexiga e na Mooca sem sanfoneiros e cantores? Como pensar as festas latinas no Pari sem os trios e duplas tocando flautas e percussão andinas?
Os integrantes da banda Test, por exemplo, que param sua Kombi em qualquer lugar e imediatamente descem e saem tocando, seriam presos? a banda Folk na Kombi, idem?
O rock nunca teve tradição nas ruas de São Paulo – ou em qualquer rua de cidades brasileiras -, mas algumas iniciativas recentes ajudaram disseminar a ideia de que a rua e outros espaços urbanos podem e devem ser ocupados, no centro e na periferia, para a difusão de projetos culturais.
O Rock na Praça teve quatro edições nos últimos dois anos e foi uma das mais legais iniciativas gratuitas de colocar o rock na rua para espalhar cultura.
Outros projetos semelhantes foram o Rock na Casa e o Rock na Calçada – todos, evidentemente, programados  com antecedência e com o então apoio da prefeitura paulistana na gestão de Fernando Haddad (PT).
As preocupações com o fim de projetos como esses e a eventual (e previsível) restrição ou proibição de música livre na rua são grandes. A fiscalização aos ambulantes já está pesada, com relatos de repressão e apreensão de material de artesãos mesmo aos domingos, quando a avenida Paulista e outras vias são fechadas ao tráfego.
Pela internet, alguns músicos estiveram incentivando bandas de todos os gêneros a programar uma ocupação da avenida Paulista e de outros espaços públicos para fazer um protesto sonoro contra o ataque à arte de rua e para garantir que não haja eventual repressão contra quem quiser tocar de forma livre e espontânea. Até agora a iniciativa não decolou, mas torçamos para que a proposta vingue. A rua é nossa e de todos.