sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Francisco Mela apresenta seus afro ritmos em FE

The Crash Trio

Texto e foto: Eugênio Martins Júnior

É muito bom ter uma boa configuração em um aparelho de som para tocar aquele CD de jazz e poder ouvir todos os detalhes da música. Mas, convenhamos, nada supera uma performance ao vivo.
E quando você espera o show durante dias, às vezes meses, e na noite especial fica a menos de cinco metros da música real? Vendo e ouvindo os instrumentos sendo manipulados com maestria pelos seus gênios musicais? 
Assisti o The Crash Trio, de Francisco Mela (bateria), com Santiago Leibson (piano) e Sean Conly (baixo), no dia 29 de agosto, no Bourbon Street Music Club, em sampa. Uma noite memorável de straight ahead jazz. 
Nascido em 1968, em Bayamo, Cuba, Francisco Mela começou a tocar bateria tardiamente, aos 18 anos de idade. Desenvolveu seu estilo com um pé em seu país natal e outro no jazz norte americano. Uma avalanche de ritmos desabando sobre o kit. 
Foi para os Estados Unidos em 2000 para, literalmente, tocar a vida. Lá se enturmou com um pessoal da pesada que inclui Kenny Barron, Joe Lovano, John Scofield, Gary Bartz e nada menos do que o lendário McCoy Tyner.  
Desde então vem desenvolvendo uma carreira que inclui quatro discos solo – Melao (2006), Cirio: Live at the Blue Note (2008), Tree of Life (2011) e FE (2016) - e participações em trabalhos de outros artistas.
Na gig em São Paulo Mela apresentou FE quase na íntegra, e temas cantados de outros discos, ou melhor, recitados, por ele próprio.
Na ocasião da gravação do álbum de 2016, o Crash Trio contava com Leo Genovese (piano) e Gerald Cannon (baixo) e  John Scofield (guitarra) como convidado. FE é um retrato colorido do que é o jazz contemporâneo, traz Mela e banda esbanjando criatividade e, acima de tudo, ousadia. Como o jazz tem de ser.
Subi a montanha entre Santos e sampa de moto numa noite de fim de inverno. O frio e o vento entram em todas as frestas da roupa e, já que a noite no Bourbon Street era de música “meio” cubana, ao chegar ousei esquentar o esqueleto com um bom rum. Como eu disse antes, nada como ouvir  música ao vivo, sempre vale a pena o esforço.


Eugênio Martins Júnior – Como a música apareceu na tua infância em Cuba?
Francisco Mela – Cuba é igual ao Brasil, existe música em todas as esquinas. As pessoas respiram música. Cresci em um ambiente musical, me pai costumava cantar um pouquinho, mas não me tornei músico antes dos 18 anos de idade. Estudava artes plásticas na escola de arte, mas percebi que não seria um bom pintor então acabei saindo. Meu pai disse que eu tinha de decidir o que fazer da vida, poderia ir para escola de dança, pois não tocava nenhum instrumento. Decidi ir cantar em um coro e o tempo foi passando até um amigo do departamento de percussão me mostrar o instrumento. Na hora percebi o que tinha de fazer. Tracei um plano para virar músico. 

EM - Os ritmos cubanos soaram alto na tua alma naquele momento?
FM – Eles disseram que eu tinha ritmo. Posso dizer que era um bom dançarino, sentia o ritmo da música, então marquei uma audição no departamento de percussão e passei. 

EM – Hoje você faz um jazz forte e moderno. Gostaria que falasse sobre isso em ralação à tradição do jazz cubano, um dos melhores do mundo.
FM – Sim, sim. Em Cuba tocamos o Latin Jazz, que é muito famoso. É basicamente a combinação da música cubana com o jazz americano. A soma do trio de jazz com as congas cubanas formam um verdadeiro quarteto de Latin Jazz. Pode-se tocar standards cubanos ou standards americanos. 

EM – Você chegou a tocar clubes noturnos de Cuba?
FM – Toquei muito pouco nas noites de Cuba. Tive a oportunidade de tocar com um grupo que me contratou para ir ao México. Lá comecei a tocar mais jazz.


EM - Você foi para Boston estudar em uma escola famosa. Sentiu muita diferença do que havia aprendido em Cuba?
FM – Foi no México que ouvi falar da Berklee College. Então entrei em contato e eles me convidaram para uma audição e me deram a oporunidade de estudar, mas não fui. Fiquei na área de Boston tocando com os músicos e a Berklee acabou me convidando para dar aulas (risos). Conheci Joe Lovano, John Patitucci e comecei a tocar com eles.   

EM - Gostaria que falasse sobre o magnífico McCoy Tyner. 
FM – Sim, McCoy tem sido um fonte de inspiração desde que comecei a tocar com ele. É uma universidade, como se fosse meu pai, meu mentor em tudo. Defino minha vida hoje pelo que venho aprendendo com McCoy. Toquei com Lovano antes de tocar com McCoy e isso me preparou para tocar com ele. McCoy toca straight ahead, um mais tradicional e eu não tocava isso. 

EM – Então McCoy te roubou da banda de Lovano?
FM – Acho que sim. Deixei de tocar com Lovano e fui para a banda de McCoy. No começo Joe Lovano era convidado frequentemente por McCoy para tocar em sua banda e havia noites que tocava com os dois juntos.  

EM - Hoje você toca com Tyner, Lovano e tem seu próprio trabalho para gerenciar. Como faz isso?
FM – Sim e já que estamos falando disso, também toquei com Kenny Barron. Tudo ao mesmo tempo. Foi incrível. Isso tem ajudado na minha carreira musical. Estou feliz em ter tido essas oportunidades.


EM – Você conhece os ritmos brasileiros?
FM – Um pouco. Samba, bossa, maracatu.   

EM – Pode apontar as diferenças e similaridades entre os ritmos cubanos e os brasileiros?
FM – Temos muitas semelhanças porque celebramos o mesmo carnaval. Em Cuba o carnaval é tão grande como o daqui. E apesar de os ritmos dos dois países virem da África, a música cubana é mais sincopada (Mela passa a solfFrancsico Mela ejar um ritmo cubano e depois um brasileiro, completamente distintos, que mostram claramente a diferença entre eles).   

EM – Ambas têm a mesma raiz. Bom, você sabe que a nossa música também é feita com muitos instrumentos de percussão. Gostaria que falasse sobre isso.
FM – Talvez não tenhamos tantos instrumentos como vocês no Brasil, mas temos alguns em Cuba. Nesse caso o Brasil é mais sofisticado. Talvez pelo tipo de música que vocês tocam com cuíca, agogo, tamborim. Nós não temos isso em Cuba.   

EM - Você fala sobre política? Como está a situação de Cuba hoje pelo teu ponto de vista? 
FM – Não falo sobre política. Não tenho nenhum interesse. Eu deixei Cuba há vinte anos e não sei como está hoje. 

EM – Essa é sua última apresentação no Brasil. Gostou do país?
FM – Amei  e já quero voltar. 



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Maurício Sahady & Blues Groovers - Laundromat 335 - 2008


Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.

Músicos – Maurício Sahady (guitarra e voz), Otávio Rocha (guitarra e voz), Ugo Perrota (baixo e voz) e Beto Werther (bateria e voz).

Participação especial – Flávio Guimarães (harmônica em Crazy Mixed Up World).

Produção – Beto Werther e Otávio Rocha 
Gravação e mixagem - Pedro Gárcia no Boombox estúdio
Masterização - Renê Júnior no Dream Master Studios
Projeto gráfico – Celão Marques (Mantra Arte & Conteúdo)
Produção fonográfica - Delira Música
Fotos – Beto Werther e Renata Monteiro

Músicas
1 – Please Love Me - Bb King/Jules Taub
2 – Don't Burn Down the Bridge - Jones/Wells
3 – Laundromat Blues - Sandy Jones
4 – Crazy Mixed Up World - Willie Dixon
5 – Tell Me Mama - "Little" Walter Jacobs
6 – When the Kid Start Messing - Maurício Sahady
7 – Gamblers's Blues - BB King/Johnny Pate
8 – Why You So Mean To Me - Albert King
9 – Homework - Dave Clark/Al Perkins
10 – Remington Ride - H. Remington/H.Penny

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Blues e Bollywood se misturam na música do mundo de Aki Kumar

Aki Kumar (foto: Tiago Cardeal - Santos Jazz 2017)

Entrevista: Eugênio Martins Júnior

No segundo dia da 6ª edição do Santos Jazz festival, o gaitista indi-californiano Aki Kumar subiu pela primeira vez em um palco brasileiro. Produzido por mim, foi o primeiro show entre dez de uma turnê que cruzou o país com uma banda suporte que incluiu os músicos Marcelo Naves (gaita e voz - abertura do Show), Jaderson "Turn off the lights" Cardoso (bateria), Raoni Bracher (baixo), Danilo Simi (guitarra) e Nicolas Simi (guitarra) como suporte.
Aki Kumar se mudou para o Vale do Silício, na Califórnia (EUA), aos 18 anos com um objetivo, se tornar um engenheiro de software bem-sucedido. Porém, algo aconteceu ao longo do caminho: ele descobriu a música de Howlin 'Wolf e os clubes de blues na área da baía de São Francisco. Virou músico.
Ela, a música, esteve presente na sua vida desde cedo. Mas não o blues. Aos oito anos de idade seu pai o matriculou em aulas de música tradicional indiana e só mais tarde, já radicado nos EUA, começou a estudar com David Barret, indo tocar sua gaita no quarteto Tip of the Top.
O primeiro álbum foi lançado em 2014, intitulado Do Not Hold Back; o segundo Aki Goes to Bollywood (2016), saiu pelo selo Little Village de Jim Pugh que, para quem não se lembra, tecladista nos melhores discos de Robert Cray.
O álbum faz uma fusão do blues com a música de Bollywood, ressaltando que Kumar se considera um músico de blues, não um cantor de Bollywood.
De estilo eclético, se apresenta em duo em algumas ocasiões, acompanhado pelo guitarrista Little Johnny Lawton, mas na maioria dos shows conta com o seu quarteto, o Aki Kumar Blues Band.
Além de ser músico de estúdio requisitado, o dinâmico vocalista e gaitista vem aos poucos consolidando sua ascensão entre a nova geração de artistas do blues amplificado da Califórnia, tendo  herdado seu estilo das lendas da gaita dos anos 50 e 60. Sua voz úncia mistura elementos de Blues tradicional com o som indiano.
Essa entrevista merece alguns agradecimentos. Primeiro ao Marcelo Naves por ter me oferecido a produção desse show. Parceria e honestidade sempre. E a Jamir Lopes e Denise Covas por me convidarem a fazer parte do Santos Jazz como assessor de imprensa e eventualmente aceitando algumas das minhas sugestões de show.



Eugênio Martins Júnior - Quando você chegou aos Estados Unidos? Foi com o objetivo de estudar, não é verdade?
Aki Kumar – Sim. Na Índia eu era viciado em programas de computador então decidi dar um gás na minha carreira. Fui incentivado pelo meu irmão mais velho que já estava nos Estados Unidos há alguns anos. Cheguei em 1998 para estudar engenharia da computação.

EM – Quando você chegou foi morar direto com o teu irmão?
AK – Morei com ele por um ano depois mudei pra outra cidade.

EM – Você conseguiu trabalhar com os computadores?
AK – Sim, por onze anos. Era engenheiro de software em San Jose. Nesse meio tempo conheci a cena blues local e comecei a ouvir aquela coisa. Na Índia eu tinha uma harmônica barata que meu pai costumava tocar, mas quando ouvi uma sendo usada no blues achei muito legal. Achei que poderia fazer aquilo e conheci um grande professor para me dar aulas, David Barret, que me deu uma direção no blues.

EM – Até então você não havia escutado blues e nunca tinha tocado nenhum instrumento?
AK – Aos oito anos havia estudado um pouco de música indiana. Tocava teclado, que até tem um pouco de relação com a harmônica, mas na época eu não sabia. No mundo da música há instrumentos relativos.



EM – Nunca tocou blues?
AK – Nem sabia que o blues existia. Quando era adolescente ouvia muito pop contemporâneo, assistia a MTV, mas não ouvia blues.

EM – Quando foi que você ouviu o blues pela primeira vez? 
AK – Foi ouvindo rock and roll. Quando mudei para os Estados Unidos achei algumas rádios que tocavam músicas antigas. Rock and roll dos anos 50 e 60 e ouvi muita coisa. Buddy Holy, Chuck Berry, Beatles, Fats Domino, gostei disso na hora. Claro, isso não é blues, mas veio dele. Foi como uma viagem. Tive uma surpresa quando assisti meu primeiro show de blues na costa oeste com o grande gaitista Mark Hummel. É um grande artista da harmônica moderna e fui recomendado pelo meu professor. Ele é fantástico, tem um timbre encorpado, grandes shuffles, e tocou por quatro horas. Me lembro de tudo muito bem. Esse show me influenciou muito. É importante manter os ouvidos e mente abertos.

EM – Qual dos dois paga melhor, blues ou computadores?
AK – O que você acha? (risos). Eu sei, foi uma decisão difícil parar com uma carreira. Muitas pessoas se deixam levar pela segurança de um emprego, um bom salário proporciona o conforto necessário. Mas sou um afortunado em ter colocado a música na minha vida e estar ativo na cena blues da Califórnia. Toco quase todas as noites pra ganhar a vida e minha esposa me apoia. Ela teve muita compreensão quando fiz essa transição.

EM – O que ela disse quando você comunicou que ia largar tudo para tocar blues?
AK – Ela não entendeu imediatamente. Quando ela percebeu eu já estava muito focado nisso.

EM – Existem mais diferenças ou similaridades entre o blues e música indiana? Você acabou achando um jeito de misturar as duas, não é verdade?
AK – São dois tipos de música com formas diferentes, mas há algumas similaridades. E foi um processo. Algumas músicas dos filmes de Bollywood foram influenciadas pela música americana. Algumas das grandes canções indianas são as folclóricas que, como o blues, são músicas populares. Com as pessoas contando suas histórias. Acho que a música indiana tem alguns grooves e ritmos parecidos com o blues.


EM – Não sei se você sabe, mas nós também temos muitos ritmos nas diferentes regiões do país.
AK – Acho que o Brasil é um dos países no mundo com a maior diversidade cultural. Tanto na música étnica, quanto na cozinha. Fiquei muito feliz em poder explorar essa diversidade musical.

EM – Muitos gaitistas têm vindo ao Brasil.
AK – Sim, tenho dois amigos que vieram e ficaram fãs da música brasileira. Espero passar as próximas três semanas aprendendo sobre a música brasileira. Quem sabe eu não misture o blues com a música brasileira no próximo disco (risos). 

EM – E o blues brasileiro, você conhece?
AK - Tenho visto muita gente fazendo blues no Brasil. Muita coisa está sendo descoberta pela nova geração da internet. Artistas clássicos blues da Louisiana, do Delta, Chicago, West Coast. Todos podem ouvir de tudo todo o tempo e quem tiver motivação, talento pode se dar bem. Veja o Marcelo (Naves), ele vive no Brasil e toca como se vivesse na costa oeste. O mundo ficou pequeno.  

EM – A internet quebrou as barreiras de tempo e espaço.
AK – Sim, isso é muito bem vindo. Veja, sou um cara de Mumbai, que vive na Califórnia tocando música americana no Brasil. É o novo mundo.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Alex Buck - 1011² - 2014


Músicos - Alex Buck (bateria e piano), André Damião (live coding), Bruno Migotto (contrabaixo), Cássio Ferreira (sax alto), Daniel D'Alcântara (trompete), Edson Santanna (piano), Jefferson Rodrigues (sax alto, sax soprano e flauta), Joabe Reis (trombone), Jota P. Barbosa (sax alto e sax tenor), Josué dos Santos (sax alto, sax barítono, flauta), nenê (bateria e piano), Paulo Malheiros (trombone) e Vitor Gonçalves (piano).

Produção musical - Alex Buck e Thiago Cury
Produção executiva - Joana Cury e Pedro Autuori (Água Forte)
Assistente de produção - Jan Balanco (Água Forte)
Técnico de gravação - Sandro Haick
Mixagem - Sandro Haick
Masterização - Homero Lotito (Reference Studio)
Produção editorial - Thiago Cury
Projeto gráfico - Joana Figueiredo
Fotos - Julio Kohl
Vídeo Making of - Felipe Schermann
Tradução de textos - Clara Hermeto
Gravado no Estúdio Nacena em novembro e dezembro de 2013 - São Paulo

Músicas

Lado A
01 - Márcio Bahia - (Alex Buck/Arranjo - Carlos C. Iafetice) 
02 - Milton Banana - (Alex Buck/Arranjo - Gustavo Bugni)
03 - Edison Machado - (Alex Buck/Arranjo - Alex Buck e Carlos C. Iafetice)
04 - Robertinho Silva - (Alex Buck/Arranjo - Bruno Migotto)
05 - Toninho Pinheiro - (Alex Buck/Arranjo - Edson Sant'anna)
06 - Airto Moreira - (Alex Buck/Arranjo - Bernardo Ramos)



Lado B
01 - 1011² - (Alex Buck/Arranjo - Alex Buck/Nenê/André Damião)
02 - Encontro I - (Alex Buck/Arranjo - Alex Buck/Nenê)
03 - Luciano Perrone - (Alex Buck/Arranjo Alex Buck
04 - Encontro II - (Alex Buck/Arranjo - Alex Buck/Nenê)
05 - Wilson das Neves - (Alex Buck/Arranjo - Alex Buck)
06 - Rubens Barsotti - (Alex Buck/Arranjo - Alex Buck)
07 - Zé Eduardo Nazário - (Alex Buck/Arranjo - Alex Buck/André Damião)
08 - Encontro III - (Alex Buck/Arranjo - Alex Buck/Nenê)
09 - Nenê - (Alex Buck/Arranjo - Alex Buck/Nenê)



domingo, 1 de outubro de 2017

Mais um festival de jazz em Sampa, é o Jazz Sessions

Trio Corrente

Os apreciadores do jazz já têm compromisso entre os dias 05 e 08 de outubro no Shopping Pátio Higienópolis, em Sampa.
A programação do novo festival Jazz Sessions vai contar com dez bandas que tocarão no espaço a céu aberto e arborizado no boulevard do shopping. 
A curadoria é do JazzNosFundos, que começou como um clube de jazz na região oeste da cidade e hoje organiza apresentações em vários locais.
No sábado e domingo, haverá programação dedicada às crianças e oficina de tambores nos intervalos da programação. Tudo grátis.
Na quinta-feira, dia 05 de outubro, a partir das 19h, a norte americana Haley Peltz se apresenta com o Quarteto Feiticeiro, composto por Igor Pimenta (contrabaixo), Daniel Szafran (piano), Claudio Faria (trompete e flugelhorn) e Edu Nali (bateria). O show homenageia as divas do jazz, Ella Fiztgerald e Billie Holliday. 
Logo após, o Tuto Ferraz Quinteto, do compositor, baterista e produtor Tuto Ferraz, toca as músicas de seu álbum recente, o Funk Jazz Machine. O grupo é Tuto Ferraz (bateria), Agenor de Lorenzi (guitarra), Sidiel Vieira (baixo acústico), Josué dos Santos (sax tenor e soprano) e Pepe Cisneros (piano). 
Na sexta-feira, também a partir das 19h, A cantora Vanessa Moreno apresenta o show Em Movimento, homônimo ao seu primeiro trabalho solo. Na banda, Fábio Leal (guitarra), Wagner Vasconcelos (bateria) e Fi Maróstica (baixo).
O Hammond Grooves de Daniel Latorre (Hammond B-3), Felipe Galadri (guitarra) e Wagner Vasconcelos (bateria) apresenta um repertório de Soul/Jazz que homenageia grandes organistas da história, como Jimmy Smith, Jack McDuff, Dr.Lonnie Smith, Jimmy McGriff, Big John Patton e outros, além de composições do disco Funktastic. 
Sabadão, entre 13 e 19h, a Pequena Orquestra Interativa, cuja principal característica é a interatividade com o público, leva um repertório com sonoridades que misturam músicas dos balcãs, música klesmer, valsas malucas e música cigana. 
Há momentos em que todos devem emitir sons desafinados, participar de uma pequena partitura de percussão corporal para acompanhar a melodia, ou cantar a marcação rítmica de uma composição. Em cada número, uma nova surpresa para a plateia.
Em seguida o compositor, arranjador e mago do acordeon,  Toninho Ferragutti, apresenta seu mais recente projeto, uma formação em quinteto com grandes músicos e com sonoridade mais próxima do jazz.
Fechando o dia, David Kerr e Canastra Trio comemora 10 anos de carreira com o lançamento do disco Walkin’ in White Shoes, celebrando o repertório que o tornou uma referência na cena jazzística paulistana. David Kerr, Rodrigo Braga, Gustavo Sato e Edu Nali assinam a produção e os arranjos das músicas do disco com consagrados standards do Great American Songbook. 

Hammond Grooves

Por fim, mas não menos importante, no domingo, entre 13 e 19h, a New Orleans Street Jass Band brinda o público com o jazz tradicional e dançante, tal qual o surgido no início dos anos 1900 em Nova Orleans. Além da música bem executada, a diversão está sempre presente nos shows. Os músicos costumam sair do palco e passear entre os convidados. Com Guilherme Americano (clarinete), Marcelo Troni (cornet), Márcio Rafael (trombone), Gabriel Gentile (banjo). Daniel Grisanti (contrabaixo), Uirá Moreira (bateria) e Alexandre Hage (piano). 
O premiado Trio Corrente Fábio Torres (piano), Paulo Paulelli (baixo) e Edu Ribeiro (bateria),  apresenta repertório com temas de seus quatro discos, além de outros próprios e de  grandes compositores. Trio Corrente é um dos grupos de maior destaque na cena da música instrumental da atualidade. Vencedor do Grammy Latino e do Grammy Americano com o álbum “Song for Maura” com Paquito D’Rivera, em 2014.
Fechando a programação do festival, a compositora e cantora espanhola que mora no Brasil, Alba Santos, mostra seu trabalho autoral, fruto de pesquisa sobre as sonoridades brasileiras e sul americanas. Na banda, Robson Nogueira, Fellipi Sodre e Thiago Alves. 

Serviço:
O shopping fica na Av. Higienópolis, 618, com entradas alternativas pela Rua Dr. Veiga Filho, 133 e Rua Dr. Albuquerque Lins.
A entrada é gratuita. O evento conta com cardápio especial da Forneria San Paulo, de comes e bebes, com opções de até R$ 20. 
Cada apresentação tem uma hora em média com intervalo entre elas.

sábado, 30 de setembro de 2017

João Bosco se junta às feras do Coliseu (13/05/2006)


Entrevista: Eugênio Martins Júnior

Essa entrevista faz parte de uma série que fiz para um jornal de Santos onde trabalhei. Resgatei algumas nos meus arquivos e resolvi reproduzir aqui no Mannish Blog. 
A data acima é de quando foi publicada, portanto, um retrato da época. E o título também é o original do jornal.

O cantor e compositor João Bosco vem a Santos na sexta-feira, dia 19, às 21h, em única apresentação no Coliseu. O teatro já recebeu feras como Bibi Ferreira, Toquinho e Gal Costa. 
Par essa entrevista peguei João Bosco recém chegado do Estados Unidos, onde se apresentou em diversas oportunidades. Uma delas no Birdland, em New York. No templo do jazz, que tem esse nome em homenagem ao saxofonista Charlie Parker, também conhecido como Bird, Bosco dividiu o Palcom com Eumir Deodato e com o Cubando Paquito D’Rivera, músicos experimentados e que vivem há décadas na terra do jazz.
Também se apresentou no San Francisco Jazz Festival e nas universidades de Burlington e Hanover. Nessa última dividiu o palco com seu amigo, o pianista Gonzalo Rubalcaba. 
João bosco é o entrevistado ideal, qualquer pergunta que se faça ele elabora um verdadeiro tratado sobre o assunto e se a entrevista não fosse editada ocuparia três páginas. Confira.

Eugênio Martins Júnior – Como vai ser o show em Santos?
João Bosco – Vai ser solo e acústico. Esse formato me dá mais liberdade na escolha do repertório que vai ser uma retrospectiva de toda minha carreira e também do CD Malabaristas do Sinal Vermelho. Acho que esse tipo de show se enquadra perfeitamente no Teatro Coliseu, que eu não conheço, mas ouvi dizer que é um lugar belíssimo. 

EM – malabarista foi gravado em 2003, está vindo disco por aí?
JB – O disco já está pronto., mas não está gravado. O meu projeto desse ano é o DVD. Pretendo entrar no estúdio só no segundo semestre.


EM – Vem com parcerias?
JB – Sim, parcerias com Aldir Blanc, Nei Lopes, Carlos Rennó e Francisco Bosco (filho de João Bosco que já foi seu parceiro no disco Malabaristas do Sinal Vermelho).

EM – Fale um pouco sobre sua parceria com Aldir Blanc e do tempo que ficaram sem compor.
JB – Eu e o Aldir temos um pouco de dificuldade em falar nisso. Durante muitos anos o nosso trabalho teve uma solidez, uma consistência. Talvez a explicação é que somos compositores e exploradores e gostamos dessa inquietação. Encontramo-nos e e percebemos que a amizade ainda era a mesma. É inegociável. Parecia que tínhamos nos encontrado no dia anterior. A única diferença é que você deixa de compartilhar a intimidade do dia a dia. 

EM -  Foi como tivessem tomado caminhos artísticos diferentes? 
JB - Exatamente. Quando éramos jovens fizemos muitas músicas e de maneira muito intensa. Agora não, quando nos encontramos aproveitamos para cultivar a amizade, tomar uma cerveja.

EM – E como são essas composições?
JB – Fizemos duas canções para o CD, um samba e um samba canção. E um samba que já está gravado e que vai ser usado em um seriado da TV Globo.

EM – E O DVD, quando sai?
JB – Vai ser lançado no dia 29 de maio pela Universal. Vai ter cerca de 20 músicas gravadas ao vivo na Sala Ibirapuera, em São Paulo. Nesse show a banda tem oito músicos, inclusive naipe de metais. Tem também os convidados, Hamilton de Holanda, Yamandú Costa e Guinga. Também tem o Djavan na música Corsário.

EM – O Brasil tem apresentado uma boa safra de violonistas e mesmo os mais antigos como Ulisses Rocha, Marco Pereira, Duo Assad e tantos outros parecem ter ganhado atualmente mais visibilidade de público e mídia. A que você atribui isso?
JB – O violão é uma espécie de alma da música popular brasileira. É claro que também apareceram grades compositores e pianistas como Tom Jobim e Ary Barroso, ms quase tudo que foi feito no século 20 tem como base o violão, tanto no acompanhamento como solista. Um dos maiores representantes dessa escola é Baden Powell.

EM – O brasileiro está mais habituado ao formato canção e talvez seja por isso que a música instrumental brasileira fique em segundo plano.
JB – O Brasil é um país que tem uma fome de novidade e uma das características mais marcantes é a antropofagia. A música brasileira ainda não tem um público que a coloque numa maneira confortável na mídia, mas ela aparece cada vez mais e com uma cara toda nossa.

EM – Houve uma época, mais precisamente nos anos 80, com ops discos Gagabirô, Ai Ai de Mim e Bosco que você investiu na pesquisa de ritmos africanos. Você ainda continua esse trabalho? 
JB – O artista tem uma curiosidade permanente pelas coisas e os compositores têm de ter essa vontade de explorar novos caminhos. A cultura do Brasil dessas culturas (africanas) e temos essa facilidade de formar ideias novas. Todo compositor deve exercitar isso.

EM – Suas letras falam sobre o mar, culturas orientais e afro brasileiras. Essas são suas grandes inspirações?
JB – São elementos com grande apelo poético. Durante séculos foi pelo mar que aconteceram as ligações entre uma cultura e outra. Essas referências são caminhos poéticos que a gente luta para preservar, sempre com o intuito de dividir com as pessoas. Não faço nada pra desfrutar sozinho.

EM – O que você escuta atualmente?
JB – Um disco do Sérgio Mendes gravado nos Estados Unidos com músicos negros com temas do Tom Jobim e do Jorge Benjor.

EM – E música brasileira?
JB – Hoje em dia as novidades são tantas e tão rápidas, a música brasileira é tão dinâmica que muita coisa passa despercebida. 

EM – Ainda mais agora com a internet. O que você acha desse negócio de baixar música pelo computador?
JB – Isso se tornou inevitável. Faz parte do mundo contemporâneo. A única coisa que pode ser feita é uma forma de organizar. Hoje as mudanças acontecem muito rapidamente. O formato antigo de consumir música tende a acabar.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Badi Assad em Wonderland (29/04/2006)


Entrevista: Eugênio Martins Júnior

Essa entrevista faz parte de uma série que fiz para um jornal de Santos onde trabalhei. Resgatei algumas nos meus arquivos e resolvi reproduzir aqui no Mannish Blog.
A data acima é de quando foi publicada, portanto, é um retrato da época. E o título também é o original do jornal.

A cantora, compositora e violonista Badi Assad traz toda a sua energia, criatividade e sensualidade ao teatro do Sesc, nesse domingo, dia 30, às 20h.
A apresentação marca o lançamento de Wonderland seu novo CD, produzido por Jacques Morelenbaum e com as participações de Seu Jorge e Elisa Lucinha que recita um fragmento da poesia Libração, em A Banca do Distinto, de Billy Blanco.
O CD tem ainda Acredite ou Não, de Lenine e Bráulio Tavares; Black Dove, da norte-americana Tori Amos, que versa sobre o estupro, e Vacilão, de Zé Roberto, famosa na voz de Zeca Pagodinho, sobre o alcoolismo.
Após o exito de Verde, lançado em 2004, Badi, que foi considerada a melhor violonista do mundo pela revista Guitar Player, se aprofunda no seu lado cantora em Wonderland. Ao que parece o caminho é só de ida.
Em Santos ela se apresenta com Décio 7 (percussão), e com o grego Dimos Goudaroulis (violoncelo). Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00.

Eugênio Martins Júnior  - Gostaria que contasse como foi o começo de sua carreira.
Badi Assad – Comecei aos 14 anos de idade, seguindo os passos do Sérgio e do Odair (irmão de Badi, integrantes do renomado Duo Assad), na música erudita, mas aos 19, 20 anos descobri que não era a minha. Usei tudo que sanbia para fazer música popular e depois passei uma época fazendo experimentações com a voz, violão e percussão.

EM – Quando e como aconteceu de você ficar conhecida internacionalmente?
BA – Gravei uma fita demos e queria apresentar em alguma gravadora, mas era uma dificuldade para conseguir falar com as pessoas aqui no Brasil. Acabei entrando em contato com uma gravadora nos Estados Unidos e em duas semanas já estava com um contrato para três discos que não saíram por aqui. Acabei morando naquele país entre 1997 e 2001. Por contrato, a minha nova gravadora, a Deutsche Grammophon, passou a lançar os meus CDs no Brasil, aconteceu com o Verde e o Wonderland.

EM -  Em um país com grandes violonistas, quais as suas influências? E não vale citar o Sérdio e o Odair.
BA – (risos) Ulisses Rocha, Marco Pereira, Rafael Rabelo, Baden Powell, Egberto Gismonti, todos esses músicos. Grande parte do meu trabalho é de música instrumental.

EM – O seu estilo é incomum, como eu disse anteriormente, O Brasil é um país de grandes violonistas, você sentiu necessidade de fazer alguma coisa diferente nesse sentido? Como forjou essa maneira toda especial de se apresentar?
BA – Aconteceu naturalmente porque eu sempre cantei, mas não profissionalmente. O uso da voz ampliou muito o meu horizonte musical. No Wonderland exercito meu outro lado que é o teatral e que também gosto muito. Por exemplo, se canto uma letra que tem certa ironia, eu sou a ironia em pessoa em cima do palco (risos).

EM – Como foi gravar o disco Three Guitars com o Larry Coryell e John Abercombie?
BA – Nós tivemos os papéis definidos, o que deu um certo equilíbrio. O meu violão serviu de base e minha voz é que acabou entrando como improviso, virando o quarto instrumento. Já na parte instrumental, o improviso ficou por conta dos dois.

EM – Fale um pouco sobre o Wonderland. Quais as diferenças e semelhanças entre ele e o Verde?
BA – Quem acompanhou a minha carreira sabe que os meus trabalhos passaram por um processo evolutivo. Do Verde pra cá houve uma certa maturidade, principalmente na minha voz. No Verde, cada tema levou um tratamento diferente. No Wonderland o disco ganhou uma unidade, tanto pela temática, como pelos arranjos.

EM - Por quê esse título?
BA – O repertório parece leve, alegre e cheil de suingue, mas se você olhar de perto os temas são pesados e é exatamente o que acontece em Alice in Wonderland, a história de Lewis Carrol. Aparentemente Wonderland é um paraíso alegre e sem problemas, mas na realidade abriga um bando de doidos.

EM – Gal Costa e Zélia Duncan me falaram sobre a dificuldade que é escolher repertório para um disco. No seu caso, sendo brasileira, mas antenada com o que acontece no mundo, é difícil montar um?
BA – Sou cidadã do mundo e pra mim não existe diferença entre música brasileira e internacional. Elas têm a mesma medida. Tenho uma carreira internacional e é um prazer cantar em inglês para plateias internacionais. Espero que para eles também seja um prazer.

EM – Como está a tua agenda?
BA – Esta preenchida até 2008 (risos). Em julho vou para os Estados Unidos e depois para o festival de jazz de Montreal, no Canadá. Volto ao Brasil e outubro, depois lanço o Wonderland nos Estados Unidos e em novembro Europa.

EM – Além das músicas desse CD o que mais vai tocar?
BA – Duas músicas do Verde e alguma coisa inédita em disco que é surpresa.

EM -  O que lhe interessa na música brasileira hoje?
BA – Com essa séria de shows não tenho tempo nem para respirar, mas sou fã incondicional do Lenine, Chico Cezar e da Zélia Duncan.




quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Mauro Hector - Live in Santos - 2015


Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.

Músicos - Mauro Hector (guitarra), Glécio Nascimento (baixo) e Plínio Romero (bateria).

Gravação e mixagem - Vinícius Suzuki e Theo Cancello
Design - Winter Santana Fotos - Flávio Hopp
Gravado no Teatro Guarany em 18/04/15
Produção do show - Eugênio Martins Júnior
Todas as faixas (composição e arranjos) são de autoria de Mauro Hector

Músicas

1 - Green Bullet
2 - Country Bird
3 - Pra Curtir
4 - Na Calma
5 - Atitude Blues
6 - Impressão Digital
7 - Voltando Pra Casa
8 - Hendrixiando


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Hoje na quinta-feira (18/03/2006)

Essa entrevista faz parte de uma série que fiz para um jornal de Santos onde trabalhei. Resgatei algumas nos meus arquivos e resolvi reproduzir aqui no Mannish Blog. 
A data acima é de quando foi publicada, portanto, é um retrato da época. E o título também é o original do jornal.


Entrevista: Eugênio Martins Júnior

Na quinta-feira, dia 23, Gal Costa apresenta, no Teatro Coliseu, as músicas de Hoje, seu mais recente CD, lançado pela gravadora Trama.
Gal vem completa, com banda e 14 temas, entre duzentos, escolhidos pela cantora para compor o CD.
O show faz parte da turnê de lançamento desse que é um dos melhores discos realizados pela cantora. O trabalho contou com a produção do maestro Cesar Camargo Mariano e com temas de compositores desconhecidos do grande público, como o pernambucano Julio Barreto, os baianos Moisés Santana, Tito Bahiense, Péri, Moreno Veloso e os paulistas Hilton Raw e Nuno Ramos.
Durante os ensaios, no Rio de Janeiro, Gal arrumou um tempo para essa entrevista.

Eugênio Martins Júnior – Você declarou que estava devendo um CD com músicas inéditas e até houve uma cobrança da crítica sobre isso.
Gal Costa – Essa cobrança realmente existiu, mas porque eu disse que queria gravar um repertório com compositores novos.

EM – Deve ser difícil pra você que já viu e ouviu tanta coisa achar um bom repertório, não é verdade?
GC – É difícil porque os bons compositores estão escondidos. As gravadoras apostam em trabalhos descartáveis. Na minha geração a mídia também estava interessada em mostrar o que realmente acontecia, hoje isso não acontece.

EM – O Carlos Rennó aparece nos créditos do CD como responsável pela “pesquisa de repertório”. Como foi isso, ele escolheu sozinho e depois mostrou para você o que decidiu gravar?
GC – Uma parte eu recebi através da Trama. A outra perguntei ao Rennó se ele conhecia alguns compositores e ele trouxe para mim os CDs. O processo de escolha foi baseado na melodia das canções, um exemplo disso foi a música do Hilton Raw, Leonora de Barros e Marcos Augusto, de quem ouvi o CD inteiro e acabei escolhendo Nada a Ver.

EM – Todos nós sabemos o que você é capaz de fazer com a sua voz, mas nesse disco você optou pela delicadeza, estou certo?
GC – Você está certo, o disco é mesmo muito suave. Aliás, eu sou uma pessoa muito suave, o meu estilo é cool. Às vezes a gente assume uma postura mais agressiva, mas não é comum.

EM – Falando em ser cool, como anda o projeto com as músicas do Chet Baker? Já foi escolhido ou gravado algum tema?
GC – Eu adoro o Chet Baker e é claro que tem muitas coisas que quero gravar, mas primeiro quero encerrar o ciclo desse show.

EM – Isso inclui viagem ao exterior?
GC – Sim. Em Junho vamos à Europa, mas primeiro vamos fazer todo o Brasil. Acredito que levaremos dois anos com esse disco até pensar em preparar o próximo trabalho. E nesse tempo muita coisa acontece.

EM – Como o músico congolês Lokua Kanza entrou no projeto?
GC – Eu o conheci em um evento no Canecão, no Rio de Janeiro, quando ele me presenteou com um CD autografado, mas as três composições que entraram no CD me foram apresentadas pelo Carlos Rennó. O Lokua é uma pessoa muito doce, é maravilhoso.

EM – A maioria dos compositores do seu disco estão morando em São Paulo, inclusive os baianos. Gal, a música baiana não está com muito axè, não? Você não acha que está precisando de uma renovação?
GC – A turma do axé é muito organizada e muito fechada. O pessoal da MPB que quiser aparecer tem de sair da Bahia e vir para São Paulo ou Rio de Janeiro que é onde as coisas acontecem.

EM – O show em Santos vai ser com a mesma banda do CD?
GC – Não, tem algumas diferenças: é o Keko Brandão (teclados), Marcus Teixeira (violão), Jakaré (percussão), Júri Moreira (bateria) e Marcelo Mariano (baixo). E também Ed Flash, Ricardo e Júnior na voz.

EM – Qual a diferença de estar em uma grande gravadora e a Trama que está em crescimento?
GC – Eu fui uma artista que sempre gravei o que quis sem sofrer nenhuma interferência. As gravadoras sempre respeitaram isso. A ida para a Trama tem sido maravilhosa e estou muito feliz com a repercussão do Hoje.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Zélia Duncan Pós Tudo (11/03/2006)

Essa entrevista faz parte de uma série que fiz para um jornal de Santos onde trabalhei. Resgatei algumas nos meus arquivos e resolvi reproduzir aqui no Mannish Blog. 
A data acima é de quando foi publicada, portanto, é um retrato da época. E o título também é o original do jornal.


Entrevista: Eugênio Martins Júnior

Zélia Duncan volta a Santos na terça-feira, dia 14, às 21h, para mostrar as canções de Pré Pós Tudo Bossa Band, seu mais recente CD, só que desta vez com o show completo, aclamado pela crítica como o melhor da cantora. O CD traz 16 faixas com diversas participações, na produção: Lenine, Cristian Oyens, Bia Paes Lema e Beto Villares. Nas composições e parcerias, o CD conta com Paulinho Moska, Lulu Santos, Pedro Luís (de A Parede) e Mart’nália. Entre as composições, quatro do “Nego Dito”, Itamar Assunção, uma das influências de Duncan.     

Eugênio Martins Júnior – Nesse CD você mostra ter muitas influências. Além, é claro, do samba, MPB e todos esses ritmos nacionais, o músico brasileiro ainda é influenciado pelo jaz, pelo blues e o pop internacional, no Pré Pós Tudo Bossa Band tem tudo isso. Parece ser muito difpicil escolher o que gravar com tanta coisa na cabeça, não é verdade? 
Zélia Duncan – Sim, você tem razão e, fora isso, eu não gravava um disco autoral há quatro anos, pois fiz o Sortimento Vivo e o projeto Eu Me Transformo em Outras, então acabou ficando um disco um pouc maior. Mas eu, como consumidora de música também, acho que é um privilégio para o público poder adquirir coisas diversas num únioc álbum. 

EM – O CD Eu Me Traansformo em Outras jámapontava nessa direção?
ZD – Sim, o Pré Pós traz conquistas daquele trabalho. 

EM- É devido esse fator que ocorre parcerias que tantos músicos e tantos produtores?
ZD – O fator único é apenas o desejo de trabalhar com todas essas pessoas que já fazem parte do meu universo.

EM – É verdade que você estáfazendo faculdade de Letras? Entre shows, gravações e participações em CDs e DVDs de outros artistas, como você arruma tempo?
ZD – Sim, não sei como, mas vou levando. Acabo de chegar da faculdade (essa entrevista foi realizada ao meio dia de uma quinta-feira. Meus colegas me ajudam, viajo com um computador e quando é uma viagem mais longa vou me virando. Faço o mínimo de matérias possível e tem me dado muito prazer. Leio as apostilas e por vezes faço trabalhos dentro do avião.

EM – Sempre que pode você cita o Itamar Assunção e o Tom Zé. Dessa vez você gravou quatro músicas do Itamar: Vi Não Vivi, Tudo ou Nada, Do Elegante e Milágrimas. Gostaria que você falasse um pouco sobre isso.
ZD – São autores que me ajudam a dar consistência ao meu próprio trabalho e, em troca, eu tento colocar mais foco neles, que são sensacionais. 

EM – É mesmo um importante resgate. Sempre achei que esse pessoal chamado de “maldito”, como Itamar, Aguilar, Arrigo, Premê, Língua de Trapo, Rumo, as próprias Ná Ozetti e Vânia Bastos sempre foram muito injustiçados pela mídia, gravadoras e até por outros artistas, você não acha?
ZD – A pessoa pode passar a vida inteira vivendo bem de música, sendo importante mesmo e não ser conhecido nacionalmente como merecia. Tem a ver com o movimento de cada um e com a artificialidade das rádios e gravadoras, certamente. Você citou aí pessoas fundamentais para a minha vida de ouvinte e cantante.

EM – O seu CD nas lojas custa cerca de R$ 36,00. Inclusive em grandes redes que costumam cobrar um pouco menos. Nas Lojas Americanas on line achei por R$ 27,00, mas não é todo mundo que pode comprar CDs pela internet. Você não acha que esse preço estimula a pirataria?
ZD – Estimula, mas não justifica. A pirataria é um câncer e uma falsa ilusão de se estar levando vantagem, quando tantas pessoas são lesadas, não só o artista. O cinismo virou regra no Brasil e, por outro lado, o imposto é altíssimo e os donos de loja, pouco inteligentes abusam disso, querendo cem por cento de lucro, provavelmente. Quem sofre é a cultura, ou seja, todos nós. Nos meus shows, quando posso levar, vendo a R$ 20,00. Mas saiba que compro da gravadora por R$ 19,00.

EM – Como será a apresentação em Santos?
ZD – Estou muito feliz, pois será um dos lugares onde o show estará completo: cenário, iluminação e tudo o mais. Estou rodando o Brasil e já estive também em Portugal. Santos, terra de Pagu, vai ser uma alegria!


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Duca Belintani - How Long - 2017


Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.

Músicos – Duca Belintani (guitarra e voz), Benigno Sobral (baixo), Ulisses da Hora (bateria nas faixas 1,2,3,4,6 e 7), Humberto Zigler (bateria nas faixas 5,8,9 e 10), Ricardo Scaff (gaita nas faixas 4 e 7), Adriano Grineberg (piano na faixa 7) e Vinas Peixoto (berimbau e caixa na faixa 3).  
Produção e direção - Duca Belintani
Edição e Masterização – Vinas Peixoto
Projeto gráfico – Tim Ernani
Fotos - Duca Belintani e Aline Belintani
Gravado no Hybrid Studios (CA) – (faixa 2) por Joshua Brooks
VP Estúdios – (faixas 1,2,3,4,6 e 7) por Vinas Peixoto
Space Blues – (faixas 5,8,9 e 10) por Alexandre Fontanetti

Músicas
1 – Baby Please Don’t Go - Big Joe Willians
2 – Ma baby, My Car and My Guitar - Duca Belintani
3 – I’m Going Down in Mississippi - Duca Belintani
4 – Jumping Boy Blues - Duca Belintani/Osmar Santos Jr
5 – How Long – Leroy Carr
6 – Louisiana Blues - Duca Belintani
7 – Tô Sabendo – Tico Terpins/Zé Rodrix
8 – Rota 145 - Duca Belintani
9 – Hey Hey – Big Bill Broonzy
10 – Mena Old Frisco – Arthur Big Boy Crudup

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Trio Ciclos apresenta sua música móvel no Sesc Pinheiros

Na quarta-feira, dia 27, a partir das 20h30, o Sesc Pinheiros recebe o Trio Ciclos, um dos grupos dedicados à grande fusão de ritmos brasileiros que podemos chamar de jazz br


Formado por três músicos de destaque no cenário da música instrumental brasileira, Edson Santanna (piano), Bruno Migotto (baixo) e Alex Buck (bateria), o Trio Ciclos existe desde 2008. 
Com um início calcado na tradição de trios brasileiros, o repertório era composto por composições próprias e arranjos sofisticados de clássicos da música brasileira, como Alvorada (Cartola), Chega de Saudade (T. Jobim e Vinícius de Moraes), mas ao longo dos anos os músicos adotaram um sistema de interação para trio absolutamente singular, denominado pelos integrantes como Móbiles. 
O conceito, emprestado da arte cinética, visa a valorização de um aspecto muito caro ao trio: a composição em tempo real. Ou seja, a boa e velha improvisação. 
Outra característica do Ciclos é a interação com o computador. Ora processando os sons dos instrumentos (live electronics), ora com o computador funcionando como uma espécie de quarto integrante, improvisando juntamente com os músicos, é notória a expansão do campo timbrístico dessa formação clássica (piano, baixo acústico e bateria) que surgiu no jazz e difundiu-se mundialmente.

"Flexível, inconstante, volúvel... Mobile.
No início do século XX o artista plástico Alexander Calder, um dos expoentes da arte cinética, criava as primeiras esculturas movediças, estruturas suficientemente leves e flexíveis capazes de assumir diferentes (con)figurações acompanhando as correntes de ar.
Transportar a ideia de móbiles para o nosso campo - jazz / música instrumental brasileira - foi a solução que encontramos para dinamizar as decisões coletivas, potencializando a articulação do discurso musical no momento da performance. É a partir da tensão do encontro entre as vontades dos integrantes do trio que surge a força motriz para o encadeamento das estruturas - música cinética. Por isso as apresentações do trio são imprevisíveis, são configurações únicas que dão origem a uma música criativa e dinâmica".


Trio Ciclos - Mobile Vol. 1 - 2015


Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.

Músicos - Edson Santanna (piano), Bruno Migotto (baixo) e Alex Buck (bateria e live electronics).

Captação e mixagem – Bernardo Goys
Masterização – David Darlington/NY Bass hit Recording
Arte da capa e projeto gráfico – Thais Barbosa e André Mortatti
Gravado no estúdio Soundfinger, São Paulo,  em dezembro de 2015. 
Todas as composições do Trio Ciclos, exceto Koan n. 2 e 3 Chances, de Alex Buck 

Músicas
1 – 3 Chances
2 – Curação Mobile
3 – Mobile Rock
4 – Koan n.2
5 – Mobile Saudade
6 – Mobilibre
7 - Maxixe

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Tambores de Arcoverde (11/02/2006)

Essa entrevista faz parte de uma série que fiz para um jornal de Santos onde trabalhei. Resgatei cinco delas nos meus arquivos e resolvi reproduzir aqui no Mannish Blog. O título e a data acima são de quando a entrevista foi publicada, portanto, é um retrato da época. Ambos são original do jornal.


Entrevista: Eugênio Martins Júnior

Foi Arcoverde que produziu o Cordel do Fogo Encantado, o conjunto mais original saído de Pernambuco na esteira do movimento mangue beat, que teve os grupos Mundo Livre SA e Chico Science e Nação Zumbi como precursores.
Arcoverde é uma cidade, tem só 61 mil habitantes e fica no sertão, a 252 quilometros de Recife. Além de produzir, batata, milho, goiaba, mandioca, feijão e banana, Arcoverde também é muito rica em artesanato e folclore.
Todos os anos, sempre em agosto, acontece o Festival Lula Calixto, em comemoração ao aniversário do samba de coco Raízes de Arcoverde. 
O festival reúne diversas atrações como o Boi da Macuca de Garanhuns, banda de Pífanos Santa Luzia e o Reizado de Caraíbas de Arcoverde, a Orquestra Popular do Recife, Zabumba de Mestre Chimba do cabo, Aurinha do Coco de Olinda, Samba do Leitão da Carapuça de Afogados da Ingazeiras, e os grupos de coco de Arcoverde, Irmãs Lopes e Raízes Verdes.
O Cordel preservou as raízes de Arcoverde, com poesia calcada no cotidiano do homem sertanejo. Formam a banda, Clayton Barros (violão e voz), Emerson Calado (percussão), Lirinha (letras e voz), Nego Henrique (percussão e voz) e Rafa Almeida (percussão e voz).
O percussionista Emerson Calado reservou um tempo entre as gravações do novo CD do grupo para essa entrevista. 

Eugênio Martins Júnior – Vocês já estão no estúdio gravando o terceiro CD, dá pra adiantar alguma coisa?
Emerson Calado – Já iniciamos a gravação e a previsão de lançamento é para o meio do ano. O carnaval vai tirar a gente um pouco de São Paulo, mas as percussões já estão prontas. Falta colocar os violões e todas as letras que serão compostas pelo Lirinha. Talvez role uma parceria com o B Negão, mas ainda não temos um nome para o CD.

EM – Os dois discos anteriores são bem crus. Buscam essa sonoridade? 
EC - O disco é o próprio registro do espetáculo, com todas as deficiências e não ao contrário. 

EM – No primeiro disco a produção foi do Naná Vasconcelos, o segundo do próprio Cordel e o próximo?
EC – É do Carlos Eduardo Miranda. (jornalista, produtor e diretor artístico da Banguela Records e responsável pelos CDs Samba Esquema Noise, e Guentando o Oia, do Mundo Livre SA de Recife.

EM - Então o Cordel continua um grupo independente?
EC – Sim, preferimos continuar independentes para não sofrer nenhuma interferência ou imposição em nosso som. No nosso caso é independência ou morte.

EM – Tem gente que prefere ter uma grande gravadora dando suporte.
EC – Acredito que no Brasil já não exista mais o receio de ser independente, porque com a chegada da internet e dos novos equipamentos a gravação de um CD ficou muito mais fácil. Veja, somos independentes e o nosso primeiro DVD vendeu 15 mil cópias em apenas três meses. O que aconselho aos outros grupos é que tenham um bom projeto.

EM - Como vai ser o show em Santos?
EC – É o mesmo show que foi gravado pela MTV e eleito pela revista Bravo como o terceiro melhor de 2005. Ele é relativamente novo e ainda tem muito a mostrar. Também vamos incluir novas composições.

EM – Os grupos de Pernambuco possuem influências muito fortes da cultura de rua, só que o Cordel incorpora ainda poesia e elementos teatrais e isso diferencia o grupo de bandas como Mundo Livre e Nação Zumbi, não é verdade?
EC – Exato, o Cordel é uma junção de elementos da música mundial. As letras sempre foram focadas em nosso cotidiano, dá para perceber bem uma mudança nos dois primeiros discos, a visão de quem saiu do interior do Nordeste e veio para a metrópole. Todas as viagens nos influenciam. 

EM – No som de vocês também não tem muito espaço para instrumenrtos eletrônicos, como guitarra e baixo.
EC – E nem teclado. A instrumentação é restrita aos violões e à percussão que dão suporte às letras de Lirinha.

EM – Nas composições de vocês não há muito espaço para frazes como: “eu te amo, baby”. O que rola mesmo é fogo, tempestade. É um lance bem carregado para esse lado.
EC – No primeiro disco nós nos inspiramos nos poetas locais, já no segundo incorporamos alguns poetas urbanos como João Cabral de Melo Neto, por exemplo. A chuva e a tempestade provocam mudanças na vida do sertanejo e ao mesmo tempo são de grande beleza. A tempestade é também uma metáfora sobre a vida, um pouco a tragédia do amor que fere e cansa.   

EM – Temos grandes percussionistas no Brasil e a música que vocês fazem representa bem essa característica. A produção do Naná Vasconcelos não foi por acaso?
EC – O que diferencia a percussão do Brasil para de outros países como Cuba e os africanos é que aui a renovação é muito grande, a fusão ritmica. Veja o exemplo do Naná Vasconcelos que pegou o berimbau, um instrumento de capoeira e o transformou em um instrumento universal, e a mesma coisa o Marco Suzano com o pandeiro que é um instrumento que vem do samba.

EM – Há um senso comum de que a MPB não produz mais poetas como Caetano, Gil, Chico, Djavan, e tantos outros. Talvez isso pode até acontecer no que diz respeito ao formato canção, mas ao mesmo tempo a música brasileira é muito rica em outros formatos. Você não acha que essa afirmação restringe o alcance da música brasileira que tem tantos ritmos diferentes?
EC – Talvez isso aconteça mesmo com o formato canção, mas como falei anteriormente, a música brasileira tem um poder muito forte de renovação e as pessoas sempre acabam abrindo os ouvidos para novas coisas, o brasileiro é um povo muito musical. A percussão sempre foi uma coisa de guetos, mas agora está em alta e ganha cada vez mais espaços. Tem muita gente tocando em pequenos clubes, mas não tem visibilidade.



sábado, 16 de setembro de 2017

Igor Willcox - #1 - 2017


Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.

Músicos: Igor Willcox (bateria), Clayton Souza (saxofone), Erik Escobar, Vini Morales, Bruno Alves (teclados), JJ Frannco, Rubem Farias, Glácio Nascimento, Fernando Rosa (baixo), Carlos Tomati (guitarra), Bocato (trombone), Marcus Cesar (percussão).

Produção: Igor Willcox
Mixagem e masterização: Igor Willcox
Foto da capa: Zé Cintra
Desenho gráfico: Lery Festa
Gravado nos estúdios Room 73 e Drum Village

Músicas
1 - Brotherhood - Igor Willcox
2 - The Scare - Igor Willcox
3 - Old Friends - Erik Escobar
4 - Julie's Blues - Igor Willcox
5 - Brad Vibe - Vini Morales
6 - Thakful - Erik Escobar
7 - Room 73 - Igor Willcox
8 - Waltz For My Love - Igor Willcox
9 - Lifetime - Igor Willcox

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O jazz tradicional da Big Easy chega em Sampa.


O lendário trompetista Leroy Jones, conhecido pelos amantes da música como o responsável por manter acesa a chama do Jazz Tradicional de New Orleans, se apresenta na terça-feira, dia 26, no Bourbon Street, em São Paulo.
Trata-se de um dos grandes músicos nascidos na cidade berço do jazz, responsável por expor a audiências de todo o mundo a autêntica música de Louis Armstrong, Buddy Bolden, Danny Barker e todos os grandes que ajudaram a criar o rico caldeirão sonoro da big easy, sem deixar de colocar sua marca em todos os temas.
Leroy Jones começou a estudar trompete aos 10 anos de idade e aos 13 já se apresentava em casas de show e conduzia a banda de sua igreja. Membro do New Orleans Jazz Hall of Fame, seu som é descrito como a mistura da sofisticação de Louis Armstrong com o bebop do virtuoso de Clifford Brown.
O repertório inclui as tradicionais Bourbon Street Parade, Sleepy Time Down South, Basin Street Blues, Do you Know What it Means (to Miss New Orleans) e muito mais.
A banda vem com Leroy Jones (trompete e voz), Victor Atkins (piano), Nobu Ozaki (baixo), Barnaby Gold (bacteria).

Serviço:

Show: Leroy Jones
Local: Bourbon Street
Endereço: Rua Dos Chanés, 127 – Moema – SP
Data: 26/09/2017 – terça-feira
Horário: 21h30
Bilheteria: de 2ªf.a 6ª.f das 9h às 20h, sábado e feriado das 14h às 20h
Fone para reserva: (11) 5095-6100 (Seg. a sexta) das 10h às 18h
Abertura da casa: 20h30
Couvert Artistico: R$ 75,00
Venda também pela Ingresso rápido - 11 4003 1212 - www.ingressorapido.com.br
Classificação indicativa: 18 anos e 16 anos acompanhado de responsável