domingo, 13 de outubro de 2019

Brasileiro Rodrigo Mantovani entre os melhores do blues de Chicago


Texto: Eugênio Martins Jr
Fotos: Alex Cruz

Alguns figurões da primeira fase do blues que é feito no Brasil ainda circulam por aí, uns mais ativos que outros é certo, cantando tocando e gravando. A banda Blues Etílicos lança um álbum sempre que pode. Nuno Mindelis também, gravando aqui e nos Estados Unidos. André Christovam está meio paradão no quesito gravações. Até onde sei, morando na Escócia?! Recentemente retornou ao Brasil para comemorar o aniversário de 30 anos do disco Mandinga. Celso Blues Boy já partiu dessa, deixando saudades. Como o norte americano JJ Jackson, artista do Arkansas que chegou no Brasil no começo dos anos 80, e o baiano Alvaro Assmar, que também estão fazendo jam com os grandes bluesman no lado de lá.
Mas o blues ainda vai bem por aqui. Alguns nomes surgiram recentemente dando um gás na cena. Da Baixada Santista, Filippe Dias, Pedro Bara e Dog Joe. Simi Brothers e Bidu Souls vêm do Vale do Paraíba. O guitarrista Tiago Guy e o gaitista Enéias Ribeiro de São Paulo e tantos outros espalhados pelo Brasil.
Entre esses dois extremos, a galera que podemos chamar de segunda geração, está fazendo história, investindo suas carreiras na cena internacional: Igor Prado (tocando em vários festivais nos EUA e Europa), Celso Salim (Los Angeles), Cristiano Crochemore (Houston), Artur Menezes (Los Angeles) e, mais recentemente, o baixista paulistano Rodrigo Mantovani (Chicago).
Por anos viajando com a Igor Prado Band, Mantovani rodou o mundo tocando e transformando-se em um dos maiores especialistas no Brasil de todas as linguagens que o blues apresenta. Dividiu o palco com grandes nomes da cena atual, Lynwood Slim e James Wheeler (também já se foram), Raphael Wressnig, Omar Coleman, Mitch Kashmar, Tia Carrol, Jr Watson e tantos outros. 
Além, claro, das gravações com a Igor Prado Band e as dezenas de participações em discos de artistas nacionais, Mantovani lançou dois discos de blues básico, baixo e guitarra, um com Celso Salim, Diggin’ the Blues e First Born, com o dinamarquês Big Creek Slim. Ambos com versões de temas clássicos e composições próprias.
Em 2018 Mantovani recebeu o convite irrecusável para integrar a banda de Nick Moss, guitarrista norte americano considerado um dos grandes nomes da atualidade e foi. A super banda conta com Dennis Gruenling (harmônica), Patrick Seals (bateria) e Taylor Streiff (piano e orgão).
Entre um show e outro, Mantovani respondeu algumas perguntas enviadas via email para os Estados Unidos.


Eugênio Martins Júnior  – Como você foi pra música e como o blues foi parar na tua vida? Já estava no teu radar desde o princípio?
Rodrigo Mantovani - Fui parar na música pelo acaso. Ganhei um violão que pertencia a uma tia que faleceu quando eu tinha uns 10 anos de idade e desde então comecei a aprender algumas músicas com amigos que moravam no meu prédio. O detalhe é que um desses amigos era baixista e me ensinou algumas linhas de baixo no violão, mesmo sem eu saber o que era um baixo, então quando eu mostrava para as pessoas o que havia aprendido elas falavam que essa era a parte do baixo. Como tinha sido difícil aprender aquelas músicas (que eram no máximo duas), decidi então que tocaria baixo a partir dali. Comecei tocando rock e conhecer e começar a tocar blues foi uma consequência natural após ingressar na minha primeira banda de blues aos 14 anos.  

EM – Você passou anos na banda do Igor Prado e por causa disso viajou para vários lugares fora do Brasil. O que essa esperiência acrescentou na tua forma de ver o blues?
RM - Com certeza um grande diferencial foi a convivência com tantos artistas internacionais que tivemos a felicidade de tocar, conviver e receber tanta informação diretamente.
A participação em shows e festivais internacionais foi igualmente importante, pois quando você participa de festivais cheio de artistas que você é fã, na minha opinião, absorve a linguagem de uma forma mais natural além de ser extremamente estimulante para o desenvolvimento. Estar ali fazendo parte do line up juntamente com seus ídolos faz você querer se superar cada vez mais.

EM – E talvez por causa disso você está hoje em uma banda de blues americana. Gostaria que falasse sobre isso.
RM - Como disse, as viagens possibilitaram o contato com muitos artistas e bandas que éramos fãs e sempre ouvíamos, além de termos acompanhado diversos artistas internacionais dentro e fora do Brasil. Acho também que além do convívio e contato, sempre fizemos um ótimo trabalho acompanhando esses artistas e fomos cada vez se especializando mais tanto no blues quanto em suas vertentes, o que sempre abriu portas aqui nos EUA.

EM – Quando você conheceu o Nick Moss e quando e como se deu o convite pra integrar sua banda?
RM - Conheci o Nick pessoalmente na Espanha quando fomos tocar com a Igor Prado Band no festival Rock'n'River.
O Nick estava participando do mesmo festival com sua banda além de ter o Kirk Fletcher de convidado especial.
Depois disso fui algumas vezes para Chicago e fiquei em sua casa, além de fazer alguns shows com a sua banda. Em 2018 ele fez o convite pela internet para eu entrar na banda e desde então nos falamos diversas vezes para acertar a parte burocrática. Acabei vindo no final de 2018 para gravar o seu novo disco, Lucky Guy, e em 2019 me mudei de vez para Chicago.


EM – Tenho uma curiosidade. Como os norte-americanos veêm o blues tocado no Brasil? Como uma coisa exótica, apenas uma forma de arrumar trabalho e uns dólares a mais ou de forma séria?
RM - Acho que tudo é relativo e é difícil generalizar dessa forma tanto da parte dos artistas americanos quanto da parte das bandas brasileiras. Existem todas as situações possíveis, acredito. Tanto os que veêm como uma forma de ganhar uns dólares quanto os que enxergam de forma séria. Na minha opinião, independente de como eles enxergam, todo trabalho sério se basta e se sobressai de maneira natural, o resto é consequência.

EM – Sobre a tua carreira solo. Você gravou um CD acústico com o Celso Salim e depois gravou com o Big Creek Slim. Gostaria que comentasse esses dois trabalhos.
RM - Sim, são dois trabalhos que apesar de parecerem semelhantes por serem álbuns em duos, são totalmente diferentes na essência. O trabalho com o Celso têm uma sonoridade mais moderna além de ter arranjos mais particulares tanto para versões de blues quanto para as músicas próprias. O álbum com o Big Creek é praticamente tocado ao vivo com a sonoridade baseada nos álbuns antigos de Blues.

EM – Como você conheceu o Big Creek Slim e como surgiu a ideia de gravar esse excelente CD? Parece que o trabalho foi premiado.
RM - Já tinha ouvido falar muito bem do Big Creek e o conheci em um festival em Caxias do Sul, o Mississippi Delta Blues Festival. Desde então conversamos mais algumas vezes e ele veio para São Paulo para fazermos uma turnê e em nossa 2ª turnê decidimos gravar o álbum. Nessa época ele ainda estava morando aqui no Brasil. Tivemos a honra de ter esse trabalho eleito como o melhor álbum de blues acústico de 2018 pela Blues Junction Productions, uma plataforma formada por diversos críticos especializados em blues aqui dos EUA, além de ter recebido o prêmio de melhor disco de blues do ano na premiação da Dinamarca DMA (Danish Music Awards).

EM – Trata-se de um disco de blues tradicional, com composições dele e de figurões como Charlie Patton, Barbcue Bob, Blind Willie Johnson, Roosevelt Sykes. Como foi a escolha desse repertório?
RM - O repertório foi escolhido por nós dois. Mesclamos algumas composições próprias dele e que achou que caberiam no álbum. Escolhemos as outras baseadas no que mais eram similares ao formato do disco e com a voz dele.


EM - Como está sendo essa adaptação, tanto em termos musicais quanto a parte de viver o dia a dia nos EUA?
RM - Morar nos Estados Unidos é uma experiência completamente diferente de vir para cá em turnês. Eu já tinha vindo para turnês grandes aqui, com cerca de dois meses, mesmo assim a diferença é enorme. Você tem que se adaptar em tudo, desde as menores coisas como seus hábitos alimentares até a maneira de lidar com temperaturas e climas que não está acostumado. Falar outro idioma 24 horas por dia, etc. Além de, paralelamente, ter que se adaptar a dinâmica da banda que é muito puxada e tenho certeza que hoje em dia Nick Moss Band é uma das bandas que mais trabalha aqui nos Estados Unidos. Nós viajamos de van pelos Estados Unidos. Levamos todo nosso equipamento para todo lado, baixo acústico, teclados, bateria, amplis etc. A parte musical é a menos complicada de se adaptar uma vez que temos diversas influências similares.

EM – Você chegou aí em abril de 2019. Gostaria que falasse sobre a cena dos festivais, bares, etc. Quantas gigs você faz por semana? O blues paga bem por aí? (risos)
RM – A média é de 20 shows por mês, contando festivais e shows menores. Aqui a dinâmica é outra e geralmente viajamos para uma sequência de shows em torno de duas a três semanas direto, daí voltamos por uns dias e já saímos novamente. Viajo bem mais aqui nos EUA do que viajava no Brasil. E têm casos de saírmos direto de um show para outro, coisa que raramente acontecia por aí também. Aqui têm muito mais espaço e festivais para se apresentar, além de ainda ter muitas bandas de blues ao redor, e é super legal ter essa possibilidade de trocar idéia e encontrar direto os músicos que fazem parte da cena blues por aqui. Quanto ao pagamento, blues é blues em qualquer lugar.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Sesc Jazz invade interior de São Paulo em Outubro. Aqui em Santos serão quatro shows

As vendas dos ingressos começam dia 01/10 no site do Sesc a partir das 19h. E no dia 02/10 nas unidades a partir das 17h30. Só será permitida a venda de 04 ingressos por pessoa

Nelson Ayres Big Band (foto: Paulo Ropoport)

Muitos anos conhecido como Jazz na Fábrica, restrito ao Sesc Pompéia, o agora Sesc Jazz, incluiu o interior do estado de São Paulo nas suas apresentações.
Serão mais de 80 shows e, além da unidade Pompéia, na capital o festival estará em Interlagos, Pinheiros, Vila Mariana, Paulista, Santo Amaro e Consolação. Nas cidades do interior o Sesc Jazz vai chegar em Araraquara, Sorocaba, Ribeirão Preto, Jundiaí, Guarulhos, Piracicaba e Santos.
Aqui na minha terra serão quatro shows e uma palestra. Entre os dias 23 e 26 de outubro o grande teatro com mais de 780 lugares do Sesc Santos receberá a diversidade da música mundial em colaboração com os maiores músicos de jazz do Brasil, são eles, Marc Perrenoud Trio com a Nelson Ayres Big Band, Luísa Mitre Quinteto e The Art Ensemble of Chicago, John Zorn & New Masada Quartet e Edu Ribeiro Quinteto e Maurício Einhorn.
No dia 22, às 20h, haverá a palestra Como Gostar de Jazz, com o jornalista e músico Fabiano Alcântara propõe uma abordagem histórica e afetiva sobre o jazz, gênero que não é elitista e tampouco "difícil" de ser entendido.
Segue abaixo a programação de Santos. A programação geral pode ser obtida em https://www.sescsp.org.br/busca/busca.action?q=sesc%20jazz#/content=programacao

Marc Perrenoud Trio

Segue a programação de Santos:

23/10 às 20h, no Teatro - Marc Perrenoud Trio (Suiça) + Nelson Ayres Big Band (Brasil)
Marc Perrenoud Trio - Há 12 anos, o pianista nascido na Alemanha e radicado na Suiça, Marc Perrenoud conduz esta formação, da qual fazem parte o baixista alemão Marco Müller e o baterista suíço Cyril Regamey. Juntos, já realizaram mais de 300 shows em alguns dos principais festivais e clubes de jazz ao redor do mundo.
O trio tem um repertório eclético: suas influências vão desde o trompetista norte-americano Chet Baker e o pianista canadense Oscar Peterson, passam pelo pianista e compositor russo Igor Stravinsky e o francês Maurice Ravel, e chegam até a banda inglesa de trip hop Massive Attack.
Em suas apresentações, gostam de dar liberdade e desafiar uns aos outros. O resultado disso é uma música instrumental que ganha tônus ao longo dos acordes. "Para nós, cada show é uma ocasião única. Já tocamos muito e ainda nos sentimos como crianças quando chega o momento de subir ao palco. É importante manter esse espírito de criança!", diz Marc Perrenoud.
Atualmente eles preparam o lançamento de seu quinto álbum e vão apresentar em primeira mão algumas das novas composições no Sesc Jazz. Com Marc Perrenoud (piano), Marco Müller (baixo) e Cyril Regamey (bateria)

Nelson Ayres Big Band - Nelson Ayres é um dos artistas mais conceituados da música instrumental brasileira. Aos 72 anos, o pianista, compositor e maestro contabiliza uma série de parcerias com artistas estrangeiros e nacionais – de Dizzy Gillespie a Vinicius de Moraes –, além da regência por uma década da Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo e também de diversas outras prestigiosas, como a Orquestra Filarmônica de Israel.
A big band que leva o seu nome existe desde 1973 e virou referência para as que vieram depois, como a Banda Mantiqueira e a Soundscape. É formada por 14 músicos. Entre eles, há dois que costumavam assistir às apresentações da formação original desde a plateia (Ubaldo Versolato e Nahor Gomes) e outros dois que nem sequer tinham nascido quando a big band nasceu (Cássio Ferreira e Rubinho Antunes).
A mistura de música brasileira com jazz virou a marca da banda, que vai tocar no Sesc Jazz algumas composições que fazem parte da sua história, como "Meio de Campo", de Gilberto Gil, com arranjo de Ayres, "Corcovado", de Tom Jobim, e "Organdi e Gomalina", do próprio maestro. Essas duas últimas integram o álbum mais recente do grupo, "Nelson Ayres Big Band", lançado em 2017. Com Nelson Ayres (piano), Cássio Ferreira (saxofone), Mauro Oliveira (saxofone), Lucas Macedo (saxofone), César Roversi (saxofone), Ubaldo Versolato (saxofone), Nahor Gomes (trompete), João Lenhari (trompete), Bruno Belasco (trompete), Rubinho Antunes (trompete), Fábio Oliva (trombone), André Tinoco (trombone), Joabe Reis (trombone), Diego Calderoni (trombone), Alberto Luccas (baixo) e Ricardo Mosca (bateria).

24/10 às 20h, no teatro - Luísa Mitre Quinteto (Brasil – MG) + The Art Ensemble of Chicago Estados Unidos)
Luísa Mitre Quinteto - O fascínio da pianista e compositora mineira Luísa Mitre tanto pela música erudita quanto pela popular vem da época em que ela estudava na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), quando dedicou seu mestrado à pesquisa sobre a contribuição do piano ao choro.
"Gosto tanto de música erudita quanto de popular e acho que o muro entre as duas está cada dia mais baixo, o que é bom, porque enriquece a experiência musical de todos", diz a artista, que credita aos pianistas Egberto Gismonti, César Camargo Mariano e Cristóvão Bastos suas principais influências. O resultado dessa conjunção de estilos poderá ser visto e ouvido no Sesc Jazz. O repertório do show é o disco "Oferenda", seu primeiro trabalho autoral, lançado em 2018. Todas as canções foram compostas por mulheres, e não é por acaso. Luísa gosta de valorizar as compositoras para aumentar sua representatividade na música instrumental. "Oferenda" recebeu o Prêmio Marco Antônio Araújo 2019 de melhor disco instrumental autoral de Minas Gerais lançado em 2018. Em 15 anos de premiação, foi a primeira vitória de uma artista mulher. Com Luísa Mitre (piano, arranjos e composições), Natália Mitre (vibrafone), Marcela Nunes (flauta e composição), Camila Rocha (baixo) e Paulo Fróis (bateria).

The Art Ensemble of Chicago - Trazendo na bagagem décadas de experiência como uma das referências do jazz de vanguarda dos Estados Unidos, os músicos da The Art Ensemble of Chicago estão há 50 anos na estrada.
O saxofonista Roscoe Mitchell e o baterista Famoudou Don Moye, remanescentes da formação original, recebem músicos convidados para os shows do Sesc Jazz e prestam um tributo aos fundadores que já faleceram – o trompetista Lester Bowie (1941-1999), o saxofonista Joseph Jarman (1937-2019) e o baixista Malachi Favors (1927-2004) – e suas "contribuições duradouras para a black music: dos ancestrais para o futuro", nas palavras da banda. Ainda hoje, a The Art Ensemble of Chicago mantém vivo o espírito de vanguarda e o apetite pela experimentação que fizeram sucesso nos anos 1970 com álbuns como "Bap-Tizum" (1972) e "Fanfare for the Warriors" (1973). No Sesc Jazz, espere ver os arranjos daquela época transpostos para o palco com o uso de instrumentos pouco convencionais, como apitos, pequenos sinos e até tubos plásticos. Roscoe Mitchell (saxofone, flauta), Famoudou Don Moye (bateria, percussão), Rodolfo Lebron (vocais), Hugh Ragin (trompete), Simon Sieger (trombone), Eddy Kwon (viola), Brett Carson (piano), Junius Paul (contrabaixo), Jaribu Shahid (contrabaixo), Enoch Williamson (percussão), Dudu Kouate (percussão).

John Zorn (foto: Scott Irvine)

25/10 às 20h, no Teatro - John Zorn & New Masada Quartet (estados Unidos)
John Zorn - nasceu em Nova York numa família judaica, ancestralidade que influencia até hoje seu trabalho. Na infância, já tocava piano, violão e flauta. Na adolescência, tocou baixo numa banda de rock. Dali em diante, dedicou-se ao jazz e ao saxofone, instrumento que começou a estudar aos 16 anos e toca até hoje, aos 66.
O músico trabalhou em centenas de álbuns e construiu um portfólio eclético. Uma de suas bandas, Painkiller (1991 a 2005), tocava jazzcore e era composta pelo baixista Bill Laswell e pelo baterista Mick Harris, oriundo do grupo de death metal Napalm Death. Um dos discos contou com a participação de Mike Patton, do Faith No More, nos vocais.
Já no projeto Masada (1994-2005), cujo nome faz referência a um sítio histórico de Israel, Zorn aplicava arranjos contemporâneos às suas raízes judaicas. O New Masada Quartet, que se apresenta no Sesc Jazz, é uma nova formação para o Masada. Tem influência do free jazz – estilo de origem afro-americano que propõe liberdade total para improvisar – e do klezmer, gênero comumente tocado nas celebrações judaicas. Com John Zorn (saxofone), Julian Lage (guitarra), Jorge Roeder (contrabaixo), Kenny Wollesen (bateria).

26/10 às 20h, no teatro - Edu Ribeiro Quinteto (Brasil-SC) + Maurício Einhorn (Brasil-RJ)

Edu Ribeiro Quinteto - Edu Ribeiro é autodidata e aprendeu a tocar bateria aos oito anos. Cursou música popular na Unicamp e fundou nesse período o Trio Água, ao lado do violonista Chico Saraiva e do baixista José Nigro. Já acompanhou diversos artistas brasileiros, como Dominguinhos, João Bosco e Zélia Duncan, e estrangeiros, como Brad Mehldau e Stacey Kent. Em 2002, formou com o pianista Fabio Torres e o baixista Paulo Paulelli o Trio Corrente, que toca clássicos do choro e da MPB, além de composições próprias. Com o grupo, Edu foi premiado duas vezes com o Grammy pelo álbum "Song for Maura" (2012), gravado com o saxofonista cubano Paquito D'Rivera. O trabalho é uma homenagem à mãe de Paquito.
No Sesc Jazz, o baterista mostra as músicas de seu segundo álbum solo, "Na Calada do Dia", lançado em 2017, como "Maracatim", um maracatu cantável, nas palavras dele, cuja composição teve início como um canto e só depois foi combinada com os instrumentos. Com Edu Ribeiro (bateria), Daniel D'Alcantara (trompete), Guilherme Ribeiro (acordeão), Bruno Migotto (contrabaixo) e Fernando Correa (guitarra).

Maurício Einhorn - um dos gaitistas mais importantes do Brasil. Já tocou com Toots Thielemans, um dos melhores do mundo na gaita, e artistas como Sarah Vaughan e Nina Simone. Integrou a cena musical que criou a bossa nova e compôs clássicos como "Batida Diferente" (com Durval Ferreira) e "Alvorada" (com Arnaldo Costa e Lula Freire), que fazem parte do primeiro de seus 12 álbuns solo, "ME" (1979), considerado item de colecionador.
Mesmo com tamanho histórico e contabilizando 87 anos de idade, ele não perde o pique. "Ainda tenho muito trabalho pela frente. A música não para nunca." Mauricio conta que já compôs "quase mil músicas com diversos parceiros" e apenas algumas dezenas foram gravadas. Por isso, está garimpando seu acervo em busca de novidades. "Revirei o baú e achei músicas que a meu ver não podem ficar mais nas gavetas."
Uma dessas inéditas estará no Sesc Jazz, "Conexão Leme-Copacabana" (parceria com Alberto Chimelli). As demais músicas do repertório, como "Já Era" (com Eumir Deodato) e "Estamos Aí" (com Durval Ferreira e Regina Werneck), estão em seu último álbum, "Ao Vivo no Teatro Vanucci" (2012). Com Maurício Einhorn (gaita), Natan Gomes (piano), Luís Alves (baixo) e João Cortez (bateria).

Luísa Mitre (foto: Marina Mitre)

 Edu Ribeiro (foto: Paulo Rapoport)

Maurício Einhorn (foto: Nelson Farias)

Sesc Jazz 2019 anuncia programação com mais de 80 shows e abre venda de ingressos

A música do mundo estará presente em um dos festivais mais legais do Brasil, o Sesc Jazz, com mais de 80 shows com preços que vão de 12 a 60 reais

Duofel + Robertinho Silva e Carlos Malta

A partir das 19h do dia 01 de outubro, terça-feira, o Sesc SP inicia, exclusivamente pelo portal, a venda de ingressos para a maratona de shows da segunda edição do Sesc Jazz. 
No dia seguinte, 02 de outubro, as vendas presenciais começarão às 17h30 nas bilheterias da rede Sesc em todo o estado de São Paulo. 
Os preços variam de R$ 60,00 (inteira) a R$ 12,00 (credencial plena). A programação conta também com shows gratuitos.
Esse ano a programação inclui shows de Sun Ra Arkestra, The Art Ensemble of Chicago, Arturo Sandoval, Egberto Gismonti, John Zorn, Gary Bartz, Women’s Improvising Group, Terri Lyne Carrington, Yissy García, Lonnie Holley, entre outros. A programação completa com atrações, unidades e datas estão em sescsp.org.br/sescjazz.
O Sesc Jazz acontece entre os dias 08 e 27 de outubro nas unidades Pompeia, Guarulhos, Santos, Araraquara, Bauru, Jundiaí, Piracicaba, Ribeirão Preto e Sorocaba. 
Serão 81 apresentações em uma programação intensa, ampla e diversa, que reunirá 26 artistas nacionais e internacionais de 12 países de quatro continentes: Brasil, Cuba, Espanha, Estados Unidos, França, Hungria, Inglaterra, Israel, Nigéria, Noruega, Suíça e Tunísia.
A programação, elaborada por comissão curadora formada por técnicos do Sesc SP, equilibra nomes de relevância histórica, com representantes de peso da vanguarda do jazz, e artistas em ascensão. 
Além dos shows, ocorrem ainda 17 Atividades Formativas com caráter educativo e de difusão da linguagem do jazz. A programação trará atividades como encontros, workshops e palestras, que possibilitarão um contato do público com importantes nomes nacionais e internacionais do universo jazzístico.

Serviço:

Sesc Jazz
08 e 27 de outubro de 2019
Programação completa e informações sobre venda de ingressos: sescp.org.br/sescjazz

Venda de ingressos – Data e horários
Online : a partir das 19h do dia 1º de outubro, terça-feira, pelo Portal do Sesc.
Presencial: a partir das 17h30 do dia 02 de outubro, quarta-feira, nas bilheterias das unidades do Sesc
Obs: Ingressos limitados a 4 por pessoa.

Lonnie Holley

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Dawn Tyler Watson a voz feminina do blues que vem do Canadá


Texto: Eugênio Martins Jr
Foto: Arve Reistad

Dawn Taylor Watson pode ser ouvida em dois formatos: em seu duo com o guitarrista Paul Deslauriers nos trabalhos En Duo e Southland e também com a Ben Racine Band, sua banda oficial, em Jawbreaker e Mad Love.
Em ambos, essa inglesa que cresceu no Canadá estudando artes dramáticas, apresenta a nova cara do blues que vem se espalhando pelo mundo, influenciando a música local por onde passa, mas também sendo infiltrado pelos ritmos locais e  interpretado por novos artistas. 
Seja qual for o formato que você escolher pra ouvir primeiro, e na real não faz diferença nenhuma, vai ouvir uma cantora que entrou de cabeça nessa história de cantar blues. Há outro caminho? 
Dawn viajou pelo sul em busca das raízes da música secular que conheceu já grande e foi impactada pela sua história. Esteve nos lugares emblemáticos e sentiu que apresentar essa forma de arte não é apenas um trabalho, mas uma verdadeira missão.
Quando se apresenta com voz e violão às vezes resvala ao pop e até ao romântico, não que isso seja ruim, Keb Mo o faz com grande conhecimento de causa.
Quando encontra a banda de Ben Racine os decibéis sobem e também a atitude. The canadian girl domina o palco e atiça o público com suas interpretações cheias de energia e malícia.
Como atriz, Dawn participou de três filmes. Estreou com Scanners II: A Força do Poder (1991), continuação do clássico horrorcore homônimo, Jack Paradise (Les Nuits de Montreal, 2004) e Sophie (2008).
Tenho tido a sorte de entrevistar novas cantoras que estão vindo ao país pelas mãos de artistas brasileiros. E mais do que isso, ver suas apresentações e ouvir a potência das suas vozes. 
A entrevista de Dawn é mais uma da série que inclui JJ Thames, Andrea Dawson, Terrie Odabi e Whitney Shay. Ela foi concedida no camarim do Bourbon Street Music Clube, antes de uma, do total de oito, apresentações, que Dawn Tyler Watson fez no  Brasil. Todas acompanhadas pela banda Tigerman do gaitista Marcelo Naves, com Leo Duarte (guitarra slide), Thiago Guy (guitarra) Raoni Bracher (baixo) e Jaderson Cardoso (bateria).


Eugênio Martins Júnior – Você nasceu na Inglaterra e cresceu no Canadá. Quando foi a primeira vez que ouviu o blues?
Dawn Tyler Watson – Acho que foi na universidade, quando mudei para Montreal. Já ouvia o blues na música pop, com The Doors e Rolling Stones. Não conhecia cantoras originais como Dinah Washington ou Billie Holiday. Conheci mesmo foi na universidade.

EM – Você aprendeu o que era o blues na universidade?
DTW – Sim, nas aulas de história do jazz.

EM - Como é a cena canadense de blues? Você a acompanha?
DTW - Está ficando forte. Particularmente em Quebec e também em Montreal. No International Blues Challenge, que acontece em Memphis, Tennessee, tivemos nos últimos três anos finalistas que são de Montreal. 

EM – Em um desses desafios você ganhou, não é isso?
DTW – Sim, ganhei em 2017, Paul Deslauriers pegou segundo lugar em 2016 e Angel Forest ficou entre os três primeiros em 2018. Não temos muitos festivais como nos Estados Unidos, mas há alguns festivais internacionais que são famosos, o de Montreal é um deles. Nesse momento estão filmando um documentário sobre os artistas de Montreal. 
EM – Todos se espantam quando dizemos que no Brasil há uma cena blueseira. 
DTW – Eu não sabia que havia uma cena como a do Brasil. Isso é maravilhoso.


EM - Tenho entrevistado cantoras de blues de todas as partes, sul, norte, Costa Oeste dos Estados Unidos e é a primeira vez que falo com uma cantora canadense. Mas me parece que todas tem uma característica parecida: são ecléticas no que fazem. Quero dizer, gostam de gravar todos os estilos, blues, jazz, soul, funk. E têm trazido temas do ponto de vista feminino ao blues. Gostaria que falasse sobre isso.
DTW – Acho maravilhoso. Certamente as mulheres têm aparecido mais. Vou usar de novo o exemplo do International Blues Challenge. Em 25 anos eu fui a segunda mulher a vencer. Depois disso outras duas mulheres chegaram entre os três primeiros lugares. A mídia local vivia repetindo isso, que mulheres de todo o mundo participavam, mas nunca ganhavam. Não era certo, não era justo, mas era um mundo dos homens. Como na música de James Brown. Você sabe.

EM - Até que ponto sua experiência em atuar te ajuda no palco e na interpretação das canções?
DTW – Minha filosofia é a de que a cantora é a mensageira da canção. Se você só ouvir as palavras, mas não sentir o que ela quer passar você perdeu a mensagem. Gosto de canções que têm alguma coisa a dizer. Então, como atriz, tento passar aquela mensagem, mas pelo meu filtro. Um exemplo é Rien de Rien, interpretada por Edit Piaf. Aparentemente ela está muito triste e cheia de culpa. Quando eu a canto é de uma maneira forte. Eu não me arrependeu de nada. Hoje é um novo dia.  Sou feliz do jeito que a minha vida está. Não sei se estou tendo o entendimento certo porque não sou fluente em francês. Mas não me arrependo de nada porque o arrependimento não pode mudar nada. Você aprende com o passado e continua em frente. Esse foi um exemplo de como interpretar uma canção usando outra percepção. 

EM – Como cantora você também improvisa no palco como faz uma atriz?
DTW – Às vezes a licença artística te proporciona isso. Às vezes você torna a letra da música mais forte. Sou uma garota má, mas consigo ser uma garota muito má. (risos).

EM – Ben Racine Band e a banda que te dá suporte, inclusive tocando nos teus discos. Poderia nos contar a história dessa parceria?
DTW – É minha banda oficial. Às vezes colocamos outros elementos quando precisamos um teclado ou trompete. Trabalhar com ele é impressionante. Os caras da banda são ótimos músicos e mantêm minha arte em um ótimo nível. São fabulosos.


EM – A parceria com Paul Deslauriers rendeu a vocês dois álbuns. Gostaria que falasse sobre isso.
DTW – Como dupla fizemos muito sucesso. Viajamos pela Rússia, México, Ilhas do Caribe, Estados Unidos e todo o Canadá. Somos amigos e trabalhamos bem juntos. Há muita química. Trabalhamos dois anos antes de gravarmos um álbum. E gravar assim é muito fácil, porque além de mim e dele há apenas a figura do produtor. São só três pessoas. Com a banda já é diferente, são oito elementos. No meu álbum mais recente foram cinco sopros. No o duo os arranjos são feitos no máximo por duas pessoas. Com a banda há as participações nos ensaios. Você tem de sentir como as coisas soam juntas. Particularmente no álbum mais recente e até no primeiro, eu vim com algumas ideias inacabadas, vinha com a melodia, mas não com os acordes. Resolvemos só hora de tocar. 

EM – E tem a parte de que em duo os temas viram uma conversação entre você e seu parceiro.  
DTW – Sim, podemos considerar isso. Mas atuar em um palco também pode ser uma conversação com o público. É como fazer amor, tem de haver ação e reação. 

EM - Li que você passou uma temporada no sul, cantando e bares e festivais. Você atua em filmes, gosta de jazz, mas o blues roubou a tua alma. Gostaria que desse a tua impressão  sobre isso.
DTW – Boa pergunta. Nunca havia estado no sul antes. Fui a New Orleans, a Clarksdale, no Mississippi, passei pelas plantações de algodão, onde a minha mente se abriu. Ainda há muita pobreza, racismo e segregação, por lá. E você ainda pode ouvir muito blues por lá e ver que uma verdadeira forma de arte americana. Fico até arrepiada em falar nisso. Mudou a minha forma de cantar blues. E acima de tudo o meu respeito por ele. Sobre o que aquele povo passou para trazê-lo a nós. Você sabe, nós conhecemos a história da escravidão, mas quando você vai a campo, na trilha do blues, e vê todos aqueles monumentos. Vai na famosa encruzilhada e perto dali Sonny Boy Willianson está enterrado e você vê uma casa que foi queimada, onde um jovem negro foi brutalmente espancado, assassinado e seu corpo foi entregue a sua mãe. Me disseram que o caixão ia ser lacrado, mas a mãe disse não, que o caixão ia ficar aberto justamente para que as pessoas vissem o que aqueles homens haviam feito com o filho dela. Conheci onde nasceu a centelha dos movimentos civis com Rosa Parks e Martin Luther King. Foi muito profundo. 

EM – No Brasil passamos por coisas parecidas ainda hoje. Hoje será seu quarto show no país. Gostaria desse sua impressão sobre o Brasil. 
DTW – Bem, como sou estrangeira tenho sido muito protegida. Os rapazes tomam conta de mim. Tenho recebido muito amor dos fãs. Tocamos em Paraty, no Rio, e em Vila Velha. Ainda não vi muitas coisas dessa vez, mas já passei dez dias na Bahia e na Chapada Diamantina. É um país muito bonito. As montanhas que levam à Paraty. No caminho entre todos esses lugares vi algumas favelas, pessoas nas ruas, inclusive crianças. Ouvi falar sobre o seu governo pró armas, que estão ensinando crianças a atirar, o que pra mim é loucura. Lembre-se, sou canadense e lá no Canadá somos muito liberais sobre esse assunto. Mas o que posso dizer é que todos os países têm as suas lutas.

domingo, 22 de setembro de 2019

Domingo dia 29 de setembro o blues encontra o folclore brasileiro no Sesc Santos

Para esse espetáculo, Duca Belintani e seus músicos usam figurinos que caracterizam os protetores da floresta, prontos para defender as matas, os animais e os rios brasileiros


Onde o blues se encontra com folclore brasileiro?
No envolvimento dos sentimentos, na contação de histórias e  na criação de lendas. 
Inspirado pelos ricos personagens do folclore brasileiro, somado a sua longa carreira no blues, o guitarrista, professor e produtor Duca Belintani criou o projeto Blues Na Floresta, para levar ao público infantil. 
O trabalho conta com a parceria do letrista Osmar Santos Jr., com quem compôs as canções sobre as lendas e os personagens brasileiro, dentro do estilo musical afro-americano.
A ideia foi criar um disco divertido para contar as histórias do Saci Pererê, Cuca, Mula sem Cabeça, Curupira, Iara, Lobisomem, Bitatá, Bicho Papão e Matita Pereira.
O álbum foi gravado por Duca e sua banda com Benigno Sabral (baixo), Ulisses da Hora (bateria), Ricardo Scaff (harmônica), além dos convidados especiais, Vinas Peixoto (percussão), Mateus Schanoski (teclado), Adriano Grineberg (teclado) e Beatriz Belintani (voz). 
Para interpretar algumas canções, Duca trouxe participações especiais de grandes artistas da música brasileira, o caso de Andreas Kisser, Graça Cunha Paulo Freire, Suzana SallesTheo Werneck e Vange Milliet. 
Além das música, o projeto traz a criação artística de 11 ilustradores que retratam, cada uma no seu estilo, os guerreiros da floresta para o encarte do CD.
O projeto resultou em canções que relatam de maneira divertida as características dos personagens com a sonoridade do blues, para levar crianças e adultos a uma verdadeira festa na floresta.

Serviço:
Show: Blues na Floresta
Data: 29 de setembro
Horário: 17h30
Ingressos: Inteira = R$ 17,00; meia = R$ 8,50 e credencial plena = R$ 5,00
Endereço: Rua Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida
Classificação: Livre

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

O piano comanda o blues na última semana de setembro no Bourbon Street

Duas atrações que dão destaque ao piano chegam ao Bourbon Street nos dias 24 e 25 de setembro. Tom Worrell, de New Orleans e Trítono Blues, de São Paulo

Tom Worrell (foto Pablito Diego)

O pianista Tom Worrell carrega o peso da tradição da big easy nas costas, pois é de lá que vem Dr John, Professor Longhair, Allen Toussaint, Henry Butler e Fats Domino e tantos outros.
Musicalmente educado na universidade do Iowa o destino, o levou à New Orleans após passar algum tempo na estrada com a banda de Solomon Burke. Foi com Sammy Mayfield, integrante da banda de Solomon, que Worrell teve contato com a música de Professor Longhair e James Booker.
Esse “despertar” mudou sua trajetória artística e seu jeito de tocar: “Depois de ouvi-los, decidi que precisaria aprender a tocar daquele modo, ou pelo menos tentar. Desde então trabalho no estilo do piano de New Orleans e continuo nesse caminho até hoje”, revela o músico. 
Na cidade mais musical dos Estados Unidos, Worrell trabalhou com personagens importantes da cena local: Jumpin’ Johnny Sansone, JMonque'D, Mem Shannon & The Wild Magnolias (Bo Dollis Sr e Bo Dollis Jr), Marva Wright, John Fohl, Shebe Kimbrough, Brother Tyrone, Walter Wolfman Washington, 101Runners, Big Chief Monk Boudreaux, entre outros.
Na banda, figuras carimbadas do blues brasileiro, Humberto Zigler (bateria) e Luciano Leães órgão Hammond).

Trítono Blues (divulgação)

Ray Charles on My Mind, é uma emocionante homenagem ao grande Ray Charles, um dos maiores gênios da música mundial. Compositor, cantor e multi-instrumentista, imortalizou sucessos como Hit the Road Jack, Unchain My Heart, Georgia On My Mind, I Can't Stop Loving You, What'd I Say, Bye Bye Love e muitas outras. Sintetizou, de maneira única, elementos de R&B, gospel, country, jazz, e abriu o caminho para a Soul Music dos anos 60, tornando-se grande referência da música norte americana. 
O show Ray Charles on My Mind apresenta, além das músicas já citadas, outros grandes temas, todos com arranjos inéditos que transitam entre a inovação e a reverência, marcas da Trítono Blues. 
Com seu astral contagiante e sua potente voz, Bruno Sant’anna, cantor e percussionista, assume a responsabilidade de transmitir toda emoção que o repertório exige. 
André Youssef, além de ser um craque no piano e no órgão Hammond, também assume o vocal e defende com muito swing várias músicas, trazendo um colorido a mais na dinâmica do show. 
O gaitista André Carlini é um show à parte. Conhecido como um dos grandes da cena, esbanja energia no palco. Edu Malta é o responsável pelo baixo, pela direção musical e pelos arranjos apresentados no show. A formação ainda conta com um baterista e um trio de sopros. 
O show ainda recebe como convidado o pianista Edu Camargo.

Serviço:
Local: Bourbon Street
Endereço: Rua Dos Chanés, 127 – Moema – SP
Bilheteria: Rua dos Chanés 194 – de 2ªf.a 6ª.f das 9h às 20h, sábado e feriado das 14h às 20h
Fone para reserva: (11) 5095-6100 (Seg. a sexta) das 10h às 18h - sem taxa de conveniência

Show: Tom Worrell
Data : 24/09/2019 – 3ª.feira
Horário: 21h30
Abertura da casa: 20h
Duração: 80 min. aproximadamente
Couvert Artístico: R$ 60,00

Show: Ray Charles On My Mind
Data : 25/09/2019 – 4ª.feira
Horário: 22h
Abertura da casa: 21h
Duração: 80 min. aproximadamente
Couvert Artístico: R$ 50,00

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

A tradição do blues passada de pai pra filho na música de Lucky Peterson

Lucky Peterson (Cezar Fernandes 2019)

Texto: Eugênio Martins Jr
Fotos: Cezar Fernandes

Lucky é um cara sortudo. Nasceu filho de um dos mais importantes blueseiros de Buffalo, no estado de New York, James Peterson.
Seu pai também era um cara sortudo. Era filho de um dono de uma concorrida jukejoint no Alabama. Cresceu entre o ambiente insalubre do blues e a glória da música de Jesus em uma igreja local. 
Mas aos quatorze anos caiu na vida até chegar a Buffalo em 1955. Tocou onde podia até fundar, dez anos mais tarde, seu próprio clube, o Governor’s Inn.
Sua banda dava suporte a todos os figurões do blues elétrico que passavam por lá nos anos 60: Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Big Joe Turner, Lowell Fulson, Freddie King e Koko Taylor foram alguns.
Em 1970 teve seu primeiro álbum produzido por Willie Dixon, The Father, Son and the Blues, com a participação nos teclados de seu filho sortudo com apenas cinco anos.
No tempo certo, Lucky pegou o bastão das mãos do pai e tornou-se o próprio guardião dessa tradição secular.
O jovem prodígio especializou-se no órgão Hammond B3 e na guitarra e aos 17 anos já integrava a banda de Little Milton e depois a de Bobby “Blue” Bland, dois  grandes nomes do blues.
Nessa época conheceu o produtor Bob Greenlee que o levou à  Alligator Records para gravar os excelentes Lucky Strikes! e Triple Play. 
Nunca mais parou de gravar discos acima da média e hoje é aclamado como um dos grandes do blues. Em 2017 gravou o excepcional Tribute to Jimmy Smith, homenagem ao seu ídolo e mentor. 
Estive com Lucky Peterson em junho de 2019 no festival de Rio das Ostras (RJ) que voltou com força total.
Assisti a dois shows, no Palco Costa Azul e na Lagoa de Iriry, onde Lucky teve ao seu lado o guitarrista canadense Shawn Kellerman (em breve entrevista ao Mannish Blog), e os brasileiros Flávio Naves (teclados), Bruno Falcão (baixo) e ainda a participação de sua esposa, a cantora Tamara Tramell. Foram sete shows no Brasil com esse time.
Eugênio Martins Júnior – Há a incrível história do álbum The Father, Son and the Blues gravado por seu pai, James Peterson, com sua participação. Você lembra de alguma coisa? 
Lucky Peterson – Foi o primeiro álbum do meu pai, gravado em Buffalo, New York, eu tinha apenas cinco anos. Não lembro daquelas sessões.


EM – Certo. Qual foi a principal lição passada pelo músico James Peterson?
LP – As raízes. A verdade do blues. Amar o que você faz. E eu amo. Foi isso que aprendi com meu pai. As pessoas vão sacar o que você está fazendo.

EM – Você nasceu e cresceu no meio do blues. Gostaria que falasse sobre isso.
LP – Sim. Meu pai era dono de um dos principais clubes de Buffalo. Ele recebia Buddy Guy, Junior Wells, Koko Taylor, James Cotton, Jimmy Reed, Muddy Waters. Cresci com todos  esses artistas em volta. 

EM – Você recebeu alguma influência de algum desses caras que frequentavam o bar?
LP – Tenho orgulho de ter conhecido todos eles. Tenho um pouco de Lightnin’ Hopkins, um pouco de Freddie King, mas desenvolvi meu próprio estilo. 

EM – Você tocou com Etta James, Bobby Bland e Little Milton, está correto? 
LP – Fui o bandleader de Little Milton por cinco anos e depois fui para a banda de Bobby “Blue” Bland como sideman. Aproveitei o máximo com ambos. Com Etta James fiz apenas algumas sessões, mas foram ótimas. Ela era legal e talentosa. É o que tenho a dizer.

(risos) EM – Você não gosta de falar muito, né?
LP – Não mesmo.

Lucky Peterson (Cezar Fernandes 2019)

EM – O álbum Spirituals and Gospel, gravado por você e Mavis Staples é um lindo tributo a Mahalia Jackson. E o Willie Walker que está no Brasil nesse momento me disse que o blues e o gospel têm o mesmo ritmo, o mesmo sentimento, mas a mensagem é diferente. Você poderia comentar essa afirmação? 
LP – É verdade. A única diferença é que no gospel você diz Jesus e no blues você diz baby. (risos)

EM – Você começou a gravar muito cedo e a tua discografia é bem prolífica, gravou diferentes estilos musicais e é multi-instrumentista. Acompanho o teu trabalho há algum tempo e acho que podemos chama-lo de algum tipo de guardião dessa arte. Quero dizer, arte que passou de pai pra filho.
LP – Acho que é um pouco disso. Blues, rock and roll, funk, gospel. Lucky Peterson é um pouco de tudo isso.

EM – Levando isso em consideração, como você faz as escolhas? Quero dizer, o que vai entrar no próximo álbum. Você planeja ou simplesmente acontece?
LP – Apenas deixo rolar. Meu próximo álbum vai se chamar Fifty Years, quer dizer, há cinquenta anos venho tocando o blues. Tenho feito coisas diferentes em todos esses anos e vai ser um reflexo disso, um pouco de tudo. A programação é para sair agora em setembro.

EM – Gostaria de falar um pouco de Jimmy Smith. Vocês dois têm algumas semelhanças. Ambos começaram a tocar cedo, ambos tocam o Hammond e são fãs da música gospel. Me parece natural que você tenha gravado um álbum em sua homenagem.
LP – Fiz esse tributo porque o considero um dos maiores organistas de blues. Estudei órgão com Jimmy e sinto sua falta. Ele colocou o Hammond B3 no mapa. 


EM – Você gravou discos ao vivo em Berlin, em Maciac e passou um bom tempo de sua vida viajando pela Europa. Você acha que o blues é mais reconhecido lá do que nos Estados Unidos? 
LP – Acho que é a mesma coisa.

EM – Você imaginava que no Brasil haveria uma cena? Quer dizer, você já esteve aqui uma vez. 
LP – Sim. E há uma boa cena por aqui.

EM – No show de ontem pude ver o poder da parceria com sua esposa. O jeito que vocês cantam juntos foi muito especial. Poderia falar sobre isso?
LP – Somos casados há 25 anos. Adoro me apresentar com ela. Temos um boa interação. 

EM – Vocês compõem juntos.
LP – Sim, às vezes. Quando sentimos que devemos. Gostamos de manter a independência. 

EM -  Ontem foi a sua quinta apresentação no Brasil. Como estão sendo os shows na turnê?
LP – Ótimos. Estou gostando de todos. Quero voltar logo. 

EM – Qual o conselho que um veterano com cinquenta anos dentro do blues pode dar ao jovem músico?
LP – Pratique. Ouça Lucky Peterson. Compre meus discos e ouça de verdade. (risos). 

EM – Pra terminar, qual a importância do blues para a cultura americana?
LP – Foi a primeira música a aparecer. Gospel, blues. É a única música que você não precisa de um sucesso. Ele traz os fundamentos, a base.