quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A morte do Antoninho Navalhada

Por Eugênio Martins Júnior

Branco, forte e valentão,
Navalhada estivador
Temido e respeitado
E bom atirador

Pau de fogo na cintura
Curto de pavio
Traição e malícia
Espreitam no porão do navio

O outro não ficava atrás
Conhecido por Simião
Moreno e parrudo
E com disposição

Qualquer dia o destino
Os colocaria frente a frente
No costado do CAIS santista
Tava sobrando valente

Como a arenga começou
Na estiva ninguém sabe ao certo
O trabalho era escolhido na fé
E Navalhada era metido a esperto

Simião era boxeador
Dizem, estava com a verdade
Mas sabia que mexer com o Navalha
Era irresponsabilidade

Não valia facilitar
Havia sido avisado
Passou a andar armado
E olhando para os lados

Foi no armazém quinze
Onde o encontro aconteceu
O tiroteio começou
Quando o dia amanheceu

Navalhada trairagem
Baleou o Simião
Acertou ele na perna
Derrubando o valente no chão

Quando se aproximou
Pro tiro de misericórdia
Foi pego de surpresa
E Simião matou a discórdia

Acertou Toninho na barriga
Que virou pra correr
Levou mais uma nas costas
E sentiu que ia morrer

Simião não foi em cana
Não tinha culpa nenhuma
E no CAIS ninguém sabe de nada
Muita gente e pouca testemunha

Valentão é valentão
Todos têm a sua história
Mas aqui no cais do porto
Também têm a sua hora

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Cold Hot retrata o som dos Estados Unidos


Jornalista que viajou e retratou o som das cidades lendárias do Estados Unidos, Sérgio Poroger,  aporta na Realejo Livros para lançamento de Cold Hot. O fim de tarde do dia 03 de dezembro terá música e cerveja artesanal CAIS


Fotos: Sérgio Poroger

Imagens podem gerar sons, ainda que imaginários. Partindo dessa constatação, o fotógrafo e jornalista Sérgio Poroger registrou, numa jornada através do sul dos Estados Unidos, em dezembro de 2014, a obra fotográfica agora transformada no livro Cold Hot, que conta com a curadoria de Eder Chiodetto, especializado em fotografia, com mais de 70 exposições realizadas nos últimos 10 anos no Brasil e no exterior.
“Pesquisei a região por quase dois anos, pautado pela vontade de fotografar puramente a musicalidade da região. No entanto, acabei sendo surpreendido por uma parte diferente do restante dos Estados Unidos, onde a música influencia totalmente suas paisagens, arquitetura e os costumes de seus moradores, que também são diferentes – gostam de falar, gostam de conversar, são felizes e descontraídos. Um lugar, afinal, onde tudo vira música!”, explica Poroger.
Além das fotos, ele escreveu o texto de apresentação e pequenos apontamentos que costuram as imagens.
Circulando por mais de 3000 quilômetros, Poroger percorreu os Estados da Georgia, Tennessee, Mississipi, Louisiana e Texas, e colocou o pé na lendária Blues Highway, a Rota 61, numa paisagem que alternava o humilde estilo de vida de certas populações com cidades ostentando arranha-céus opulentos, mas que ofereciam uma percepção constante: a musicalidade que exalava em qualquer parte. Raras regiões do país oferecem tamanha diversidade musical, abrangendo do velho e sagrado blues ao country, passando pelo jazz clássico e pelo rock and roll dos anos 50.
O roteiro da viagem mostra exatamente isso: em Nashville, o Country Music Hall of Fame é um local de peregrinação obrigatório, assim como o Wild Bill’s, deliciosa casa de shows nos subúrbios de Memphis, que revelou, por exemplo, um rapaz chamado Elvis Presley. Ou então o cruzamento das estradas 61 com 49 em Clarksdale, no 
Mississipi, onde a lenda do blues Robert Johnson teria feito o famoso pacto com o diabo, hoje parte obrigatória de qualquer história da música. Ou ainda no Preservation Hall de Nova Orleans, lendário templo do jazz tradicional.
Tudo isto está registrado em Cold Hot, comparado por Eder Chiodetto, “à cartilha que remete às heroicas incursões dos fotógrafos viajantes, personagens responsáveis por nos levar a lugares desconhecidos descortinando atmosferas, intimidades, bastidores, culturas”. E por que este título? Chiodetto explica: “Rompendo com a cronologia e a geografia, as imagens se conectaram pela composição, pelos intrincados jogos de luz e cor, pela recorrência dos referentes e também pelas tonalidades que conotam aquecimento extremo ou certa frieza e, metaforicamente, trazem a ambivalência dessa região que oscila entre períodos de intenso calor e frio rigoroso.”
O livro conta ainda com a apresentação do crítico musical e autor Carlos Calado, que o define como uma espécie de trilha sonora imaginária por meio de expressivas imagens. “Para sentir essa música, nem é preciso ter conhecido pessoalmente as várias cidades do Sul dos Estados Unidos que ele retratou, em visitas a bares, clubes noturnos, cafés, restaurantes, estúdios de gravação e museus. Essa música silenciosa está presente até mesmo nas imagens que as lentes de Sergio captaram nas ruas”, observa Calado.
Cold Hot teve patrocínio do Lafayette Convention and Visitor Center, no Estado de Lousiana, entre outros apoiadores.

Serviço: 
O quê: Lançamento de Cold Hot
Onde: Realejo Livros - Av. Mal. Deodoro, 02
Quando: 03 de dezembro a partir da 18h
Quanto: Grátis












sábado, 5 de novembro de 2016

Inversão

Por Eugênio Martins Júnior

Com boa vontade, ocupação
Com má vontade, invasão

Com boa vontade, liberdade de expressão
Com má vontade, desacato

Com boa vontade, funcionário público
Com má vontade, autoridade

Com boa vontade, guerrilha
Com má vontade, terror

Com boa vontade, golpe de 64
Com má vontade, revolução de 64

Com boa vontade, movimentos sociais
Com má vontade, comunistas

Com boa vontade, feminismo
Com má vontade, feminazi

Com boa vontade, reparação histórica
Com má vontade, vitimismo

Com boa vontade, artistas
Com má vontade, vagabundos

Com boa vontade, perifa
Com má vontade, gueto

Com boa vontade, transgênero
Com má vontade, viado

Eu com boa vontade, paciência
Com má vontade, desprezo

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Um fim de semana, duas manifestações. Jesus e a PM no comando.

Blitz - o império nunca dorme

Texto: Eugênio Martins Jr
Fotos: Internet (Trupe Olho da Rua) 

Duas manifestações bem diferentes aconteceram em São Vicente e Santos no fim de semana passado. Sábado e domingo, respectivamente. Presenciei a primeira e acompanhei os desdobramentos da segunda. Duas medidas bem diferentes adotadas pela polícia militar mostraram que há parcialidade nas situações de rua.  
A de sábado, acabou bem para os manifestantes e nem tanto para as pessoas em volta. A de domingo, não acabou mal só para os manifestantes, acabou mal para todo mundo.
A partir do relato a seguir, você pode tirar suas conclusões. Ainda é livre para isso, mas eu vou fazer de tudo pra te influenciar. 

Manifestação 1 - Sábado, 29 de outubro, passei ali na praça Coronel Lopes em São Vicente, ou praça do camelódromo, ou para os mais antigos, praça do Correio.
Era seis da tarde, alguns jovens portavam faixas e cartolinas em uma manifestação religiosa. Vamos chamar assim por enquanto. 
A faixa trazia alguma coisa escrita sobre o grupo: “Jovens a serviço de Jesus”. Ou algo nesse sentido. Nas cartolinas estava escrito: “ Se você acredita em Jesus, buzine”.
A manifestação era a seguinte, quando o semáforo fechava, alguns jovens se posicionavam em frente aos carros exibindo a tal faixa e outros desfilavam entre eles exibindo as cartolinas com os dizeres: “Se você acredita em Jesus, Buzine”. 
Segundo uma das balconistas que trabalham no camelódromo, eles estavam ali há horas. Estive no local, umas quatro ou cinco fechadas de semáforo, o suficiente pra comprar um fone de ouvido. E a parada já me irritou. Imaginem quem estava trabalhando ali o dia inteiro.
Acreditem, não são poucas as pessoas que acreditam em Jesus em São Vicente e dispostas a buzinar para mostrar isso. Nas cartolinas estava escrito: “Se você acredita em Jesus, buzine”.
São Vicente é terra do prefeito Bili, aquele que por coincidência, ou não, foi o candidato escolhido por Deus há quatro anos. Pelo menos era o que dizia o seu slogan de campanha. Mas Deus, também conhecido pelo nome terrestre de Márcio França, parece não ter dado muita bola para o candidato que derrotou o seu filho na eleição. Não, não foi Jesus, foi o outro filho, o Caio. 
Mas esse é outro assunto. Voltando ao sábado, eram dezenas de motoristas buzinando a cada semáforo fechado, pois nas cartolinas estava escrito: “ Se você acredita em Jesus, buzine”.
Não satisfeitos com o ruído infernal (hehehe) que as buzinas provocavam, os jovens ainda gritavam para os motoristas. “Aleluia”, “Jesus é nosso rei”, “Deus seja louvado”, e outras.
A polícia? Assistia tudo ali do lado. Impassível. Apesar de toda a pentelhação. Imaginem, uma buzina já enche o saco. Mais de vinte é de matar. 
Em seu artigo 41, capítulo 3, o Código de Trânsito Brasileiro diz que o condutor de veículo só poderá fazer uso de buzina, desde que em toque breve, nas seguintes situações: I - para fazer as advertências necessárias a fim de evitar acidentes; II -fora das áreas urbanas, quando for conveniente advertir a um condutor que se tem o propósito de ultrapassá-lo. 
Percebam que mesmo que você acredite em Jesus, não pode buzinar pra ele. A não ser nos casos em que não queira atropela-lo. 
Errada estava a polícia, errados estavam os motoristas e errados estavam os jovens que, sinceramente, não sei o que estavam pensando quando planejaram a zona religiosa desastrosa e desrespeitosa com as pessoas ao entorno. Escrevendo em cartolinas: “Se você acredita em Jesus, buzine”.
Mais bonito seria se nas faixas estivessem escrito: “Se você acredita em Jesus, dê seta”. Se você acredita em Jesus, respeite a faixa de pedestres”. Se você acredita em Jesus, não corra”. 
Sou ateu. Me sinto bem. Sem obrigação nenhuma. Leve. E não fico alardeando isso e nem querendo convencer ninguém que ser ateu é bom. Mas esse negócio de colocar Jesus em tudo tá enchendo o saco. E mais do que isso, esse fanatismo está passando dos limites. Invadindo a vida de quem não tá nem aí para religião, Jesus, Deus, Alá, sei lá. 
Volto a repetir, uma ação invasiva, egoísta e sem educação. E a polícia não fez nada.

Jovens atores na porta do Palácio da Polícia

Manifestação 2 - Domingo, dia 30, a Trupe Olho da Rua, um grupo de teatro de Santos fazia o que faz há mais de dez anos, como o nome diz, peças de teatro para as pessoas assistirem na rua. 
Estavam na Praça dos Andradas, local onde ocupam um imóvel que chamam Vila do Teatro, onde há o Centro Cultural Pagu (Cadeia Velha) e o Teatro Guarany. Um local com vocação cultural e que vem ganhando destaque nos últimos meses por causa de outras ocupações culturais.
Encenavam a peça Blitz – O Império Que Nunca Dorme, um protesto bem humorado à truculência da polícia militar. Se a peça é boa ou não, foda-se. Assista e tire suas conclusões. E você tem o direito de não gostar. 
O que aconteceu domingo é o que interessa. A polícia chegou chegando com pistola na mão, interrompeu o lance e levou um dos atores preso. Caio Martinez foi algemado, colocado no camburão e levado ao primeiro distrito policial, com o pomposo nome de Palácio da Polícia. 
E é aí que os dois fatos se encontram. Crentes em Jesus podem fazer o que querem em praça pública em São Vicente. Praça pública não, no meio do trânsito. Atores em Santos não podem criticar uma instituição terrena mantida por nós e que tem o dever de prestar serviço a nós.
Se liga. Estudos da Anistia Internacional e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que as polícias brasileiras, civil e militar, são rápidas no gatilho.
Em um relatório publicado em março de 2016, a especialista independente da ONU sobre minorias, Rita Izsák, alertou: cerca de 23 mil jovens negros morrem por ano, muitos dos quais, vítimas de violência pelo Estado. Se isso não é genocídio, qual o nome que você daria? 
Mas como dizia a música do Rappa, também morre quem atira,  e nossos policiais são os que mais morrem. O que falta para os governos reconhecerem que vivemos em uma guerra declarada entre os pobres? 
Sabemos que o policial não pode se manisfestar sobre as péssimas condições de trabalho. Então, resta a sociedade civil fazer isso. E era isso que a Trupe Olho da Rua estava fazendo na praça batizada em homenagem aos libertários irmãos Andradas. 
Os policiais que estavam no local passaram atestado de burrice. Com truculência policial, acabaram com uma peça teatral que tratava da truculência policial. Se tivessem ficado, assistido até o final e depois aplaudido, teriam mostrado alguma compreensão de sua própria situação. Funcionários públicos que trabalham em uma corporação que também os oprime, com uma disciplina desumana pagando salário de fome. 
As posturas distintas da polícia nas duas ocasiões mostram por que está cada vez mais difícil se falar o que pensa no Brasil atual. A não ser que você apoie as bancadas da bíblia e da bala. 
VIVA A TRUPE OLHO DA RUA.


sábado, 22 de outubro de 2016

Os grandes Bob Dylan e Chico Buarque... e o pobre Lobão.

Bob Dylan ladeado por Pete Seeger e James Baldwin

Texto : Eugênio Martins Júnior
Fotos: Internet

Na quinta-feira, dia 13 de outubro de 2016, a academia sueca responsável pelo Prêmio Nobel de uma porrada de coisas anunciou que Bob Dylan, grande compositor... e cantor mais ou menos, ganhou o prêmio em literatura.
Adoro o trabalho do Dylan. Tenho vários discos em vinil e em plástico e alumínio (CD pô). 
Bom para ele. Ruim para a galera que escreve livros. Houve um certo celeuma. Como um cara que grava discos pode ganhar um prêmio desses? O que foi alegado é que suas letras estrapolaram e deram importância ao gênero canção. Eu mesmo não tenho opinião formada sobre isso, e na verdade, whatever.
O que me chamou a atenção é que o trabalho de Bob Dylan foi reconhecido. Foi, é, e sempre será. Não vejo os americanos, britânicos e outros países de língua inglesa desdenhando a obra desse artista. Diferente do que acontece aqui no Brasil com Chico Buarque. E não adianta ficar nervosinho! Lê a parada até o fim que eu vou explicar. 
Dylan é considerado um pilar da cultura norte americana. Chico Buarque, filho do escritor Sérgio Buarque, construiu sua carreira e ganhou dinheiro pelos próprios méritos, se assumiu posições políticas é por que vivemos em um país onde as pessoas têm essa escolha. Pelo menos até agora. Mas o país está ficando bem sinistro nesse sentido.  
É inimaginável pensar que o que aconteceu com o Chico Buarque no Rio de janeiro, sendo abordado e ofendido por playboys na porta de um restaurante, possa acontecer com Bob Dylan por assumir suas posições, políticas ou até religiosas.  
Na entrevista da Isto É dessa semana, uma revista  que ninguém compra e não sei como sobrevive até hoje - aliás, por que a turma da Lava Jato não investiga as empresas de comunicação como fazem  coma as empreiteiras e os partidos inimigos – o cantor e compositor Lobão diz que o Chico Buarque come capim. Com todas as letras. 
Acho que isso merece resposta. Não que o Chico precise de alguém que o defenda, quanto mais eu, um redator de blog independente. Mas, como fã da boa música, deu vontade de fazer. Até porque os dois fatos aconteceram na mesma semana. E depois dessa me comprometo a nunca mais dar espaço para o que o Lobão fala. 

Chico Buarque e João Pedro Stédile,  
líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Olha só. Robert Allen Zimmerman, sacou que aquela vida de judeu era um saco. Deve ter pensado: “Eu quero mesmo é fumar maconha, pegar estrada e no meu prepúcio ninguém põe a mão, tá ligado?”.
Isso acontece toda hora. Com qualquer um. É só encarar a vida com um pouco de mente aberta. Quando descobri o Cartola, aprendi tocar surdo, tarol, repique e tamborim. Quando descobri Bob Marley fiz uma tatuagem dele na perna. Quando descobri Muddy Waters e Buddy Guy resolvi viver de blues e abrir uma produtora com o nome de Mannish Boy Produções. Quando fiquei fã de Lou Reed, passei a só usar roupa preta. Quando descobri Frank Zappa comprei quase todos os discos do cara e um puta cartaz lindo do meu amigo Rogério Baraquet. O Frank Zappa Monalisa.
Não estou me comparando a ninguém, por favor. Se você acha isso pode parar de ler. Só estou dando um exemplo de como a arte pode mudar as pessoas a toda hora. 
Quando Zimmerman descobriu o folk e o blues acústico  do Mississippi resolveu levar a vida na estrada e mudou seu nome para Bob Dylan. 
Lobão gosta de criticar a música A Banda, mas quando aconteceu o Golpe de Estado de 1964 o AI-5 em 1969 Chico Buarque fez suas mudanças e os discos mostram isso. 
Buarque e Dylan ostentam em suas carreiras o verdadeiro “conjunto da obra”.  
Se Bob Dylan tem The Times They’re a Changin’, Masters of War, Everything Is Broken, Blowin’ in the Wind, Like a Rolling Stone, Tangled Up In Blue. Chico Buarque compôs e gravou Construção, Acorda Amor, O que Será?, Apesar de Você, Cálice e tantas outras músicas de protesto maravilhosas e relevantes. Sem contar sua carreira literária, diga-se, mais consistente que a de Bob Dylan.
Lobão gravou algumas músicas legais, mas convenhamos, de importância artística social nula. Bobeirinhas como Cena de Cinema, Corações Psicodélicos, Me Chama e rocks com letras bem sacadas, Rock Errou, Revanche, Canos Silenciosos, Vida Bandida, Vida Louca Vida e Decadence Avec Elegance. Nos anos 90 fundou uma revista que vinha com CDs de bandas novas levantou a bandeira dos CDs numerados com o objetivo de proteger o artista das gravadoras, o que foi ótimo. Após isso, compôs e gravou temas mais elaborados como Universo Paralelo, A Vida é Doce e a impressionante A Queda. Ou seja, o Lobão musical é legal como passatempo. Se tivesse ficado nisso, estaria muito bom. Deveria. 

Lobão e ele mesmo, o João Bobão

O Lobão Blá Blá Blá é ridículo. Retornou ao nome João Luiz Woerdenbag Filho, falastrão, raso e inconsequente. Lendo com perplexidade seus pensamentos impressos a gente entende de onde vem tanta vontade em querer fazer peso na discussão política nacional. Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: ele quer ser levado a sério o só quer aparecer? Aposto na segunda. 
Fruto de um lar disfuncional – conforme conta em 50 Anos A Mil – que criou no menino uma carência de atenção, de um cérebro fritado pelo uso abusivo de diversas drogas, e que deve ter prejudicado ainda mais seu ego, o que deixou mesmo o Lobão ruim dentro da roupa foram os anos de ostracismo na mídia nacional. Sim, isso explica muita coisa.
Bob Dylan e Chico Buarque fogem dos noticiários como o tinhoso foge da água benta. 
Já Lobão, que cresceu ouvindo ambos, e mais do que isso, querendo ser eles, vai para a luz assim como os cupins no começo da primavera voam para a lâmpada da sala. E como eles, verdadeiras pragas, destrói tudo o que vê pela frente. 
Fala mal de Caetano  Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Edu Lobo, Tom Jobim. E depois, quando a polêmica deixa de ser polêmica, ele escreve uma cartinha se desculpando com os caras. E dá-lhe espaço na mídia. . Nunfódi a porra da minha paciência Lobão. 
Teria graça, por exemplo, eu que votei no Lula e na Dilma, xingar Milton Nascimento que fez campanha para Aécio Neves? Desdenhar de sua grande obra? Poupem meu tempo, babacas. Muito ao contrário, Miltão tá do outro lado e eu o respeito mais ainda. Amo sua música e pauto a minha vida por ela 
Já ouvi pessoalmente  o Lobão proferir seus impropérios. Foi em um jantar num restaurante japonês aqui em Santos. Após o show de abertura de um festival literário que eu mesmo produzi. Digo isso pra mostrar que minhas posições não interferem no meu lado profissional. Sugeri a vinda do Lobão ao festival e ele pode falar o que quis em uma das mesas de debates. Ponto também pro produtor do evento, o José Luiz Tahan, que vem sofrendo repreensões do bando da direita por acolher todos os lados ideológicos em seu evento. 
Luiz Woerdenbag Filho estava careta, não bebeu nada alcóolico e não parava de falar. Insuportável. Total falta de educação com as pessoas da mesa. Não aguentei ficar até o final.  
Luiz Woerdenbag Filho viu nas distorções do Facebook uma estrada que percorre batendo em tudo e em todos. É seguido por um bando de videotas semianalfabetos que ofendem a língua e a história. 
Pobre Lobão. Virou o João Bobão. De origem classe média como Chico e Dylan, não conseguiu chegar onde queria dentro da sua megalomania. Hoje vaga nas trevas, na companhia de Michel Temer, Eduardo Cunha, Beto Mansur, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro, Blairo Maggio, Sérgio Moro, Marco Feliciano, Paulinho da Força, Janaína Paschoal,  Kim Kataguiri, Raquel Sherazade, Reynaldo Azevedo, Olavo De Carvalho, Rodrigo Constantino, Paulo Skaf, Silas Malafaia, Danilo Gentili, Alexandre Frota, e quem diria, a maior defensora de Dilma, Katia Abreu. Com certeza, o rock errou.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A música Singular de Badi Assad no Sesc Pompéia

O CD Singular traz músicas autorais e versões inusitadas de Mumford & Sons, Hozier, Alt-J, Skrillex e Lorde, comemorando seus 25 anos de carreira


Singular chega ao Brasil como parte das comemorações aos 25 anos de carreira da Badi Assad, com nove canções que misturam ritmos, batuques, gêneros e atribuem roupagem brasileira à músicas do pop alternativo internacional. O show de lançamento acontece dia 7 de outubro, sexta-feira, às 21h, no Teatro do Sesc Pompeia. Badi sobe ao palco acompanhada pela percussão da Simone Sou e pelo baixista Rui Barossi.
O 14º álbum na discografia da cantora, compositora e violonista tem repertório em inglês e português, com músicas autorais e de artistas internacionais selecionados a dedo. Badi escolheu nomes como os ingleses Alt-J e Mumford & Sons, o Irlandês Hozier, a Neozelandesa Lorde, o produtor e DJ norte-americano Skrillex, e fez versões inusitadas.
Como é característico no trabalho da artista brasileira, Badi coloca sua assinatura musical nas canções. Skrillex secretamente dança ao espírito do maracatu, Lorde recebe batidas afro-baianas em seu hit ‘Royals’, enquanto "Little Lion Man", do Mumford & Sons, transforma-se em bossa nova, ambas já ganharam videoclipe. A misteriosa ‘The Hanging Tree’, trilha do filme ‘Jogos Vorazes - A Esperança Parte 1’, ganha cadência distintamente brasileira sem perder a simplicidade do arranjo original. "Queria algo mais orgânico", reflete Badi.
"Essas músicas me surpreenderam, tanto pela profundidade de seus conteúdos quanto pelo engajamento que provocaram em jovens ouvintes. Dentro do universo pop há tanta música rasa explorada ao máximo pela indústria do entretenimento, carregadas de temáticas ligadas ao sexo, fama e ostentação, que por vezes podemos ter a falsa impressão de que não mais encontramos músicos jovens que se propõem a vasculhar a vastidão humana em todas suas nuances, explorando questões significativas e complexas. Artistas como Hozier, Mumford&Sons e Lorde vieram para contrapor isso tudo”, comenta a cantora.    
Entre as composições autorais, Badi assina sozinha ‘Entrelaçar’, mostra a profunda ‘Spirit Dog’ ao lado de seu irmão Sérgio Assad e do norte-americano Daved Levitan, em parceria com Zélia Duncan encerra o disco com a balada 'Vejo Você Aqui'.
Singular foi gravado e produzido no estúdio YB, com produção de Ruriá Duprat (vencedor do 51º Grammy) e direção musical de Carlinhos Antunes. O projeto traz um pequeno núcleo de instrumentos e voz, acrescentado pelos talentosos Rui Barossi no contrabaixo e do russo Oleg Fateev no bayan (acordeon com botões). No diálogo com a magistral percuteira, Simone Sou, afloraram muitos dos ritmos brasileiros. Ruriá Duprat participa também com o sintetizador e Carlinhos Antunes no quatro venezuelano. 
O belo ensaio para a capa de Singular foi feito com a técnica "powder photography", por Alfredo Nagib Filho e equipe, o figurino foi confeccionado em papel e plástico, criação da estilista Iza Graça.

Leia entrevista de Badi Assad no Mannish Blog: http://mannishblog.blogspot.com.br/2009/11/mulher-musicista-e-mae-os-talentos-de.html


Serviço:
Badi Assad – Lançamento “Singular”
Local: Sesc Pompeia, Teatro 
Dia: 7 de outubro, às 21h
Acesso para deficientes
Endereço: Rua Clélia, 93 - Pompeia - São Paulo/SP 
Telefone: 11 3871-7700 
Ingressos: R$16,00 [inteira] R$8,00 [usuário inscrito no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante] R$4,00 [trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no SESC e dependentes] 
Funcionamento da bilheteria: Terça a Sábado, das 9h às 21h e Domingos, das 9h às 19h.
Venda online a partir de 27 de setembro, terça-feira, às 17h30. 
Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 28 de setembro, quarta-feira, às 17h30.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Projeto Piano + 1 do Sesc Santos recebe Gustavo Figueiredo e Alex Buck

Gustavo Figueiredo Trio

Na terça-feira, dia 04 de outubro, dentro do projeto Piano + 1, o Sesc Santos recebe o pianista Gustavo Figueiredo e o baterista Alex Buck.
No repertório, os excelentes temas do CD Trio que conta com Márcio Bahia (bateria) e Pablo Souza (baixo), incluindo Brasil Fest, Manuela, Mark 1, Thelonius Groove, Emily, Canção do Sal, Passeio no Parque e outros.
Gustavo Figueiredo - Nascido em Belo Horizonte em 1981, Gustavo Figueiredo teve suas primeiras aulas de música aos 12 anos de idade, estudando com vários professores até ingressar na escola de música Pró-Music.
Em 1998 participou da banda gospel Raha e em 1999 se profissionalizou, lecionando, gravando e tocando com diversos artistas. Também atuou nas bandas Confusion e Samambaia.
Tocou com Vander Lee, Beto Guedes, Toninho Horta, Gilvan de Oliveira, Marku Ribas, Nivaldo Ornelas, Juarez Moreira, Celso Moreira, Marcio Bahia, Antônio Villeroy, Esdra Ferreira “Nenem”, Armandinho, Elza Soares, Luiza Possi, Emmerson Nogueira, George Israel, Paula Lima, Marquinhos Gomes, Cadu de Andrade, Max de Castro e tantos outros.
Gravou o programa Instrumental Sesc Brasil e participou de dois shows de lançamento do CD Experimenta do Duofel.
Em 2014 na “Mostra de Cinema de Tiradentes”, “Festival de Inverno de Itabira” e “Savassi Festival”, lançou o seu CD Trio.
Alex Buck – começou a estudar flauta doce aos seis anos de idade, passando para o piano aos dez e para a bateria aos doze.
Seu tio tocava bateria num grupo de rock e seu avô tocava jazz ao piano, mas dentre suas lembranças musicais mais antigas estão as aulas de iniciação musical no CLAM (Centro Livre de Aprendizagem Musical, fundado e dirigido em São Paulo pelos músicos do Zimbo Trio) e o coral da Escola Nova Lourenço Castanho, onde estudou.
Foi aluno de Giba Favery, Pércio Sapia e Giba Estebez. Preferia estudar tocando junto com os discos, prática à qual atribui a maior parte de suas descobertas e de seu aprendizado.
Dos músicos com quem convive, os mais importantes para o baterista são Thiago Espírito Santo com quem desenvolveu sua maneira de tocar bateria. "Ficávamos horas tocando no meu estúdio, estudando baixo e bateria, conversando e ouvindo discos, além de irmos ao Sanja (famoso bar paulistano dedicado à música) para ver os músicos mais velhos tocando."
Além dele, o guitarrista Michel Leme, a pianista Silvia Goes, o baixista Arismar do Espírito Santos e, mais recentemente, Dominguinhos também exerceram fortes influências no baterista.

Serviço:
Show: Piano + 1 = Gustavo Figueiredo e Alex Buck
Data: 04 de outubro
Horário: 20h
Ingresso: grátis
Endereço: Rua Conselheiro Ribas, 136.