quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Alex Rossi, músico brasileiro radicado na Holanda fala sobre disco em homenagem ao maior nome da harmôncia, Toots Thielemans


Texto: Eugênio Martins Júnior
Fotos: Arquivo pessoal Alex Rossi, Getty

Na segunda-feira, dia 22 de agosto, morreu enquanto dormia, aos 94 anos, Toots Thielemans, o principal nome da gaita cromática de todos os tempos. 
O mundo inteiro lamentou a perda do jazzista belga que tocou com os principais músicos do gênero, entre eles, Ella Fitzgerald, Quincy Jones, Bill Evans, Frank Sinatra, Ray Charles, Larry Schneider e Oscar Peterson. 
Aventurou-se também pela música pop tocando com Nick Cave, Paul Simon, Billy Joel e Stevie Wonder, sempre imprimindo seu toque de midas. Com Elis Regina, por quem se encantou, gravou Elis e Toots. 
A harmônica cromática está para a trilha sonora de cinema assim como as cervejas belgas estão para nosso paladar: Perdidos na Noite, de John Schlesinger (1969) e, Jean de Florette, de Claude Berri (1986), foram algumas trilhas compostas e gravadas por ele.
Thielemans descobriu o instrumento em 1938. Atraído pela música de Ray Ventura, conheceu o jazz durante a Segunda Guerra Mundial, sendo  o cigano Django Reinhardt sua primeira grande influência. No fim da década de 1940 mudou-se para os Estados Unidos, onde acompanhou Charlie Parker. Por lá fez história. 
Para falar mais sobre esse que é considerado a maior referência em seu instrumento, Alex Rossi, gaitista brasileiro radicado na Holanda, onde dá aulas, toca no circuito jazzístico e que, com Gabriel Grossi, produziu um disco em homenagem a Thielemans com outros gaitistas. 
Recentemente lançado, We Do it Out of Love ainda pode ser encontrado por aí. Uma comovente homenagem. 


ALEX ROSSI
Conhecia Toots Thielemans sem saber, ouvindo sua harmônica na trilha de abertura do programa infantil Sesamo Street. Depois um amigo me apresentou o tema de Midnight Cowboy. 
Com o tempo fui adquirindo outras coisas,  até um amigo me emprestar West Coast East Coast  que, na minha opinião, é um de seus melhores discos.
Desde então passei a escutá-lo diariamente, sem folga. Devolvi o disco do amigo e comprei meu próprio exemplar.
No início era difícil entender como ele fazia aquilo na harmônica - e ainda é.
Um gênio, demorei para assimilar as primeiras frases, super emocionantes e complexas, com o tempo fui adquirindo mais  e mais discos e ouvindo todos os dias, dividindo  as audições com os outros mestres da harmônica blues.
Quando mudei para Dallas (EUA), tentei assisti-lo ao vivo mas nunca dava certo, vi na TV uma vez, fiquei chocado com tanta virtuose mas, de certa forma, também com a  simplicidade contagiante. Com a chegada da internet ficou mais fácil adquirir material CD, DVD, mp³, etc… em um momento cheguei a ter a discografia completa.
Quando Toots tocou no Rio e São Paulo eu morava na Argentina e mais uma vez não consegui assisti-lo ao vivo.
De volta ao Brasil me restava assistir aos vídeos e discutir com os amigos sobre sua maneira de tocar. Lembro das tardes de sábado com os maestros Maurício Einhorn e Emílio Damasceno, quando nos reuníamos para tocar e ouvir alguns de seus temas e tentar descobrir como ele fazia aquilo.
Veio minha primeira turnê na Europa  e os ventos me levaram para a Antuérpia (Bélgica). Sábios ventos. 
No primeiro dia me dei conta que o Toots, que morava nos EUA e era naturalizado americano, era de origem belga. 


Não custava dar uma olhada na sua agenda.  E não é  que ele tinha um show na na próxima semana na cidade onde eu estava!? Estava sem rumo e decidi ficar mais uma semana para poder assistir a esse show, uma semana que viraram cinco anos.
Um amigo ligou para o Dirk, manager na época (falecido há alguns anos, um gordão gente finíssima), agitando para que eu pudesse assistir a passagem de som e conhecer o Toos pessoalmente, não estava acreditando, difícil conter a emoção, passei a mão na magrela e fui pedalando feliz ao encontro de um herói, um ídolo, parecia um sonho. 
Chegando ao local me apresentei, seu manager me atendeu dizendo que Toots não estava bem e que o show poderia ser cancelado. 
Fiquei esperando até a hora do show que, por sorte,  aconteceu . Como havia chegado muito cedo, me sentei no meio da primeira fila, bem na frente do palco, a uns três metros do super herói Toots Thielemans.
Assisti e gravei o show com uma felicidade enorme, escutando com muita atenção cada nota, dele e da banda. Esse  primeiro show foi incrível. 
O show terminou e todos foram embora. Sou músico e sei como as coisas funcionam, me plantei ao lado da porta do camarim cujo entra e sai era intenso. O tempo passava e nada, o gordão passava por ali várias vezes e nada dele me ver ou me chamar. Depois de uma hora que estava ali sozinho, parecendo uma criança pedindo bala, acho que ele se lembrou e disse: “come on in”. Que felicidade. Entrara no camarim do Toots e ali se encontrava um gigante de 86 anos.  Inacreditável a emoção, me ajoelhei e beijei-lhe os pés - ele não curtiu, mas foi o que me ocorreu no momento. Achei que ia ter um ataque cardíaco de tanta emoção.


No camarim se encontrava um senhor que havia feito o show de abertura, nada menos do que Philip Catherine, ele me chamou em um canto e tocamos Wave, de Tom Jobim, para o Toots e por ali fiquei mais uns minutos admirando aquele gigante da música.
Em cinco anos na Belgica tive várias oportunidades de vê-lo ao vivo, acho que estive em 95 % dos seus shows entre 2008 e 2014. Inclusive trabalhei em alguns festivais de jazz como voluntário no som do palco para poder vê-lo e ouvi-lo de perto, na passagem de som, etc.
Certa vez aconteceu um festival de Jazz e no dia do meu aniversário era o show do Toots. Falei com ele na passagem de som e disse: “Que legal que você está tocando hoje aqui no dia do meu aniversário, um super presente. Obrigado”. Ele disse: “É seu aniversário hoje? Espera aí”. E tocou feliz aniversário na passagem de som. A música saindo do PA, incrível! 
Depois deste episódio houveram outros shows nos quais estive presente. Não faltava em um, assistia e gravava para poder estudar o que ele tocava.


Certa vez, no backstage de um show desses me dei conta que estávamos sozinhos, o bom senhor me ofereceu um vinho, falávamos sobre Elis Regina e música brasileira. Pensei em perguntar se havia uma técnica, um truque ou um segredo para estudar, mas não tive coragem. No momento da depedida ele me disse com aquela vozinha de de um senhor de 86 anos: “You know what you have to do, you know what you have to do, you know what you have to do. YOU HAVE TO PLAY, YOU HAVE TO PLAY. Fui para a casa de magrela pensando naquilo e só depois me dei conta do que ele quiz dizer. 
Há dois anos, em uma das visitas de meu amigo Gabriel Grossi aqui em casa, colocamos uma ideia na mesa, fazer um disco em homenagem a esse gigante da música. Iniciamos os contatos e a produção do disco We do it out of love, um disco com seis gaitistas de várias partes do mundo: Franco Luciani (AR), Olivier Ker Ourio (FR), Antonio Serrano (ES), Gregoire Maret (SW), Gabriel Grossi e eu do Brasil. A ideia era cada um colocar duas músicas, algo do Toots escrito por ele ou escrito para ele.
Depois de muito trabalho o álbum ficou pronto e tivemos  a  oportunidade de entregá-lo em sua casa em Bruxelas. Uma pessoa incrível, super generoso, amável, ficou emocionado e gostou muito do disco. 
Me sinto super afortunado em poder dividir essa produção com o amigo Grossi e de poder dividir o disco com outros cinco top harmônica players de todas as partes do mundo. 
E realmente foi uma oportunidade linda poder entregar o álbum ao Toots enquanto ele ainda estava entre nós.
Sou de uma sorte imensa, ter conhecido pessoalmente este gigante, um gênio, um ser humano incrível, doce, amável, sensível, carinhoso. Faltam adjetivos para descrever este senhor, para mim não somente um harmonicista de primeira, mas um músico e pessoa incrível, que tinha o poder de tocar a alma das pessoas com uma nota, além da técnica que é a melhor do mundo no instrumento, uma maneira de tocar incrível. O mundo precisa de mais pessoas assim.
VIVA Toots Thielemans.


Leia também entrevista com Alex Rossi para o Mannish Blog: http://mannishblog.blogspot.com.br/2013/08/alex-rossi-lanca-disco.html


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Nascido no norte da França, Nicolas Krassik adota o nordeste do Brasil


Texto: Eugênio Martins Júnior
Fotos: Cláudio Vitor Vaz

Essa entrevista foi realizada às vésperas das Olimpíadas do Rio de Janeiro. A despeito do ufanismo que um evento desse provoca no brasileiro, a festa de abertura até que foi bacana. Em decisão acertada, as feras Fernando Meirelles, Debora Colker, Daniela Thomas e Andrucha Waddington, diretores da cerimônia de abertura, optaram por economizar na grana e mostrar ao mundo, entre tantas belezas do Brasil, sua música.
Em poucas horas, cinco bilhões de pessoas ao redor do planeta ouviram Paulinho da Viola cantando o hino, Wilson das Neves batendo na caixinha de fósforo, Jorge Benjor, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elza Soares, Marcelo D2, Zeca Pagodinho e até Anita, que havia causado tanta controvérsia, se deu bem.
Nascido em Paris, que tanto nos influenciou e influencia com sua cultura, Krassik veio ao Brasil atraído pelo nosso canto das sereias. E por aqui ficou. Primeiro se estabelecendo no Rio, depois percorrendo o Nordeste atrás de seus ritmos.
E é essa música mítica que o francês busca e tenta reproduzir.
Se na fala seu sotaque pouco aparece, na música ele é evidente. Misturando a escola clássica com o jazz, Krassik entra de cabeça, e quadris, nos ritmos dançantes e históricos brasileiros.
Quem acompanha as diversas correntes da música brasileira sabe que lá fora muitos músicos são venerados. Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Naná Vasconcelos, João Gilberto, João Bosco, Milton Nascimento são alguns.
Mas não foi por eles que veio Krassik. Apesar de ser fã da música de João Bosco, o francês se aliou aos desconhecidos Nelson da Rabeca, Luiz Paixão, Mestrinho e outros.
Já havia gravado os CDs Na Lapa e Caçuá quando criou o grupo e gravou Cordestinos. Sua terceira incursão ao estúdio trouxe a visão sobre nossas batidas ancestrais.
Cordestinos une o violino e a rabeca ao baixo e à percussão pra soar único. Apesar de instrumento genuinamente brasileiro, a rabeca é pouco conhecida abaixo da linha do preconceito. É o que mostram os rabequeiros do centro de São Paulo e dos forrobodós espalhados no sul maravilha. Vocês sabem quem eles são? Então, que venha um francês pra reforçar o que temos de melhor.


Eugênio Martins Júnior - Estava ouvindo você dizer que hoje se considera mais brasileiro do que francês. Você está no Brasil há quinze anos, já incorporou o jeitinho brasileiro?
Nicolas Krassik – Um pouquinho. Tenho quarenta e sete anos e moro no Brasil há quinze. Estou tentando pegar o lado bom e manter o lado bom do frânces também. Fazer essa mistura que é mais interessante. Acho que hoje tenho uma naturalidade mais brasileira do que francesa. Tanto que quando estou na França me sinto às vezes turista. Me sinto diferente.

EM - Você tem formação erudita, mas se bandeou pro lado do Jazz. Como se deu isso?
NK – Comecei a tocar violino aos seis anos. Meus país tocavam, meu irmão mais velho tocava também. Então fui no caminho tradicional, violino clássico. Aprender a técnica e o repertório da música clássica. Quando tinha 15 ou 16 anos comecei a gostar de rock e da guitarra. Depois passei a me interessar por jazz e descobri um violinista, Didier Lockwood, que foi discípulo de Sthepane Grapelli, e depois Jean Luc Ponty. Tocavam um jazz bem rock and roll e era exatamente o que eu procurava.

EM – O Ponty tocou na banda do Frank Zappa, um dos maiores nomes do rock and roll.
NK – Isso. E o Didier trocou em uma banda importante chamada Magma. Era um tipo de música que eu achava incrivél fazer no violino. Pedi o conselho a um amigo baterista e ele me disse pra estudar jazz porque isso me possibilitaria tocar qualquer coisa. Entrei em uma escola e acabei gostando mais de jazz do que de rock. Toquei um bom tempo acompanhando os músicos de lá. Toquei com o Michel Petrucciani, no quarteto de cordas que o acompanhava. Toquei em uma banda com vários violinistas montada pelo Didier Lockwood. Fazia muitas coisas ligadas ao jazz quando descobri a música brasileira.

EM – No jazz você descobriu a música brasileira? 
NK – Não foi no jazz. Um Músico de jazz com quem eu tocava era apaixonado pela música brasileira. Ele era compositor e violonista e seu ídolo máximo era o João Bosco. Então comecei a escutar o João e a MPB em geral. Comecei a frequentar festas e lugares onde tocava música brasileira, onde se dançava. Então eu tocava jazz e meu lazer era curtir música brasileira. Jogava capoeira, dançava, dava canja e todo fim de semana estava lá com os brasileiros de Paris. Em um determinado momento decidi vir ao Brasil, passar umas férias. Vim na época de carnaval.

EM – Já tinha na cabeça que ia morar aqui?
NK – Não. Era impossível morar fora da França. Nunca fui de viajar muito, de ser mochileiro. Passava as férias com a minha família no sul da França, na Normandia, sair da França era totalmente surreal pra mim. Daí que um casal de amigos franco-brasileiros me chamou pra passar as férias e eu fui. Passei uns dias em Vitória, uns dias no Rio, uns dias na Bahia e adorei. Tive uma lembrança muito forte do Rio de Janeiro, querendo voltar. Mas de uma forma mais normal, não no carnaval. Não se toca a mesma música durante o ano no Rio do que na época do carnaval. Me preparei uns cinco meses pra voltar e passar mais tempo, guardar dinheiro, etc. Quando cheguei fui direto pra Lapa. Nessa época estava fervendo de novidades, movimentos musicais de choro e samba. Muita gente começando a aparecer, Yamandú, que conheci lá, Tereza Cristina, uma geração que explorava a música brasileira de uma forma que me interessava. De uma forma às vezes jazzística. Percebi que aqui tinha um material pra me desenvolver e enfim encontrar meu estilo de tocar.


EM– Nesse momento você percebeu que a música brasileira ia te dar o que precisava?
NK – Exatamente. Queria juntar a minha festa, meu lazer, ao que era o meu trabalho, um pouco mais cerebral, no jazz. Comecei a achar que não era normal escutar tanta música brasileira e não fazer aquilo. Essa foi a minha busca vindo pra cá. Encontrei músicos que faziam isso, repertório do Jacob do Bandolim, Pixinguinha, Cartola. Com improviso pessoal, tocando como se fosse temas de jazz, mas misturando o jeito brasileiro. Claro, tudo é fruto de mistura.

EM – O povo brasileiro é o mais antropofágico do mundo.
NK – Sim, transforma tudo em produto nacional. (risos)
E não é fácil misturar e ficar interessante. O Brasil é um exemplo. Às vezes escuto uma música com elemento europeu, africano, daqui e no fundo dá uma música impar. É incomparável.

EM - Como é vista a música brasileira lá fora? O que aparece mais, os ritmos rebolativos da televisão ou a música instrumental brasileira, o jazz BR?
NK – Hoje não sei te dizer. Acho que melhorou em relação ao Choro. Mas vão muitas coisas que eu não curto. Refrões muito faceis de lembrar, não vou citar nomes, isso sempre chegou. Quando eu morava na França chegava muito mais a MPB. Não estou falando da música instrumental, isso era num meio muito fechado. Quem conhecia o Egberto Gismonti era o publico de jazz, que não é o maior público do mundo.

EM – A música instrumental brasileira sempre teve um presença forte na Europa. A Tânia Maria mora na França. O Raul de Souza morou lá. Os brasileiros têm sempre sua noite lotada no festival suiço de Montreux. 
NK – Sim, tem uma galera que faz sucesso com coisa boa. Mas chega a parte ruim também. Esse movimento do choro através do Hamilton de Holanda e Yamandú deu muita visibilidade à música instrumental brasileira. Eles não foram os primeiros, mas o choro teve mais repercussão lá fora.

EM– O que é mais difícil pra um gringo que chega aqui no Brasil? Digo, querendo se inserir no contexto musical?
NK – O que me ajudou muito é que havia acabado de participar em um festival na Alemanha que homenageava o Pixinguinha. Eu havia estudado algumas músicas dele e como improvisador inseria algumas coisas. Nessa parte musical, o primeiro contato foi fácil. Acho que o músico, de uma forma geral, se souber improvisar não é difícil de entrar. As pessoas são muito abertas no Brasil. Fui extremamente bem recebido. Sempre andava com meu violino e era chamado pra dar canja. Não tive dificuldade. Foi maravilhoso. O mais dificíl foi manter a comunicação, tocava muito bem, mas não sabia o que falar. A música já é uma forma de comunicação, mas o ser humano gosta de saber com quem está lidando. Se é uma pessoal legal ou não. A minha sorte foi saber falar um pouco do português. Quase não enfrentei essa barreira.


EM – Você quaae não tem sotaque.
NK – Hoje não. Naquela época conseguia falar com as pessoas, me tornar amigo e voltar. Amizade é muito importante. É claro que tive dificuldade musical. Tive de estudar muito repertório, muitas músicas, muitas notas. O difícil é pegar o sotaque da música. São referências diferentes.

EM – Acho que o brasileiro quando vai pra fora não vira gringo, mas o gringo quando vem pra cá vira brasileiro. Procede?
NK – (risos) O gringo vem porque gosta do Brasil e o contrário nem sempre é verdadeirao. A dificuldade na vida leva muitos brasileiros a sair. Não vão para um país porque adoram sua cultura. Vão pra abrir um mercado. Teve gente quase me agradecendo por estar aqui aprendendo a música brasileira. Não vim para procurar trabalho. Não era meu objetivo. Vim para aprender.

EM – A profusão de ritmos do Brasil?
NK – Minha dificuldade sempre foi essa? Pegar a ginga, a malandragem. Eu não nasci com esse ritmo. Quando você nasce tem mais facilidade.



EM – Já que você citou, o Hamilton de Holanda fundiu o choro com o jazz. Você colocou o violino no forró. Com os aparatos tecnológicos a globalização chegou na música pra ficar. O purismo morreu?
NK – Acho que não. O choro continua existindo. Quem quiser experimentar pode, mas não impede quem quer ficar no tradicional. O forró a mesma coisa. Misturar o jazz com outras coisas não mata a música original. Se der sorte vai nascer outra coisa. Acho que o buraco é mais embaixo. O que mata a cultura é o baixo nível musical. Adoro misturar tudo. Venho da música clássica e hoje nem penso no que estou tocando. Toco o que vem na minha cabeça. Mas também defendo a tradição. No meu repertório sempre tem choro, uma música do Dominguinhos, forró. Sempre toco coisas mais tradicionais, mas à minha maneira porque eu sou uma mistura. Mas o purimos não morre, não. Ele fica ali, sempre vigiando. (risos).

EM - Gostaria que você falasse sobre a rabeca, instrumento primo do violino. Pouca gente conhece esse instrumento, mesmo no Brasil. Como foi teu encontro com ela?
NK – Descobri a rabeca em um evento no Rio de Janeiro sobre a cultura alagoana. O Nelson da Rabeca era uma das atrações no Semente, um bar importantíssimo que frequentava na Lapa. Vi que ele estava tocando um instrumento pareceido com o violino, mas em outra posição. Era uma coisa muito mais rústica, menos elaborada na fabricação, mas um suingue incrível. Zabumba, triângulo, rabeca e a mulher dele cantando. Fiquei apaixonado, comprei um disco e comecei a estudar as músicas dele. Mas o contato mesmo, de pensar em montar um projeto com a rabeca foi na época do meu terceiro disco, o Caçua. Já estava quase todo gravado quando fui passar férias em Olinda. O Luiz Paixão, que é de Pernanbuco, estava hospedado na casa do amigo francês que me recebeu e a gente ficou lá tocando, ele violino e eu rabeca. Ele que é um mestre da rabeca me mostrou suas músicas, muitos rabequeiros foram influenciado por ele. Então aluguei um estúdio para gravar umas músicas dele, só para quando chegar ao Rio gravar algumas coisas em cima e tê-lo como participação no meu disco. Meu terceiro disco fecha com um popurri de rabequeiro, dele e do Nelson da Rabeca. Aí montei um grupo com violino e rabeca, contrabaixo e percussão, que é o projeto Cordestinos, inspirado no Pife Moderno do Carlos Malta. Essa coisa de juntar saxofone com flautas tradicionais, pífanos. Apesar de ser muito diferente me inspirei no trabalho dele. Falo abertamente isso. O nosso é mais forró mesmo. Vou mais no baião e no xote. Também comprei uma rabeca e tive a sorte de ser chamado pra gravar com o Gil, foi onde toquei mais essa rabeca.
No meu grupo não toco. É um instrumento que tem afinaçõs diferentes, fica no braço em vez de ficar no ombro, e apesar de eu tocar na posição do violino. É um som que parece que com apenas uma nota te leva direto para o Nordeste.

EM – É impossível ignorar o momento político traumático pelo qual a França está passando? Gostaria que comentasse.
NK – Não só a França, o mundo está uma bomba relógio. A França é mais visada porque tem um passado muito pesado. Não sou bom pra falar de política nem de história, mas a colonização, a imigração e o fato de os imigrantes não serem bem tratados, onde tem muita segregação, muito gueto aumenta isso. Estudei em um suburbio de Paris e lá tem uma concentração muito forte de africanos, árabes, onde há muita miséria. Não se compara à miséria de um subúrbio do Rio, mas convivi com isso e era bem pesado. Os filhos e netos de imigrantes não têm muito acesso às coisas, são isolados, são rejeitados, ficam entediados. Penso que essa revolta que eles nutrem contra o país o qual nasceram pode colocá-los como um alvo fácil para uma lavagem cerebral, alguém jogar veneno. Acho que lá existe um monte de soldados prontos para atacar. Outros países talvez tenham menos do que lá. E uma coisa vai piorando a outra. Isso está gerando o racismo, mais segregação, alimentando a raiva deles, que são franceses e não são reconhecidos como tal. Veja quantos jogadores do time que a França ganhou a copa eram franceses.

EM – Zinedine Zidane, o líder deles era argelino, onde a França tem uma história pesada.
NK – Exatamente. Então, eles são franceses. Acho que o inimigo número um do Estado Islâmico são os Estados Unidos, mas o segundo é a França. É dramático. É assustador.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Show de Eric Gales que colocou Santos na rota do jazz e do blues completa dez anos


Texto: Eugênio Martins Júnior
Fotos: Leandro Amaral

Há dez anos, 28 de julho de 2006, produzi meu primeiro show internacional e o primeiro do reformado Teatro Coliseu aqui de Santos.
Em janeiro daquele ano, folheando a revista de sexta-feira do jornal Folha de S. Paulo, li que dois de meus ídolos viriam ao Brasil para tocar no Bourbon Street Music Club, o gaitista Charlie Musselwhite e, nada menos do que um dos maiores guitarristas de blues de todos os tempos, Otis Rush.
Aquilo não saiu da minha cabeça. Na época, trabalhava em um jornal e fiquei pensando em como poderia trazer os caras a Santos.
Num estalo peguei o telefone e liguei para o Bourbon e me passaram o diretor artístico da casa. O Herbert atendeu e disse que estava com viagem marcada para os Estados Unidos e que poderíamos fazer uma reunião quando voltasse.
A parada era a seguinte, o cara nem me conhecia e disse que dava pra fazer e já havia até agendado uma reunião. Não sou de ficar dando risada a toa, mas naquela semana fiquei sonhando com o negão e ouvindo Lost in the Blues, Right Place, Wrong Time e Screamin’ the Blues do Otis Rush sem parar.
Um mês depois, na data marcada, almoçamos num restaurante no centro de Santos, na histórica Rua XV. Sim, os caras ainda desceram pra falar comigo. O Herbert, a Thais e o Beto, seus dois sócios em uma produtora especialista em blues e jazz.
Na época eu ainda não sabia, mas no mundo da produção cultural existem dois tipos de gente, as que fazem e as que falam. Eu e o Herbert saímos daquela reunião com um nome na cabeça, Jazz, Bossa & Blues.
Por uma série de motivos, os shows de Charlie Musselwhite e Otis Rush não aconteceram no Brasil naquele ano. O Charlie encontrei na estrada um par de vezes, mas o Otis Rush nunca. Uma pena, uma mancha na minha biografia.
Mas o projeto andou e entre algumas opções de artistas, apareceu o nome de Eric Gales. Irmão do não menos famoso, Little Jimmy King, Eric Gales nasceu em 1974 em Memphis,  berço do Rhythm and Blues. A partir dos quatro anos aprendeu a tocar guitarra com o seu outro irmão, adivinhem o nome?! Eugene.
Sabe o que isso significa? Nada. Nem sabia disso naquela época, mas gostava muito do Eric Gales e assim ficamos. Começamos um projeto de música como deveríamos, com a mão esquerda.
Como disse antes, trabalhava em um jornal e fui falar com o diretor se ele encampava a ideia de buscar patrocinadores ou mesmo bancar o projeto e o show acabou vinculado à empresa. Não vou entrar em datalhes porque eles são desagradáveis, não vou arrastar corrente, mas financeiramente não foi bom pra mim.
O show rolou. Fizemos barulho. O teatro Coliseu havia acabado de ser reinaugurado após anos de uma reforma mal feita e incompleta. Cortesia do senhor Beto Mansur, prefeito de Santos na época e agora deputado federal.
A prefeitura estava tomando porrada na imprensa e nada como um showzinho legal pra trazer prestígio à casa. É, às vezes a gente serve o diabo sem saber.


No dia 28 de julho de 2016, um timaço subiu ao palco do teatro em Santos, Eric Gales (guitarra e voz), Ugo Perrota (baixo) Papel (bateria) e Fred Sun Walk (guitarra). 
Para abertura não poderíamos ter colocado outro músico senão Mauro Hector. Outro canhoto e discípulo de Jimi Hendrix.
Gales havia acabado de lançar o álbum Crystal Vision e estava em uma fase atribulada, fazendo o uso de drogas que estavam afetando sua vida e sua música. Não que o show tenha sido ruim, não é isso, foi ótimo, mas os rolos incluiram prostitutas na porta do Coliseu e várias rodas de substâncias ilícitas... e eu tendo de lidar com tudo isso porque as outras pessoas envolvidas estavam preocupadas em tirar fotos e aparecer na imprensa. Fuck’em all.
Antes do show do Mauro conversavamos todos no backstage quando surgiu a ideia de ele entrar no final do show de Gales para uma jam e surgiu a dúvida do que ambos deveriam tocar. 
Eu que estava na roda mandei logo essa: “Os dois são díscipulos de Jimi Hendrix porque não tocam Red House?”. E assim foi. Na hora do “mais um” Gales chamou o Mauro e os dois tocaram juntos. 
O negócio começou suave como Red House costuma ser, um tremendo slow blues, mas logo descambou pra violência. Todo mundo sabe que o Mauro não sabe brincar. Logo ele chutou a canela de Gales que retribuiu e os dois acabaram duelando e fritando. Essas histórias de bastidores é que dão prazer nessa profissão. 


Após esse show inicial tenho feito de tudo, ao meu alcance, para colocar Santos na rota de shows de jazz e blues, nacionais e internacionais. 
Ás vezes me surpreendo como consegui fazer tanta coisa sem dinheiro. Não tenho paciência para vender “meu produto”, convencer as pessoas de que ele é bom... sabendo que é bom e deveria se vender sozinho. Produtor independente sofre nesse país, produtor independente de jazz e blues nem se fala. Não só de blues, de música boa mesmo, o que é um conceito elástico. Melhorando a afirmação: “de música que eu considero boa”. 
Produzi de tudo, a lista inclui Leo Gandelman, Big Time Orchestra, Big Joe Manfra, Ana Caram, John Pizzarelli, Traditional Jazz Band, Blue Jeans e Magic Slim, Rosa Passos, Gilson Peranzzetta, Kenny Brown, Freddy Cole, Peter Madcat, Os Cariocas, Lô Borges, Francis Hime, Bad Plus, Mart’nalia, Badi Assad, Izzy Gordon, Vânia Bastos, Daisy Cordeiro, Igor Prado Blues Band, Robson Fernandes Blues Band, Caviars Blues Band, Big Chico Blues Band, Sepultura, Big Joe Manfra, Big Gilson e Arnaldo Antunes, James Wheeler e Igor Prado Band, Ary Holland e Maria Diniz, Bruna Caram, Adriana Peixoto, Giana Viscardi, Lynwood Slim e Igor Prado Band, Tom Zé, Maurício Sahady e Ivan Márcio Blues Band, Maurício Sahady e Ivan Márcio Blues Band, Lurrie Bell e Big Chico, Hamilton de Holanda, Big Jam – Tributo a Celso Blues Boy, Harry, Orleans Street Band, Giba Byblos Blues Band e Jon McDonald, Camisa Listrada, Zuzo Moussauer Trio, Larry McCray e Banda, Lurrie Bell, Lazy Lester, Peter Madcat, Los Breacos, Claudio Celso e Orquestra Sinfônica de Santos, Igor Prado Blues Band convida Tia Carroll, Koko Jean Davis e Igor Prado Band, Raphael Wressnig e Igor Prado Band, Osmar Barutti Trio, Divazz, Jefferson Gonçalves, Artur Menezes, Filippe Dias, Vasco Faé, acústico, Ivan Márcio e Roger Gutierrez, Sax Gordon e Igor Prado Band, Big Time Orchestra, Big Chico Tributo a BB King. Dentro do festival Tarrafa Literária produzi Arnaldo Antunes, Tom Zé, Wando Doratiotto, Lobão e Hamilton de Holanda. E ainda criei um monte de projetos. Com muitos desses artistas trabalhei mais de uma vez.   
Hoje Santos tem seu próprio festival de jazz que está no quinto ano. Muitas pessoas de fora pensam que sou eu quem agita a produção, o festival pertence unicamente ao Jamir Lopes e Denise Covas. Apesar disso, gosto de pensar que sou um pouco responsável por isso, por ter formado esse público.
Por coincidência, dia 28 de julho, dia do meu primeiro show de blues na cidade, Eric Gales no Coliseu, o Santos Jazz Festival estréia a sua quinta edição em 2016. Um absurdo de longevidade num páis onde a única coisa que atinge mais de cinco anos é mandato de político malandro. 
É isso, dez anos de blues e jazz em Santos. Salve a música brasileira, salve o blues, salve o jazz, salve a Lei Rouanet, Salve o Ministério da Culutra. E FORA TEMER.





quinta-feira, 30 de junho de 2016

Tom Jobim é homenageado na quinta edição do Santos Jazz Festival

Antecipando as comemorações do 90° aniversário do maestro soberano, que se completaria em janeiro de 2017, o festival do litoral paulista promove uma homenagem já em junho de 2016. 
Aliás, essa edição é cheia de aniversários, cinco anos de Santos Jazz, 30 anos de Pinacoteca Benedicto Calixto e 70 anos de Sesc


Em seus cinco anos de vida, o Santos Jazz Festival priorizou o melhor da música brasileira. A prova disso foram as escolhas de seus homenageados com a presença dos mesmos: Hermeto Pascoal (2012), Egberto Gismonti (2013), César Camargo Mariano (2014) e  João Donato (2015).
Esse ano o festival evoca nosso maestro soberano, Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, e antecipa as comemorações de seus 90 anos com a presença da Nova Banda Tom Jobim apresentando sua obra máxima. Composta por familiares de Tom, o show abre o festival no Sesc Santos, na quinta-feira, dia 28. 
No dia seguinte, dia 29, no palco da Rua XV, no Centro Histórico de Santos, a diversidade toma conta do festival. A partir das 19 horas a cantora santista Babi Mendes sobe ao palco com um super grupo e mostra porque é considerada uma revelação no mundo do jazz com o show Jazzfônico.
O francês Nicolas Krassik seleciona e transforma temas conhecidos da música brasileira com seu trio que sobe ao palco a partir das 21 horas. 
Fechando a noite, a banda de dixieland veterana em festivais, Orleans Street Jazz Band, faz um show meio a meio, na rua e no palco. Interação total com o público.
Com exceção do show Tibuto a B.B. King realizado pelo gaitista, guitarrista e cantor Big Chico, às 22 horas, o dia 30 será dedicado aos grupos santistas em novas e tradicionais configurações. 
Às 13 horas o guitarrista Mauro Hector se apresenta com seu conhecido trio na Praça Mauá. 
No palco da Pinacoteca Benedicto Calixto, às 17 horas, Filó Machado & Cibele Codonho fazem o show Tom Brasileiro, fruto do CD homônimo. Às 19 entregam o palco para outra dupla, eMPathia Jazz Duo, 19h, junção da  cantora Mafalda Minozzi com o guitarrista Paul Ricci (EUA). 
O palco da Rua XV recebe a mistura entre o jazz e o samba com Sambalia Trio e Rafaella Laranja a partir das 14 horas. Em seguida, às 16 horas, Patricia Nóbrega canta jazz, blues e soul music acompanhada pelo seu quinteto. O BRCombo chega às 18 horas com seu show instrumental. No repertório, Tom Jobim, Hermeto Pascoal, Moacyr Santos, Egberto Gismonti. 
Às 20 horas o power trio Dog Joe chama a cantora Xandra Joplin pra uma noite eletrizante e mostra porque está sendo considerada a revelação da cena blueseira atual. Em seguida, Big Chico evoca o maior bluesman de todos os tempos, B.B. King. 
No dia 31 Às 16 o Quarteto de Cordas Martins Fontes convida a cantora Kika Willcox para a apresentação de Con"S"ertando, especial para essa edição do Santos Jazz. Às 18 horas é a verz do multi instrumentista Alexandre Birkett apresentar toda a sua versatilidade nas cordas.
A maratona de shows acaba com o que melhor há na música brasileira, a espetacular Banda Mantiqueira recebe Mônica Salmaso para um grande show de encerramento. 
Eventos extras - Nessa 5° edição do Santos Jazz Festival a música se encontra com a gastonomia, as artes plásticas e o cinema. O projeto Feira Feijão e Arte reúne artistas, artesãos e restaurantes do Centro Histórico; a Exposição Design no Jazz na Pinacoteca Benedicto Calixto, ambos no dia 30. E entre os dias 29 e 31 o Cine Arte Posto 4 recebe a mostra Cine Jazz com sessões às 18h30. 
As oficinas musicais acontecem na sede do Clube do Choro de Santos. Na sexta-feira, dia 29 de julho, entre 14 e 17 horas, Niclolas Krassik ministra a oficina O Violino no Jazz e as fusões com a MPB. Np sábado, entre 10 e 13 horas, Filó Machado  fala sobre Improvisação no Jazz. 
Exceto os shows de  abertura e encerramento, todos os eventos dentro do festival são gratuitos.

Música e história – Quando estiver no festival curtindo o bom e velho jazz, aproveite também para curtir a paisagem arquitetônica do Centro Histórico de Santos. 
Algumas das locações ficam em pontos turísticos da cidade, como o palco da Rua XV, coração do comércio cafeeiro brasileiro. 
Planeje a sua chegada mais cedo. No entorno desse palco, em bares tradicionais, pode-se beber um café como o santista adora, forte e com pouco açucar. 
A Rua XV também fica perto do Museu Pelé e da prórpia Bolsa do Café, às bordas do Porto de Santos, por onde escoa toda a produção de café do Brasil para o mundo. 
Já a pinacoteca Benedicto Calixto abriga, além da arquitetura, um acervo do pintor que lhe dá o nome.

Nova Banda Tom Jobim

Dia 28 de julho – Abertura no Sesc Santos

Nova Banda Tom Jobim, 21h - Após a morte de Vinícius de Moraes, Tom Jobim passou alguns anos sem se apresentar em público. 
Em 1984 aceitou o convite do maestro austríaco Peter Guth para fazer uma turnê na Europa acompanhado de sua orquestra. Reuniu então uma banda muito familiar, seu filho Paulo (violão), seu afilhado Danilo Caymmi (flauta e voz), sua mulher, Ana Jobim, sua filha Elizabeth Jobim e a mulher de Danilo, Simone Caymmi para os vocais, além dos bambas Tião Neto (contrabaixo) e Paulo Braga (bateria), para essa nova fase.
No retorno ao Brasil resolveu aumentar o vocal convidando duas integrantes do grupo vocal Céu da Boca, Maucha Adnet e Paula Morelenbaum. 
Após um concerto com esta formação no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Jobim convidou o violoncelista Jaques Morelenbaum para integrar a banda que viria a se chamar a Nova Banda de Tom Jobim para estrear com dois concertos no Carnegie Hall em Nova York. 
 Com essa banda gravou a trilha sonora para o Especial de TV "O tempo e o vento", os discos "Passarim", "Inédito" e "Antonio Brasileiro", vencedor de um Grammy, várias trilhas sonoras de filmes, e rodou o mundo apresentando-se nos cinco continentes durante seus últimos dez anos de vida. 
A porção instrumental da Nova Banda reúne-se agora a Daniel Jobim, neto do Maestro Soberano, para dar seu testemunho dessa música ao mesmo tempo universal e muito Brasileira, que enquanto popular já é clássica e eterna, com a intimidade e conhecimento de quem conviveu por dez anos ao lado do Maestro, como foram os casos de Paulo Braga e Jaques Morelenbaum, e quem recebeu, além de geneticamente, os ensinamentos do mestre no seu dia a dia por toda a vida, seu filho Paulo Jobim e seu neto Daniel Jobim.
A banda - Paulo Jobim (voz e violão), Daniel Jobim (voz e piano), Paulo Braga (bateria) e Zeca Assunção (baixo acústico).


Babi Mendes e Jazzfônico
Dia 29 de julho – Rua XV

Babi Mendes e Jazzfônico, 19h - A cantora Babi Mendes, considerada uma das grandes vozes da atualidade na cena jazz em todo o Brasil, se junta ao septeto Jazzfônico, para celebrar o melhor do jazz.
A formação inusitada do Jazzfônico, guitarra, baixo, bateria, flauta, clarinete, violino e cello, permite muitas ousadias sonoras, numa linguagem que une erudito e popular, muita improvisação e arranjos elaborados, resultando em timbres e sonoridades únicas, casando-se perfeitamente a voz doce, ao mesmo tempo forte, e ao estilo cheio de swing de Babi Mendes.
A apresentação resulta de um sonho antigo de Babi e Canduta, de montar um trabalho com muitos músicos, e tocar canções de Gershwin e Cole Porter.
No atual projeto, vão além. Serão apresentadas, além dos dois citados, canções de Duke Ellington, Charles Mingus, Django Reinhardt, e até um samba de Monsueto, que ganhou um arranjo blues absolutamente matador.
A banda - Marcos Canduta (violão, guitarra, arranjos e direção), Márcio Rampin (baixo acústico), Alexandre Faccas (bateria), Débora Gozzoli (flauta), Germano Blume (clarinete e clarone), Edmur Vianna (violino) e Pablo Peres (violoncelo).

Nicolas Krassik

Nicolas Krassik Trio, 21h - Nascido em 1969 na preiferia de Paris, o violinista Nicolas Krassik é um dos herdeiros da famosa tradição francesa de violinistas de jazz.
Após 15 anos estudando música erudita e jazz e oito atuando na Europa ao lados de músicos como Michel Petrucciani, Didier Lockwood, Vincent Courtois e Pierre Hardy, Nicolas resolveu embarcar para o Rio de Janeiro em 2001 e se dedicar à música brasileira.
Virtuoso e criativo, rapidamente chamou a atenção da mídia, ganhou a admiração do público e se tornou uma referência em matéria de violino na MPB. 
Conquistou seu lugar no cenário músical brasileiro junto à grandes artistas, entre eles, Yamandú Costa, Hamilton de Holanda, Carlos Malta, Marisa Monte, Beth Carvalho, João Bosco e Gilberto Gil.
Reunindo jazz, choro, samba, forró, Nicolas Krassik apresenta um show vibrante, com técnica e emoção, feito pra ouvir e pra dançar.
A banda – Nicolas Krassik (violino), Carlos César (percussão e bateria) e Glauber Seixas (violão).

Orleans Street Jazz Band

Orleans Street Jazz Band, 23h - A interação com o público é a grande tônica dessa contagiante street band – o que em New Orleans quer dizer uma formação acústica itinerante - de jazz tradicional/dixieland, que representa o mais autêntico som da cidade berço do jazz.  
O repertório inclui standards norte americanos (All of Me), clássicos do jazz (Blue Monk, When The Saints Go Marching In), Rythm and Blues (Corrine Corrina), Pop (I Can`t See Clearly Now), além de versões instrumentais de temas brasileiros, entre eles, Manuel, Do leme ao Pontal e Aquarela do Brasil. 
Em palcos ou em eventos de rua, Orleans Street Band é pura descontração e diversão, formada por banjo, trompete, trombone, washboard e tuba. 
Espalhando alegria e descontração por onde passa, a Orleans Street Jazz Band por ser uma banda itinerante, pode se locomover com facilidade, atendendo os diversos pontos do evento.
A banda – Alessandro Rodrigues e Eliézer Tristão (tuba), Washington Barros (trompete), Elói Porto (trombone), Augusto Dechiato (sax), Alex (banjo e guitarra) e Renato Abreu Bateria e washboard).

Mauro Hector

Dia 30 de julho – Praça Mauá

Feira Feijão e Arte, 11 às 17h - O Centro Histórico de Santos ganhou nos últimos meses um novo point que une arte tradição, gastronomia e diversão. 
Trata-se do projeto Feijão com Arte, reunindo exposição de artes plásticas, artesanato, antiguidades e de automóveis antigos, além da tradicional feijoada, servida em 10 restaurantes parceiros da iniciativa.
Uma das principais praças da cidade, a Mauá, foi transformada em uma grande galeria de artes, onde expositores vendem artigos em feitos em palha de bananeira, fotografias artísticas, bordados, suvenires e peças de decoração. 

Mauro Hector, 13h – Assistir a um show do guitarrista santista Mauro Hector é uma experiência sui generis. Trata-se de um dos maiores guitarristas do país, vibrante, imprevisível e extremamente perigoso. 
Traçando sua trajetória da forma mais independente possível desde 1985, segue o guitarrista canhoto, discípulo de Jimi Hendrix e morador de Santos.
Suas influências vão de BB King, SRV a Joe Pass e Mike Stern. E também de Wes Montgomery e George Benson a  ACDC, Deep Purple e Albert Lee.
Todas essa bagagem o colocou nos grupos mais diversos, fundou a banda Duídas que dura até hoje. Passou pela banda Ease, acompanhou o cantor Guilherme Arantes e atualmente integra o super grupo Caviars Blues Band.
Sua carreira solo rendeu quatro excelentes trabalhos: Sonoridades (2002), Atitude Blues (2007), Retratos (2011) e Live in Santos (2015). E ainda a participação em Fast Fusion (2011) e o CD Merlot com a  Caviars Blues Band (2012). 
A banda – Mauro Hector (guitarra), Glácio Nascimento (baixo) e Plinio Romero (bateria).

Inauguração da Exposição Design no Jazz – Pinacoteca Benedicto Calixto - Coordenação Márcia Okida, 16h - A exposição de pôsteres Os Tons do Design terá mais de 30 artes que traduzem visualmente o universo do Jazz. 
Desenvolvidos pelos alunos da disciplina de Design Gráfico do Curso de Produção Multimídia da Universidade Santa Cecília (Unisanta), tem a curadoria – e também a participação com uma arte – da designer gráfico, coordenadora e professora do curso Márcia Okida. 
A proposta para a criação desta exposição no 5º Santos Jazz Festival, veio logo após a realização pelo Clube do Choro de Santos da mostra “Design, Choro e Caipirinha” feita pelo mesmo grupo de designers. 
Durante os meses de maio e junho os alunos-designers se envolveram com o tema Jazz e com o homenageado do ano, Tom Jobim, para poder representar, cada um com seu estilo autoral, todo este rico universo musical repleto de nuances sonoras e rítmicas que trazem, para o design gráfico, um grande repertório visual. 
Nos pôsteres Os Tons do Design encontraremos: Os Tons das nuances sonoras de cada instrumento; Os Tons dos ritmos e estilos de cada tipo de interpretação; Os Tons dos improvisos característicos destes encontros musicais; Os Tons das cores brasileiras; Os Tons do Jazz; Os Tons de Tom Jobim. 
Os estilos visuais de cada pôster são variados e múltiplos como a música que teremos neste 5º Santos Jazz Festival. 
Artes minimalistas, expressionistas, simbólicas, figurativas, em preto e branco, multicoloridas, tipográficas e ilustrativas são alguns dos estilos autorais que poderão ser apreciados nessa exposição que, pela primeira vez, acontece no festival e também na cidade de Santos.  
Pela primeira o Jazz poderá ser ouvido visualmente durante o festival.

Filó Machado e Cibele Codonho

Filó Machado & Cibele Codonho, 17h – Show Tom Brasileiro - O CD Tom Brasileiro é uma homenagem intimista feita por Filó Machado e Cibele Codonho, trata-se de um apanhado da carreira de um dos maiores compositores brasileiros.
O carioca Tom Jobim (1927-94) redefiniu a música brasileira como um dos criadores da bossa nova e teve suas músicas gravadas por artistas internacionais como Frank Sinatra e Sarah Vaughan. 
A principal característica do disco é que as músicas foram gravadas ao vivo no estúdio, como numa apresentação. “Queríamos tentar uma coisa nova, por isso as vozes e o violão, estabelecendo os arranjos na hora. A idéia era a de que o lado harmônico fosse modificado à medida que gravávamos. Tudo levado pela emoção do momento. Às vezes mudávamos a gravação por causa de nova inspiração”, comenta Filó. 
O repertório é um bom balanço das parcerias de Tom Jobim. Vai de Vinicius de Moraes (Só danço samba e A felicidade) a Chico Buarque (Sabiá e Anos Dourados), passando por Dolores Duran (Por causa de você), Newton Mendonça (Desafinado), Luiz Bonfá (Correnteza) e Aloysio de Oliveira (Inútil Paisagem). 
Nascido em Ribeirão Preto, Filó tem onze CDs lançados e músicas gravadas por Djavan (são parceiros na música Jogral), Leny Andrade e Tim Maia. Cibele é integrante do grupo vocal A Três, um dos mais conceituados de São Paulo, com o qual lançou o CD Vocalise, simultaneamente no Brasil e Japão. O grupo já dividiu o palco com Jane Duboc, Roberto Sion, Djavan, Leny Andrade e Johnny Alf e Milton Nascimento.
A banda  - Filó Machado (violão), Cibele Codonho (voz).

Mafalda Minozzi e Paul Ricci

eMPathia Jazz Duo, 19h – A junção da cantora Mafalda Minozzi e do guitarrista Paul Ricci expande a definição do que é o jazz. 
É nos improvisos da melodia sobre o tema de uma musica popular, sustentados por modelos harmônicos que acompanham o andamento na hora de tocar que mora a fusão da música popular com expressões populares ligadas ao soul. 
São as mesmas características que anos atrás fizeram o Jazz fundir-se à música popular como expressão individual por meio de historias ligadas ao soul. A originalidade do projeto eMPathia está também no conceito de musica popular abrangendo clássicos da tradição da Itália, França, Brasil e EUA.
Nascida na Itália, Mafalda Minnozzi tem uma extraordinária carreira, desenvolvida especialmente no Brasil onde construiu uma história de grandes sucessos: isso aconteceu graças à realização de 10 CDs e 2 DVDs, à numerosas e inesquecíveis duetos com Milton Nascimento, Martinho da Vila, Paulo Moura, Leny Andrade, Guinga, entre outros.
O guitarrista Paul Ricci nasceu em Nova Iorque; Sua vida dedicada ao jazz começou com o diploma no Conservatório New England e continuou nos Jazz Clubes de sua cidade desde os anos 90.
Sua grande paixão pela musica brasileira o levou naquele período a realizar também estimulantes colaborações com Astrud Gilberto, Edison Machado, Dom Um Romao, Bebel Gilberto, que deram turnê e shows memoráveis, como aquele de Astrud no Hollywood Bowl com Roy Haynes, Kenny Barron, Gary Burton e George Mraz. 
Seu mais recente álbum “Inside”, traz duas joias de Tom Jobim que resultam multicoloridas pelo ritmo de Paul Ricci, A Felicidade, e pela percussão espontânea e brilhante de Mafalda Minnozzi, Chega de Saudade, além de Ênio Morricone, Cole Porter, Rodgers and Hart e Ivan Lins.
A banda – Mafalda Minozzi (voz) e Paul Ricci (guitarra).

Rafaella Laranja

Dia 30 de julho – Rua XV

Sambália Trio e Rafaella Laranja, 14h - As relações entre o jazz e o samba são muito mais íntimas do que possam aparentar. Suas origens são exatamente as mesmas, provenientes da cultura negra trazida pelos escravos africanos originários das mesmas regiões da costa ocidental do continente africano. O destino separou os irmãos africanos pelos hemisférios das duas Américas, onde sofreram alterações musicais distintas, porém suas raízes foram as mesmas. A fusão destes dois estilos se deu nos anos 60, quando juntou-se a batida do Jazz com a percussão do samba tocada na bateria, a guitarra solando, o piano executando os acordes do cavaquinho e o contrabaixo seguindo a pulsação do jazz normal. Em sua 5ª edição o Santos Jazz Festival, seguindo este contesto, traz a cantora santista Rafaella Laranja que junta-se aos músicos do Sambália trio para mostrar ao público que essa junção é simplesmente incrível, cheia de swing e até hoje executada pelo mundo a fora. No repertório estarão grandes representantes deste gênero, como João Donato, Elis Regina, Leny Andrade, Djavan, Carlos Lyra, entre outros. Se o samba é no pé e o jazz toca ao coração, o sambajazz é a música para a alma.
A banda - Theo Cancelo (piano), Glécio Nascimento (contrabaixo) e Kinho (bateria).

Patrícia Nóbrega

Patrícia Nóbrega Quintet, 16h - Formada em violão e Licenciada em música com habilitação em canto, Patrícia traz na bagagem 20 anos de experiência musical. Foi Backing Vocal do mutante Sérgio Dias, participou da 2° Edição do Programa Fama da Rede Globo, trabalhou em navios de cruzeiro no Brasil e Europa por cinco anos e muitos outros trabalhos. Dona de uma voz de timbre forte e refinada teve suas primeiras influências na música negra gospel, o Jazz e o Blues finalizando em seus estudos a riqueza da música brasileira. No Santos Jazz vem acompanhada por grandes músicos é a promessa de um grande show com todos esses estilos.
A banda - Patricia Nobrega (voz), Ruth Fernanda (piano), Mauro Hector (guitarra), Fabio Ferreira (baixo) e Jonata Silva (bateria).

BR Combo

BRCombo, 18h – Dedicado à aprtesentação da música instrimental brasileira, nasceu dos projetos dos instrumentistas Ugo Castro Alves e Rodrigo Vilela. 
O combo é formado por por saxofone alto, tenor e barítono, 1° e 2° trompetes, trombone, piano, baixo e bateria. Uma verdaderia usina sonora.
Arranjos e composições flutuam pelas inúmeras possibilidades que essa formação oferece, pois a proposta de produção musical coletiva leva em conta a  performance de todos os membros do combo. Os improvisos rolam soltos no repertório direcionado à música brasileira.
Hermeto Pascoal, Moacyr Santos, Tom Jobim, Nenê, Egberto Gismonti, Filó Machado, Carlos Lyra, Dominguinhos, Johnny Alf, Sivuca e Guinga formam o repertório de Cumbuca, show de lançamento do grupo. Uma verdaderia viagem pela música brasileira.
A banda - Felipe Aires e Alessandro Ribeiro (trompete), Rodrigo Vilela (sax alto), Alberto Massaglia (sax tenor), Tiago Silva (sax barítono), Rodrigo Farias (trombone), Theo Cancello (teclado), Ugo Castro Alves (baixo) e Nicolo de Caro (bateria).

Dog Joe

Dog Joe convida Xandra Joplin, 20h - A experiente banda de blues-rock e soul music da Baixada Santista Dog Joe convida a cantora santista Xandra Joplin para o show Divas do Blues e Soul. 
Trata-se de um passeio por todas as épocas do blues e soul  music na voz de uma das grandes intérpretes da obra de Janis Joplin, cantora símbolo do movimento contra cultural dos asnos 60.
Com arranjos cheios de identidade, nos quais o trio Dog Joe mostra toda sua versatilidade em solos e grooves dançantes e a cantora Xandra toda a sua potência vocal, o encontro promete fazer as pessoas balaçarem os quadris e cantarem os temas principais de Janis Joplin, Amy Winehouse, Tina Turner, Etta James, Aretha Franklin, Nina Simone, Bessie Smith, Joss Stone e muitas outras.
A banda - Xandra Joplin (voz), Digo Maransaldi (bateria, voz e arranjos), Eduardo Eloi (guitarra e voz) e Rogério Duarte (baixo).

Big Chico

Big Chico Blues Band, 22h – Tributo a B.B. King - Riley Ben King, mais conhecido como B. B. King,  nasceu no dia 16 de setembro de 1925 e faleceu no dia 15 de maio de 2015, foi um guitarrista de Blues, compositor e cantor americano que mais representou o gênero em todo o mundo com a sua famosa guitarra “Lucille”.
O "B. B." em seu nome significa Blues Boy e King como o rei do Blues apreciado por seus solos únicos e linda voz sempre interpretados com muita energia e sentimento.
Com intuito de homenagear esse grande ícone do Blues, o renomado artista e multi-instrumentista Big Chico reconhecido nacional e internacionalmente e sua Blues Big Band prestam um grande tributo com novos arranjos e versões em músicas que remetem a arte de B.B. King, Big Chico canta, toca gaita e guitarra sempre com muito feeling e  carisma e sua ótima banda vem no formato com metais e figurino de época levando a todos que prestigiarem esse lindo show a ter uma experiência inesquecível e emocionante.
A banda – Big Chico (guitarra, gaita e voz), Richard Dias (bateria), Ramon Del Pino (baixo), Thiago Siqueira (guitarra), Luizinho Nascimento (trompete), Gabriel (sax). 



Dia 31 de julho – Pinacoteca Benedicto Calixto

Quarteto de Cordas Martins Fontes & Kika Willcox, 16h - Con"S"ertando. Sim, com "S". O mote da apresentação é o de romper e brincar com as barreiras impostas pelo conceito original da música erudita. Um quarteto de cordas tocando MPB, JAZZ, mas com repertório original de uma formação instrumental com a rigidez imposta pela tradição. O espetáculo será apresentado em blocos, medleys, comum no jazz e incomum no universo  erudito. Compositores como Gismonti e Gershwin, Hermeto e Mozart, Tom Jobim e Bach, Corea e Debussy sem barreiras, sem fronteiras. O importante é que a música seja viva, pulsante e tocante.
Idealizado e fundado em 1976, o Quarteto de Cordas Martins Fontes foi criado com objetivo de divulgar e aproximar a música de câmara a população. Dentre suas principais atividades destacaram-se os Projetos "Fá, Sol, Lá", "Concertos Oficiais" (mostrando as principais obras dos compositores que escreveram músicas para esta formação), "Didático" (realização de apresentações em escolas para incentivar as crianças ao estudo da música), "Concertos Populares", "Roteiro Musical" (realização de concertos em patrimônios turísticos da Cidade, como igrejas e museus), e "Cinema Tocado" onde a sonoridade da formação instrumental cria o ambiente sonoro de clássicos do cinema mudo.
Kika Willcox, batizada Erika, signo de áries, filha de peixe... Ou melhor, peixões da MPB, já que traz nos ombros a responsabilidade de ser filha do saudoso maestro Paulo César Willcox, pianista e arranjador de discos antológicos como "Cigarra" de Simone e "Objeto Direto" de Belchior, músico que atuou com feras como Hermeto Pascoal, Toquinho e Vinicius, além de escrever arranjos para a versão brasileira de "Hair" e "Jesus Cristo Superstar". Ao ouvido musical herdado do pai, soma-se o timbre grave e a voz afinadíssima herdada da mãe, a cantora Sonia Rocha, que marcou época nas casas noturnas paulistanas nos anos 70 e 80.
A banda - Ulisses Nicolai (1º violino), Adonai Ribeiro (2º violino), Erlon Silva Lima (Viola), Rossana Nicolai (violoncello), Kika Wilkox (cantora convidada).

Alexandre Birkett

Alexandre Birkett Trio, 18h - É um dos mais talentosos músicos de sua geração. Santista de nascimento e cidadão do mundo, sua ferramenta de trabalho são as cordas. E nesta seara é capaz de tocar e compor em praticamente todos os instrumentos contemporâneos, como a guitarra elétrica, o violão acústico e também alguns ancestrais, como o violão tenor, a viola caipira e o cavaquinho. Com este arsenal já gravou cinco discos, que constroem uma vasta e importante obra dentro da música instrumental brasileira.
O trabalho e a sonoridade de seu trio são marcados por um rico contraponto de ritmos e improvisações livres com atenção à criatividade de cada integrante. Tais cruzamentos permitem que o Birkett Trio explore um amplo horizonte musical que inclui jazz, música brasileira e ritmos caribenhos.
O repertório traz composições autorais e de autores como: Moacir Santos Antonio Carlos Jobim, Duke Ellington, Thelonious Monk, Beatles entre outros.
A banda - Alexandre Birkett (guitarra/violão), Gustavo Sato (contrabaixo acústico) e Edu Nali (bateria). 

Mônica Salmaso e Banda Mantiqueira

Dia 31 de julho - Teatro do Sesc Santos

Banda Mantiqueira & Mônica Salmaso, 19h – Formada no início da década de 1990 pelo clarinetista, saxofonista, compositor e arranjador Nailor Azevedo, o Proveta, a Banda Mantiqueira é especializada em arranjos de música popular para a formação de big band. O grupo foi indicado ao Grammy Latino com seu primeiro álbum, Aldeia, lançado em 1998, e ao lado da Osesp realizou diversas turnês e projetos.
A cantora Mônica Salmaso, estreou sua carreira gravando o CD Afro Sambas ao lado do violonista Paulo Bellinati, com as canções da lendária parceria de Vinícius de Moraes com Baden Powell. Desde então, tem se firmado como uma das mais importantes intépretes de sua geração, gravando obras de nomes como Chico Buarque, Ná Ozzeti, Edu Lobo e Paulo Cesar Pinheiro.
A parceria entre a banda e a cantora existe há mais de 15 anos, resultando em várias apresentações, tais como os três concertos que encerraram a temporada da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – OSESP, em dezembro de 2006. Desse encontro, resultou o CD “OSESP, Banda Mantiqueira e Mônica Salmaso” do selo Biscoito Fino. No encerramento do ano de 2008, voltaram à Sala São Paulo para um concerto que foi transmitido ao vivo pela emissora ArteTV, abrangendo mais de 35 países da Europa. Daí, surgiu o DVD “São Paulo Samba”, distribuído pela EuroArts para o mundo todo.Neste show, executam um repertório que homenageia alguns dos mais destacados compositores brasileiros, como Noel Rosa, Ary Barroso, Adoniran Barbosa, João Bosco, Jorge Benjor entre outros, em arranjos de Nailor Proveta, Edson Alves e Nelson Ayres. 

Serviços: 
Sesc Santos - Rua Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida.
Cine arte Posto 4 - Av. Vicente de Carvalho, s/n (perto do Canal 3).
Pinacoteca Benedicto Calixto – Av. Bartolomeu de Gusmão, 15 – Boqueirão.
Clube do Choro de Santos – Rua XV de Novembro, 68 – Centro.

Obs: Os ingressos para Banda Nova Tom Jobim e Mônica Salmaso e Banda Mantiqueira podem ser adquiridos na bilheteria do Sesc Santos por R$ 6,00, R$ 10,00 e R$ 20,00 em ambos os shows. 


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Parque Villa Lobos em São Paulo recebe grande festival no sábado dia 18 de junho

Com entrada franca, o BB Seguridade de Blues e Jazz, recebe O Bando, Maria Gadú com participação de Tony Gordon, Marco Lobo Quinteto e David Liebman, Toninho Horta, Steve Guyger, Orleans Street Jazz Band, Orquestra Voadora e B4 Jazz Quartet são as atrações. O festival ainda passará por Brasília, Porto Alegre e Recife

Toninho Horta

A programação mescla blues, jazz e MPB e traz como destaque um show inédito de Maria Gadú, que cantará blues e terá como parceiro o experiente e talentoso cantor paulistano Tony Gordon.
O Marco Lobo Quinteto, liderado pelo consagrado percussionista Marco Lobo, se apresenta com o renomado saxofonista David Liebman. 
O músico norte-americano está na estrada desde os anos 1960 e é conhecido pelo trabalho com seu próprio grupo e também por ter tocado e gravado com lendas do jazz do porte de Miles Davis, Elvin Jones e Chick Corea.
O gaitista, cantor e compositor norte-americano de blues Steve Guyger é outro nome forte na programação de São Paulo, tendo no currículo mais de cinco CDs solos e atuações com nomes históricos do blues como Jimmy Rogers e Charlie Musselwhite.
Toninho Horta, guitarrista, cantor e compositor que surgiu na década de 1970 como um dos parceiros do mitológico Clube da Esquina de Milton Nascimento, o grupo mineiro O Bando, a Orleans Street Jazz Band, a Orquestra Voadora e a banda paulistana B4 Jazz Quartet completam o time.
O festival prosseguirá para Brasília no dia 25 de junho, no Parque da Cidade - Estacionamento 4, com a mesma programação. O evento ainda seguirá para Porto Alegre e Recife no segundo semestre.
O patrocínio do evento é do Banco do Brasil Seguridade, e a realização da Marolo Produções.
Em 2015, em sua edição inaugural, o Festival BB Seguridade de Blues e Jazz levou a São Paulo e Brasília nomes como Stanley Jordan, Ana Carolina, Blues Etílicos, Nuno Mindélis e Zélia Duncan, com grande repercussão.

Atrações:

Maria Gadú
Fará um show de Blues que está sendo preparado especialmente para esse projeto. Em fase final de montagem e ensaios, o show promete um repertório de grandes sucessos do Blues, que será divulgado em breve. Para dar um toque ainda mais especial, Maria Gadú convidou o paulistano Tony Gordon para cantar algumas músicas com ela. 
Atualmente, Maria Gadú está em turnê do disco “Guelã”. Lançado em 2015, o álbum foi indicado ao Grammy Latino na categoria “melhor álbum de Música Popular Brasileira”.
Ficha técnica - Maria Gadú – voz e guitarra, Conrado Goys – guitarra, Thiago Big Rabello – bateria, Lucas Cirillo – gaita, Dudinha – baixo - Participação de Tony Gordon – voz.

Steve Guyger (participação de Flávio Guimarães)
O cantor, compositor e gaitista americano Steve Guyger, natural da Philadélfia, é considerado um dos principais nomes do blues mundial.  Tendo acompanhado por vários anos em turnês o grande Jimmy Rogers, coleciona elogios enfáticos de seus colegas de instrumento: o saudoso William Clarke chamou Steve de “o melhor gaitista que já vi na vida”. É um cantor de timbre grave e encorpado com uma performance de palco contagiante.
Nos últimos trinta anos, Steve Guyger fez inúmeras turnês com Jimmy Rogers, Lousianna Red e com a banda “The Excellos”, com quem tem cinco álbuns lançados.Lançou mais 8 CDs nas mais diferentes formações.  Sua forma de tocar e cantar, bem como seu carisma no palco, o coloca na elite dos músicos do estilo.
Steve Guyger acaba de lançar um livro e DVD sobre técnicas para a harmônica blues.
Seu mais recente trabalho é um CD coletivo em homenagem a Big Walter Horton, com alguns dos mais expressivos músicos de blues americanos, dentre eles Kim Wilson e Mark Hummel.
No 2º Festival BB Seguridade de Blues e Jazz, Steve Guyger se apresenta com uma banda formada por músicos brasileiros e conta ainda com a participação especial do gaitista Flávio Guimarães, reconhecido tanto pelo seu trabalho solo quanto coletivo, no Blues Etílicos.
Entre as músicas do set list:  Let's Rock Tonight - Darrel Higham, I Need My Baby - Jackey Beavers e Rib Shack Boogie -  Steve Guyger.
Ficha técnica - Steve Guyger – voz e gaita, Flávio Guimarães – participação especial, gaita, Netto Rockfeller- guitarra, Danilo Simi – guitarra, Marcos Kliss – baixo e Danilo Hansen – bateria.

Toninho Horta e Orquestra Fantasma
O mineiro Toninho Horta, considerado um dos maiores guitarristas brasileiros de jazz, se apresenta no 2º Festival BB Seguridade de Blues e Jazz com a Orquestra Fantasma, resgatando a formação da década de 80 e, também, a sua própria história. O nome “Orquestra Fantasma” surgiu como complemento do título “Terra dos Pássaros”, primeiro álbum solo de Toninho. A intenção era de obter coloridos orquestrais como uma orquestra fictícia sem violinos, cellos e trompas reais; estes sons eram criados por Hugo Fattoruso e Toninho com seus mini-mugs, guitarras e pedais de volume.
Em 1981 Toninho convidou André Dequech (teclados, que, no Festival, ficarão a cargo de Lisandro Massa ), Lena Horta (flauta), Iuri Popoff (baixo) e Esdra “Neném” Ferreira (bateria) a formarem uma banda pra promover seus mais recentes discos lançados na época: “Terra dos Pássaros” (1979) e “Toninho Horta” (1980). Os primeiros concertos foram na Fundação Getulio Vargas (São Paulo), Planetário da Gávea (Rio), Teatro Carlos Gomes (Vitória), Teatro Nacional (Brasília - abrindo a série de shows populares) e Teatro da Imprensa Oficial (Belo Horizonte). Atualmente se preparam para gravar o primeiro registro juntos,  “Toninho Horta e Orquestra Fantasma” com previsão de lançamento para 2016.
Entre as músicas do set list: Músicas: Manuel, o audaz (Toninho Horta e Fernando Brant), Francisca (Toninho Horta), Era Só Começo Nosso Fim (Iuri Popoff).
Ficha técnica - Toninho Horta – voz, violão e guitarras, Lena Horta – flauta, Iuri Popoff – baixo,  Lisandro Massa – teclados e Esdra Expedito Ferreira (Neném) – bateria.

David Liebman

Marco Lobo Quinteto convida David Liebman
Marco Lobo iniciou a carreira artística aos 14 anos, no circuito noturno de Salvador, tocando com Abel Lobo e Jorge Zarath, Banda Beijo, Gerônimo, Margareth Menezes, Armandinho, e ainda Dodô e Osmar, em muitos Carnavais. Construiu uma sólida trajetória, tocando com grandes nomes da música como Milton Nascimento, Caetano Veloso, Marisa Monte, Leo Gandelman, entre outros. É, hoje, um dos grandes percussionistas do Brasil. Em 2015 montou o Marco Lobo Quinteto, que conta com companheiros de estrada com os quais atuou acompanhando medalhões da MPB. Marco Lobo participou como percussionista de mais de 30 discos de grandes nomes da música brasileira e mundial, e tem dois álbuns solo, Marco Lobo (2011) e Aláfia (2007).
Liebman é considerado um dos maiores saxofonistas da música contemporânea. Miles Davis, Elvin Jones, Chick Corea, John McLaughlin, McCoy Tyner, entre outros. Foi indicado diversas vezes ao Grammy, e vencedor na categoria Sax Soprano do Downbeat/Jazz Times Critics/JEN Poll. Participou de mais de 500 gravações e é o fundador da International Association of Schools of Jazz (IASJ). Perto de completar 50 anos de carreira, David Liebman montou um novo grupo musical, só com jovens músicos, chamado “Expansions”, com o qual está atualmente em turnê europeia.
Entre as musicas do Set list estão: Lobine ( Widor Santiago), Baião pra Santo Antônio (Gastão Villeroy e Marco Lobo) e Lilia (Milton Nascimento).
Ficha técnica - Marco Lobo – percussão, David Liebman – Saxofone, Vidor Santiago – sax e flauta
Kiko Continentino – teclados, Erivelton Silva – bateria, Gastão Villeroy – baixo elétrico.
  
B4 Jazz Quartet
Buscando diferentes e inovadoras formas de realizar a música instrumental brasileira, o guitarrista Willie Daniel criou o B4 Jazz Quartet. O grupo mescla o jazz tradicional a vários ritmos como a música brasileira, o pop, o rock, o funk, trazendo ao palco a sonoridade dos quartetos de jazz com a seguinte formação: piano elétrico, guitarra, baixo elétrico e bateria.
Entre as músicas do set list: Come Together (The Beatles), O Morro não tem Vez (Tom Jobim) e Billies Bounce (Charlie Parker).
Ficha técnica - Willie Daniel – guitarra, Ary Holland - piano elétrico, Geraldo Vieira - baixo elétrico  e Lael Medina – bateria.

O Bando
Minas Gerais é berço de grandes talentos musicais, é o coração do Clube da Esquina. Mas, entre as montanhas de Minas também pulsam fortes estilos como o blues e o rock and roll. O grupo mineiro O Bando apresenta o melhor do Blues, mesclando grandes sucessos a um repertório próprio.  Os mineiros já se apresentaram ao lado de nomes como Os Paralamas do Sucesso no Circuito Brasil Musical, em João Pessoa (PB), entre outros. O Bando tradicionalmente faz a abertura do Festival Música do Mundo, que está na 6ª edição.
O grupo, conterrâneo de Milton Nascimento, viajou pelo Brasil ao lado do ícone da MPB na turnê do disco “...E a gente sonhando”, entre outros projetos. Atualmente, os integrantes de O Bando também desenvolvem projetos paralelos, como o Ummagumma – The Brazilian Pink Floyd (principal cover do Pink Floyd do Brasil), idealizado e liderado pelo vocalista e guitarrista Bruno Morais.
Entre as músicas do set list: Jessica (The Allman Brothers Band), Before you accuse me ( Bo Diddley) e Paraíso de Pedra (Dentinho).
Ficha Técnica - Felipe Duarte – guitarra e vocal, Bruno Morais – guitarra e vocal, Alessandro Brito – bateria, Dayvid Castro – contrabaixo, Mazinho – teclados.
  
Orleans Steet Jazz Band
Orleans Street Jazz Band é uma tradicional banda de Street Jazz de São Paulo, já se apresentou no Rock in Rio, entre diversos outros festivais. Uma das características do grupo é realizar suas performances no solo, circulando pelo meio do público.
Entre as músicas do set list:  Ice cream – H. Johnson, B. Moll, R.King, Georgia on my mind – Ray Charles e I' ve found a new baby – Ethel Waters.
Ficha técnica - Alexssandro Rodrigues da Silva – Tuba, Flávio Rodrigues Nunes Junior – Banjo, Eloy Porto Neto – Trombone, Dalmo Di Napoli Guzela – Washboard, Washington Feliciano de Barros – Trompete e Augusto Cesar da Silva Vechini – Sax.

Orquestra Voadora
Formada em fevereiro de 2008 a partir de encontros em diversos blocos de carnaval do Rio de Janeiro, a Orquestra Voadora alçou os primeiros voos pelas ruas do Rio de Janeiro apropriando-se do espaço público e dando início a uma renovação do conceito de ‘fanfarras’ no Brasil. Com a ideia de aproximar o tradicional formato das bandas de sopro e percussão a um repertório moderno e eclético, a brassband carioca surpreendeu ao apresentar inspiradas releituras de clássicos da música brasileira e mundial e fazendo de suas performances verdadeiras catarses sensoriais.
Das ruas, a Orquestra foi para os palcos. Além do Rio de Janeiro, estiveram em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Brasília, Vitória, e também por ares internacionais, com elogiadas apresentações por França, Portugal, Espanha, Inglaterra, Bélgica e Colômbia. 
A rua não deixou de fazer parte da rotina da banda. Hoje a cidade vive um momento muito especial, são muitas fanfarras que surgiram direta ou indiretamente das oficinas e do desfile de carnaval da Orquestra Voadora que, em menos de dez anos de vida, leva mais de cem mil pessoas para o Aterro do Flamengo durante o carnaval. A Orquestra Voadora é parte de uma cena que cresce e valoriza, de ocupação urbana e encontros coletivos.
Entre as músicas do set list: Sonido Amazonico - Chicha Libre, African Battle - Manu Dibango,  e Pagode Russo - Luiz Gonzaga.
Ficha técnica - André Fioroti - bateria e percussão, André Ramos – saxofone, Daniel Paiva - trompete
Hugo Prazeres – percussão, Juliano Pires – trombone, Leonardo Campos - trombone
Lula Mattos – percussão, Marcelo Azevedo – surdo, Marco Serra Grande - trombone
Pedro Araujo – percussão, Tiago Rodrigues – trompete, Tom Huet – tuba e Vicente Quintela – trompete.

Serviço:
Dia 18/6 - sábado
Parque Villa-Lobos / Ilha musical - das 11h ás 19h
Avenida Professor Fonseca Rodrigues, 2001
Alto dos Pinheiros - São Paulo - SP -
Estacionamento no Local – grátis -  Vagas limitadas
Classificação Indicativa: livre
Gratuito