sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Em 2019 Bourbon Street Fest volta ao Ibirapuera

Após as dificuldades nos últimos anos, o festival volta ao parque do Ibirapuera abrindo espaço para que mais pessoas possam curtir a grande música de New Orleans. Os shows acontecem nos dias 29, 30 e 31/08 na casa. E 01/09 no parque, ao ar livre e com entrada gratuita

Bonerama (foto Braden Piper)

Em quinze anos, o festival que tem em seu DNA a música de New Orleans, misturando no mesmo caldeirão o jazz tradicional e o funk, as brass bands e a música gospel das Igrejas, a soul music e o rhythm blues, o zydeco e a cultura da Louisiana, já trouxe a São Paulo dezenas de artistas da cidade berço do jazz.
Nesta edição, três atrações internacionais preenchem o line up, sendo uma delas estreante no festival: a cantora Bobbi Rae, que vem acompanhada da Just Groove, banda do guitarrista brasileiro Igor Prado. Com apenas 25 anos, a cantora, compositora, violonista e poeta é uma novidade no mundo do rhythm & blues norte-americano.
O segundo destaque é a brass band Bonerama, retornando após as apresentações explosivas na festa dos 10 anos do mesmo festival. A banda formada por três trombones, bateria, baixo e guitarra traz o show Bonerama Plays Zeppelin, uma coleção de músicas de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. É funk-soul-rock para ninguém ficar parado.
E a terceira atração internacional é Dwayne Dopsie, o furacão do acordeão retorna com sua banda The Zydeco Hellraisers. Seu estilo totalmente particular e passional traz letras, vocais, composições e texturas sonoras impregnadas de soul, blues e funk. Dwayne e seu acordeão misturam-se ao som da guitarra, baixo, bateria e ao tradicional frotoir – avental de metal, semelhante ao washboard (tábua de lavar roupa), usado como percussão – e juntos incendeiam o palco com o Zydeco de New Orleans.
Nas apresentações gratuitas ao ar livre e nos shows noturnos do Bourbon Street quem dá as boas vindas é a Orleans Street Jazz Band, uma autêntica Street Band que circula entre a plateia e aquece o público antes das atrações principais. Na casa, nos shows noturnos, além das atrações internacionais, Dj Crizz abre a noite de quinta-feira com uma seleção especial feita para o festival, sexta é a vez de Sérgio Della Monica & Nola Jazz e no sábado, Yuri Prado & Mardigras Brass-Zookas, trazem os metais ao melhor tempero e sabor de New Orleans, antes da atração principal da noite.
Criado e produzido por uma das melhores casas de jazz do mundo – o Bourbon Street Music Club, de São Paulo, que completou 25 anos em 2018 – o Festival conta com o apoio da Prefeitura de São Paulo e Secretaria de Cultura através do PRO-MAC - Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais.

Se liga na programação:

No Bourbon Street Music Club, na rua dos Chanés, 127 - Moema SP  

29/08 Quinta-feira
20h30 – Dj Crizz
21h30 – Orleans Street Jazz Band
22h30 – Bobbi Rae & Just Groove feat Igor Prado

30/08 Sexta-feira
21h30 – Orleans Street Jazz Band
22h30 – Sérgio Della Mônica & Nola Jazz
23h30 – Bonerama (Bonerama plays Zeppelin)

31/08 Sábado
21h30 – Orleans Street Jazz Band
22h30 – Yuri Prado & Mardigras Brass-Zookas
00h00 – Dwayne Dopsie & The Zydeco Hellraisers

Yuri Prado & Mardigras Brass-Zookas

 Parque do Ibirapuera - Show grátis

01/09 Domingo
12h30 – Dj Crizz
13h00 – Orleans Street Jazz Band
13h30 – Bobbi Rae & Just Groove feat Igor Prado
14h30 – Orleans Street Jazz Band
15h00 – Bonerama (Bonerama plays Zeppelin)

16h30 – Dwayne Dopsie & The Zydeco Hellraisers

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Banda seminal do punk/eletrônico brasileiro, a santista Harry, ganha documentário



Texto: Eugênio Martins Jr
Fotos: Divulgação

Em março de 2017, últimos dias de vida de Johnny Hansen, cultuado e controverso vocalista da banda santista Harry, nos encontramos algumas vezes para juntar a documentação necessária para produzir o documentário que até então só existia na nossa cabeça, O Caos no Céu Cinza – nome dado pelo Hansen. 
Alguns dias depois de entregarmos o projeto na Secretária de Cultura, dentro do Facult, edital de financiamento local, Hansen sofreu um ataque cardíaco fatal que lhe tirou a vida.
Meses se passaram até o dia que recebi o telefonema do Dino Menezes, o co-produtor do filme me dando os parabéns por ter conseguido o financiamento. 
Confesso que já havia esquecido desse lance e fiquei alguns minutos olhando pra TV e pensando: “E agora, que porra que eu vou fazer?”.  
Marquei com a banda que estava juntando os pedaços após quase um ano sem tocar juntos e contei toda a história. A galera curtiu a ideia e toparam fazer. Meti as caras. 
Dois anos depois o documentário está aí. Recheado de entrevistas com os músicos originais e os atuais, contando a história da banda, falando sobre os discos iniciais que arranharam a pureza do pop rock nacional dos anos 80 e falando sobre o Hansen. 
Sou novato nesse negócio de fazer filme e assumo todas as falhas. Mas, assim como elas vão aparecer, meu coração também vai estar lá na tela. Agradeço à banda, aos entrevistados, ao Digo Maransaldi, parceiro incansável, e ao Dino Menezes pela paciência em me aturar e, por último, agradeço à minha paciência por ter de aturar o Dino.    
Harry foi uma banda santista criada na época em que o maior porto do país também era o maior exportador de vírus HIV do Brasil. Muito por causa das drogas consumidas pela galera.
Cubatão era uma das cidades mais poluídas do mundo, onde o nascimento de crianças com anencefalia, principalmente na Vila Parisi, vinha aumentando e onde aconteceu uma das maiores tragédias do país naquela época, o incêndio da Vila Socó, vitimando centenas de moradores. 
O crescimento das favelas era proporcional com o aumento dos assassinatos em São Vicente. Sem contar o descarte criminoso pela empresa Rhódia de pentaclorofenol, o pó da china, composto químico altamente tóxico, nos bairros da Área Continental de SV.    
Em meio essas tragédias nasceu o Harry e muitos de seus temas refletem essa barra pesadíssima que era a Baixada Santista. 
As paredes de guitarras, e depois de aparelhos eletrônicos que ao longo do tempo também serviu para separar os integrantes por divergências musicais, ficarão marcados na história torta do rock nacional eternamente como seu lado B.
Com o recurso que recebi, e ainda pondo algum do próprio bolso, consegui contar um pouco dessa história. Antes de qualquer coisa, sou fã da banda e acho que devia esse tributo ao Johnny Hansen que, como o amigo Werner Brucha diz no filme, não recebeu em vida o valor que merecia como músico.
Esperar o que no país  do monopólio das cinco emissoras de TV e dos cinco jornais?
Hoje, Cesar Di Giacomo (bateria e vocal) Johnson (teclados e vocal), Lee Luthier (baixo e vocal) e Marcelo Marreco (guitarra), continuam sem o Hansen e se preparam para lançar um novo CD, ainda com músicas compostas, cantadas e tocadas por ele. O CD se chama Dark Passenger e foi produzido pelo selo Fiber Records. 

Por exigência do edital do Facult e pedido da banda, os locais escolhidos foram o Museu da Imagem e do Som de Santos, duas sessões, e o Cine Arte Posto 4, uma sessão. São lugares com pouca capacidade de público, mas caso seja necessário faremos em mais datas. As exibições serão em 16 e 23 de agosto no MISS e 30 de agosto no Cine Arte. A entrada é gratuita.

Documentário Caos no Céu Cinza 2019 - arte; Digo Design

Show Caos no Céu Cinza - Sesc Santos 2018 - arte Digo Design

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Morre Art Neville, fundador dos Meters e Neville Brothers

Art Neville (foto: David Grunfeld NOLA.com/The Times-Picayune)

Na segunda-feira, dia 22 de julho, 46 dias após a morte de Dr John, um dos pilares de música de New Orleans, morreu o tecladista e cantor, Art Neville, co-fundador dos The Meters e Neville Brothers. 
Conheci a arte de Art Neville quando os discos do Neville Brothers chegaram ao Brasil nos anos 80. 
Não eram discos comuns. A mistura do jazz com o funk, a soul music, o pop, o rock e, principalmente, o engajamento político das letras de Yellow Moon (1989) e Brother’s Keeper (1990), mostraram ao mundo que o jazz de New Orleans estava mais vivo do que nunca.
E abriram a mente da audiência para os novos rumos da música feita na cidade/porto, que por séculos foi a porta de entrada de estrangeiros da Europa e da África.
Os irmãos Neville, Art, Charles, Cyril e Aaron, fazem parte da tradição de famílias muspcais da cidade e estavam na lida desde os anos 60.
Mas Art foi o primeiro dos irmão a gravar um disco, em 1954, quando sua banda do ginásio, Hawketts, lançou Mardi Gras Mambo.
As carreiras solos dos irmãos sempre correram paralelas até o advento Neville Brothers, mas Art Neville chegou a liderar uma das bandas mais legais de New Orleans, os afamados The Meters.
Recentemente foi vítima de um AVC que o deixou com problemas de mobilidade. Em 2018, quando os Meters receberam um prêmio pelo conjunto da obra, Art não pode comparecer na cerimonia e no fim do ano anunciou sua aposentadoria.
Art Neville morreu em casa, ao lado da família. A causa não foi divulgada.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Oito anos de Santos Jazz Festival

Bocato, Nuno Mindelis, Funk como Le Gusta, Pedro Bara, Sandra Sá, Ellen Oléria e Alma Thomas se apresentam, em Santos entre os dias 25 e 28 de julho

Nuno Mindelis

Tradicionalmente o Santos Jazz Festival presta homenagens a ícones do jazz e esse ano o tema de abertura será Nina Simone e a Música Que Vem da Alma. Numa seleção de clássicos que vai do tradicional ao soul, Alma Thomas & Ellen Oléria emprestam voz ao projeto.
Esse ano o festival também aposta nas fusões de ritmos, misturando tudo no mesmo balaio: soul, jazz tradicional, blues e DJs.
O “Jazz para Crianças” acontece no histórico Museu do Café durante o festival. E esse ano o SJF conta com o projeto de inclusão cultural com o lançamento da LMC (Lar das Moças Cegas) Big Band.
Também haverá as oficinas para músicos e interessados e espaço para as crianças.
O festival conta com patrocínios captados via Lei de Incentivo Federal e tudo é grátis.

Segue programação:

Quinta-feira, dia 25\07
Teatro do Sesc Santos – Abertura
21h – Show de Alma Thomas (EUA)& Ellen Oléria – Tributo à Nina Simone

Sexta, dia 26\07
Arcos do Valongo
19h - João Maria & Banda - João canta Donato -
20h30- Bocato, Cuca Teixeira, Glécio Nascimento  e Michel Leme - BCGM Jam
22h – Ritchie & Blacktie – The Songs of Paul Simon
23h30- Funk Como Le Gusta - Festa dos 20 anos de carreira

Sesc Santos Santos – Oficinas no Auditório
14h – Bocato - O Sopro no Jazz

Shopping Pátio Iporanga
13h – Duo Cancello, com Theo e Daniel Cancello

Sábado, dia 27\07
Arcos do Valongo
13h– DJ Manuth - DJ& VDJ Santos Jazz - 
13h30 -BBoys & BGirls - Batalha de Danças Urbanas
15h – Jazz em Versos – Batalha de Poesia
15h30 – Especial Jamy Winehouse (Tributo à Amy Winehouse)
17h - Maurício Fernandez GIG
18h30 – Alba Santos (Espanha) & AnielSomeillan (Cuba)
20h – Xênia França & Banda
22h – Projeto DJ’s JAZZ – DJ Erick Jay + DJ RM & Cuca Teixeira Trio – participação especial da cantora Mayarah Magalhães
23h30 - Sandra de Sá & Elas
01h-  Festa Black Jazz - Dj Hum & Erick Jay

Sesc Santos – Oficinas no Auditório
11h – O Contrabaixo Cubano – Aniel Someillan
14h – Bateria e Improvisação – Cuca Teixeira

Shopping Pátio Iporanga
13 h – Adolfo Mendonça & Washington Ciocci

Bonde Arte
15h e 16h – Luiz Oliveira & Carla Mariani

Museu do Café – Jazz para Crianças
11h às 17h – Espaço Infantil “Café com Leite” (Fazendinha, Contação de Histórias e Oficina de “mini barista”)
13h- Oficina “Jazz para Crianças”, com Zero Beto 
14h30 -Espetáculo “Banda de um Homem Só”
15h – Projeto “Pra ver a Banda passar” - Grupo de Flauta Doce (Seduc Santos)
15h30 - Oficina de Minibarista

Domingo, dia 28\07
Arcos do Valongo
13h – Jazz na Rua (Lindy Hop) - Aula Aberta de Dança
14h30 – Big Band LMC & Mauricio Fernandes (Lar das Moças Cegas)
15h – Banda Fizz Jazz
16h– Marcos Nóbrega Quarteto - Tributo a Nat King Cole 
17h30 – Tony Gordon & Banda
19h – Pedro Bara & Banda
20h – Nuno Mindelis & Banda   

Bonde Arte
15h e 16h – Luiz Oliveira & Carla Mariani

Museu do Café – Jazz Para Crianças
11h às 17h – Espaço Infantil “Café com Leite” (Fazendinha, Contação de Histórias e Oficina de “mini barista”)
14h30 – Espetáculo Infantil  "A Magia da Música" -Homenagem à Hermeto Pascoal
15h30 Varandinha Pedagógica – contação de histórías

Shopping Pátio Iporanga
13h – Conrado Pouza canta João Gilberto  - participação Fabiano Guedes

Sesc Santos – Oficinas no Auditório
11h – A Arte Musical de Nuno Mindelis

Jazz em Cores - De 26 a 28\07 no Arcos do Valongo
Exposição de cartazes dos alunos do Curso Design e Multimídia  – Coordenação Márcia Okida.
Live Paint -  5 artistas urbanos construirão painéis ao vivo, durante os shows
É necessária inscrição prévia para as oficinas do Sesc - Limite de 50 vagas

quinta-feira, 18 de julho de 2019

A 5ª edição do festival Tudo Blues acontece em Niterói/RJ

Ramblin' Brothers

Esse ano o evento será em quatro dias, 25 a 28 de julho, no Teatro da UFF, em vez dos oito habituais, mas a organização promete não abrir mão da energia positiva em comemoração aos cinco anos de existência.  
O cast inclui o veterano Victor Biglione, o gaitista Jefferson Gonçalves e as bandas Soulshine Jam Band e The Ramblin’ Brothers. Todos do Rio.

Victor Biglione Power Trio - acompanhado dos músicos Jorge Pescara (baixo) e Fábio Cezanne (bateria), Biglione faz um show que trata de uma época riquíssima culturalmente, principalmente no rock e no resgate britânico do blues, os utópicos e criativos anos sessenta. No radar, Rolling Stones, Jeff Beck Group, B.B. King, Led Zeppelin, Deep Purple, Santana, Beatles, Jimmy Hendrix, Cream, Fleetwood Mac entre outros. Biglione possui um forte histórico no rock e no blues, nacional e internacional, tocando e gravando com A Cor do Som, Andreas Kisser (Sepultura), Edgar Scandura (Ira), Banda Black Rio, Blues Etílicos, Big Gilson, Cássia Eller, Cazuza, Sergio Dias (Mutantes), Serguei e Andy Summers (The Police) e outros. 

Jefferson Gonçalves e Banda -  é uma das principais referências dentro do cenário da gaita no Brasil. Seu trabalho já foi elogiado por vários músicos, revistas e sites internacionais. Com seu estilo inconfundível e original consolida de vez sua competência e criatividade fazendo misturas autênticas, onde estilos diferentes se unem para criar uma atmosfera tipicamente brasileira, sua gaita mistura a música negra norte americana e o regionalismo dos ritmos nordestinos como o forró, o baião, o xaxado, o maracatu, entre outros.
       
Soulshine Jam Band - Formada por André Santanna (guitarra, baixo e backing vocal), Greg Wilson (guitarra e voz), Ricardo Romão (violão, guitarra e voz), João Pompeo (teclado, piano e baixo), Rodrigo Machado (bateria e backing vocal) e Guilherme Bedran (violino), a banda tem o objetivo de criar uma autêntica jam session band, com improvisos, solos  e arranjos próprios, algo novo que possa chegar de forma requintada ao público. Apresenta composições próprias e homenagens a grandes músicos e bandas, como George Harrison, Donavon, JJ Cale, Eric Clapton, Greg Allman, Greatfull Dead, Doobie Brothers, The Band, Santana e The Doors.

The Ramblin' Brothers - Com o repertório dedicado ao The Allman Brothers Band, Alexandre Barcelos (guitarra), Kleber Dias (guitarra e voz), Fabio Mesquita (baixo), Ricardo Magoo (órgão) e Marco BZ (bateria), apresentam Statesboro Blues, Jessica, Melissa, Whipping Post e Dreams, entre outras. A Ramblin’ Brothers é formada por músicos que já estão com mais de vinte cinco anos na estrada do blues e do rock, vindo de bandas consagradas no cenário brasileiro, como Baseado em Blues, Suburblues e Blues Power.

Segue programação: 
Victor Biglione, quinta-feira, dia 25, às 20h
Jefferson Gonçalves e Banda, sexta, dia 26, às 20h
Soulshine Jam Band - sábado, dia 27, às 20h
The ramblin' Brothers - domingo, dia 28, às 19h

Serviço:
Ingressos: Todos os shows custam R$50,00 (inteira) / R$25,00 (estudantes, maiores de 60 anos, menores de 21 anos e pessoas com deficiência). O preço do combo para os quatro shows: R$120,00 (valor único)
Indicação etária: 10 anos
Local: Teatro da UFF – Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói, RJ – Tel.: 3674-7512

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Blues Etílicos toca em festival sob a fog de Paranapiacaba

O 19° Festival de Inverno de Paranapiacaba, que acontece nos dias 20, 21, 27 e 28 de julho, será totalmente grátis e neste ano ocupa 19 locais


Para quem nunca foi, taí uma ótima oportunidade para conhecer Paranapiacaba, a vila mais inglesa do Brasil. Situada no meio do caminho entre Santos e São Paulo, Paranapiacaba vai receber nos próximos finais de semana, 20, 21, 27 e 28 de julho, um festival com mais de 70 eventos musicais, gastronômicos e multi-culturais!
O 19° Festival de Inverno de Paranapiacaba será totalmente grátis e neste ano ocupa 19 locais, entre eles, a Biblioteca de Paranapiacaba, a Casa Fox, o Clube União Lyra Serrano e a Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba.
Além da bruma que cobre a vila diariamente a partir das 16h, os visitantes acompanharão oficinas, intervenções de artes cênicas, mostra de audiovisual, feiras de artesanato e antiguidades, dança, circo, mostra fotográfica, contação de história e muito mais. 

Segue a programação musical:

Sábado, 20 de julho
Estação Ferroviária
10h – Banda Lira

Palco Mercado
13h – Manatiana
15h – Projeto Tânia Maria 70 Anos
17h – Mulamba 
19h – Harmônicos

Palco Rua Direita
16h – Leandro Segredo 
18h – Coligação Z.E.M. 

Palco Rua Fox
13h – Giallos 
15h – Soulzera 
17h – Rhegency 

Clube União Lyra Serrana (Parceria Sesc Santo André)
15 às 16h – Mayombe 
18 às 19h30 – Tarancón e Raíces de América 

Itinerante
16h – Batuquintal 
Espaço Artistas de Rua
10h às 18h – Geazi Lourenço (violinista)

Domingo, 21
Palco Mercado
13h – Leandro Matos 
15h – Derbaum 
17h – Fabio Kideshi 
19h – Rodrigo Régis e Tata Alves

Palco Rua Direita
14h – Santa Muerte 
16h – Yangos 
18h – Barulhista 

Palco Rua Fox
13h – Ataque à Jugular 
15h – Trio Agrestino 
17h – Duo Maréh 

Clube União Lyra Serrana (Parceria Sesc Santo André)
15h às 16h – Blues de Dois (música)
18h às 19h30 – Blues Etílicos (música)

Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba
15h – Coro da Universidade Federal do ABC – UFABC (música)

Sábado, 27
Palco Mercado
13h – Los Cunhados 
15h – Ana Cacimba 
17h – Xaxado Novo 

Palco Rua Direita
12h – Samba de Roda Nega Duda 
14h – Trio Beijo de Moça 
16h – Monkey Jhayam 
18h – Microdub 

Palco Rua Fox
13h – Fabio Kideshi (música)
15h – Forrobodó do Jabá 
17h – Bia Doxum & Banda 
19h – Giant Jellyfish 

Clube União Lyra Serrana (Parceria Sesc Santo André)
15h às 16h – Motown Songs 
17h às 18h – Toca Raul, com Grupo Ôncalo 
18h às 19h30 – Dom Paulinho Lima 

Itinerante
13h – Cortejo Samba do Pé Vermêio 
16h – The Jazz Brothers 

Domingo, 28
Palco Mercado
13h – Trem Doido (música)
15h – Wallace Oliveira Trio 
17h – Filó Machado Sexteto 
19h – Mestre Lumumba e Banda 

Palco Rua Direita
10h às 14h – J*Z Sound System 
14h – Denise Coelho 
16h – Asfixia Social 
18h – Ciça Marinho 

Palco Rua Fox
13h – The Forest 
15h – O Bardo e O Banjo (música)
17h – Os Brutus (música)

Clube União Lyra Serrana (Parceria Sesc Santo André)
15h às 16h – Bia Góes 
17h às 18h – Toca Raul, com Grupo Ôncalo 

Espaço Artistas de Rua
10h às 18h – Geazi Lourenço (violinista)

Biblioteca Ábia Ferreira Francisco
13h – Grupo de Maracatu Ilê Aláfia 
16h – Groove na Chapa Brass Band 

Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba
15h – Coro da Cidade de Santo André

terça-feira, 16 de julho de 2019

Terrie Odabi solta a voz contra as injustiças

Terrie Odabi e Fred Sunwalk

Texto: Eugênio Martins Jr
Foto: Carlos Calado

Nós, os santistas, sabemos muito bem o que significa a palavra Gentrificação. Nasci aqui e na cidade vivi nos últimos 52 anos, acompanhando suas mudanças políticas, econômicas e culturais.
E a gentrificação aqui imposta – sim ela sempre é vertical -  mostra que quando o poder econômico não tem compromisso com os menos favorecidos, eles sempre são empurrados às margens de tudo: moradia, educação, infra-estrutura, saúde, cultura.
A cantora e compositora Terrie Odabi entende do assunto. Baseada em Oakland, cidade do litoral da Califórnia com quase 400 mil habitantes, considerada uma das mais perigosas do Estados Unidos por causa das gangues, Odabi conta em uma de suas canções, Gentrification Blues, como a cara da população local foi mudando com a chegada dos endinheirados do Vale do Silício.
Essas mesmas pessoas passaram a reclamar às autoridades e exigir que os eventos locais não tocassem mais blues e gospel, como se isso fosse possível. 
Terrie Odabi deu uma resposta no estilo don’t mess with the blues. Escreveu uma música daquelas barulhentas. Nos dois sentidos, canção e letra. 
Os novos vizinhos parecem desconhecer a origem do blues que, desde o começo do século 20, é a própria expressão de uma história de opressão, êxodo e resistência. Não há a menor possibilidade de o blues desaparecer.
Os trabalhos de Terrie Odabi são cheios dessas histórias. 
O EP Evolution of the Blues (2014) mostra como a cantora mergulhou de cabeça estilo musical centenário e como a sua ascenção está sendo rápida. Gentrification Blues abre o CD My Blue Soul (2016), seguida de slows blues sobre relacionamentos e o gospel poderoso Wade In the Water, sempre com o suporte preciso do guitarrista e produtor Kid Andersen.  
Trazida ao Brasil pelo organista Flávio Naves, Terrie Odabi participou de dez shows em bares e festivais, sempre acompanhada por Bruno Falcão (baixo) Fred Barley (bateria), Fred Sunwalk (guitarra) e o próprio Naves. Em um deles, com muita simpatia, me concedeu essa entrevista.


EM - Como foi a tua infância e como chegou ao blues? 
TO – Cheguei tarde no blues. Não cantava blues até seis anos atrás. Cantei jazz, world music, R&B e achava que o blues era para as pessoas velhas porque era o que meus pais ouviam. Mas percebi que tinha alguma coisa a dizer. E que pessoas da minha geração estavam fazendo carreiras no blues. Pensei, “também posso fazer isso”.

EM - Você cantou na igreja?
TO – Não até os trinta anos. Também fui tarde para a igreja. Como outras cantoras, não cresci na igreja. 

EM - Conhecemos Oakland e San Francisco pela cena hippie dessas cidades. Mas Canned Heat, as duas bandas de Janis Joplin, Holding Company e Kozmic Blues e finalmente John Lee Hooker e Etta James também fizeram fama nessa área. Como está a cena blues de lá?
TO – É interessante. Há muitos grupos concentrados na península, em Redwood City, San Mateo, San Jose, em South Bay. As turnês de grandes artistas passam pelos clubes de San Francisco. O Greaseland, estúdio de um dos caras mais importantes do blues atual, Kid Andersen, está lá. Foi onde meu CD My Blues Soul foi produzido.  

EM - Você está sendo comparada a Etta James, o que é um pouco pesado. O que acha disso?
TO – Primeiro. Não pareço em nada com Etta James. Tenho uma voz única e que você não ouve frequentemente...

EM – Talvez a comparação seja pela representatividade na cena local.
TO – Gosto de pensar o seguinte. Meu pai me mostrou a música de Etta James e eu realmente amo. Com o tempo passei admirar aspectos de sua carreira e me inspirar nela. Acho que ela deixou o seu espírito na área de San Francisco e talvez a minha abordagem seja como a dela. Adoro como ela selecionava o que cantava, mas não acho que pareço em nada com ela. (risos)


EM - My Blues Soul, seu álbum de estreia tem a produção de Kid Andersen. Como funcionou essa parceria?
TO – É muito fácil trabalhar com o Kid. Escrevi algumas músicas anos antes, mas quando mostrei ao Kid parece que ele entrou na minha mente e projetou o que eu esperava de cada canção. Ele toca vários instrumentos e é um mestre no que faz. Acho que fizemos um bom trabalho. 

EM - Houve um tempo em que blues e soul eram músicas de protesto. Uma banda de rock que vi fazer um protesto contundente contra a remoção de pessoas foi a nova iorquina Living Color em Open Letter to A Landlord. Você também escreveu sobre os problemas em sua vizinhança em Gentrification Blues. Gostaria que falasse sobre isso.  
TO – Pensei que estava escrevendo uma canção exclusivamente sobre a minha vizinhança em Oakland. O Vale do Silicone produz empregos de alto nível e traz pessoas com alto nível de escolaridade e muitas empresas se mudaram para San Francisco e Bay Area. Os proprietários sempre querem mais dinheiro, mas o que acontece é que a maioria das pessoas não trabalham nesses empregos com salários elevados. Eles acabam não tendo como viver no local onde nasceram. Eles não possuem suas próprias casas e algumas já passaram de um milhão de dólares, é uma média alta. Essa canção nasceu quando li uma matéria num jornal local sobre as pessoas que haviam mudado recentemente para o bairro estavam chamando a polícia para os frequentadores de uma igreja local que já estava lá a setenta anos. Já estávamos gravando o disco quando disse ao Kid que tinha escrito essa canção e ele disse “tudo bem, vamos fazer”. 

EM – É curioso, moro em uma cidade chamada Santos. E lá tem um bairro chamado Marapé que é o bairro do samba. De uns tempos pra cá a vizinhança tem mudado e está acontecendo a mesma coisa. Eles reclamam das manifestações culturais e querem acabar com isso. E a polícia está sempre disposta a intervir, é claro. 
TO – O que acho é que as pessoas que mudam para um local precisam tentar entender a cultura local e se esforçar para respeitar aquelas pessoas que já estavam lá. Eu cantei em um festival na Inglaterra e um rapaz veio para mim chorando e dizendo que aquilo também aconteceu com ele. Ou seja, isso acontece ao redor do mundo.


EM – Nesse momento em que você está no Brasil o Willie Walker também está fazendo uma série de shows por aqui. O que você acha disso? Quero dizer, os artistas de blues vindo tocar cada vez mais com jovens dedicados ao blues no Brasil?
TO – Me deixa muito feliz. Como uma afro-americana fazendo blues nos Estados Unidos nem sempre sou valorizada. Sinto-me bem ao ver como essas pessoas se dedicam a criar essa música. Você sabe, derrubando esses muros. E ver as pessoas no Brasil tocando e vindo aos shows em festival? Como afro-americana sinto que é um lugar onde posso ser o que sou.    

EM – É sua primeira vez no Brasil e esse é o sétimo show da turnê. O que está achando dos shows e dessa viagem?
TO – Uma coisa que eu amo sobre cantar é que eu adoro viajar. E gosto de ver como as pessoas vivem. Uma coisa boa sobre essa turnê é que viajamos muito de carro e pude conhecer diferentes locais do Brasil. Tenho sido tão bem tratada, estou tão honrada de estar aqui. A reputação dos brasileiros é conhecida. Todos que vêm tocar aqui falam sobre isso. A beleza das pessoas. De como gostam de música. 

EM – Teve algum contato com a nossa música?
TO – Ainda não. Mas sei que a música brasileira é muito tocada nos Estados Unidos. Sabia que nós temos carnaval em San Francisco?

EM – Brazilian carnival in San Francisco? Deve ser uma beleza. (risos)