sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Em 2019 Bourbon Street Fest volta ao Ibirapuera

Após as dificuldades nos últimos anos, o festival volta ao parque do Ibirapuera abrindo espaço para que mais pessoas possam curtir a grande música de New Orleans. Os shows acontecem nos dias 29, 30 e 31/08 na casa. E 01/09 no parque, ao ar livre e com entrada gratuita

Bonerama (foto Braden Piper)

Em quinze anos, o festival que tem em seu DNA a música de New Orleans, misturando no mesmo caldeirão o jazz tradicional e o funk, as brass bands e a música gospel das Igrejas, a soul music e o rhythm blues, o zydeco e a cultura da Louisiana, já trouxe a São Paulo dezenas de artistas da cidade berço do jazz.
Nesta edição, três atrações internacionais preenchem o line up, sendo uma delas estreante no festival: a cantora Bobbi Rae, que vem acompanhada da Just Groove, banda do guitarrista brasileiro Igor Prado. Com apenas 25 anos, a cantora, compositora, violonista e poeta é uma novidade no mundo do rhythm & blues norte-americano.
O segundo destaque é a brass band Bonerama, retornando após as apresentações explosivas na festa dos 10 anos do mesmo festival. A banda formada por três trombones, bateria, baixo e guitarra traz o show Bonerama Plays Zeppelin, uma coleção de músicas de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. É funk-soul-rock para ninguém ficar parado.
E a terceira atração internacional é Dwayne Dopsie, o furacão do acordeão retorna com sua banda The Zydeco Hellraisers. Seu estilo totalmente particular e passional traz letras, vocais, composições e texturas sonoras impregnadas de soul, blues e funk. Dwayne e seu acordeão misturam-se ao som da guitarra, baixo, bateria e ao tradicional frotoir – avental de metal, semelhante ao washboard (tábua de lavar roupa), usado como percussão – e juntos incendeiam o palco com o Zydeco de New Orleans.
Nas apresentações gratuitas ao ar livre e nos shows noturnos do Bourbon Street quem dá as boas vindas é a Orleans Street Jazz Band, uma autêntica Street Band que circula entre a plateia e aquece o público antes das atrações principais. Na casa, nos shows noturnos, além das atrações internacionais, Dj Crizz abre a noite de quinta-feira com uma seleção especial feita para o festival, sexta é a vez de Sérgio Della Monica & Nola Jazz e no sábado, Yuri Prado & Mardigras Brass-Zookas, trazem os metais ao melhor tempero e sabor de New Orleans, antes da atração principal da noite.
Criado e produzido por uma das melhores casas de jazz do mundo – o Bourbon Street Music Club, de São Paulo, que completou 25 anos em 2018 – o Festival conta com o apoio da Prefeitura de São Paulo e Secretaria de Cultura através do PRO-MAC - Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais.

Se liga na programação:

No Bourbon Street Music Club, na rua dos Chanés, 127 - Moema SP  

29/08 Quinta-feira
20h30 – Dj Crizz
21h30 – Orleans Street Jazz Band
22h30 – Bobbi Rae & Just Groove feat Igor Prado

30/08 Sexta-feira
21h30 – Orleans Street Jazz Band
22h30 – Sérgio Della Mônica & Nola Jazz
23h30 – Bonerama (Bonerama plays Zeppelin)

31/08 Sábado
21h30 – Orleans Street Jazz Band
22h30 – Yuri Prado & Mardigras Brass-Zookas
00h00 – Dwayne Dopsie & The Zydeco Hellraisers

Yuri Prado & Mardigras Brass-Zookas

 Parque do Ibirapuera - Show grátis

01/09 Domingo
12h30 – Dj Crizz
13h00 – Orleans Street Jazz Band
13h30 – Bobbi Rae & Just Groove feat Igor Prado
14h30 – Orleans Street Jazz Band
15h00 – Bonerama (Bonerama plays Zeppelin)

16h30 – Dwayne Dopsie & The Zydeco Hellraisers

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Banda seminal do punk/eletrônico brasileiro, a santista Harry, ganha documentário



Texto: Eugênio Martins Jr
Fotos: Divulgação

Em março de 2017, últimos dias de vida de Johnny Hansen, cultuado e controverso vocalista da banda santista Harry, nos encontramos algumas vezes para juntar a documentação necessária para produzir o documentário que até então só existia na nossa cabeça, O Caos no Céu Cinza – nome dado pelo Hansen. 
Alguns dias depois de entregarmos o projeto na Secretária de Cultura, dentro do Facult, edital de financiamento local, Hansen sofreu um ataque cardíaco fatal que lhe tirou a vida.
Meses se passaram até o dia que recebi o telefonema do Dino Menezes, o co-produtor do filme me dando os parabéns por ter conseguido o financiamento. 
Confesso que já havia esquecido desse lance e fiquei alguns minutos olhando pra TV e pensando: “E agora, que porra que eu vou fazer?”.  
Marquei com a banda que estava juntando os pedaços após quase um ano sem tocar juntos e contei toda a história. A galera curtiu a ideia e toparam fazer. Meti as caras. 
Dois anos depois o documentário está aí. Recheado de entrevistas com os músicos originais e os atuais, contando a história da banda, falando sobre os discos iniciais que arranharam a pureza do pop rock nacional dos anos 80 e falando sobre o Hansen. 
Sou novato nesse negócio de fazer filme e assumo todas as falhas. Mas, assim como elas vão aparecer, meu coração também vai estar lá na tela. Agradeço à banda, aos entrevistados, ao Digo Maransaldi, parceiro incansável, e ao Dino Menezes pela paciência em me aturar e, por último, agradeço à minha paciência por ter de aturar o Dino.    
Harry foi uma banda santista criada na época em que o maior porto do país também era o maior exportador de vírus HIV do Brasil. Muito por causa das drogas consumidas pela galera.
Cubatão era uma das cidades mais poluídas do mundo, onde o nascimento de crianças com anencefalia, principalmente na Vila Parisi, vinha aumentando e onde aconteceu uma das maiores tragédias do país naquela época, o incêndio da Vila Socó, vitimando centenas de moradores. 
O crescimento das favelas era proporcional com o aumento dos assassinatos em São Vicente. Sem contar o descarte criminoso pela empresa Rhódia de pentaclorofenol, o pó da china, composto químico altamente tóxico, nos bairros da Área Continental de SV.    
Em meio essas tragédias nasceu o Harry e muitos de seus temas refletem essa barra pesadíssima que era a Baixada Santista. 
As paredes de guitarras, e depois de aparelhos eletrônicos que ao longo do tempo também serviu para separar os integrantes por divergências musicais, ficarão marcados na história torta do rock nacional eternamente como seu lado B.
Com o recurso que recebi, e ainda pondo algum do próprio bolso, consegui contar um pouco dessa história. Antes de qualquer coisa, sou fã da banda e acho que devia esse tributo ao Johnny Hansen que, como o amigo Werner Brucha diz no filme, não recebeu em vida o valor que merecia como músico.
Esperar o que no país  do monopólio das cinco emissoras de TV e dos cinco jornais?
Hoje, Cesar Di Giacomo (bateria e vocal) Johnson (teclados e vocal), Lee Luthier (baixo e vocal) e Marcelo Marreco (guitarra), continuam sem o Hansen e se preparam para lançar um novo CD, ainda com músicas compostas, cantadas e tocadas por ele. O CD se chama Dark Passenger e foi produzido pelo selo Fiber Records. 

Por exigência do edital do Facult e pedido da banda, os locais escolhidos foram o Museu da Imagem e do Som de Santos, duas sessões, e o Cine Arte Posto 4, uma sessão. São lugares com pouca capacidade de público, mas caso seja necessário faremos em mais datas. As exibições serão em 16 e 23 de agosto no MISS e 30 de agosto no Cine Arte. A entrada é gratuita.

Documentário Caos no Céu Cinza 2019 - arte; Digo Design

Show Caos no Céu Cinza - Sesc Santos 2018 - arte Digo Design

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Morre Art Neville, fundador dos Meters e Neville Brothers

Art Neville (foto: David Grunfeld NOLA.com/The Times-Picayune)

Na segunda-feira, dia 22 de julho, 46 dias após a morte de Dr John, um dos pilares de música de New Orleans, morreu o tecladista e cantor, Art Neville, co-fundador dos The Meters e Neville Brothers. 
Conheci a arte de Art Neville quando os discos do Neville Brothers chegaram ao Brasil nos anos 80. 
Não eram discos comuns. A mistura do jazz com o funk, a soul music, o pop, o rock e, principalmente, o engajamento político das letras de Yellow Moon (1989) e Brother’s Keeper (1990), mostraram ao mundo que o jazz de New Orleans estava mais vivo do que nunca.
E abriram a mente da audiência para os novos rumos da música feita na cidade/porto, que por séculos foi a porta de entrada de estrangeiros da Europa e da África.
Os irmãos Neville, Art, Charles, Cyril e Aaron, fazem parte da tradição de famílias muspcais da cidade e estavam na lida desde os anos 60.
Mas Art foi o primeiro dos irmão a gravar um disco, em 1954, quando sua banda do ginásio, Hawketts, lançou Mardi Gras Mambo.
As carreiras solos dos irmãos sempre correram paralelas até o advento Neville Brothers, mas Art Neville chegou a liderar uma das bandas mais legais de New Orleans, os afamados The Meters.
Recentemente foi vítima de um AVC que o deixou com problemas de mobilidade. Em 2018, quando os Meters receberam um prêmio pelo conjunto da obra, Art não pode comparecer na cerimonia e no fim do ano anunciou sua aposentadoria.
Art Neville morreu em casa, ao lado da família. A causa não foi divulgada.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Oito anos de Santos Jazz Festival

Bocato, Nuno Mindelis, Funk como Le Gusta, Pedro Bara, Sandra Sá, Ellen Oléria e Alma Thomas se apresentam, em Santos entre os dias 25 e 28 de julho

Nuno Mindelis

Tradicionalmente o Santos Jazz Festival presta homenagens a ícones do jazz e esse ano o tema de abertura será Nina Simone e a Música Que Vem da Alma. Numa seleção de clássicos que vai do tradicional ao soul, Alma Thomas & Ellen Oléria emprestam voz ao projeto.
Esse ano o festival também aposta nas fusões de ritmos, misturando tudo no mesmo balaio: soul, jazz tradicional, blues e DJs.
O “Jazz para Crianças” acontece no histórico Museu do Café durante o festival. E esse ano o SJF conta com o projeto de inclusão cultural com o lançamento da LMC (Lar das Moças Cegas) Big Band.
Também haverá as oficinas para músicos e interessados e espaço para as crianças.
O festival conta com patrocínios captados via Lei de Incentivo Federal e tudo é grátis.

Segue programação:

Quinta-feira, dia 25\07
Teatro do Sesc Santos – Abertura
21h – Show de Alma Thomas (EUA)& Ellen Oléria – Tributo à Nina Simone

Sexta, dia 26\07
Arcos do Valongo
19h - João Maria & Banda - João canta Donato -
20h30- Bocato, Cuca Teixeira, Glécio Nascimento  e Michel Leme - BCGM Jam
22h – Ritchie & Blacktie – The Songs of Paul Simon
23h30- Funk Como Le Gusta - Festa dos 20 anos de carreira

Sesc Santos Santos – Oficinas no Auditório
14h – Bocato - O Sopro no Jazz

Shopping Pátio Iporanga
13h – Duo Cancello, com Theo e Daniel Cancello

Sábado, dia 27\07
Arcos do Valongo
13h– DJ Manuth - DJ& VDJ Santos Jazz - 
13h30 -BBoys & BGirls - Batalha de Danças Urbanas
15h – Jazz em Versos – Batalha de Poesia
15h30 – Especial Jamy Winehouse (Tributo à Amy Winehouse)
17h - Maurício Fernandez GIG
18h30 – Alba Santos (Espanha) & AnielSomeillan (Cuba)
20h – Xênia França & Banda
22h – Projeto DJ’s JAZZ – DJ Erick Jay + DJ RM & Cuca Teixeira Trio – participação especial da cantora Mayarah Magalhães
23h30 - Sandra de Sá & Elas
01h-  Festa Black Jazz - Dj Hum & Erick Jay

Sesc Santos – Oficinas no Auditório
11h – O Contrabaixo Cubano – Aniel Someillan
14h – Bateria e Improvisação – Cuca Teixeira

Shopping Pátio Iporanga
13 h – Adolfo Mendonça & Washington Ciocci

Bonde Arte
15h e 16h – Luiz Oliveira & Carla Mariani

Museu do Café – Jazz para Crianças
11h às 17h – Espaço Infantil “Café com Leite” (Fazendinha, Contação de Histórias e Oficina de “mini barista”)
13h- Oficina “Jazz para Crianças”, com Zero Beto 
14h30 -Espetáculo “Banda de um Homem Só”
15h – Projeto “Pra ver a Banda passar” - Grupo de Flauta Doce (Seduc Santos)
15h30 - Oficina de Minibarista

Domingo, dia 28\07
Arcos do Valongo
13h – Jazz na Rua (Lindy Hop) - Aula Aberta de Dança
14h30 – Big Band LMC & Mauricio Fernandes (Lar das Moças Cegas)
15h – Banda Fizz Jazz
16h– Marcos Nóbrega Quarteto - Tributo a Nat King Cole 
17h30 – Tony Gordon & Banda
19h – Pedro Bara & Banda
20h – Nuno Mindelis & Banda   

Bonde Arte
15h e 16h – Luiz Oliveira & Carla Mariani

Museu do Café – Jazz Para Crianças
11h às 17h – Espaço Infantil “Café com Leite” (Fazendinha, Contação de Histórias e Oficina de “mini barista”)
14h30 – Espetáculo Infantil  "A Magia da Música" -Homenagem à Hermeto Pascoal
15h30 Varandinha Pedagógica – contação de histórías

Shopping Pátio Iporanga
13h – Conrado Pouza canta João Gilberto  - participação Fabiano Guedes

Sesc Santos – Oficinas no Auditório
11h – A Arte Musical de Nuno Mindelis

Jazz em Cores - De 26 a 28\07 no Arcos do Valongo
Exposição de cartazes dos alunos do Curso Design e Multimídia  – Coordenação Márcia Okida.
Live Paint -  5 artistas urbanos construirão painéis ao vivo, durante os shows
É necessária inscrição prévia para as oficinas do Sesc - Limite de 50 vagas

quinta-feira, 18 de julho de 2019

A 5ª edição do festival Tudo Blues acontece em Niterói/RJ

Ramblin' Brothers

Esse ano o evento será em quatro dias, 25 a 28 de julho, no Teatro da UFF, em vez dos oito habituais, mas a organização promete não abrir mão da energia positiva em comemoração aos cinco anos de existência.  
O cast inclui o veterano Victor Biglione, o gaitista Jefferson Gonçalves e as bandas Soulshine Jam Band e The Ramblin’ Brothers. Todos do Rio.

Victor Biglione Power Trio - acompanhado dos músicos Jorge Pescara (baixo) e Fábio Cezanne (bateria), Biglione faz um show que trata de uma época riquíssima culturalmente, principalmente no rock e no resgate britânico do blues, os utópicos e criativos anos sessenta. No radar, Rolling Stones, Jeff Beck Group, B.B. King, Led Zeppelin, Deep Purple, Santana, Beatles, Jimmy Hendrix, Cream, Fleetwood Mac entre outros. Biglione possui um forte histórico no rock e no blues, nacional e internacional, tocando e gravando com A Cor do Som, Andreas Kisser (Sepultura), Edgar Scandura (Ira), Banda Black Rio, Blues Etílicos, Big Gilson, Cássia Eller, Cazuza, Sergio Dias (Mutantes), Serguei e Andy Summers (The Police) e outros. 

Jefferson Gonçalves e Banda -  é uma das principais referências dentro do cenário da gaita no Brasil. Seu trabalho já foi elogiado por vários músicos, revistas e sites internacionais. Com seu estilo inconfundível e original consolida de vez sua competência e criatividade fazendo misturas autênticas, onde estilos diferentes se unem para criar uma atmosfera tipicamente brasileira, sua gaita mistura a música negra norte americana e o regionalismo dos ritmos nordestinos como o forró, o baião, o xaxado, o maracatu, entre outros.
       
Soulshine Jam Band - Formada por André Santanna (guitarra, baixo e backing vocal), Greg Wilson (guitarra e voz), Ricardo Romão (violão, guitarra e voz), João Pompeo (teclado, piano e baixo), Rodrigo Machado (bateria e backing vocal) e Guilherme Bedran (violino), a banda tem o objetivo de criar uma autêntica jam session band, com improvisos, solos  e arranjos próprios, algo novo que possa chegar de forma requintada ao público. Apresenta composições próprias e homenagens a grandes músicos e bandas, como George Harrison, Donavon, JJ Cale, Eric Clapton, Greg Allman, Greatfull Dead, Doobie Brothers, The Band, Santana e The Doors.

The Ramblin' Brothers - Com o repertório dedicado ao The Allman Brothers Band, Alexandre Barcelos (guitarra), Kleber Dias (guitarra e voz), Fabio Mesquita (baixo), Ricardo Magoo (órgão) e Marco BZ (bateria), apresentam Statesboro Blues, Jessica, Melissa, Whipping Post e Dreams, entre outras. A Ramblin’ Brothers é formada por músicos que já estão com mais de vinte cinco anos na estrada do blues e do rock, vindo de bandas consagradas no cenário brasileiro, como Baseado em Blues, Suburblues e Blues Power.

Segue programação: 
Victor Biglione, quinta-feira, dia 25, às 20h
Jefferson Gonçalves e Banda, sexta, dia 26, às 20h
Soulshine Jam Band - sábado, dia 27, às 20h
The ramblin' Brothers - domingo, dia 28, às 19h

Serviço:
Ingressos: Todos os shows custam R$50,00 (inteira) / R$25,00 (estudantes, maiores de 60 anos, menores de 21 anos e pessoas com deficiência). O preço do combo para os quatro shows: R$120,00 (valor único)
Indicação etária: 10 anos
Local: Teatro da UFF – Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói, RJ – Tel.: 3674-7512

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Blues Etílicos toca em festival sob a fog de Paranapiacaba

O 19° Festival de Inverno de Paranapiacaba, que acontece nos dias 20, 21, 27 e 28 de julho, será totalmente grátis e neste ano ocupa 19 locais


Para quem nunca foi, taí uma ótima oportunidade para conhecer Paranapiacaba, a vila mais inglesa do Brasil. Situada no meio do caminho entre Santos e São Paulo, Paranapiacaba vai receber nos próximos finais de semana, 20, 21, 27 e 28 de julho, um festival com mais de 70 eventos musicais, gastronômicos e multi-culturais!
O 19° Festival de Inverno de Paranapiacaba será totalmente grátis e neste ano ocupa 19 locais, entre eles, a Biblioteca de Paranapiacaba, a Casa Fox, o Clube União Lyra Serrano e a Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba.
Além da bruma que cobre a vila diariamente a partir das 16h, os visitantes acompanharão oficinas, intervenções de artes cênicas, mostra de audiovisual, feiras de artesanato e antiguidades, dança, circo, mostra fotográfica, contação de história e muito mais. 

Segue a programação musical:

Sábado, 20 de julho
Estação Ferroviária
10h – Banda Lira

Palco Mercado
13h – Manatiana
15h – Projeto Tânia Maria 70 Anos
17h – Mulamba 
19h – Harmônicos

Palco Rua Direita
16h – Leandro Segredo 
18h – Coligação Z.E.M. 

Palco Rua Fox
13h – Giallos 
15h – Soulzera 
17h – Rhegency 

Clube União Lyra Serrana (Parceria Sesc Santo André)
15 às 16h – Mayombe 
18 às 19h30 – Tarancón e Raíces de América 

Itinerante
16h – Batuquintal 
Espaço Artistas de Rua
10h às 18h – Geazi Lourenço (violinista)

Domingo, 21
Palco Mercado
13h – Leandro Matos 
15h – Derbaum 
17h – Fabio Kideshi 
19h – Rodrigo Régis e Tata Alves

Palco Rua Direita
14h – Santa Muerte 
16h – Yangos 
18h – Barulhista 

Palco Rua Fox
13h – Ataque à Jugular 
15h – Trio Agrestino 
17h – Duo Maréh 

Clube União Lyra Serrana (Parceria Sesc Santo André)
15h às 16h – Blues de Dois (música)
18h às 19h30 – Blues Etílicos (música)

Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba
15h – Coro da Universidade Federal do ABC – UFABC (música)

Sábado, 27
Palco Mercado
13h – Los Cunhados 
15h – Ana Cacimba 
17h – Xaxado Novo 

Palco Rua Direita
12h – Samba de Roda Nega Duda 
14h – Trio Beijo de Moça 
16h – Monkey Jhayam 
18h – Microdub 

Palco Rua Fox
13h – Fabio Kideshi (música)
15h – Forrobodó do Jabá 
17h – Bia Doxum & Banda 
19h – Giant Jellyfish 

Clube União Lyra Serrana (Parceria Sesc Santo André)
15h às 16h – Motown Songs 
17h às 18h – Toca Raul, com Grupo Ôncalo 
18h às 19h30 – Dom Paulinho Lima 

Itinerante
13h – Cortejo Samba do Pé Vermêio 
16h – The Jazz Brothers 

Domingo, 28
Palco Mercado
13h – Trem Doido (música)
15h – Wallace Oliveira Trio 
17h – Filó Machado Sexteto 
19h – Mestre Lumumba e Banda 

Palco Rua Direita
10h às 14h – J*Z Sound System 
14h – Denise Coelho 
16h – Asfixia Social 
18h – Ciça Marinho 

Palco Rua Fox
13h – The Forest 
15h – O Bardo e O Banjo (música)
17h – Os Brutus (música)

Clube União Lyra Serrana (Parceria Sesc Santo André)
15h às 16h – Bia Góes 
17h às 18h – Toca Raul, com Grupo Ôncalo 

Espaço Artistas de Rua
10h às 18h – Geazi Lourenço (violinista)

Biblioteca Ábia Ferreira Francisco
13h – Grupo de Maracatu Ilê Aláfia 
16h – Groove na Chapa Brass Band 

Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba
15h – Coro da Cidade de Santo André

terça-feira, 16 de julho de 2019

Terrie Odabi solta a voz contra as injustiças

Terrie Odabi e Fred Sunwalk

Texto: Eugênio Martins Jr
Foto: Carlos Calado

Nós, os santistas, sabemos muito bem o que significa a palavra Gentrificação. Nasci aqui e na cidade vivi nos últimos 52 anos, acompanhando suas mudanças políticas, econômicas e culturais.
E a gentrificação aqui imposta – sim ela sempre é vertical -  mostra que quando o poder econômico não tem compromisso com os menos favorecidos, eles sempre são empurrados às margens de tudo: moradia, educação, infra-estrutura, saúde, cultura.
A cantora e compositora Terrie Odabi entende do assunto. Baseada em Oakland, cidade do litoral da Califórnia com quase 400 mil habitantes, considerada uma das mais perigosas do Estados Unidos por causa das gangues, Odabi conta em uma de suas canções, Gentrification Blues, como a cara da população local foi mudando com a chegada dos endinheirados do Vale do Silício.
Essas mesmas pessoas passaram a reclamar às autoridades e exigir que os eventos locais não tocassem mais blues e gospel, como se isso fosse possível. 
Terrie Odabi deu uma resposta no estilo don’t mess with the blues. Escreveu uma música daquelas barulhentas. Nos dois sentidos, canção e letra. 
Os novos vizinhos parecem desconhecer a origem do blues que, desde o começo do século 20, é a própria expressão de uma história de opressão, êxodo e resistência. Não há a menor possibilidade de o blues desaparecer.
Os trabalhos de Terrie Odabi são cheios dessas histórias. 
O EP Evolution of the Blues (2014) mostra como a cantora mergulhou de cabeça estilo musical centenário e como a sua ascenção está sendo rápida. Gentrification Blues abre o CD My Blue Soul (2016), seguida de slows blues sobre relacionamentos e o gospel poderoso Wade In the Water, sempre com o suporte preciso do guitarrista e produtor Kid Andersen.  
Trazida ao Brasil pelo organista Flávio Naves, Terrie Odabi participou de dez shows em bares e festivais, sempre acompanhada por Bruno Falcão (baixo) Fred Barley (bateria), Fred Sunwalk (guitarra) e o próprio Naves. Em um deles, com muita simpatia, me concedeu essa entrevista.


EM - Como foi a tua infância e como chegou ao blues? 
TO – Cheguei tarde no blues. Não cantava blues até seis anos atrás. Cantei jazz, world music, R&B e achava que o blues era para as pessoas velhas porque era o que meus pais ouviam. Mas percebi que tinha alguma coisa a dizer. E que pessoas da minha geração estavam fazendo carreiras no blues. Pensei, “também posso fazer isso”.

EM - Você cantou na igreja?
TO – Não até os trinta anos. Também fui tarde para a igreja. Como outras cantoras, não cresci na igreja. 

EM - Conhecemos Oakland e San Francisco pela cena hippie dessas cidades. Mas Canned Heat, as duas bandas de Janis Joplin, Holding Company e Kozmic Blues e finalmente John Lee Hooker e Etta James também fizeram fama nessa área. Como está a cena blues de lá?
TO – É interessante. Há muitos grupos concentrados na península, em Redwood City, San Mateo, San Jose, em South Bay. As turnês de grandes artistas passam pelos clubes de San Francisco. O Greaseland, estúdio de um dos caras mais importantes do blues atual, Kid Andersen, está lá. Foi onde meu CD My Blues Soul foi produzido.  

EM - Você está sendo comparada a Etta James, o que é um pouco pesado. O que acha disso?
TO – Primeiro. Não pareço em nada com Etta James. Tenho uma voz única e que você não ouve frequentemente...

EM – Talvez a comparação seja pela representatividade na cena local.
TO – Gosto de pensar o seguinte. Meu pai me mostrou a música de Etta James e eu realmente amo. Com o tempo passei admirar aspectos de sua carreira e me inspirar nela. Acho que ela deixou o seu espírito na área de San Francisco e talvez a minha abordagem seja como a dela. Adoro como ela selecionava o que cantava, mas não acho que pareço em nada com ela. (risos)


EM - My Blues Soul, seu álbum de estreia tem a produção de Kid Andersen. Como funcionou essa parceria?
TO – É muito fácil trabalhar com o Kid. Escrevi algumas músicas anos antes, mas quando mostrei ao Kid parece que ele entrou na minha mente e projetou o que eu esperava de cada canção. Ele toca vários instrumentos e é um mestre no que faz. Acho que fizemos um bom trabalho. 

EM - Houve um tempo em que blues e soul eram músicas de protesto. Uma banda de rock que vi fazer um protesto contundente contra a remoção de pessoas foi a nova iorquina Living Color em Open Letter to A Landlord. Você também escreveu sobre os problemas em sua vizinhança em Gentrification Blues. Gostaria que falasse sobre isso.  
TO – Pensei que estava escrevendo uma canção exclusivamente sobre a minha vizinhança em Oakland. O Vale do Silicone produz empregos de alto nível e traz pessoas com alto nível de escolaridade e muitas empresas se mudaram para San Francisco e Bay Area. Os proprietários sempre querem mais dinheiro, mas o que acontece é que a maioria das pessoas não trabalham nesses empregos com salários elevados. Eles acabam não tendo como viver no local onde nasceram. Eles não possuem suas próprias casas e algumas já passaram de um milhão de dólares, é uma média alta. Essa canção nasceu quando li uma matéria num jornal local sobre as pessoas que haviam mudado recentemente para o bairro estavam chamando a polícia para os frequentadores de uma igreja local que já estava lá a setenta anos. Já estávamos gravando o disco quando disse ao Kid que tinha escrito essa canção e ele disse “tudo bem, vamos fazer”. 

EM – É curioso, moro em uma cidade chamada Santos. E lá tem um bairro chamado Marapé que é o bairro do samba. De uns tempos pra cá a vizinhança tem mudado e está acontecendo a mesma coisa. Eles reclamam das manifestações culturais e querem acabar com isso. E a polícia está sempre disposta a intervir, é claro. 
TO – O que acho é que as pessoas que mudam para um local precisam tentar entender a cultura local e se esforçar para respeitar aquelas pessoas que já estavam lá. Eu cantei em um festival na Inglaterra e um rapaz veio para mim chorando e dizendo que aquilo também aconteceu com ele. Ou seja, isso acontece ao redor do mundo.


EM – Nesse momento em que você está no Brasil o Willie Walker também está fazendo uma série de shows por aqui. O que você acha disso? Quero dizer, os artistas de blues vindo tocar cada vez mais com jovens dedicados ao blues no Brasil?
TO – Me deixa muito feliz. Como uma afro-americana fazendo blues nos Estados Unidos nem sempre sou valorizada. Sinto-me bem ao ver como essas pessoas se dedicam a criar essa música. Você sabe, derrubando esses muros. E ver as pessoas no Brasil tocando e vindo aos shows em festival? Como afro-americana sinto que é um lugar onde posso ser o que sou.    

EM – É sua primeira vez no Brasil e esse é o sétimo show da turnê. O que está achando dos shows e dessa viagem?
TO – Uma coisa que eu amo sobre cantar é que eu adoro viajar. E gosto de ver como as pessoas vivem. Uma coisa boa sobre essa turnê é que viajamos muito de carro e pude conhecer diferentes locais do Brasil. Tenho sido tão bem tratada, estou tão honrada de estar aqui. A reputação dos brasileiros é conhecida. Todos que vêm tocar aqui falam sobre isso. A beleza das pessoas. De como gostam de música. 

EM – Teve algum contato com a nossa música?
TO – Ainda não. Mas sei que a música brasileira é muito tocada nos Estados Unidos. Sabia que nós temos carnaval em San Francisco?

EM – Brazilian carnival in San Francisco? Deve ser uma beleza. (risos)



segunda-feira, 15 de julho de 2019

A simpática Arraial do Cabo sedia 2º Festival de Jazz e Blues gratuito

Ed Motta

Amantes do blues e jazz tem programa para o próximo final de semana, 19, 20 e 21 de julho, sempre a partir das 18h.
A orla da Praia Grande, em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio Janeiro, será palco da segunda edição do Festival de Jazz e Blues. 
Entre as atrações nacionais e internacionais, estão confirmados os shows do cantor Ed Motta; a banda Blues Etílicos; o bluesman americano Lorenzo Thompson; da cantora Jane Duboc; do grupo Blues Etílicos e dos guitarristas Léo Barreto e Luiz Carlini.
O evento também recebe beer trucks, estandes de gastronomia e atividades para crianças.

Segue a programação musical:

Sexta-feira, 19
Ed Motta;
Gabriel Fiorito;
Beto Saroldi;
Luiz Carlini.

Sábado, 20
Alberto TC e Léo Barreto;
Blues Etílicos;
Lorenzo Thompson.

Domingo, 21
Coral Falando de Amor;
Música Sem Frescura;
Fábio Rezental e Jane Duboc (tributo a Milton Nascimento)

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Festival BB Seguros de Blues e Jazz dá tiro de canhão e acerta em cheio com Robert Cray, Thiago Espírito Santos e Maurício Einhorn e Sérgio Dias e Luiz Carlini

Festival gratuito acontece no dia 27 de julho no parque Villa Lobos em SP. Ricardo Herz Trio e Dynamic Jazz Quartet também tocam no evento

Maurício Einhorn (foto Cezar Fernandes)

O que é legal no Festival BB Seguros, que está na quinta edição, é a itinerância. Esse ano, o evento que já acontece em São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Recife, Curitiba e Belo Horizonte, chega em Manaus e Goiânia, aumentando sua abrangência em cinco regiões do país. Estima-se que o BB Seguros tenha apresentado 132 shows a 324 mil pessoas.
Os shows são realizados ao ar livre
Desde 2015, em sua edição inaugural, o Festival BB Seguros de Blues e Jazz apresentou grandes nomes, entre eles, Larry McCray (produzido pelo Mannish Blog e Lucas Shows), Stanley Jordan, Al Di Meola, Hermeto Pascoal, Pepeu Gomes, Lil´Jimmy Reed, Louis Walker, Wallace Roney Quintet, Blues Etílicos, Hamilton de Holanda, Leo Gandelman, Steve Guyger, Toninho Horta, Renato Borghetti, entre outros, com ótima repercussão.
O projeto é realizado via Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal e produzido pela Manolo Produções.

Segue a programação:
11h - Festival BB Seguros Brass Band
11h35 - Dynamic Jazz Quartet
12h40 - Tributo a Eric Clapton
13h45 - Ricardo Herz Trio
14h50 - Thiago Espirito Santo convida Maurício Einhorn
16h10 - Sérgio Dias convida Luiz Carlini
17h30 - The Robert Cray Band

Além das atrações musicais, haverá a programação infantil entre 11 e 16h. A programação inclui oficina de desenho e colagem, oficina de malabares, pintura artística facial, escultura de balão. Tudo grátis.

Robert Cray - Referência mundial do blues, premiado com cinco Grammys, o músico se apresenta em quatro shows no país com sua super banda a Hi Rythmn. Com mais de 40 anos de carreira, Cray brinda os fãs brasileiros com apresentações em São Paulo e Brasília, no sábado 03 de agosto, no Parque da Cidade, ambos gratuitos. No dia em 31 o show será em Belo Horizonte, no Grande Teatro do Palácio das Artes e dia 02 de agosto estará no Rio de Janeiro para única apresentação no Vivo Rio.

Thiago Espirito Santo recebe Maurício Einhorn - Pra Te Fazer Sonhar é o mais novo trabalho de Thiago Espirito Santo, recheado de composições próprias, entre valsas, baladas e sambas, o disco mostra a maturidade dessa nova fase do artista, expressando um outro significado no tocar.
Thiago gravou contrabaixo, guitarras e violões e reuniu seus “Irmãos de Som”, Cuca Teixeira na bateria, Bruno Cardozo no piano e teclados, além de convidados especialíssimos, que fazem parte da sua história desde os primeiros anos de vida e pontuam as faixas do disco.
Para essa especial apresentação Thiago recebe, como convidado especial, uma das maiores referências mundiais no jazz, o trombonista Raul de Souza! No alto de seus 84 anos, Raul se junta ao grupo de Thiago para apresentar algumas de suas próprias composições.
Para esse show inédito, Thiago recebe uma sumidade da música mundial, respeitado no Brasil e no exterior, considerado um dos mais importantes instrumentistas de gaita de boca, Mauricio Einhorn. Nos seus 87 anos de vida, Mauricio é o compositor parceiro de Durval Ferreira em músicas como Batida Diferente e Estamos Aí. Trata-se de dois standards do repertório do sambajazz, regravados no mundo todo.

Sérgio Dias - Em 1980, à convite do produtor Eddie Offord (banda Yes), Sérgio Dias foi morar nos Estados Unidos onde gravou seu primeiro disco solo homônimo. Por dez anos em Nova York conviveu com Gil Evans, John McLaughlin, Manolo Badrena, Michael Brecker, David Sanborn, Jeremy Steig e Jaco Pastorius, exatamente na fase "brasileira" do Weather Report, ao mesmo tempo que dividia apartamento com L. Shankar e Fernando Saunders. Com os parceiros e mais TM Stevens, formou a banda “Unit”, e passou a tocar em diversos locais de Manhattan. Após a Unit, Sérgio formou a “Steps Of Imagination”, ao lado de Danny Gotlieb, Marcos Silva e TM Stevens. Com a entrada de Airto Moreira e Flora Purim, o nome mudou para Airto e Flora and The Steps Of Imagination.
Em 1985, se apresenta no Brasil com seu show instrumental no Free Jazz Festival do Rio e São Paulo, ao lado de estrelas como Chet Baker, Egberto Gismonti, Pat Metheny e Bob McFerrin. Em julho de 1986 faz uma temporada na extinta casa “Jazzmania”, localizada no Arpoador /RJ e grava ao vivo uma das apresentações. Em 2003 a gravação é resgatada e masterizada, 17 anos depois é lançado em CD e intitulado: Jazz Mania Live.
Este show volta agora ao palco no BB Seguros. Em grande estilo o repertório é executado na formação quinteto (guitarra, bateria, teclados, baixo e sax). No set list, Janeth & Steve -  homenagem aos amigos Janeth e Steve Reynolds, que apresentaram a NASA ao músico quando ele excursionava por Houston - Suíte Para Filemón Y La Gorda, uma introdução na linha do UK Columbia, uma viagem em homenagem a NASA, com a guitarra relembra as canções de O A E O Z, ganhando o clima jazzístico com a entrada de sax. A sensual Sabor Caballero trazendo um clima todo tropical, Brazilian New Wave, um samba-jazz, Twilight In Tunisia finalizando com mais algumas surpresas que prometem deixar o público nas nuvens.
Com participação especial de Luiz Carlini, Sérgio Dias relembra sua fase jazzística que viveu nos anos 80.

Luiz Carlini - Junto com Lee Marcucci e Emilson Colantonio formou a banda Tutti Frutti que, durante os anos 70 gravou e tocou com Rita Lee, compondo e participando das gravações de alguns dos maiores sucessos da cantora, como Esse Tal de Roque Enrow, Agora Só Falta Você, Corista de Rock e Ovelha Negra, que tem em seu final o mais popular solo da carreira do guitarrista. Carlini foi também o guitarrista solo do Camisa de Vênus na volta do grupo em meados da década de 90.
Considerado um dos maiores guitarristas brasileiros da história do rock, desde o fim oficial da banda no começo dos anos 80, Carlini é um dos guitarristas mais ativos e conceituados da história recente da música brasileira, tendo participado de mais de 400 discos de cantores e músicos diversos como Barão Vermelho, Titãs, Radio Taxi, Vanguart, Filipe Catto, Marcelo Nova, Supla, Erasmo Carlos e Lobão. No Festival BB Seguros de Blues e Jazz é convidado de Sérgio Dias para um encontro histórico entre dois dos maiores guitarristas do Brasil.

Ricardo Herz Trio - Sua técnica leva ao instrumento, o violino, o resfolego da sanfona, o ronco da rabeca e as belas melodias do choro tradicional e moderno. Com a influência de Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Egberto Gismonti, Jacob do Bandolim entre outros, o violinista mistura ritmos brasileiros, africanos e o sentido de improvisação do jazz mostrando a influência dos 9 anos em que viveu na França. Dali levou sua música para os 4 cantos do mundo: tocou em Festivais na Malásia, no México, na Holanda, em clubes de Jazz na Rússia, em Israel, na Dinamarca e gravou com músicos de diversos países.
De volta ao Brasil desde 2010, Herz tem participado de muitos projetos e colaborado com músicos e se apresentando como solista com orquestras de todo o país, como Yamandú Costa, Dominguinhos, Nelson Ayres, Proveta, Orquestra Jazz Sinfônica, Orquestra Sinfônica de João Pessoa, Orquestra Municipal de Jundiaí, Grupos de Referência do Projeto Guri, Orquestra Filarmônica de Violas, Orquestra Breusil entre outros.

O Bando com Tributo a Eric Clapton - O grupo O Bando, faz parte da história do Festival BB Seguros, acompanhando o projeto desde o início, apresentando um novo e especial show a cada nova edição. O Bando mostra que Minas Gerais é berço de grandes talentos musicais, é o coração do Clube da Esquina, mas, entre as montanhas de Minas também pulsam fortes estilos como o blues e o rock and roll. Os mineiros já se apresentaram ao lado de nomes como Os Paralamas do Sucesso no Circuito Brasil Musical, em João Pessoa (PB), entre outros.
Para a apresentação na 5ª edição do festival, Felipe Duarte (guitarra), Bruno Morais (guitarra), Alessandro Brito (bateria), Dayvid Castro (contrabaixo) e Felipe Batiston (teclados) prepararem um repertório especial que dá destaque a Eric Clapton, um dos maiores ícones da guitarra.
O Bando é formado por.

Dynamic Quartet Jazz - Composto por quatro músicos apaixonados por Jazz e com notável curriculum musical, "Dynamic Jazz Quartet" é um projeto musical que propõe rleituras dos grandes standards internacionais.
Fundado em 2013 pelo guitarrista Claudio Martini, o grupo paulistano Dynamic Jazz Quartet explora standards de jazz de forma moderna e dinâmica. A essência do quarteto é reinterpretar peças clássicas em chave contemporânea, saindo do obvio, desafiando harmonia e sonoridades com entusiasmo e criatividade, focando principalmente em standards da época de ouro do "bebop" e do "cool jazz".

Festival BB Seguros Brass Band - A Festival BB Seguros Brass Band traz uma formação tradicional brass band onde a base instrumental é de cinco sopros e duas percussões. Com músicos talentosos e bem humorados, tem na performance coletiva e individual a musicalidade como fator marcante e contagiante. Com muita irreverência, traz um um repertório eclético e seleto com músicas de grandes artista, compositores de bandas e orquestras nacionais e internacionais, tais como: Louis Armstrong, Glenn Miller, Henry Mancini, Earth Wind Fire, Elvis Presley, Beatles, James Brown, Michael Jackson, Perez Prado,Heitor Villa Lobos, Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Tom Jobim, Roberto Carlos, Tim Maia e muitos outros.

Robert Cray

Serviço:
Local: Parque Villa-Lobos
Endereço: Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2001.
Dia: 27 de julho (sábado)
Horário: das 11h às 19h
Classificação Indicativa: livre
Gratuito

sexta-feira, 5 de julho de 2019

O blues esquenta o mês de julho no Bourbon Street

O bom e velho blues nunca para. O Bourbon Street Music Club recebe Alabama Mike e Simi Brothers (08/07), Blues Etílicos (11/07) e Lorenzo Thompson e Giba Byblos (17/07)

Alabama Mike

Alabama Mike e Simi Brothers - O cantor norte-americano Alabama Mike chega ao Brasil para, na companhia dos irmãos Nicolas e Danilo Simi, Pedro Leo (bateria), Marcelo Naves harmônica) e Wellington Pagano (baixo), fazer uma curta temporada de shows que inclui o Bourbon Street na segunda-feira, dia 08.
Apesar de, com seus cinco irmãos, ter sido exposto à música gospel e encorajado pelo pai a cantar no coral da igreja, Mike gravou tardiamente.  
Em 1983 mudou-se para San Francisco à serviço da Marinha Americana e somente uma década depois deu início de fato a sua carreira profissional na música e em 1999 lançou o álbum de estréia, “Day To Day”com o qual entrou de vez na cena blueseira da costa oeste (Califórnia).
Lançado em 2016, o álbum “Upset The Status Quo” traz na letra da faixa título uma crítica social a postura do homem moderno, com relação a ganhos materiais e mídias sociais. Aclamado por público e crítica, o álbum ainda conta com as participações de Kid Andersen e Jim Pugh (The Robert Cray Band).
Mike realizou seu sonho de gravar um álbum ao estilo clássico de Chicago da década de 50. Lançado em 2018, “Hip You To My Blues” foi captado, mixado e masterizado pela “Big Tone Records”, estúdio que opera de maneira 100% analógica, além disso, o álbum tem a participação luxuosa de Kim Wilson (FabulousThunderbirds) e um time de músicos de primeira: June Core, Big Jon Atkinson, Kedar Roy e outros.

Blues Etílicos

Blues Etílicos - A banda veterana se apresenta na quarta-feira, dia 11, com Flávio Guimarães (harmônica e voz), Cláudio Bedran (baixo), Otávio Rocha (guitarra), Beto Werther (bateria) e Greg Wilson (guitarra e voz) na formação. E o que já é bom, pode melhorar, os cariocas vão apresentar um set tributo a Eric Clapton, um dos maiores nomes do blues/rock mundial. 
Se o blues hoje no Brasil é um mercado consolidado com inúmeros festivais no país, muito se deve ao trabalho contínuo e consistente da Blues Etílicos, que é a maior responsável pela criação e manutenção de uma verdadeira legião de blueseiros brasileiros. 

Lorenzo Thompson

Lorenzo Thompson - Na quarta-feira, dia 17, o Chicago sound chega forte em sampa. O cantor Lorenzo Thompson se apresenta ao lado do guitarrista paulistano Giba Byblos. 
Thompson nasceu na cidade de Greenwood, no Mississippi, nos anos 50, mudando-se para Chicago com sua família quando tinha 5 anos. Como muitos jovens da wind city, sua primeira experiência de canto foi no coral da igreja. 
Sua energia é contagiante e ele transforma cada show em uma grande festa. Nos últimos quinze anos, Lorenzo Thompson tem se apresentando no circuito de blues de Chicago. Ele já se apresentou com grandes nomes, como David Meyers, Pinetop Perkins, Melvin Taylor, Detroit Junior, Buddy Scott e Harmonica Hinds. Já se apresentou ao lado de artistas consagrados como Son Seals, Koko Taylor, Huey Lewis and The News, e Lonnie Brooks.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Domingo, 23 de junho - Diário de Rio das Ostras

Texto: Eugênio Martins Jr
Fotos: Cezar Fernandes

Lucky Peterson

Domingão, copão de breja na mão, solzão e sonzão. O melhor blues do mundo fechou a edição de 2018 do Rio das Ostras Jazz e Blues (ROJB).
Não vi o show do Segundo Set Instrumental no palco São Pedro. Como regra, fiquei escrevendo a matéria do dia anterior e recuperando meus corajosos rins e fígado.

Segundo Set Instrumental

O show do Lucky Peterson que seria no palco da Praia da Tartaruga foi transferido para o da Lagoa do Iriry, mais aconchegante e com uma vibe maravilhosa. 
Roy Rogers entrou primeiro e fez o mesmo set da noite anterior, só que ali pertinho. Revelando todos os truques para quem se habilitar a tocar slide guitar. É, sem dúvida, um dos maiores do mundo nessa técnica. Em todos os anos de festival, nunca vi a platéia da concha acústica de Iriry tão vibrante.
Rogers esquentou o público para o timão que veio depois. Lucky Peterson e seu crew composto por três brasileiros, Fred Barley (bateria), Bruno Falcão (baixo) e Flávio Naves (teclado), mais o canadense Shawn Kellerman (guitarra) e a norte-americana Tamara Tramell (voz).
Alternando entre a guitarra e o órgão Hammond B3, Peterson mostrou porque é um dos maiores guardiões da tradição do blues. Quando foi para a guitarra, Naves assumiu o Hammond e botaram fogo no recinto.

Roy Rogers

Um dos truques que os blueseiros têm é descer e tocar no meio da galera. E os brasileiros adoram. Ok, é mesmo muito legal. Mas a galera tem de entender que não pode atrapalhar o músico. Ele está ali tocando e você não pode puxá-lo pelo braço, pelo pescoço, colocar a mão no instrumento e até, subir no palco. Galera, vamos ter um pouco mais de educação. Não deixa a cachaça tomar conta, não. Não sabe beber, não beba tanto. O palco é território do artista. Só ele pode estar ali. Não seja um idiota. Pense, se você está filmando, alguém também pode estar te filmando ou fotografando. Enfie o seu telefone celular no bolso e curta o show. E mostre um pouco de respeito por uma lenda do blues.  

 
Mulheres invadem palco para tirar fotos no meio do show
(foto: Eugênio Martins Jr)

É assuntando aqui e ali que a gente vai coletando as informações. Com motoristas de um aplicativo apurei que muitos vieram de outras cidades – Campos, Cabo Frio e até Rio de Janeiro - para trabalhar no feriadão de Corpus Cristi no Rio das Ostras Jazz e Blues (ROJB). Muitos começavam às 18h e iam até às 6h do dia seguinte. 
A dona da pousada me disse que 85% dos leitos da cidade estavam ocupados. Mas que já houve dias melhores, chegaram a ficar completamente lotados e que, quando isso acontece, os moradores ainda podem alugar quartos para os turistas. 
Um político local me disse que os prefeitos podem mexer em tudo o que quiserem, menos no festival de jazz e blues.
Com 18 anos de idade, o ROJB atingiu a maioridade com todos os percalços que isso gera. No começo, falta de patrocínio e público. Ao longo dos anos, mudanças de prefeito e até tentativa de ingerência. Atualmente, uma crise econômica que atingiu em cheio o setor cultural. A queda de arrecadação com royalties do petróleo na região e, novamente, o fantasma da falta de patrocínio. 
Também o pouco apreço do Governo Federal atual e de seus apoiadores pela cultura levaram à difamação descabida aos programas de incentivo fiscal, entre eles, a Lei Rouanet. Parece que os culpados por todos os problemas do país são os artistas.
“A crise já bateu forte em 2016 e eu paguei do meu bolso. Sabia que se o festival parasse ia acabar. Foi uma resistência mesmo, conta o produtor Stênio Mattos, criador do ROJB. Sentindo o momento difícil, mas também a importância da continuidade do evento que dá vitrine à música instrumental, as atrações nacionais abriram mão dos seus cachês para que o ROJB acontecesse.
Em 2017 a cidade sentiu na pele o que é ficar sem o festival. Reagiu. Incentivou-o a continuar em 2018, ainda que menor. 
É só olhar a grandiosidade do festival e o que ele entrega, para perceber que ali está um filão que pode ser explorado econômica e turisticamente por qualquer prefeitura do Brasil.

Palco Iriry

A cultura gera inúmeros retornos. Para se ter uma ideia, a senha do wi-fi da pousada onde fiquei hospedado era “cidadedojazz”, prova de que o festival já foi agregado ao dia a dia local. Por causa desse festival, fundou-se um curso de produção cultural que já rende frutos maduros na cidade. 
“O Ministério da Cultura tem de ter seus recursos, está na Constituição. O controle desse dinheiro é o fundamental e isso não ocorre. Esse festival cumpre o que a lei manda, gratuidade total, projetos sociais, ativa a economia local. Outra coisa, o festival é apolítico. Talvez por isso, a longevidade”, conta Stênio.
Em parceria com o festival, a Fundação Getúlio Vargas informa que o ROJB injeta 11 milhões na cidade em apenas cinco dias. “Esses números provam que a cultura dá retorno, sim”, diz Stênio. 
O resumo é que o festival que começou com pequenos palcos espalhados pela cidade, hoje é o maior do país. Já foram cinco dias de festa, recebendo os melhores artistas de jazz e blues do mundo e do Brasil. Com orçamento que já chegou a 6 milhões de reais gastos. 
Hoje são quatro dias de shows. O ROJB voltou melhor do que as últimas três anos. Também foi assuntando que eu soube que a edição de 2020 já está quase fechada. Que venha melhor e mais forte que todas. E eu estarei lá pra contar tudo de novo. VIVA A MÚSICA.

 Roy Rogers no Iriry


Lucky Peterson foi pra galera

Segundo Set Instrumental em São Pedro

domingo, 23 de junho de 2019

Sábado, 22 de junho - Diário de Rio das Ostras

Texto: Eugênio Martins Jr
Foto: Cezar Fernandes
Roy Rogers

Passei a manhã de o sábado apurando e escrevendo e não vi a Sonja no palco São Pedro. Depois do almoço saí à caça das minhas entrevistas. Em breve estarão no Mannish Blog. 
Me propus vir ao festival e sair com quatro. Consegui duas. E marquei mais duas. 
Vocês devem estar pensando se falei com Dianne Reeves. Não, ela estava entre as que não fiz. O produtor brasileiro não facilitou. Fiquei sabendo que também estava cuidando do Bob Franceschini e nem passei o desgaste de pedir.
Consegui falar com Lucky Peterson e o Shawn Kellerman o que me custou dois shows, Vox Sambou e do próprio Bob Franceschini na Lagoa do Iriry. Ouvi dizer que o show do Sambou foi arrasador.

Vox Sambou

Terceira noite na palco Costazul e a minha expectativa total era o Roy Rogers. Sou suspeito pra falar sobre blues, mas quem conhece o cara sabe que não é exagero. Já assisti cinco shows dele e todos, sem exceção, foram surpreendentes. 
Os jovens da The Mo’zar Jazz Band abriram a noite trazendo ternura ao lugar. Como disse no primeiro dia, a banda é mantida por uma ONG das Ilhas Maurício e bancada com doações e a apresentação deles por aqui foi custeada pelo governo local. Todos estavam muito empolgados por tocar no palco de um grande festival. O Rio das Ostras Jazz e Blues (ROJB) sempre teve essa função social. Todos os anos abre o palco para jovens músicos em formação. A cidade até ganhou uma faculdade de produção cultural após a chegada do evento.

The Mo'zar Jazz Band

O carioca Jonathan Ferr deu as caras no palco Costazul. Apresentando seu mais recente trabalho, Trilogia do Amor e uma homenagem a A Love Supreme de John Coltrane, Ferr misturou jazz tradicional com brasileiro, fusão cada vez mais frequente em tempos de “afrofuturismo”.

Jonathan Feer

Chegou a hora. Roy Rogers e The Delta Rhythm Kings, Steve Ehrmann e Kevin Hayes, subiram ao palco umas 22h30 e mostraram de onde vem a porra do rock and roll. 
Esses caras tocaram com todo mundo importante da música norte-americana dos últimos 50 anos: BB King, Miles Davis, John Lee Hooker, Etta James, Van Morrison, Allein Toussaint, Hubert Sumlin, Robert Cray, Ray Manzarek, Steve Miller, Carlos Santana, Charlie Musselwhite, Elvin Bishop, Coco Montoya, Katie Webster, só para citar alguns.
Num show com quase uma hora e meia Rogers foi com a sua slide teletransporte do Texas a New Orleans, de Memphis a Chicago. Temas memoráveis como Down in New Orleans (Dr John), Baby Please Don’t Go (Muddy Waters), Shake Your Money Maker (Elmore James) Terraplane Blues e Ramblin’ On My Mind (Robert Johnson). Assim como o bacon, slide é vida e aquele devia ter sido o show de encerramento do sábado. Roy Rogers, Elmore James e Robert Johnson no mesmo palco. 

Rodney Holmes (batera do Bob Franceschini)
 e Stênio Mattos (produtor do ROJB)

The Jig chegou com a meia noite. Como já havia dito antes, o caras tocam bem e fazem a galera dançar. Olha só, há uma moda de bandas grandes com vários metais, baixo, bateria, tecladeira e percussão pra fazer a galera pular no festivais. É legal pra trazer a garotada aos eventos, eu chamo de jazz crossfit. Você escuta e pula a primeira meia hora, depois não aguenta mais. Mas vá lá. O público tem de ser renovado e isso acaba sendo legal. O ROJB sempre apostou na juventude misturada com a velharada. Que não dê ouvidos aos chatos e rabugentos como eu e continue assim.

 The Jig

 Bob Franceschini

Vox Sambou

sábado, 22 de junho de 2019

Sexta-feira, 21 de junho de 2019 - Diário de Rio das Ostras

Texto: Eugênio Martins Jr
Fotos: Cezar Fernandes

Romero Lubambo

É óbvio que em um festival como o Rio das Ostras Jazz e Blues (ROJB), onde os shows acontecem durante todo o dia e em várias partes da cidade, algum show você vai ter de sacrificar. 
É uma questão de escolha. A minha foi deixar de ver o Gabriel Silva Blues no palco  São Pedro. Fiquei aqui na pousada escrevendo o diário e batendo papo com a galera do Vox Sambou.

Big James e Danilo Simi

Saí direto para o Palco Iriry, onde tocaram o trombonista Big James e os Simi Brothers. Repetindo exatamente o show da noite anterior, achei que estavam mais soltos. Não sei, só achei. Talvez o palco da lagoa, que é em formato de concha acústica, garantindo a proximidade com o público, o sol em cima e a cerveja artesanal tenham garantido esse climão. Lembrando que quando o festival começou, há quase duas décadas, ninguém sonhava com essa febre de  cerveja artesanal. Confesso que tudo ficou mais gostoso. Até a música.

The Jig

Roy Rogers não chegou e a banda holandesa de jazz funk The Jig foi chamada para apagar o incêndio. E o que eles fizeram? Tocaram fogo no bagulho, com temas funkeados notadamente inspirados em Prince e George Clinton. Os branquelos de Amsterdã tocam bem e metem porrada nos instrumentos, fazendo a galera dançar de verdade. 
E mais uma vez as pedras da Praia da Tartaruga estavam interditadas ao público pelo Corpo de Bombeiros. Olha só, se for pra fazer esse papelão, é melhor não liberar. Ou proíbe de vez e não cria expectativas falsas. Minha sugestão, colocar cercas limitando o acesso somente nas laterais, liberando a frente do palco. E bota efetivo pra garantir a segurança da galera.
Resumo, causou desgaste da produção com a plateia. Vi gente querendo invadir, peitando segurança, vaiando, e em cima das pedras que ficam ali na praia, correndo o mesmo risco de escorregar. Inclusive crianças. Em decisão sensata, a direção do festival transferiu todas as atrações do palco Tartaruga para o Iriry.

Praia da Tartaruga

Com pausa para descanso e o trânsito infernal da cidade, perdi o primeiro show da noite no Costazul. Cheguei quando o Romero Lubambo estava entrando no palco com uma super banda: Marcelo Mariano (baixo), Paulo Calasans (baixo) e Cláudio Felix (bateria). O Romero, como todo mundo sabe, é um dos maiores guitarristas e violonistas do mundo de todos os tempos. E falar sobre isso é chover no molhado, O começo do show foi jazz fusion e samba jazz da pesada. Quebradeira mesmo. Até a entrada de Dianne Reeves com suas vocalizações e interpretações de temas de Peter Gabriel e Milton Nascimento. De arrepiar? A Tarde, do disco Native Dancer de Wayne Shorter com Miltão. Me desculpem todos os músicos que passaram e vão passar pelo festival, mas a aparição de três mulheres, Dianne, Malinka Tirolien (Vox Sambou) e Tamara Tramell (Lucky Peterson) mostraram que a testosterona de vocês não faz frente a delicadeza dessas mulheres poderosas. Sim, delicadeza é poder.

Dianne Reeves

Não conheço o trabalho do Bob Franceschini, a não ser que é colaborador frequente de Victor Wooten. Só sei que é um aproveitador. Aproveitou que o Romero Lubambo estava ali e o chamou para seu show. Classe A. Pra quem gosta, e eu gosto, free/fusion jazz com o saxofone levado às últimas consequências. O destaque vai para o tecladista que ainda não descobri o nome. Mas vou.

Bob Franceschini

O Bixiga 70 já entrou com o jogo ganho. O crowd em frente ao palco logo se formou para ouvir a banda paulistana. E de massa eles entendem. Como o nome entrega, o grupo se formou em um estúdio da rua 13 de Maio, no tradicional bairro de sampa conhecido como reduto das cantinas italianas. É eu sei, o trocadilho não foi bom. Mas o show sim, esse foi massa.
O show foi baseado no disco mais recente da banda, o Quebra Cabeça, com Primeiramente, Quebra Cabeça, Torre e Ilha Vizinha na lista. Os caras fizeram chover, mas ninguém arredou pé. A galera surtou com Mil Vidas, abrindo rodas de dança no meio da multidão num ritual tribo/musical. Quem viria depois iria ter trabalho para superar a massa sonora do Bixiga. hehe

Bixiga 70

A chuva apertou, o Bixiga saiu e ficou aquele clima de fim de festa. Quem será o coitado que vai entrar depois?
O senhorzinho sentado na cadeira de plástico, encostado, falando baixo com um dos seus músicos, aparenta ser mais velho do que a sua idade real, 54 anos. Talvez os anos de estrada tenham cobrado cedo a dívida que todos pagamos um dia. 
Eu não tinha dúvida que aquele tiozinho ali daria conta do recado. Conhecia o time que ia subir ao palco com ele. Melhor, já trabalhei com os caras: Fred Barley (bateria), Bruno Falcão (baixo) e Flávio Naves (teclado). Com os dois últimos, saí em mini-turnê com o Larry McCray. Conheço o potencial destruidor dos malandros e nunca tive dúvidas de que dariam conta do recado. 

Lucky Peterson

Acompanho a carreira de Lucky Peterson dos discos. O cara é filho de James Peterson, mas venceu no blues por seu próprio talento de cantor, guitarrista e tecladista. Dos bons.
Duas surpresas. Shawn Kellerman, guitarrista canadense que acompanha Peterson desde 2012. Seu ataque é impressionante. O cara sobe no palco com um lutador sobe no ringue. E Tamara Tramell, mulher de Peterson que cantou dois temas super soul que desconheço. Sua presença de palco é forte e as partes cantadas em uníssono com o marido vão ficar marcados na alma por um bom tempo. A banda atacou Funk Broadway, I Wanna Know, I Pity the Fool. O coroa desceu do palco e enlouqueceu a multidão fazendo um medley com Cold Shot e Johhny B. Good. No “mais um”, jogou pra torcida, Sweet Home Chicago. Aí sim, a festa acabou.

Shawn Kellerman


 Gabriel Silva Blues

Big James na Lagoa do Iriry

 Praia Tartaruga

Já ia esquecendo, rolou “Lula Livre” e “Bolsonaro vai tomar no cú”.