sexta-feira, 29 de setembro de 2023

República Blues - 2º dia - 09/09/2023

Foi um dia quente em Brasília. Cheguei no segundo dia do República Blues, quando o grande festival de blues da capital recebeu Sérgio Duarte, a Brazilian Blues Band, Taryn Szpilman, Irmandade do Blues e Dylan Triplett e Simi Brothers. Com céu azul e o já famoso clima seco. Contribuiu para esquentar ainda mais a homologação da delação premiada do coronel Mauro Cid pelo ministro do Supremo Alexandre de Moraes. A casa começou a cair para o genocida que odeia a cultura. No palco, uma profusão de estilos que só faz bem aos ouvidos. Fotos: Dayse Marchiori.

Ségio Duarte



Marlene Souza Lima

Brazilian Blues Band

Brazilian Blues Band

Brazilian Blues Band

Brazilian Blues Band

Taryn Szpilman



Taryn Szpilman


Taryn Szpilman


Taryn Szpilman

Irmandade do Blues

Irmandade do Blues

Irmandade do Blues

Irmandade do Blues

Irmandade do Blues

Irmandade do Blues

Dylan Triplett e Simi Brothers

Dylan Triplett e Simi Brothers






Dylan Triplett e Simi Brothers

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Nem só de desfile de 07 de setembro vive Brasília no feriado, vem aí o 9º República Blues

 A era em que o feriado da independência era esperado pelos inimigos da democracia passou. Nos próximos dias 08, 09 e 10 quem vai celebrar são os amantes da música

Taryn Szpilman (Foto: Cezar Fernandes)

A programação da edição 2023 traz o veterano e o novo entre a guitarra virtuosa de Stanley Jordan, ao som do prodígio do blues/soul americano, Dylan Triplett, que aos 22 anos, foi vencedor do Blues Music Award de 2023, como melhor Artista Emergente. 
As mulheres serão representadas no festival pela cantora Taryn Szpilman, uma referência na cena blueseira brasileira, dominada predominantemente pelos homens, e Nanda Moura, ambas representantes do blues do Rio de Janeiro. São Paulo será representada pela também consagrada Nanny Soul, acompanhada pelo gaitista Marcelo Naves.  
Vem também de São Paulo os veteranos Irmandade do Blues e Sérgio Duarte, ambos, banda e gaitista, há mais de 30 anos na estrada do blues. Do Rio de Janeiro, a Mamooth Band, do guitarrista e cantor Klebão Dias, uma lenda do blues brasileiro.
As atrações locais, ponto de honra do festival, serão representadas por nomes como Kiko Peres, com seu trabalho solo instrumental, o quinteto Brazilian Blues Band, com nova formação, a guitarrista Marlene Souza Lima, o gaitista Pablo Fagundes, a revelação da música instrumental Brasiliense, o violinista Tom Suassuna, a hilária Cabaré Bluese a novata Molina´s Banda. 

Kleber Dias (Foto: Cezar Fernandes)
 
Histórico - O festival República Blues fomenta os gêneros jazz, blues e música instrumental desde 2001, com atividades em diversas localidades da capital, como bares, teatros, casas de show e arenas montadas para eventos. 
Os primeiros festivais, em 2004 e 2005, nominados BsB Blues Festival, ocorreram na antiga casa de shows Café Cancun, e tiveram como destaques, o gaitista americano Peter MadCat Ruth e o pianista, também americano, Deacon Jones, além de nomes nacionais como Nuno Mindelis, Victor Biglione Blues Etílicos. Destacaram-se também artistas locais como a Celso Salim, Rafael Coury, Dillo e Oficina Blues, que trouxeram à casa públicos significativos, motivo pelo qual se planejou um festival mais amplo.
Já com o nome República Blues, foram realizadas em espaços como o Complexo Cultural da República e o Gramado da antiga Funarte, as edições de 2009, 2010, 2011,2013,2018 e 2022 que receberam, em média, um público de 10 mil pessoas. Todas com a característica da franquia do ingresso ao público, do incentivo à produção autoral local, à inserção de atividades formativas gratuitas, e que trouxeram nomes como TM Stevens, Delmar Brown, Cindy Blackman, Stanley Jordan, Armandinho Macedo, Nuno MIndelis, Blues Etílicos, André Christovam, Hermeto Paschoal, entre outros.

Mudança de local - O maior evento de blues, jazz e música instrumental do Centro-Oeste já foi realizado em ambiente fechado, na antiga casa de shows Café Cancun, ocupou também o Museu da República, ao lado da Rodoviária do Plano Piloto, e o Gramado da antiga Funarte, com grande sucesso de público. 
Este modo itinerante também tem a função de trazer novos ares, novas sensações visuais e sonoras e uma nova experiência, a cada novo espaço ocupado pelo evento, e o Varandão do Pátio Brasil Shopping tem, com toda certeza, o poder de oferecer uma nova experiência ao público blueseiro.



Irmandade do Blues (Fotos: Eugênio Martins Júnior)

Programação:

Sexta-feira, dia 08, a partir das 18h
Cabaré Blues
Molinas
Marlena Souza Lima
Procurados Blues Band
Mamooth Band

Sábado, dia 09, a partir das 15h
Sérgio Duarte
Brazilian Blues Band
Tary Szpilman
Dylan Trliplett & The Simi Brothers
Irmandade do Blues

Domingo, dia 10, a partir das 15h
Pablo Fagundes
Kiko Peres
Adriano Grineberg
Stanley Jordan
Nanda Moura
Nanny Soul e Marcelo Naves

Serviço:
9ª Edição do Festival República Blues
Datas: sexta, 08 de setembro, sábado, 09 de setembro, e domingo, 10 de setembro de 2023. 
Horários: a partir das 18h de sexta e sábado e 15h no domingo.
Local: Varandão do Pátio Brasil Shopping – Brasília – DF
Entrada Franca
Classificação indicativa: Menores acompanhados de pais ou responsáveis

Atrações:

Stanley Jordan (USA) - Stanley Jordan, guitarrista e pianista americano de jazz/jazz fusion. Aclamado como um dos guitarristas que fizeram grandes contribuições técnicas e musicais para o instrumento, principalmente na técnica de tapping, já se consolidou no Hall dos músicos mais significativos da história do Jazz. Músico considerado “fora de série”, tanto tecnicamente como na forma de tocar, Stanley absorve e integra vários elementos musicais diferentes. Possui, também, bacharelado em composição de música digital pela Universidade de Princeton.
Na atual fase, que inclui o Brasil como roteiro obrigatório de turnês, Stanley Jordan tem feito seguidas apresentações com uma banda formada por músicos brasileiros do mais alto calibre. 

Dyllan Triplett e The Simi Brothers (USA) - Diretamente de St. Louis, no estado norte-americano do Missouri, Triplett é um jovem prodígio do soul-blues, com apenas 22 anos. Ele lançou seu primeiro álbum em 2022, "Who Is He?", que foi produzido por Larry Fulcher e contou com participações de Christone "Kingfish" Ingram e Mike Finnigan. O álbum foi um sucesso de crítica e público, e Triplett já foi comparado a grandes nomes do gênero, como Johnny Taylor, Little Milton, Tyrone Davis, James Brown e Ray Charles. 
Já a banda The Simi Brothers – que acompanha o músico – é formada pelos irmãos Danilo e Nicolas Simi, dois dos mais respeitados guitarristas brasileiros de blues. Eles já tocaram com grandes nomes do gênero, como Buddy Guy, Otis Rush e Albert Collins e agora acompanham o vocalista em turnê pelo Brasil.

Brazilian Blues Band (Foto: Richard Silva)


Brazilian Blues Band (DF) - Nascida há 29 anos, o quinteto Brazilian Blues Band já lançou três álbuns, realizou duas turnês pela Europa, e fez apresentações nas principais casas e festivais no país. Radicado em Brasília, o quinteto é formado por Luiz Kaffa (vocalista), Rairy de Carvalho (guitarrista), MarssalLeones (tecladista), Marcelo Marssal (baixista) e Eduardo Camargo (baterista). O grupo também participou de algumas coletâneas, como a do Prêmio Renato Russo, Pra Pirá Brasília, “A Máfia da Mortadela” e “Brazilian Blues Volume II” e Blues na GP, da Revista Guitar Player Brasil. E fez centenas de shows, com destaque para os principais festivais e casas do gênero pelo país: Rio das Ostras Jazz & Blues Festival; Vijazz, em Viçosa MG; Fest Bossa n’ Jazz, em Pipa RN; Festival Jazz e Blues de Guaramiranga, CE; Festival BB Seguridade de Blues e Jazz (DF); República Blues (DF); Circo Voador; Bourbon Street, entre outros. A Brazilian já dividiu o palco com atrações de peso, como Blues Etílicos, Celso Blues Boy, Armandinho Macedo, Nuno Mindelis, Hermeto Paschoal, Rita Lee, Zeca Baleiro, Toninho Horta, Maria Gadú, além dos gringos Stanley Jordan, T.M. Stevens e Billy Cobham.

Taryn (RJ) - Cantora e Atriz, Taryn traz em seus espetáculos uma performance vocal vigorosa influenciada pelas grandes cantoras do jazz e do blues, aliada a estética das atrizes do cinema clássico de Hollywood das décadas de 40 e 50. Alcançou destaque como a maior intérprete feminina no Brasil, escalada nos grandes festivais do gênero anualmente, sempre acompanhada por renomados instrumentistas. É citada por Roberto Menescal, como a cantora de maior emissão vocal do Brasil, por Jô Soares como a melhor interpretação de Billie Holiday que ele já viu, além de colecionar inúmeros elogios da crítica especializada sobre seus shows e discos. Taryn gravou 4 cds solo, destacando-se o seu mais recente Nouveau Vintage Café, onde conseguiu uma alquimia especial, e tem entre seus convidados desde jazzistas americanos a exímios sambistas brasileiros, flertando com tendências contemporâneas como o trip hop, e electro swing além de celebrar canções do blues de raiz.

Sérgio Duarte (SP) - Com mais de 30 anos de estrada musical, Sérgio Duarte tem a gaita e a alquimia do blues como grandes diferenciais artísticos. Nessa jornada, lançou um número expressivo de obras em CD, e também construiu um legado na forma de vídeo aulas. Em paralelo, viveu e e testemunhou inúmeras histórias incríveis que fazem parte do caminho de quem realmente respira esse gênero musical tão fascinante.
As canções de seus quatro álbuns solo já estão disponíveis nas plataformas digitais, e ele está finalizando a produção de um quinto, que será lançado ainda em 2023. Empunhando sua gaita, Sérgio Duarte sem dúvida já se mesclou à essência do blues feito no Brasil. 

Irmandade do Blues (SP) - A Irmandade do Blues, banda do ABC Paulista com 4 CD’s e 1 DVD lançados, está comemorando 30 anos de carreira e veio para expandir ainda mais suas fronteiras musicais, mas sempre mantendo sua raiz no blues. Seu nome é hoje sinônimo de refinamento musical, sendo umas das mais conceituadas e respeitadas bandas do gênero no Brasil - reconhecimento que em muito se dá pela mescla de composições próprias e versões arrebatadoras do blues, R&B e rock ‘n’roll.No show, a fórmula continua firme e se expande através de novas versões de clássicos como Down In Mississipi (J. B. Lenoir), Hard Times (Skip James), MuddyWater’s Blues (Paul Rodgers), When Love Comes to Town (Bono Vox/BB King), Hallelujah (Leonard Cohen) e a sua primeira versão em português: "Eu Só Quero Um Xodó” (Dominguinhos/Anastácia).

Nanny Soul - Fez parte da banda do Programa Altas Horas de Serginho Groisman na TV Globo por 5 anos, com a banda Doctor Pheabes, fez a abertura dos shows dos Rolling Stones no Maracanã/RJ e Beira Rio/POA; da banda Black Sabbath no Morumbi/SP, shows no Allianz Parque. 
Marcelo Naves é gaitista há mais de 20 anos. Considerado referência nacional no instrumento, participou da gravação do CD "Bluseiros do Brasil - Edição Gaitistas". Já se apresentou ao lado de grandes nomes do Blues como Deacon Jones, Mud Morganfield, Diunna Greenleaf, Willie “Big Eyes” Smith, James Weller, Kenny Brown e Nuno Mindelis. 

Mamooth Band - Juntos na estrada da música há mais de 18 anos como banda do gaitista Jefferson Gonçalves, há 2 anos decidiram montar um novo trabalho autoral mais voltado ao Rock, onde as misturas de estilos musicais que sempre foram a tônica do trabalho. 
Kleber Dias (Guitarra e Vocal), Fabio Mesquita (Baixo), Marco Bz (Bateria) e Marco Arruda (Percussão), juntam seu talento e experiência construída ao longo do tempo e se reúnem para desenvolver mais um trabalho de peso, como o próprio nome sugere, megatons do bom Rock & Roll entram como ingredientes indispensáveis no caldeirão de gêneros e ritmos da Mamooth. 

Kiko Peres (DF) - Estudou música no G.I.T (Guitar Instituteof Technology) em Los Angeles, CA:
fez parte da banda de funk-rock PRAVDA, participou do 1º disco que foi lançado pelo Banguela Records/Warner (selo dos Titãs que também lançou os Raimundos) e produzido por Tom Capone, com o NATIRUTS. Participou dos 3 primeiros discos da banda Chile, de 2017 a 2018 rodou o Brasil, a América do Sul, Europa e no final de 2019 a banda gravou um show ao vivo com 2 noites de casa lotada no Luna Park, em Buenos Aires, Argentina. Em 2019 foi um dos 4 guitarristas brasilienses convidados para participar do concerto Rock Sinfônico com a Orquestra Sinfônica de Brasília. Vai apresentar no Festival, o seu trabalho instrumental, elogiado pela crítica e público.

Marlene Souza Lima (Foto: Fábio Setti)


Marlene Souza Lima (DF) - Em Brasília a artista lecionou música e nos anos de 2004 a 2009 montou seu curso, o Usina de Sons Curso de Música. Em 2011, Marlene Souza Lima lançou seu primeiro álbum, intitulado “My Way” e com ele se apresentou por Brasília, Goiás e São Paulo. Anos mais tarde, Marlene gravou o primeiro DVD ao vivo, e em 2017/2018 participou da banda do musical L.O Musical em temporada pelo CCBB de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Atualmente, a artista segue gravando em estúdio, compondo e atuando como professora. 

Pablo Fagundes (DF) - Gaitista brasiliense, Pablo Fagundes é também engenheiro florestal, músico formado pela Escola de Música de Brasília e professor de gaita da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello. Virtuoso do instrumento também conhecido como harmônica de boca, é mais um dos representantes da música contemporânea produzida em Brasília. Pablo trabalha com as diferentes sonoridades produzidas pelas gaitas cromática e diatônica.Pablo Fagundes está entre os músicos brasilienses que, mesmo tendo uma carreira internacional, opta por ter a cidade como base para o desenvolvimento do trabalho. Formado pela Escola de Música, o gaitista é professor da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello, onde institui o curso do instrumento do qual é visto como um virtuoso.

Tom Suassuna (DF) - Tom Suassuna é violinista brasiliense. Atualmente, por meio de seu trio instrumental composto pelo nordestino Son Andrade (bateria) e pelo chileno Sebastian Nadales (contrabaixo acústico), cria um diálogo entre música popular brasileira e ritmos latino-americanos, explorando as técnicas do violino popular. O triângulo formado entre o forró, gipsy e cúmbia é cheio de mistérios e seres lendários como Chet Baker, DjangoReinhardt, Nicolas Krassik, Gilberto Gil, Baiana System, Caetano Veloso, Luiz Gonzaga e o projeto busca convidar o público para embarcar nessa viagem.

Molina’s Banda (DF) - A banda presta tributo aos grandesclássicos do passado, mas tem comoproposta flertar com a cena damúsica contemporânea.Em seu repertório, há canções einfluências que começam emexpoentes comoNina Simone e Koko Taylor, passandopor revelações como Joss Stone,
Danielle Nicole eespontaneidade Etta James,até chegar em Lana Del Rey eAlém dessas potências femininas, hátambém influências de nomes comoJoe Bonamassa,Beth Hart,Billie Eilish e Rolling Stones. A banda promete também a apresentações de canções autorais nessa sua estreia no Festival República Blues.

Procurados Blues Trio (DF) - Há 15 anos, a Procurados Blues Trio tem presença cativa nos palcos de pubs, festivais e eventos do circuito cultural nacional. O grupo composto por Víctor Abreu (guitarra e voz), Luiz Rubim (baixo e voz) e Túlio Lima (bateria), viaja por releituras de canções que marcaram época, e que não podem faltar quando o assunto é blues, soul e derivados.Ao longo dos anos o grupo tem se apresentado em casas renomadas e importantes eventos pelo país, em estados como Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Distrito Federal.O repertório autêntico e cheio de identidade faz da Procurados uma grata surpresa aos amantes da boa música por onde passa. Para esta 9ª Edição do Festival República Blues, a banda promete apresentar canções novas e autorais.  
Cabaré Blues (DF)

Cabaré Blues (DF) - Há quem diga que a vida pode ser resumida como sendo um grande Cabaré. De maneira parecida, o mesmo pode ser dito sobre as andanças de uma banda.Então nada mais adequado do que se juntar para fazer um grande Cabaré Blues tocando por aí celebrando a vida, certo? Foi o que William, Rafael, Marquinho e Fernando, músicos de longa estrada na cena Candanga,pensaram ao se juntar em 2019 para tocar clássicos e outras pérolas da música brazuca em umformato descontraído, abusando da pegada bluseira, roqueira e brega de cada um. Cabaré Blues é: William Costa (voz), Rafael Moraes (guitarra e voz), Marquinho (baixo) e Fernando Assumpção (bateria).

Nanda Moura - Cantora que já dividiu palco com artistas renomados do blues nacional, como Greg Wilson, Maurício Sahady, Otávio Rocha, Álamo Leal, FlávioGuimarães, Jefferson Gonçalves e Blues Etílicos. Se apresentou no the Best of Blues and Rock, Cosquín Rock (Argentina), Circo Voador, Teatro Rival e Mississippi Delta Blues Festival.

Adriano Grineberg (SP) - Pianista, compositor, arranjador e cantor paulistano. iniciou seus estudos aos cinco anos de idade em piano clássico. Em sua formação erudita, além das influências de grandes nomes como Beethoven, Mozart e Bach, recebe a de compositores que misturavam a linguagem tradicional dessas escolas com elementos da música folclórica de outros países – Brahms, Mussorgsky, Dovrak, Villa Lobos – além dos impressionistas Debussy, Satié e Ravel e world music, blues e jazz.

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Tail Dragger viveu e morreu como a letra de uma canção de blues

 

Tail Dragger e Bob Corritone , Poços de Caldas em 2013 (Foto: Eugênio Martins Jr)

“They don’ gave it away,” Tail Dragger said last week of what African-Americans have done with the Blues. “If it wasn’t for young White kids, blues would be dead. My entire band is White. I can’t find the young Black men who want to play blues. Eddie Taylor Jr. is the only Black guy I know who is still playing traditional blues. The young Black folks are ashamed of it. I wish more Black young people would think about what our forefathers created and not be ashamed of something that is a big part of Black culture.”

(trecho de reportagem do Chicago Defender)

E foi assim que James Yancy Jones, conhecido pelo nome artístico de Tail Dragger, causou um estardalhaço no mundo da música norte-americana.
Foi a primeira vez que um dos veteranos do blues declarou a um veículo de comunicação, no caso, o Chicago Defender, jornal da Meca do blues elétrico, que a tradição musical criada pelos afro-americanos no começo do século passado estava ficando na mão dos jovens brancos. 
Realmente, trata-se de um fenomeno mundial que pode ser visto aqui no Brasil onde há uma avalanche de blueseiros branquelos fazendo música. E, se a cane ainda não está totalmente tomada, Tail Dragger colocou o dedo na ferida. 
Tive a manha de viajar para um festival em Poços de Caldas para assistir Tail Dragger, Henry Gray e Bob Corritone. E também tive o cuidado de agendar entrevistas com cada um dos veteranos, mas a produção do festival fez de tudo pra dificultar e as entrevistas acabaram não acontecendo.
E nem vão acontecer, Henry Gray faleceu em 17 de fevereiro de 2020; Tail Dragger morreu hoje, 04 de setembro de 2023, a 26 dias de completar 83 anos. Produtores que querem aparecer mais do que os artistas, vocês são uns otários. Perdemos a chance de fazer um registro histórico.   
Tail Dragger, que ganhou esse apelido por sempre chegar atrasado aos shows do grande Howlin Wolf, com quem atuou por algum tempo, eve uma vida agitada. Ele chgou a casar seis vezes, deixando uma penca de filhos no mundo. Em 1993 foi condenado por assassinato do bluesman Boston Blackie. A treta foi por causa de grana. Tail Dragger alegou legítima defesa, contou que Blackie puxou uma faca ao cobrar um dinehrio que ele lhe devia. Mas mesmo assim foi condenado a 17 meses de prisão por assassinato em segundo grau.
Teve seus discos  Stop Lyin' Live Rooster's Lounge, My Head Is Bold - Live At Vern's Friendly Lounge lançados pela Delmark Records. E ainda gravou a parceria com o gaitista Bob Corritone, lançado em CD em 2012.

(Foto: Eugênio Martins Jr)

(Foto: Eugênio Martins Jr)

(Foto: Eugênio Martins Jr)

Tail Dragger e eu em Poços de Caldas 2013 (Foto: Werner Brucha)