sábado, 22 de outubro de 2016

Os grandes Bob Dylan e Chico Buarque... e o pobre Lobão.

Bob Dylan ladeado por Pete Seeger e James Baldwin

Texto : Eugênio Martins Júnior
Fotos: Internet

Na quinta-feira, dia 13 de outubro de 2016, a academia sueca responsável pelo Prêmio Nobel de uma porrada de coisas anunciou que Bob Dylan, grande compositor... e cantor mais ou menos, ganhou o prêmio em literatura.
Adoro o trabalho do Dylan. Tenho vários discos em vinil e em plástico e alumínio (CD pô). 
Bom para ele. Ruim para a galera que escreve livros. Houve um certo celeuma. Como um cara que grava discos pode ganhar um prêmio desses? O que foi alegado é que suas letras estrapolaram e deram importância ao gênero canção. Eu mesmo não tenho opinião formada sobre isso, e na verdade, whatever.
O que me chamou a atenção é que o trabalho de Bob Dylan foi reconhecido. Foi, é, e sempre será. Não vejo os americanos, britânicos e outros países de língua inglesa desdenhando a obra desse artista. Diferente do que acontece aqui no Brasil com Chico Buarque. E não adianta ficar nervosinho! Lê a parada até o fim que eu vou explicar. 
Dylan é considerado um pilar da cultura norte americana. Chico Buarque, filho do escritor Sérgio Buarque, construiu sua carreira e ganhou dinheiro pelos próprios méritos, se assumiu posições políticas é por que vivemos em um país onde as pessoas têm essa escolha. Pelo menos até agora. Mas o país está ficando bem sinistro nesse sentido.  
É inimaginável pensar que o que aconteceu com o Chico Buarque no Rio de janeiro, sendo abordado e ofendido por playboys na porta de um restaurante, possa acontecer com Bob Dylan por assumir suas posições, políticas ou até religiosas.  
Na entrevista da Isto É dessa semana, uma revista  que ninguém compra e não sei como sobrevive até hoje - aliás, por que a turma da Lava Jato não investiga as empresas de comunicação como fazem  coma as empreiteiras e os partidos inimigos – o cantor e compositor Lobão diz que o Chico Buarque come capim. Com todas as letras. 
Acho que isso merece resposta. Não que o Chico precise de alguém que o defenda, quanto mais eu, um redator de blog independente. Mas, como fã da boa música, deu vontade de fazer. Até porque os dois fatos aconteceram na mesma semana. E depois dessa me comprometo a nunca mais dar espaço para o que o Lobão fala. 

Chico Buarque e João Pedro Stédile,  
líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Olha só. Robert Allen Zimmerman, sacou que aquela vida de judeu era um saco. Deve ter pensado: “Eu quero mesmo é fumar maconha, pegar estrada e no meu prepúcio ninguém põe a mão, tá ligado?”.
Isso acontece toda hora. Com qualquer um. É só encarar a vida com um pouco de mente aberta. Quando descobri o Cartola, aprendi tocar surdo, tarol, repique e tamborim. Quando descobri Bob Marley fiz uma tatuagem dele na perna. Quando descobri Muddy Waters e Buddy Guy resolvi viver de blues e abrir uma produtora com o nome de Mannish Boy Produções. Quando fiquei fã de Lou Reed, passei a só usar roupa preta. Quando descobri Frank Zappa comprei quase todos os discos do cara e um puta cartaz lindo do meu amigo Rogério Baraquet. O Frank Zappa Monalisa.
Não estou me comparando a ninguém, por favor. Se você acha isso pode parar de ler. Só estou dando um exemplo de como a arte pode mudar as pessoas a toda hora. 
Quando Zimmerman descobriu o folk e o blues acústico  do Mississippi resolveu levar a vida na estrada e mudou seu nome para Bob Dylan. 
Lobão gosta de criticar a música A Banda, mas quando aconteceu o Golpe de Estado de 1964 o AI-5 em 1969 Chico Buarque fez suas mudanças e os discos mostram isso. 
Buarque e Dylan ostentam em suas carreiras o verdadeiro “conjunto da obra”.  
Se Bob Dylan tem The Times They’re a Changin’, Masters of War, Everything Is Broken, Blowin’ in the Wind, Like a Rolling Stone, Tangled Up In Blue. Chico Buarque compôs e gravou Construção, Acorda Amor, O que Será?, Apesar de Você, Cálice e tantas outras músicas de protesto maravilhosas e relevantes. Sem contar sua carreira literária, diga-se, mais consistente que a de Bob Dylan.
Lobão gravou algumas músicas legais, mas convenhamos, de importância artística social nula. Bobeirinhas como Cena de Cinema, Corações Psicodélicos, Me Chama e rocks com letras bem sacadas, Rock Errou, Revanche, Canos Silenciosos, Vida Bandida, Vida Louca Vida e Decadence Avec Elegance. Nos anos 90 fundou uma revista que vinha com CDs de bandas novas levantou a bandeira dos CDs numerados com o objetivo de proteger o artista das gravadoras, o que foi ótimo. Após isso, compôs e gravou temas mais elaborados como Universo Paralelo, A Vida é Doce e a impressionante A Queda. Ou seja, o Lobão musical é legal como passatempo. Se tivesse ficado nisso, estaria muito bom. Deveria. 

Lobão e ele mesmo, o João Bobão

O Lobão Blá Blá Blá é ridículo. Retornou ao nome João Luiz Woerdenbag Filho, falastrão, raso e inconsequente. Lendo com perplexidade seus pensamentos impressos a gente entende de onde vem tanta vontade em querer fazer peso na discussão política nacional. Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: ele quer ser levado a sério o só quer aparecer? Aposto na segunda. 
Fruto de um lar disfuncional – conforme conta em 50 Anos A Mil – que criou no menino uma carência de atenção, de um cérebro fritado pelo uso abusivo de diversas drogas, e que deve ter prejudicado ainda mais seu ego, o que deixou mesmo o Lobão ruim dentro da roupa foram os anos de ostracismo na mídia nacional. Sim, isso explica muita coisa.
Bob Dylan e Chico Buarque fogem dos noticiários como o tinhoso foge da água benta. 
Já Lobão, que cresceu ouvindo ambos, e mais do que isso, querendo ser eles, vai para a luz assim como os cupins no começo da primavera voam para a lâmpada da sala. E como eles, verdadeiras pragas, destrói tudo o que vê pela frente. 
Fala mal de Caetano  Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Edu Lobo, Tom Jobim. E depois, quando a polêmica deixa de ser polêmica, ele escreve uma cartinha se desculpando com os caras. E dá-lhe espaço na mídia. . Nunfódi a porra da minha paciência Lobão. 
Teria graça, por exemplo, eu que votei no Lula e na Dilma, xingar Milton Nascimento que fez campanha para Aécio Neves? Desdenhar de sua grande obra? Poupem meu tempo, babacas. Muito ao contrário, Miltão tá do outro lado e eu o respeito mais ainda. Amo sua música e pauto a minha vida por ela 
Já ouvi pessoalmente  o Lobão proferir seus impropérios. Foi em um jantar num restaurante japonês aqui em Santos. Após o show de abertura de um festival literário que eu mesmo produzi. Digo isso pra mostrar que minhas posições não interferem no meu lado profissional. Sugeri a vinda do Lobão ao festival e ele pode falar o que quis em uma das mesas de debates. Ponto também pro produtor do evento, o José Luiz Tahan, que vem sofrendo repreensões do bando da direita por acolher todos os lados ideológicos em seu evento. 
Luiz Woerdenbag Filho estava careta, não bebeu nada alcóolico e não parava de falar. Insuportável. Total falta de educação com as pessoas da mesa. Não aguentei ficar até o final.  
Luiz Woerdenbag Filho viu nas distorções do Facebook uma estrada que percorre batendo em tudo e em todos. É seguido por um bando de videotas semianalfabetos que ofendem a língua e a história. 
Pobre Lobão. Virou o João Bobão. De origem classe média como Chico e Dylan, não conseguiu chegar onde queria dentro da sua megalomania. Hoje vaga nas trevas, na companhia de Michel Temer, Eduardo Cunha, Beto Mansur, Ronaldo Caiado, Jair Bolsonaro, Blairo Maggio, Sérgio Moro, Marco Feliciano, Paulinho da Força, Janaína Paschoal,  Kim Kataguiri, Raquel Sherazade, Reynaldo Azevedo, Olavo De Carvalho, Rodrigo Constantino, Paulo Skaf, Silas Malafaia, Danilo Gentili, Alexandre Frota, e quem diria, a maior defensora de Dilma, Katia Abreu. Com certeza, o rock errou.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A música Singular de Badi Assad no Sesc Pompéia

O CD Singular traz músicas autorais e versões inusitadas de Mumford & Sons, Hozier, Alt-J, Skrillex e Lorde, comemorando seus 25 anos de carreira


Singular chega ao Brasil como parte das comemorações aos 25 anos de carreira da Badi Assad, com nove canções que misturam ritmos, batuques, gêneros e atribuem roupagem brasileira à músicas do pop alternativo internacional. O show de lançamento acontece dia 7 de outubro, sexta-feira, às 21h, no Teatro do Sesc Pompeia. Badi sobe ao palco acompanhada pela percussão da Simone Sou e pelo baixista Rui Barossi.
O 14º álbum na discografia da cantora, compositora e violonista tem repertório em inglês e português, com músicas autorais e de artistas internacionais selecionados a dedo. Badi escolheu nomes como os ingleses Alt-J e Mumford & Sons, o Irlandês Hozier, a Neozelandesa Lorde, o produtor e DJ norte-americano Skrillex, e fez versões inusitadas.
Como é característico no trabalho da artista brasileira, Badi coloca sua assinatura musical nas canções. Skrillex secretamente dança ao espírito do maracatu, Lorde recebe batidas afro-baianas em seu hit ‘Royals’, enquanto "Little Lion Man", do Mumford & Sons, transforma-se em bossa nova, ambas já ganharam videoclipe. A misteriosa ‘The Hanging Tree’, trilha do filme ‘Jogos Vorazes - A Esperança Parte 1’, ganha cadência distintamente brasileira sem perder a simplicidade do arranjo original. "Queria algo mais orgânico", reflete Badi.
"Essas músicas me surpreenderam, tanto pela profundidade de seus conteúdos quanto pelo engajamento que provocaram em jovens ouvintes. Dentro do universo pop há tanta música rasa explorada ao máximo pela indústria do entretenimento, carregadas de temáticas ligadas ao sexo, fama e ostentação, que por vezes podemos ter a falsa impressão de que não mais encontramos músicos jovens que se propõem a vasculhar a vastidão humana em todas suas nuances, explorando questões significativas e complexas. Artistas como Hozier, Mumford&Sons e Lorde vieram para contrapor isso tudo”, comenta a cantora.    
Entre as composições autorais, Badi assina sozinha ‘Entrelaçar’, mostra a profunda ‘Spirit Dog’ ao lado de seu irmão Sérgio Assad e do norte-americano Daved Levitan, em parceria com Zélia Duncan encerra o disco com a balada 'Vejo Você Aqui'.
Singular foi gravado e produzido no estúdio YB, com produção de Ruriá Duprat (vencedor do 51º Grammy) e direção musical de Carlinhos Antunes. O projeto traz um pequeno núcleo de instrumentos e voz, acrescentado pelos talentosos Rui Barossi no contrabaixo e do russo Oleg Fateev no bayan (acordeon com botões). No diálogo com a magistral percuteira, Simone Sou, afloraram muitos dos ritmos brasileiros. Ruriá Duprat participa também com o sintetizador e Carlinhos Antunes no quatro venezuelano. 
O belo ensaio para a capa de Singular foi feito com a técnica "powder photography", por Alfredo Nagib Filho e equipe, o figurino foi confeccionado em papel e plástico, criação da estilista Iza Graça.

Leia entrevista de Badi Assad no Mannish Blog: http://mannishblog.blogspot.com.br/2009/11/mulher-musicista-e-mae-os-talentos-de.html


Serviço:
Badi Assad – Lançamento “Singular”
Local: Sesc Pompeia, Teatro 
Dia: 7 de outubro, às 21h
Acesso para deficientes
Endereço: Rua Clélia, 93 - Pompeia - São Paulo/SP 
Telefone: 11 3871-7700 
Ingressos: R$16,00 [inteira] R$8,00 [usuário inscrito no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante] R$4,00 [trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no SESC e dependentes] 
Funcionamento da bilheteria: Terça a Sábado, das 9h às 21h e Domingos, das 9h às 19h.
Venda online a partir de 27 de setembro, terça-feira, às 17h30. 
Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 28 de setembro, quarta-feira, às 17h30.