terça-feira, 21 de abril de 2020

O círculo do amor

Jair ama Carluxo
Que ama Índio
Que ama Flávio
Que ama Queiroz
Que ama Michele
Que ama cheques

Jair ama Osmar
Que ama o virus
Que ama o Eleno
Que ama Villas Boas
Que ama Medici
Que ama Nixon
Que ama Kissinger
Que ama o golpe

Jair ama Ustra
Que ama a tortura
Que ama o porão
E odeia Dilma
Que foi presidente
Que foi deposta 
Por ser mulher
Independente

Jair ama Alvim
Que ama Goebbels
Que ama Himmler
Que ama Hitler
Que ama a dor
Que em termos de morte 
Não é amador

Jair ama Eduardo
Que ama Olavo
Que ama Camargo
Que ama Weintraub
Que impreciona
Com o ódio ao Kafka

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Aos 94 anos, Bucky Pizzarelli morre em New Jersey


Bucky Pizzarelli, lendário guitarrista de jazz, pai de John e Martin, guitarrista e baixista, respectivamente, morreu aos 94 anos na cidade que nunca abandonou, New Jersey.
Bucky era conhecido por sua reprodução suave, fluida e de bom gosto, tendo se apresentado na Casa Branca para os presidentes Reagan e Clinton, e na banda “Tonight Show” de Johnny Carson. Também trabalhou com Frank Sinatra, Les Paul, Benny Goodman, Miles Davis, Sarah Vaughan, Tony Bennett, Dizzy Gillespie, Nat King Cole e inúmeros outros.
Como session man tocou em Georgia on My Mind, de Ray Charles, At Seventeen e Aty Bitsy Teeny Weeny Yellow Polka Dot Bikini", de Janis Ian, e também no disco de standards Kisses on the Botton, gravado por Paul McCartney em 2012.
Nos últimos anos Bucky vinha enfrentando vários problemas de saúde e sua filha Mary disse à imprensa local que ele havia testado positivo para coronavírus em 29 de março, embora a causa da morte ainda não tenha sido determinada.
Ele nasceu em Paterson como John Pizzarelli - seu pai lhe deu o apelido de Bucky e serviu no exército durante a Segunda Guerra Mundial. Após a guerra se tornou músico profissional.
Seu filho John Pizzarelli Jr também se tornou um guitarrista e cantor respeitado e o outro filho, Martin, é um baixista profissional que sempre trabalhou com os dois.
Uma das últimas gravações de Bucky foi no álbum de Stanley Jordan, 2011, Friends, que contou com colaborações com vários artistas.
John Pizzarelli Jr, com quem tive o prazer de trabalhar algumas vezes aqui no Brasil, também postou uma homenagem no Facebook: “Ele era um pai maravilhoso. Um jogador de bocha e fã dos Giants – time de futebol de Nova York.

Mais uma vítima do virus corona, Ellis Marsalis Jr morre aos 85 anos

Foto: Getty Images

Os músicos Wynton e Branford Marsalis divulgaram hoje em suas redes sociais que Ellis Marsalis, patriarca do clã que inclui Delfeayo e Jason Marsalis, morreu ontem, dia 01 de abril, vítima da Covid-19.
“É com grande tristeza que anunciou o falecimento de meu pai, Ellis Marsalis Jr., como resultado das complicações do coronavírus”, afirmou Branford em um comunicado publicado em seu site, dizendo que Ellis havia sido hospitalizado no sábado.
Representante da tradição musical de New Orleans, Ellis criou todos os filhos com e para a música. Aclamado pianista, participou de dezenas de álbuns ao longo de sua carreira. Gravou e tocou com Nat e Cannoball Adderley, Marcus Roberts, Courtney Pine, Art Tatum, Kermit Ruffins, entre tantos outros.
Como professor formou Grandes nomes do jazz atual, entre eles, Terence Blanchard, Donald Harrison Jr., Harry Connick Jr. e Nicholas Payton.
Wynton Marsalis publicou fotos  ao lado do pai no Twitter com um breve comentário: “Ellis Marsalis, 1934-2020. Ele se foi do jeito que viveu: aceitando a realidade”.

terça-feira, 31 de março de 2020

Morre Wallace Roney, vítima do corona virus


Um dos músicos de jazz mais importantes da atualidade, o trompetista Wallace Roney, morreu aos 59 anos vítima do corona virus nesta sexta-feira, dia 31 de março.
Roney estudou com as lendas Clark Terry, Dizzy Gilespie e Miles Davis até construir seu prórpio nome ao longo de uma carreira profissional de quase 45 anos. Com Davis, Roney estudou entre 1985 até 1991, até a morte do lendário trompetista. Em 1990 se apresentaram juntos no Montreaux Jazz Festival.
Gravou 21 discos como artista principal e participou de dezenas de outros artistas, inclusive sua ex esposa, a pianista Geri Allen.
Com ela gravou quatro discos, antes da morte de Allen, vítima de um câncer em junho de 2017. Eles já estavam divorciados. Roney se apresentou em quatro dos álbuns de Allen, começando com "Maroons" em 1992. A colaboração final ocorreu em 2006 com "Timeless Portraits and Dreams". 
Além dos artistas já citados, Roney tocou e gravou com Art Blakey, Kenny Barron, Chick Corea, Tony Willians, Joe DeFrancesco, Cindy Blackman e outros.
Wallace Roney morreu em New York, onde morava e epicentro da Covid-19 nos Estados Unidos. Deixou três filhos, frutos da união com Geri Allen. 

segunda-feira, 30 de março de 2020

Stories – 2002 - John Mayall


Esse trabalho traz o gaitista, guitarrista, pianista, percussionista, produtor e compositor inglês John Mayall, as vésperas de completar 70 anos, mas com a mente arejada frente aos Bluesbreakers, Buddy Whittington, Tom Canning, Joe Yuele e Hank Van Sickle.
Desde os anos 60, o grupo sempre foi elemento aglutinador de grandes músicos, Jack Bruce, John McVie, Mick Fleetwood, Aynsley Dunbar e, principalmente os guitarristas, Eric Clapton, Mick Taylor – que mais tarde entrou nos Rolling Stones, transformando a banda de Jagger e Richards numa autêntica banda de rythmn and blues – Coco Montoya, Harvey Mandel entre outros.
E neste CD, preste atenção no trabalho do guitarrista texano Buddy Whittington que já o havia acompanhado em outras empreitadas e também nos teclados Hammond de Tom Canning que dão aquele clima bluesy em quase todos os temas. 
Uma vez o Nuno Mindelis me disse que considerava o John Mayall mais um bluesófilo do que um blueseiro. Bom, isso é mesmo. Alguns dos temas aqui apresentados são dedicados a contar a história do blues e seus personagens.
São os casos do tema de abertura Southside Story que recria  as noites em que Little Walter dominava a cena de Chicago, e também Oh, Leadbelly, que paga tributo o lendário guitarrista, cantor e presidiário – que cantava o que vivia ou vivia o que cantava, como preferir. Em Southside a harmônica de Mayall canta bonito. 
O folclore do blues também aparece em I Tought I Heard the Devil e em Kids Got the Blues, Mayall homenageia as novas gerações de músicos que se dedicam a tocar blues ao redor do mundo.
O batidão e a letra de The Witching Hour e o climão de Demons in the Night não deixa dúvidas de que estamos falando de New Orleans. A participação do percussionista Lenny Castro em ambas evoca os mistérios e encantamentos da cidade que, assim como a Salvador, é a encruzilhada macumbeira do mundo.
As introduções pianísticas de I Wished I Had e do slow The Mist of Time nos coloca dentro daqueles inferninhos de madeira cheios de dança e malícia que vemos nos filmes.
Blueseiro ou bluesófilo, John Mayall mantêm o caledoscópio girando com a gente dentro dele, curtindo todas as cores da música perpetrada pelos negros fodidos da América no século 20.    

Músicas 
1 – Southside Story
2 – Dirty Water
3 – Feels Like Home
4 – Kids Got the Blues
5 – The Witching Hour
6 – Oh, Leadbelly
7 – Demons in the Night
8 – Pride and Faith
9 – Kokomo 
10 – Romance Classified
11 – I Wished I Had
12 – Pieces and Parts
13 – I Tought I Heard the Devil
14 – The Mists of Time

quinta-feira, 26 de março de 2020

Soul Gumbo – 2014 – Raphael Wressnig


Minha parceria com o guitarrista brasileiro Igor Prado tem rendido bons trabalhos. Entre os shows que consegui trazer pra Santos, os americanos Lynwood Slim (harmônica), James Wheeler (guitarra), Tia Carrol (cantora) e Raphael Wressnig, organista austríaco que divide seu tempo tocando e gravando entre Europa e Estados Unidos. 
Foi quando ganhei o CD e o LP Soul Gumbo, um belo exemplo do peso e influência da música de New Orleans nos jovens músicos de jazz de todo o mundo.
Esse álbum faz parte da série de trabalhos soul gravados por Wressnig que inclui Soul Gift e Soul Connection, ambos parceria com Alex Schultz e o nosso Igor Prado, respectivamente.  
Especialista em Hammond B-3, Wressnig reuniu um time da big easy para gravar esse petardo recheado de souls e funks, onde o som de seu órgão brilha, despejando aquele timbre molhadão, característico.
O disco já começa com o funk pegadão Chasing Rainbows com a voz emprestada do cantor e gaitista nova iorquino Tad Robinson. Soulful Strout vem na mesma linha funky, só que instrumental, com seu parcerio de longa data, Alex Schultz, pilotando a guitarra.
O próximo tema inverte a imagem 180°. Trata-se de um tema soul vindo da alma. Brincadeira! Mas é pra dizer que as palavras de I Want Know saem das profundezas da garganta de Walter “Wolfman” Washington e colam no muro sonoro cimentado pelos metais de Antonio Gambrell (trompete), Jimmy Carpenter (sax tenor), e o Hammond de Wressnig. Uma porrada de sete minutos que, além de Wolfman, guitarrista, autor do tema e figura lendária de New Orleans, tem Schultz, George Porter Jr (baixo) e Stanton Moore (bateria).
Mustard Greens é mais um tema instrumental porrada seguido pela soul Sometimes I Wonder com a voz, e o piano wurlitzer de Jon Cleary e sax do convidado, que também já esteve aqui no brasa, “Sax” Gordon. Linda canção.
Tad Robinson e Alex Schultz voltam no blues Room With a View. Slivovitz For Joe e Soul Jazz Shuffle são verdadeiras jams, a primeira feita sob medida para o sax tenor de Harry Sokal brilhar, ambas com grandes intervenções dos teclados de Wressnig. 
O CD termina com a super soul Nobody Special com os vocais quase falados de Larry Garner. Nem essa e Soul Jazz Shuffle estão no LP. 
Assim como a música, a culinária de New Orleans também é muito diversificada, com influências de todos os povos que aportaram ali ao longo dos séculos. E há uma categoria profissional chamada saucier, ou seja, o cara que é especialista em molhos. E Weak Sauce é um funk com Stanton Moore groovando a lot no seu kit de bateria e mostrando o molho da cozinha de New Orleans. O álbum em vinil conta ainda com a potente Get the Money, que deixa bem claras as influências do Caribe, ali pertinho. 





Músicas CD
1 – Chasing Rainbows
2 – Soulful Strut
3 – I Want To Know
4 – Mustard Greens
5 – Sometimes I Wonder
6 – Room With a View
7 – Slivovitz For Joe
8 – Soul Jazz Shuffle
9 – Nobody Special

Músicas LP
1A – Chasing Rainbows
2A – Soulful Strut
3A – I Want To Know
4A – Mustard Greens

1B – Slivovitz For Joe
2B – Sometimes I Wonder
3B - Get the Money
4B - Weak Sauce

sexta-feira, 20 de março de 2020

Live at the Fillmore East – 1971 - The Allman Brothers Band (Deluxe Edition)


Não é fácil escolher um entre tantos discos ótimos dos Allman Brothers, banda formada em Macon, na Georgia, pelos irmãos Gregg e Duane.
Tenho todos, mas escolhi esse duplo ao vivo porque sintetiza o que de fato era o super grupo que traçou as linhas do blues/rock com o lançamento de seu primeiro álbum em estúdio, gravado em1969. 
Considero esse Live at the Fillmore East, gravado em julho de 1971, um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos. De todos os que ouvi, lógico. Lançou-os ao estrelato e após 50 anos, ainda é o disco que melhor capta a energia da apresentação ao vivo de uma banda no auge. 
Não é pra menos, esse ao vivo traz a banda completa, Dickey Betts (guitarra e voz), Butch Trucks e Jai Johanny Johanson (bateria), Barry Oakley (baixo), além de Gregg (teclado e voz) e Duane (guitarra), em um dos palcos mais prolíficos dos anos 60/70, o Teatro Fillmore, comandado por Bill Grahan, onde os shows costumavam durar três horas, no mínimo.
O LP original tem sete temas, extraídos pelo produtor Tom Dowd – parceiro dos irmãos desde o álbum anterior, Idlewild South – de duas apresentações em março de 1971, em New York. 
Nessa versão as três primeiras músicas são os blues enfesados Statesboro Blues, Done Somebody Wrong e Stormy Monday, para depois mudar drasticamente para os temas viajantes, misturando rock, jazz e muito rythmn and blues.
As suítes que faziam os shows durarem tanto, You Don’t Love Me, Hot ‘Lanta, In Memory of Elizabeth Reed e Whipping Post levam a um mergulho no túnel sonoro dos Allman Brothers. Desafio alguém a me mostrar uma dupla de guitarristas na mesma banda mais foda do que Duane e Dickey Betts.
A minha versão é a  De Luxe Edition, com CD duplo com mais algumas faixas extras – faixa não porque CD não tem faixa, coisa de velho! Músicas é melhor. São elas Don’t Keep Me Wonderin’, One Way Out, Midnight Rider, Mountain’ Jam (com fudidos 33.39’) e Drunken Hearted Boy.
One Way Out e Midnight Rider foram gravadas em 27 de junho, as demais foram gravadas em 12 e 13 de março de 1971. Todas no Fillmore de New York.
Este álbum foi o último gravado com a formação original. Em 29 de outubro de 1971, em meio às gravações de Each a Peach, quatorze dias após os Allman Brothers ter ganhado o disco de ouro por Live at Fillmore East, Duane Allman morreu em um acidente de moto com 24 anos a caminho da casa de Barry Oakley. E em 12 de novembro de 1972, aos 24 anos, Barry Oakley morreu em um acidente de moto a três quarteirões do acidente de Duane. Sinistro.  

Músicas: 

CD 1
1 – Statesboro Blues (4.17)
2 – Trouble No More (3.43)
3 – Don’t Keep Me Wonderin’ (3.27)
4 – Done Somebody Wrong (4.33)
5 – Stormy Monday (8.48)
6 – One Way Out (4.56)
7 – In Memory of Elizabeth Reed (13.04)
8 – You don’t Love Me (19.16)
9 – Midnight Rider (2.55)  

CD 2
1 – Hot ‘Lanta (5.20)
2 – Whipping Post (22.53)
3 – Montain Jam (33.39)
4 – Drunken Hearted Boy (6.57)