segunda-feira, 2 de março de 2026

John Paul Hammond, um dos grandes músicos brancos de blues, remanescente dos anos 60, morreu no último dia de fevereiro de 2026

 

Foto: Cezar Fernandes - Rio das Ostras 2009

Hammond sempre estará entre os nomes mais importantes da cena de jovens músicos brancos fãs de blues que apareceram nos anos 60.
O impressionante revival que trouxe à tona nomes como Mississippi John Hurt, Skip James, Son House, Rev. Gary Davis e outros, teve em Hammond uma de suas principais vozes. Ele interpretou temas dos anos 30, 40 e 50 como poucos. Tocava guitarra (acústica e elétrica) e gaita presa no pescoço e cantava como um verdadeiro bluesman.
Já nos anos 60 gravou seus principais discos: Big City Blues(1964), é considerado um dos primeiros discos de blues/rock; Country Blues (1964), que traz temas de seus ídolos, Robert Johnson, Blind Willie McTell, Sleepy John Estes, John Lee Hooker,  Willie Dixon e Jimmy Reed, um de suas maiores influências, que Hammond teve a sorte de ver o show no Apollo Theatre, em New York, sua cidade natal; So Many Roads (1965), um marco registrado pelo selo especializado Vanguard, que contou com as presenças de Robbie Robertson, Garth Hudson e Levon Helm, que mais tarde formariam The Band. Também participam Charlie Musselwhite e Paul Butterfield. E ainda I Can Tell (1967), pela Atlantic. Ao longo de sua carreira gravou mais de 20 discos importantes em qualquer discografia.
Filho de John Hammond Sr, um dos produtores mais importantes para o blues e jazz dos Estados Unidos, com seu nome ligado a Billie Holiday, Bob Dylan, Stevie Ray Vaughn, Hammond Jr não ligava para a fama. Fez sua trajetória longe da influência do pai. 
Em 1966, após sair da faculdade e voltar para a sua cidade, já estabelecido no Village, Hammond conheceu um jovem que procurava emprego como guitarrista e colocou-o na sua banda. Esse jovem era Jimi Hendrix. Eles se apresentavam no Cafe Au Go Go, quando Chas Chandler - baixista da banda The Animals – viu Hendrix pela primeira vez e o levou para a Inglaterra. O resto é história.
Nas redes sociais a comoção foi grande. Charlie Musselwhite, Shemekia Copeland, Duke Robillard, Bob Corritone, Bruce Katz (seu tecladista), Kim Wilson, Ronnie, além de muitos perfis dedicados ao blues lamentaram a passagem de John Paul Hammond.   
Até o momento a família se limitou a informar a morte de Hammond, mas não o que a causou. 
Tive a oportunidade de assistir a três shows desse grande artista. O primeiro em 1991, no Sesc Santos, e os outros dois no Rio das Ostras Jazz e Blues Festival, onde pude conversar com o cara. E entrevista está nesse blog.
Também foi em Rio das Ostras, no hotel onde ficávamos hospedados, antes da entrevista, registrei o encontro de Hammond com o Jefferson Gonçalves e o Kleber Dias após o café da manhã. Jefferson mostrou as gaitas com sua assinatura e o Klebão os instrumentos que fabrica. Lembro que tiraram o som de How Long ali, à queima roupa. 

Segue a entrevista:   
https://mannishblog.blogspot.com/2009/09/john-blues-explosion-hammond.html

Foto: Dayse Marchiori

Foto: Eugênio Martins Jr

Foto: Eugênio Martins Jr

Foto: Eugênio Martins Jr