quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Itahhaém abre a temporada de festivais de blues e jazz em 2022

 

Prefeitura de Itanhaém e Mannish Boy Produções reúnem 12 atrações para o primeiro festival de blues de 2022. O cast conta com os veteranos Sérgio Duarte, Mauro Hector e Big Chico, mas também com novos nomes da cena, Filippe Dias, Pedro Bara e Carla Mariani

Sérgio Duarte

A partir desta sexta-feira, dia 14 de janeiro a cidade de Itanhaém, no litoral sul de São Paulo vai se transformar na capital do blues do Verão Paulista. Uma parceria entre a prefeitura  e a Mannish Boy Produções vai levar a nata do blues nacional ao Estação Blues, festival que receberá 12 shows. 
O projeto será realizado na Rua Cesário Bastos, um dos pontos históricos de Itanhaém,. em frente a antiga estação ferroviária, espaço revitalizado em 2021, tendo como um dos principais objetivos de sua revitalização a criação de um novo espaço de eventos.
"Estação Blues, surge com objetivo de diversificar a programação cultural de verão do município, valorizando os pontos turísticos, e incentivando o turismo de eventos em Itanhaém”, afirma o Diretor de Cultura Tony Sheen.
Os shows do festival de verão acontecem às sextas e sábados, sempre a partir das 20h, entre os dias 14 de janeiro e 5 de fevereiro, com acesso gratuito.

Confira a programação completa:

14/01 – 20h – Big Chico
15/01 – 20h – Carla Mariani
             21h30 – Mauro Hector Trio
21/01 – 20h - Boogie Duo    (Kadu Abecassis e Fabiano Guedes )
22/01 – 20h – Sérgio Duarte
     21h30 – Eletric Miles
28/01 – 20h - Val Tomato
29/01 – 20h – Vasco Faé
     21h30 – Filippe Dias Trio
04/02 – 20h -  Baby Labarda
05/02 – 20h – Pedro Bara
     21h30 – Dog Joe

Baby Labarba

Big Chico

Boogie Duo

Carla Mariani

Dog Joe

Electric Miles

Filippe Dias

Mauro Hector

Pedro Bara

Val Tomato

Vasco Faé


terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Talento pra confusão

Não toco
Não canto
As coisas que sinto no meu coração

Nunca decifrei o segredo de um violão
As notas não fazem sentido, essa construção

Não choro
Não rezo
E pra deus eu não peço perdão

Só venha andar ao meu lado
Se tiver o corpo fechado
Senão você pode errar
E acabar no chão

Na roda de samba eu nunca cantei um refão
Na falta de alguém eu vivo com um copo na mão

E nem que o sinal na esquina me cobre a atenção
Na lida da vida eu ando pela contramão

Nunca me expressei em um verso de uma canção
E tudo que eu faço ou falo só traz confusão

Só venha andar ao meu lado
Se tiver o corpo fechado
Senão você pode errar feio
E acabar no chão

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Roosevelt Collier e a slide da cura

  

Roosevelt Collier  - Rio das Ostras Jazz e Blues 2021 - Palco Costazul

Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior

A forma como Roosevelt Collier fala contrasta com a forma como ele toca sua lap steel. No trato, Collier, o grandalhão de calça jeans, camisa de flanela e boné, é maneiro, fala baixo, é bem humorado e educadíssimo. Quase um hippie. 
No palco, o cara se transforma. Ele e banda tocam alto. Bem alto. Muito alto mesmo.
A própria estrutura do seu instrumento, feito de corpo e cordas de aço, ajuda. Somado a isso, decibéis e mais decibéis em amplificação e o estrago está feito.
Essa foi mais uma entrevista coletada na edição de 2021 no festival de Rio das Ostras. Perdi o primeiro show de Collier no palco da Lagoa de Iriry, mas assisti o segundo, no  Costazul. O show teve ainda a participação do Eric Gales pra acabar de deixar todo mundo surdo de vez. 
Nascido e criado dentro de um igreja batista e sulista como integrante da banda Lee Boys, Roosevelt Collier se tornou um dos grandes sliders do sul dos Estados Unidos. 
Para quem não sabe, slider é aquele músico que toca um  instrumento de corda qualquer, deslizando um aparado de aço ou vidro pelas cordas. E isso é bem legal. Os malacos do velho blues do Mississippi que começaram com essa história,  Blind Willie Johnson, Casey Bill Weldon, Tampa Red, Blind Willie McTell, Charlie Patton, Blind Boy Fuller e o grande Leadbelly. 
Parece que estamos contando uma história antiga, mas não é isso. Nesse estilo musical, as habilidades atravessam as gerações o que permite sua “lapidação” e, como consequência, sua evolução.
Somente em 2028 Collier lançou seu primeiro e excelente álbum, Exit 16, um petardo com 10 musicas autorais produzido por Michael League, fundador da banda Snarky Puppy, com quem Collier já havia trabalhado no projeto Bokanté – A World Music Star Band.


Eugênio Martins Júnior - Você declarou que acredita que a música tem o poder de tocar e curar as pessoas. John Lee Hooker gravou um álbum chamado The Healer com esse mesmo sentido. Gostaria que falasse sobre esse poder do blues.
Roosevelt Collier – Antes de qualquer coisa. Obrigado. Minha música vem de uma origem espiritual. Eu sou da igreja. Para mim a música sempre será feita para tocar o coração de alguém. Ajudar a alimentar as mentes. Ajudar a fazer bem. Ajudar o poder de cura que cada um tem. A música pode ser muito poderosa se você souber canalizar essa energia. Transmitir esse poder para o seu público. Seu instrumento sua voz. Veja, se alguém do público estiver em um dia ruim, talvez dentro daquela hora que esteja escutando minha música eu posso fazê-lo esquecer os problemas. Essa pessoa vai desfrutar somente da música. Essa é minha missão.  

EM - É por isso que o teu apelido é The Dr?
RC – (Risos) Sim! Cara! Bem, como muitos de meus fãs me chamam de The Doctor desde o começo, desde o tempo que eu tocava na banda da família The Lee Boys. Remonta de um festival na Flórida, em 2005. Alguns da plateia gritavam: “Playing for me Doctor. Heal me Doctor”. E eu não fazia ideia do que era aquilo. Com quem eles estavam falando? Mas em todo festival aquilo continuou. E o pessoal da banda disse que eles estavam falando comigo. Foi assim que o apelido apareceu.    

EM - Como foi a sua infância musical passada na igreja?
RC – Passei toda a minha vida dentro da igreja. Nasci e cresci em uma grande família e todos tocam ou cantam. Meu avô era um pastor, um líder em uma igreja. E todos os seus filhos eram da música. Minha mãe cantava. E meus tios me ensinaram música e a todos os meus primos. Então, passei toda a minha infância na igreja aprendendo como tocar a lap steel. 

EM - Foi lá que você teve contato com a lap steel. Fale sobre esse instrumento, pouco conhecido aqui no Brasil.
RC – Bom, espero poder voltar e introduzir esse instrumento no Brasil. Trazê-lo às escolas para as crianças. Ensinar a tocar, a ouvir. É isso que eu faço. Adoro tocar e levar a música nas escolas locais. Esse instrumento é originário do Havaí. 

EM - Li que SRV foi a sua primeira influência da guitarra. Mas existem grandes sliders como Earl Hooker, Elmore James, Dickey Betts e Duane Allman. Gostaria que falasse sobre essa grande escola. Você se sente parte dela?
RC – Cara, você fez uma boa pesquisa. Quando estava no ensino médio meu amigo Andy Cole, que era um jovem blueseiro, fã de BB King. Ele me deu uma fita onde estava escrito SRV e falou para eu ouvi-la. E o cara da fita arrasava. Eu perguntei o que SRV significava. Meu deus! Ele me introduziu ao blues. Mas isso foi natural porque o gospel e o blues são bem parecidos. Tocávamos a mesma coisa na igreja. Então, esses caras já tocavam slide em suas próprias igrejas. Veja, a nossa igreja teve origem em 1903. E a steel foi introduzida em 1930.

The Dr e Eric Gales

EM – Os Allman Brothers, Dickey Betts, Derek Trucks, todos vieram do sul.
RC – Sim, eles são da Georgia. Nossa igreja é baseada no sul. É muito profundo. Eu já toquei com o Greg e o Allman Brothers. Não conheci Betts e nem Duanne, mas sou fã de ambos. Derk Trucks é o cara. Para aa nossa geração ele é o rei da slide. 
      
EM - Florida não é exatamente um estado com tradição no blues como o Mississippi ou Tennesse. Mas há um forte segregacionismo que faz com que o blues e gospel ganhe contornos de música de resistência. Poderia falar sobre isso?
RC – Há uma coisa que preciso te dizer. As pessoas não conhecem a Flórida. Existe muito blues na Flórida. Ela faz parte do sul profundo. Não é tão conhecido quanto o Mississippi. É claro que o blues desses lugares que você citou é mais conhecido. Mas um dos juke joints mais antigos está na Flórida, em Tallahassee, o Bradfordville. É claro, as pessoas de fora não o conhecem. Mas ele sempre esteve lá. Estou feliz em te dizer essas coisas. 

EM – Eu também, aprendo muito com essas entrevistas. 
RC – Tenho de lhe dizer uma coisa. Eu agradeço por poder essas perguntas e poder divulgar a nossa música. Para mim, vir ao Brasil e tocar é uma grande coisa. 



EM – Exit 16 traz uma grande mistura de ritmos. Muitos muito grooves, mas o Hammond traz a atmosfera da igreja. Gostaria que falasse sobre isso.
RC – Exit 16 é meu primeiro disco. É quem eu sou. De onde venho. E para onde vou. Minha raiz é a música gospel. O Hammond é muito presente nesse álbum, ele ressalta a minha voz. Ele dá o som orgânico que eu preciso. Muito groove, com um som gospel, mas não o gospel tradicional. Tudo nesse disco foi feito da forma mais crua e pura que conseguimos.    

EM - Você fazia ideia que existia uma cena de blues brasileira?
RC – Bem, sabia que na América do Sul havia pessoas que tocavam blues, especialmente no Brasil. Já havia ouvido falar e até conheci alguns músicos. Não lembro os nomes. Mas eles tocavam blues muito bem. Não conhecia da cena no país. Estou totalmente surpreso com esse país. Preciso voltar mais vezes e explorar melhor o Brasil. A cena musical local. Tocar com as pessoas daqui. Vocês têm um povo maravilhoso aqui que eu quero conhecer mais.

sábado, 1 de janeiro de 2022

Azymuth é ouvido ao redor do planeta por 50 anos

 

Alex Malheiros e DJ Nuts - Palco Costazul

Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior

Os navegadores do passado se orientavam pelo azimute em suas grandes jornadas pelos mares do planeta, sempre baseados no horizonte à frente.
Isso nem sempre garantia uma viagem tranquila, pois, como diria o poeta, “o mar da história é agitado”.
O caminho traçado pelo Azymuth, grupo brasileiro de jazz criado no começo dos anos 70 por Roberto Bertrami (teclado), Alex Malheiros (baixo) e Ivan Conti (bateria), compreende um mar de histórias, entre perdas e glórias.
Desde o começo glorioso e a parceria com Marcos Valle que valeu o nome ao grupo, às excursões e gravações com a nata da música brasileira ao longo das décadas seguintes, Clara Nunes, Hyldon, Tim Maia, Airto Moreira e Flora Purim. 
Com a primeira perda de um integrante, Bertrami, no final dos anos 80. E a segunda, Malheiros uma década depois. 
À glória dos anos 90 com o reconhecimento pelas bandas gringas da  nova onda de acid jazz – Jamiroquai, Incognito e Brand New Heavies – pelo trabalho pioneiro do Azymuth, este sim, especialista em fundir o nosso jazz com o deles. É fusion que diz? 
Também nessa época, muitos DJs internacionais seguiram as manhas do Azymuth em suas próprias jornadas, criando sons e amealhando plateias ao redor do planeta. 
À volta por cima com a banda completa novamente gravando a fazendo shows até a perda definitiva de Bertrami em 2012.
À entrada de Kiko Continentino (teclado) trouxe a brisa marítima de volta ao som do grupo. 
E foi em frente ao mar, na praia de Costazul, que assisti à incrível apresentação do Azymuth com o DJ Nuts no festival de Rio das Ostras, em novembro de 2021. Segundo Malheiros, eles não haviam nem ensaiado para esse show.
Com meio século de história, o Azymuth tem essa capacidade, a de reunir uma plateia de jovens. 
Percebi que após o show, toda uma galera que estava na frente do palco saiu dali para falar com o Mamão, o Alex e o Continentino. Inclusive, músicos de outras bandas que estavam ali, hipnotizados, assistindo o show no cockpit, integrantes da banda do Jon Cleary e Delvon Lamarr
Essa entrevista ocorreu no dia seguinte ao show. No café da manhã da pousada onde eu e o Alex estávamos hospedados.


Eugênio Martins Júnior – O que achou do show de ontem?
Alex Malheiros – Foi uma volta retumbante. Gostei muito. Foi a primeira vez que a gente tocou após todo esse tempo de pandemia. A gente fazia as coisas em casa, mas não é a mesmo coisa. Com público é outra coisa. Quanto mais com um público bacana. Só tenho a agradecer.

EM – Quantos ensaios precisaram pra voltar à velha forma?
AM – Esse era o nosso problema. Não tivemos ensaio. Passamos só uma música, eu na minha casa, o Kiko Continentino e o Mamão, à distância. A trilha não fica certinha, mas deu pra fazer. E acabou que não a tocamos. Fomos lembrando as músicas e tocando. Iníciamos numa boa e no meio do show já estava ótimo. 

EM – Hoje estão todos no Rio?
AM – Não exatamente. Eu moro em Niterói, na região oceânica, que é em frente a Cobacabana. O Mamão mora num lugar mais perto de Rio das Ostras que é um lugar chamado Saquarema. Lá é o lugar do surf e do volei. 

EM – O Azymuth é uma banda que surgiu no final dos anos 60 e começo dos 70 no Rio de Janeiro, quando ainda era chamada de cidade maravilhosa. Esse Rio de Janeiro ainda inspira vocês a fazer essa música ou está muito barra pesada.
AM – Tá barra pesada. O Rio de Janeiro é outra coisa. Mesmo morando em Niterói eu saí garoto para tocar nas boates do Rio, no Beco das Garrafas. E veio a turma de Minas, o Milton Nascimento, o Wagner Tiso, Pascoal Meireles. Éramos todos da mesma idade. Era outra coisa, a gente trabalhava até as quatro da manhã em uma boate, em outra, uma escola. Dava pra andar, por lá. O estado do Rio de Janeiro caiu muito. Com o aumento da densidade demográfica é normal que isso aconteça, é no mundo todo. Não há muito saída.

EM – A saída é a condição de vida melhorar para todos e não só para alguns.
AM – É o que que gente sempre espera e não acontece. O Brasil tem um potencial maravilhoso e fica na mão das pessoas de qualquer maneira. Tanto de um lado quanto do outro as pessoas aproveitam. Já é uma tradição desde o Império. A dilapidação da nossa riqueza. Respeito Portugal, é lindo, maravilhoso, mas o nosso ouro foi embora. Mas a gente não vive de ouro. A gente vive de esteio, de segurança, compartilhamento, e isso foi acabando. Eu sou um socialista por natureza, de coração. Fui para a França e fala: “Viva l',anarchie!”. Meu sogro me falava pra não falar aquilo. Como não? É como os índios vivem. Em completa união. Tem o chefe, mas ele é o tutor e não o mandatário. Não é o coronel.

Ivan "Mamão" Conti

EM – Nem o capitão.
AL - Nem o capitão. Capitão é pouco. Três estrelinhas. Eles têm essa onda, né? “Ah eu sou mais do que você”. Como é que você é mais do que um cientista que descobre as vacinas? É muito duro, na idade que estou, passar por um mundo desse. Meu pai já falava que não conseguia ver melhora. Eu já passei da idade dele e será que não vou ver? Ontem a Marieta Severo na televisão disse “Será que eu, com a minha idade, ainda vou ver a coisa ficar bacana novamente?”

EM – Podemos voltar na política daqui a pouco. O Azymuth parou um tempo, até pela sua saída. E nos anos 90 um movimento de da bandas européias de acid jazz colocou o nome do Azymuth em evidência novamente. Vocês voltaram e não pararam mais. Gostaria que falasse sobre isso.
AM – Foi muito bom ser reconhecido pelos DJs jovens. O pessoal que conhecia o Azymuth desde garoto. A data de 1975 foi do primeiro disco, mas a gente havia feito muitas outras coisas. O nome vem do disco do Marcos Valle, era dele, mas na verdade era Orquestra Azymuth. Era um conjunto de estúdio. Nós nos apropríamos do nome, numa boa. Pedimos à gravadora, como se o Marcos fosse o nosso padrinho. Quando chegou nos anos 90 essas gravadoras indie e os DJs adotaram o Azymuth novamente. Porque tem uma liguagem fácil. É bom de samplear. Os caras se apaixonaram. Essa tendência fez com que fossemos conhecidos por cada vez mais jovens. Ontem eu fiquei impressionado. Ontem o Stênio, o produtor do festival chamou a nossa atenção para o público de jovens que estava lá na frente. Nós já estamos vendo isso há um tempo. Chegamos na França em 2016 e já havia um pessoal jovem esperando a gente em uma boate famosa, a New Morning. E eles cantavam! 

EM – Você diz que é simples mas quando vocês começam a quebradeira não é bem assim.
AM  - (risos). A irmã do Kiko que mora na Alemanha diz que é uma música xamânica. É verdade, a gente está sempre puxando coisas do astral. O lance espiritual, transcendental. Tem gente que não acredita. Mas isso é muito bom para o Azymuth.

EM - Ontem eu estava na frente do palco fotografando e vi muitos jovens chegando ali, mas logo após o show terminar muitos foram embora. Ou seja, eles estavam ali só por causa do Azymuth. 
AM – Isso é muito legal. Ontem encontramos com o baterista norte-americano, de New Orleans, que já conhecia o Azymuth. E ficou ali reverenciando o Mamão. Isso é importante porque o tempo fez com que a coisa não morresse. 

EM – Como surgiu a ideia de chamar o DJ Nuts?
AM – Já havíamos tocado com ele. Nos encontramos nos Estados Unidos em um festival em Los Angeles. De lá para cá fizemos várias coisas. 

EM – E essa procura pelos DJs e gravadoras abriram as portas para o Azymuth na Europa?
AM – Com certeza. Na verdade nós já tínhamos discos internacionais, lançamos nos Estados Unidos, Japão, pela Fantasy, famosa no cenário jazzístico. As músicas do Azymuth não são complicadas, já li críticas importantes que a nossa música é simples, mas especial. Entendeu? É única, nossa. E gostamos de dar essa oportunidade de todos usufluirem dessa simplicidade.

Kiko Continentino

EM - O quê a entrada do Kiko Continentino acrescentou ao Azymuth?
AM – A linguagem é a mesma, mas trouxe algumas novidades. Eu e Mamão somos de uma época diferente. Começamos nos anos 60 e ele começou a estudar o que a gente fazia, mais as coisas naturais da época dele, nacionais e internacionais. E como todo jovem assimila as coisas com muita facilidade. Quando éramos jovens nós também procuramos nosso espaço, por isso fomos parar na bossa nova. 

EM – Voltando a falar sobre o Brasil, estamos tentando retomar a vida, mesmo com essa tragédia que está acontecendo, cinco milhões de mortos pela Covid-19 ao redor do mundo e mais de 610 mil no Brasil. O brasileiro não contou com nenhum apoio do Governo Federal. Como você analisa essa situação? E também como vê o tratamento do governo com a cultura? 
AM – Os caras não se importam com o outro. A cultura pra eles não existe. Acho que temos de respeitar todas as opiniões. Como disse antes, tem a ver com o anarquismo, de envolver a tudo e a todos, de não ter um chefe. A vida é tão curta. Ontem mesmo perdi um amigo, um jornalista com 55 anos. A gente fica triste de ver tantas perdas. O mundo mudando totalmente. Era para o ser humano ter aprendido tanta coisa, mas ainda não alcançou esse momento sublime, o de entender que tem de haver uma harmonia. O homem não precisa de ninguém mandando nele, dessa hierarquia. Isso é coisa do passado. Com todo o respeito à esquerda, direita, centro, todos almejam o poder. Isso é muito triste no ser humano, ser poderoso. “Eu sou o poder”. 

EM – Como estão as composições novas?
AM – Mexo muito com tecnologia, estúdio, conheço alguma coisa. A minha filha que é cantora me ajuda. Ela já tem um nome lá fora, aqui ninguém conhece, Sabrina Malheiros.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Tudo pode acontecer

Tudo pode acontecer
Quando a polícia protege o patrimônio e não você
Quando você se informa por um certo canal de TV

Tudo pode acontecer
Quando você olha, mas não consegue ver
Que um delírio coletivo colocou um genocida no poder

Tudo pode acontecer 
Quando um homem vê o filho sem ter o que comer
E saqueia um lugar disposto a matar ou morrer

Tudo pode acontecer
Quando o nosso direito não garante uma vaga na sala de aula
Mas a falta dele nos reserva uma jaula

Tudo pode acontecer
Agora que entendi que sou um paria na tua sociedade industrial digital
E que a minha presença só não te incomoda em ano eleitoral

Tudo pode acontecer 
Quando o que eu ganho não paga uma cama no hospital
Que saquei que fiquei fora do teu conceito de bem estar social
E o que me resta do Estado é uma batida policial
É eu sei, o teu pet é da família, mas eu sou tratado feito um animal

Tudo pode acontecer agora
Quando um solo de trompete me transporta além do ser
E o groove da batera faz meu core amolecer

Aqui onde eu moro vejo a neblina do morro caindo sobre a cidade
Fazendo do blues a minha verdade
Me fazendo perceber que o tempo pra sair dessa condição
Vai durar uma eternidade

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Jon Cleary segue a tradição dos grandes pianistas de New Orleans

 

Jon Cleary no palco Costazul em Rio das Ostras

Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior

New Orleans é uma cidade magnética. Cheia de histórias e lendas que atraem pessoas de todo o mundo. 
Jon Cleary era um garoto britânico que ouvia os discos de seus pais aficionados por blues e jazz e que conseguiu realizar o sonho de viajar em busca de seu eldorado musical. 
Aos 18 anos, o que poderia dar errado? Quando a sorte está do seu lado, nada. De cara o pequeno Jon botou os pés em uma das casas de shows mais legais da cidade, o Maple Leaf Club. Entrou como pintor e saiu de lá como um dos grandes pianistas da melhor tradição de New Orleans. 
O garoto que arranhava as cordas da guitarra e depois passou a se interessar pelo piano e órgão Hammond, conheceu os melhores no clube da Oak Street: James Booker, Henry Butler, Dr John, Walter Wolfman só para citar alguns da constelação de NOLA.
Como reza a tradição, jovens músicos têm de adquirir horas de voo com os velhos falcões para depois voar sozinho. Como sideman tocou com Eric Clapton, Taj Mahal, Bonnie Raitt, Maria Muldaur entre outros. E também Allen Toussaint, seu ídolo e mentor. 
Hoje, aos 59, o cantor, compositor e pianista é um desses falcões e dono de uma discografia que inclui trabalhos magistrais. 
Seu primeiro álbum solo, Moonburn (1999), já com a sua banda Absolute Monster Gentlemen, tem a colaboração do produtor John Porter. O ao vivo Mo Hippa (2008) dá a dimensão de quão envolvente é a música de Cleary, uma mistura entre blues, soul, funk e, como eles dizem lá, ritmos do pântano (rhytmns of the bayou). Ocapella (2012) é uma homenagem ao próprio Allen Toussaint. Go Go Juice (2015), premiado com o Grammy, e o mais recente Dyna-Mite (2018). Pode comprar qualquer um sem medo de errar.
Cleary esteve no Brasil em novembro de 2021 para três shows, um no Bourbon Street em São Paulo e dois no Rio das Ostras Jazz e Blues, onde foi realizada essa entrevista.
O show de Cleary no palco Costazul do festival carioca foi meu primeiro show internacional após o retorno das atividades com a queda de infectados pelo vírus corona.  
Nunca podemos esquecer que milhares morreram infectados pelo vírus e milhões perderam seus empregos no Brasil, inclusive os músicos. Estar ali vivo e ouvindo aquela música maravilhosa foi uma das melhores sensações que já senti na vida. Saudaçoes ao Stênio e toda a equipe.


Eugênio Martins Júnior- Quando foi a primeira vez que ouviu o blues na Inglaterra?
Jon Cleary – Cresci com a o blues na minha família. Meu pai tocava em uma banda de skiffle nos anos 50. E costumava tocar músicas do Leadbelly, famoso cantor de blues da Louisiana. Lembro deles tocando Rock Sland Lines, Taking My Potatoes e Bring a Little Water, Sylvie. Eu estava sempre por perto.       

EM - E quando tomou a decisão de mudar para New Orleans?
JC – Foi logo após deixar a escola. Sempre quis ir a New Orleans. Essa sempre foi a minha ambição. Foi quando tirei duas semanas de férias pela última vez há 40 anos atrás.  

EM – Foi muita coragem pra pouca idade.
JC – Coragem ou estupidez? (risos). Quando você tem 18 anos também podemos chamar de estupidez. O que poderia dar errado. Acho que tive muita sorte. 

EM – E você chegou e já foi direto ao Maple Leaf?
JC – Sim, eu tinha o telefone de uma garota que trabalhava lá e que me arrumou um trabalho. 

EM – Viu muitos artistas se apresentando?
JC – Sim, muitas bandas. Rockin’ Dopsie estava sempre lá. Clifton Chenier, Neville Brothers Stevie Ray Vaughn, Fabulous Thunderbirds, James Booker, Roosevelt Sykes, muitos artistas.


EM – Nessa época você já tocava lá?
JC – Quando era pequeno já tocava um pouco de piano, mas comecei a aprender guitarra. Foi em New Orleans voltei tomar gosto pelo piano. No Maple Leaf havia um piano antigo e a minha primeira apresentação ao piano foi lá.

EM - Você conheceu Snooks Eaglin. Poderia falar sobre essa experiência?
JC – Na Inglaterra eu já escutava os discos de Snooks Eaglin do meu tio. Então já conhecia aquele som. A primeira vez que o vi foi em um festival em New Orleans. Anos depois passei a tocar piano na sua banda. Era uma grande banda com Smokey Johnson da banda do Fats Domino na bateria. Foi uma experiência incrível. 

EM – Allen Toussaint foi uma grande influência pra você. Você gravou o álbum Ocapella com suas músicas. Gostaria que falasse sobre essa influência. 
JC – Allen Toussaint, Dr John e James Booker são de uma geração antes da minha. Mas Allen Toussaint sempre teve muito a ensinar a qualquer músico. Com ele aprendi como arranjar, escrever canções e a disciplina para ser um líder. Os músicos de New Orleans são muitos desorganizados. E Allen Toussaint sabia como organizá-los para executar os arranjos que ele elaborava.

EM - Você se sente fazendo parte dessa que é uma tradição de pianistas de New Orleans, como Professor Longhair, Dr John, Allen Toussaint, James Booker, Fats Domino, Henry Butler, entre outros?
JC – Bem... acho que sim. As pessoas é que vão decidir. Mas tive sorte de poder ter aprendido com todas essas pessoas que você mensionou vendo-as no palco. É assim que a tradição é passada. A gente aprende com os discos, mas não há nada como estar em pé na frente de um palco vendo Toussaint ou Dr John ou James Booker. Essa é uma experiência preciosa. Espero que quando estiver velhos os jovens pianistas venham me ver. Seria perfeito.


EM – Vamos falar sobre Dyna-Mite, seu novo álbum que traz um bocado de ritmos como uma receita típica de New Orleans e seus sabores. 
JC – Como você disse, New Orleans tem uma longa história, com muitos aspectos, muitas misturas. Com relação ao piano eu sigo a escola percussiva já existente com todas aquelas progressões de acordes. Mas mais do que isso, também tenho a atitude festiva que os artistas de New Orleans empregam em sua música. É a coisa real, não faz parte da indústria da música. Como a música brasileira ou cubana, que vem das ruas e não dos escritórios das gravadoras. Em New Orleans qualquer pessoa pode tocar percussão nas ruas, com vocês fazem aqui no Brasil, mas por outro lado essa música pode ser muito sofisticada. Transita nesses dois mundos. A forma como as pessoas em New Orleans tocam jazz e blues influenciou o mundo todo.

EM - Como tem sido a vida em New Orleans sob a pandemia de covid-19? Como as pessoas estão encarando mais essa tragédia? Você se vacinou?
JC – Bem, se você estava se referindo ao Katrina isso foi há quase 15 anos atrás. Quanto a isso o povo foi bem forte. Já tem experiência nesse tipo de desastre. A pandemia foi desastrosa para New Orleans porque as pessoas estão acostumadas a celebrar a vida. Como no Brasil, a música lá é muito importante. E os shows pararam e os músicos ficaram sem trabalho. Não só os músicos. 

EM – Há nos Estados Unidos um grande movimento anti-vacina. Como você vê isso?
JC – Particularmente acho que se você se tiver a oportunidade de se vacinar vai poder proteger a você e outras pessoas. Então, aproveite. Mas há as pessoas que acreditam que as vacinas não foram testadas o suficiente, o que pra mim é uma loucura, mas tudo bem. É um país livre. Um me vacinei assim que eu pude. Acho que o perigo de pegar covid é maior do que o perigo que a vacina pode trazer. 

EM – E como foi o show de ontem em São Paulo?
JC - Foi um grande show. Muito bom mesmo. A audiência estava empolgada. É muito importante que o público dance, faça barulho. Sou músico profissional e as vezes acontece de um show não ser tão bom. Acontece. Mas há shows que são especiais também. E essa gig foi especial.




quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Diário de Rio das Ostras 2021 - segunda-feira, dia 15 - 4º dia

 

O bom e velho blues de Alamo Leal

Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior

Nada está tão bom que não possa melhorar. O quarto e último dia do festival foi demais. 
Agendei e cumpri o compromisso de entrevistar o Roosevelt Collier, slider da pesada que toca um instrumento estranho, a lap steel. Collier é um cara muito gentil e espiritualizado, quase um hippie. Logo publico a entrevista no blog.
Mas antes de ele descer fiquei ali no jardim da pousada conversando com o caras da banda do Hamilton de Holanda que estavam esperando a van para levá-los ao palco Iriry. E “os caras”, eram Thiago Espírito Santos, Daniel Santiago e Edu Ribeiro. OS CARAS!
Finalizada a entrevista, bora para Iriry ver a passagem dos malandros mais responsas do jazz brasileiro. O palco é aberto e quem estava de fora já conseguia ver e ouvir de boa a banda tocar os temas do show.
De acordo com os protocolos de segurança adotados pelo festival, as pessoas deveriam retirar ingressos por meio de uma plataforma específica e acabavam rápido porque o número era bem limitado. Por isso a direção do festival começou a levar porrada de montão nas redes sociais. Mas veja só como brasileiro não é mole. Algumas pessoas que retiraram os ingressos não foram aos shows, deixando as cadeiras vazias enquanto um monte de gente ficou de fora, atrás dos gradis. 
O show começou e a plateia em frente ao palco ficou vazia, impressão péssima, pra quem toca e para as pessoas que estavam lá sentadas. A direção então tomou uma decisão mais que acertada, liberou a entrada das pessoas a partir da terceira música.
O show foi basicamente o mesmo da noite anterior, com Tá (parceria de Hamilton com Thiago da Serrinha), a genial Tamanduá, Samba Blues e finalizando com Chega de Saudade. Esse palco Iriry deixa todo mundo próximo e os caras estavam na febre de tocar. Essa é a mesma banda que gravou o Harmonize, CD de 2019.
O publico ama o Hamilton de Holanda. A banda do Eric Gales chegou bem no hora de o show começar, o Eric sentou na plateia com sua esposa LaDonna até ser descoberto e ter de sair por causa do assédio.
Seu baterista ficou olhando o Edu Ribeiro tocar todos aqueles sambas e o baixista ficava olhando o Thiago marcando o tempo com o pés aquela batucada surreal para os gringos. 
Legal saber que a nossa música tem essa moral. A nossa cara, o nosso DNA. Valeu Hamilton e banda vocês são um patrimônio nacional.

Jefferson e Otavio

Ugo Perrota

Acabando o primeiro show, as pessoas deveriam saír para que as outras que retiraram ingresso para o segundo show entrassem. 
Então, quando o Eric Gales ia começar o show soltou essa: “Eu gostaria de saber porque os lugares estão vazios? Eu só vou começar a tocar quando abrirem os portões”, e mandou OPEN THE GATES. Tinha uma galera na frente do palco que começou a gritar de onda OPEN THE GATES, OPEN THE GATES. Eric foi avisado que iriam liberar a plateia a partir da segunda música e se acalmou. 
O show começou com o Eric imitando um berimbau naquela guitarra invocada dele. O público veio abaixo. 
Aí aquela batida virou um riff de guitarra "paracendo" um berimbau distorcido e muito alto e já engatou a segunda música na primeira. Com cinco minutos de jogo, Eric Gales 1X0.
Terminado o começo: “OPEN THE GATES, OPEN THE GATES, OPEN THE GATES”. Aí não teve jeito, o lugar ficou entupido. 
O show também foi basicamente o mesmo de sábado. Só que com a participação do Roosevelt Collier que já o havia convidado Eric para o seu show. Uma quebradeira só. 
Em determinado momento Eric fez a seguinte afirmação: “Em meu país as pessoas brancas não gostam das pessoas negras. Aqui no Brasil isso não existe”. E soltou um grito no microfone para mostrar felicidade. 
Nesse momento, adivinha: “FORA BOLSONARO, FORA BOLSONARO. Não sei qual o motivo, mas nesse ano todas as vezes que o grito contra o genocida apareceu foi quando Eric Gales estava no palco.
Com relação à observação do guitarrista nortte-americano, se eu fosse alguém perto do Eric levaria uma ideia com o cara para dizer pra ele que não é bem assim. Que ele estava sendo tratado desse jeito porque ele é uma estrela. Que aqui no Brasil há o racismo estrutural que mata muito mais do que o racismo do país dele. Mata os negros no berço. E que isso faz parte da formação do Brasil e que hoje isso está sendo contestado pela parte mais afetada da população, enquanto a outra faz de tudo para manter o status quo vigente. Que a polícia do Brasil, instituição criada e mantida para proteger o patrimônio, é que mais mata no mundo, principalmente a população negra e periférica. 
Você que está lendo isso agora deve estar pensando, “o que isso tem a ver com música?” Eu digo: “TUDO”. Tem a ver com o blues que você escuta. E se você se incomoda com esse tipo de colocação, ou nunca foi afetado pelo problema, ou faz parte dele.

Daniel Santiago e Chris Potter

O show acabou e eu tinha um tempo para comer decentemente e com calma pela primeira vez. Fui ao restaurante e pedi filé mignon com arroz com alho e ervas.
Perdi o show do Segundo Set e não fiz questão de ver o da garotinha Sofia Farah.
O penúltimo show do Rio das Ostras Jazz e Blues com o guitarrista carioca Alamo Leal com a Blues Groovers, banda formada por Ugo Perrota (baixo), Beto Werther (bataria) e Otavio Rocha (guitarra). Os dois últimos também formam na Blues Etílicos. Alamo e banda fizeram um show de blues clássico. O Alamo é um veterano no blues que morou no Reino Unido por décadas e conhece como poucos os segredos do blues. Encantou com seu fraseado elegante os heróis da resistência que estavam na platea. O show teve ainda a participação do gaitista Jefferson Gonçalves, sempre brilhante. 
A Moving Waters é uma banda idealizada pelo guitarrista Lancaster e conta com 09 elementos em cima do palco, o que garante um show cheio de nuances. Lancaster é um criador de bandas, foi os responsável pelas montagens da Blues Beatles e Serial Funkers. E não me pergunte o motivo de o cara sair dos grupos quando eles começam a tocar por aí e ganhar grana. Pois bem, um dia antes do show, o Lancaster sofreu um mal subito e teve de ser internado. Ele não pode estar no show da Moving Waters, mas a banda cumpriu seu papel apresentando músicas autorais: Sweet Invasion, Love is My Protection, Free Thinking People, Tell Me, In The Land of Thunder, Thought You Were Here, Turn on the Power e The Last One to Know. Finalizando em alto astral com um bailão Bob Marley, Three Little Birds, I Shot The Sheriff e Get Up Stand Up.    

Desafios de 2022 - Pelo que sei o festival do ano que vem já está programado para acontecer em sua data tradicional, o feriado de Corpus Cristi. Vai ser pedreira organizar um festival desse porte em  oito meses. 
Mas a equipe do Rio das Ostras Jazz e Blues acaba de superar o desafio de montar o festival com uma pandemia em andamento. Claro que ainda há alguns ajustes a se fazer para o ano que vem, por isso esse foi um evento teste. E o público tem de fazer sua parte, fazer sua própria segurança usando a máscaras de proteção.
O evento não teria acontecido sem o comprometimento da equipe do Stênio Mattos, a Andrea (logística), Márcia (comunicação), Bill (gerente palco), Jerubal (técnico responsável pelo som), Ugo Perrota (um salve pro Ugo que aguentou firme no show do Alamo após ter passado mal na mesma tarde), Jefferson Gonçalves e Kleber Dias (passagem de som das bandas) e pela equipe do Cezar Fernandes, que cobre o festival como fortógrafo desde o começo e esse ano deu um show nas mídias sociais, com entrevistas, resumos em vídeo, fotos, imagens de drone e várias câmeras. Muito mais pessoas estiveram envolvidas, mas essas foram as que eu tive mais contato ao longo desses anos.

Dica de ouro – Se você adora piscina com criança gritando o dia inteiro e bicando a tua porta, dormir ao lado da caixa de som tocando Barões da Pisadinha o dia inteiro, ficar sem internet e não é chegado em banho, recomendo a pousada Maresias. Implore pelo quarto 2. Gostaria de agradecer as pessoas que me colocarem lá. Que Deus as elimine. 

Conclusão – Após cinco dias perambulando pelo Rio de Janeiro em busca do bom e velho blues, do show perfeito, peguei estrada de volta pra casa. Dez horas de viagem ao volante, com direito a usufruir do engarrafamento mais chic do mundo, com vistas ao meu lado esquerdo para a Urca e o Corcovado, o da Ponte Rio Niterói. Como diria Buika ao final, jodido pero contento. Que venha 2022.

O público ama essa banda, Hamilton de Holanda Quarteto com Chris Potter

Onde está o Eric?

Rapunzeric refazendo as tranças e Smoke Face fazendo... smoke

Esse sabe o que é blues, Alamo Leal

Otavio "Blues Etílicos" Rocha

A ala feminina da Moving Waters 

Moving Waters