sexta-feira, 29 de maio de 2020

Caminho Pra Casa (uma versão para More Than One Way Home do Keb Mo)

Meu pai só trabalhava
E eu nem o via
Mas a minha mãe estava sempre ali
Velhos tempos em Santos
Não era só praia,
Havia o lado escuro que você tinha de ir

Os garotos da minha rua
Perdidos nos anos 80
Não pensavam no futuro
Era só diversão
E a dona Nazareth e sua fé
Ao caminho da igreja
Enquanto seu filho aprontava
E ficava famoso na vizinhança

Nunca perca a esperança
Há mais de um caminho para casa
A vida na estrada é sempre dura
Seja certa ou seja errada

Desde muito cedo
eu fui trabalhar
Depois de escola eu não tive escolha
Sentindo na pele o peso
da desigualdade
Conheci uma garota
que me fez pensar

E o tempo que eu passava na rua
Não fazia mais sentido
Uma criança estava chegando
E eu estava com medo
Passei muito tempo jogando conversa fora
Mas vi a verdade
E fiz minha escolha
Parei coma loucuras e as fissuras
E segui em frente

Nunca perca a tua esperança
Há mais de um caminho para casa
A vida na estrada é muito dura
Seja certa ou seja errada

Solo flow de guitarra

Nunca perca a esperança
Há mais de um caminho para casa
A vida na estrada é... sempre dura
Seja certa ou seja errada

Nunca perca a esperança
Há mais de um caminho para casa
A vida na estrada é... sempre dura
Seja certa ou seja errada

Um blues pra estrada

Ouvi muita mulher chorar
Agora estou sozinho
Tô pagando a conta
Do blues no caminho
         
Já dormi na rua
Arrumei confusão
Já quebrei a cara
Já tive ilusão

Já fumei maconha
Já usei pó
Já tomei birita
Já cheirei loló

Já quebrei a banca
E ganhei dinheiro
Já devi pro banco
Chorei no banheiro

Já nadei no mar
Já peguei estrada
Já fiz cerveja
Varei madrugada

Fui sacaneado
Já tomei geral
Apanhei na cara
É, já me dei mal

Eu já vi o Cazuza  
Eu já vi o Melô
Eu já vi o Raul
Cantando o amor

Já vi o por do sol
Já vi um bebê nascer
Já vi tanta coisa
Você pode crer

Já rezei na privada
Isso eu admito
Mas nunca chamei
Um canalha de mito

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Morre Lucky Peterson aos 56 anos em Dallas


A família de Lucky Peterson anunciou nesta manhã que o cantor, guitarrista e tecladista morreu ontem após dar entrada em um hospital em Dallas, Texas. A causa da morte não foi divulgada.
Judge Kenneth Peterson foi filho de um dos mais importantes blueseiros de Buffalo, no estado de New York, James Peterson, que  por sua vez, era filho de um dono de uma concorrida jukejoint no Alabama. 
Peterson especializou-se no órgão Hammond B3 e na guitarra e aos 17 anos já integrava a banda de Little Milton e depois a de Bobby “Blue” Bland, dois  grandes nomes do blues.
Nessa época conheceu o produtor Bob Greenlee que o levou à  Alligator Records para gravar os excelentes Lucky Strikes! e Triple Play. 
Nunca mais parou de gravar discos acima da média e hoje é aclamado como um dos grandes do blues. Em 2017 gravou o excepcional Tribute to Jimmy Smith, homenagem ao seu ídolo e mentor. 
Em junho de 2019 Lucky Peterson e sua esposa, Tamara, se apresentaram no festival de Rio das Ostras (RJ) que voltou com força total.
Ainda no final de 2019 Peterson lançou um ótimo álbum comemorando meio século no blues, 50 – Just Warming Up! Ironicamente foi seu último trabalho.
Tamara emitiu um comunicado agradecendo as condolências vindas de todas as partes do mundo: “Obrigado por seu derramamento de amor, pelas fervorosas orações, por todas as chamadas, textos e postagens nas mídias sociais. Sentimos sua presença e agradecemos todo o seu apoio durante este período difícil. Lucky ficaria impressionado com a demonstração de amor e afirmações positivas dadas em homenagem a ele. 
E ainda citou a comunidade blueseira: “À nossa extensa comunidade de músicos, artistas e aqueles que nos adotaram como família OBRIGADO! Nossas vidas foram tremendamente abençoadas durante essa jornada musical; há tantos que conhecemos e nos abraçaram ao longo do caminho”.  

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Piedmont Bluz Acoustic Duo carrega um século de tradição da música norte-americana


Texto: Eugênio Martins Jr
Foto: Bibiana Huang Matheis

Valerie e Benedict Turner compôem o Piedmont Bluz Acoustic Duo que, como o nome diz, é uma dupla dedicada a uma vertente do blues tradicional chamado Piedmont Style.
Ambos fogem do esteriótipo do blueseiro tradicional, são graduados em universidades e atuam em outras áreas além da música. Portanto, a dupla que nasceu em Nova York está nessa pelo amor às tradições musicais afro-americanas.  
Esse estilo musical nasceu no sudeste do país, na região que compreende as Virgínias e a Georgia e cresceu juntinho ao seu irmão mais conhecido, o Mississippi Delta Blues, que por sua vez deu origem ao estridente Chicago Blues. 
O Piedmont Style, continuou no campo por muito tempo e mesmo quando chegou nas grandes cidades da costa leste norte americana, não passou por grandes modificações. 
Valerie e Benedict são cultivadores ativos dessas raízes musicais, tanto nos instrumentos acústicos tradicionais que usam, quanto na própria forma de tocar. 
Valerie reproduz a forma de tocar dos gênios Blind Blake, Blind Boy Fuller, Blind Willie McTell, Mississippi John Hurt. Ben cuida da sua percussão com instrumentos artesanais, a washboard e artefatos de madeira e ossos, além da harmônica.  
Atuam em festivais e possuem projetos educacionais que promovem o Piedmont blues com oficinas e publicações que levam conhecimento às novas gerações.
Gravaram dois CDs excepcionais, verdadeiros mapeamentos do blues tradicional do começo do século passado. Ambos podem ser encontrados nas mídias física e digital, são eles: Ambassadors of Country Blues, com Avalon Blues (Mississippi John Hurt), Statesboro Blues (Blind Willie McTell), Canned Heat (Tommy Johnson), Whistli’n Blues (Gary Davis), Old Freight Train (Elizabeth Cotten), When The Levee Breaks (Kansas Joe McCoy), Last Kind Words (Geeshie Wiley) e a tradicional CC Rider (gravada por inúmeros artistas ao longo do século 20). 
E Country Blues Selections, com Fishin’ Blues (gravada pela primeira vez por Henry Thomas), That’s No Way To Get Along (Robert Wilkins), Future Blues (Willie Lee Brown), Louis Collins (Mississippi John Hurt), Big Road Blues (Tommy Johnson), Trouble I’ve Had it All My Days (Mississippi John Hurt), Turn Your Money Green (Furry Lewis), Drunken Barrelhouse (Memphis Minnie), Guitar Rag (Sylvester Weaver e Sara Martin).


Eugênio Martins Júnior – Me fale sobre a sua infância. Você nasceu em New York, mas tem raízes no sul. Podereia falar sobre isso?
Valerie Turner – A família do meu pai é da Georgia e a família da minha mãe é da Virgínia. Tendo estado lá por muitas gerações, eles têm raízes profundas no sul. No entanto, durante a Grande Migração, quando milhões de pessoas se mudaram das cidades do sul para as cidades do norte e oeste para ter uma chance de vida melhor, meus pais acabaram na cidade de Nova York. Nasci em Nova York e morei aqui a vida toda.

EM – E quando foi que você decidiu que ia ser portadora dessa tradição musical importante como o country blues?
VT – Tive a sorte de ter um mentor maravilhoso chamado John Cephas. Ele era um músico de country blues de Washington D.C. e me ensinou muito sobre a música que fazia. Mais importante, ele me passou um profundo apreço pelas tradições. John pediu a todos os seus alunos que continuassem com as tradições musicais e, quando ele faleceu, decidi manter essa promessa realizando e ensinando outras pessoas. Eu e meu marido, Benedict Turner, publicamos  um livro, "Noções básicas de guitarra de blues no estilo do Piedmont", que fornece instruções sobre o estilo de digitação no Piedmont, e está disponível em nosso site, www.piedmontbluz.com. A Biblioteca do Congresso em Washington DC adquiriu nosso livro e temos o prazer de saber que conseguimos contribuir dessa maneira.

EM – Gostaria que você falasse um pouco sobre o seu estilo de tocar a guitarra de aço. Para nós aqui no Brasil um instrumento mutio peculiar.
VT - O violão que eu toco, que é uma liga de zinco, níquel e bronze, não tem nada a ver com o meu estilo de tocar. Toco exatamente da mesma maneira em uma guitarra de madeira, e na verdade prefiro guitarras de madeira. Uso uma guitarra de metal porque dá um bom volume. Além disso, como não tem muita madeira, exceto no braço, não é afetada pela umidade e isso faz com que se comporte de maneira mais consistente, independentemente do ambiente. Entendo que é um instrumento incomum no Brasil, mas é amplamente utilizado nos Estados Unidos. Debaixo da placa circular, onde você normalmente vê uma cavidade sonora, existe um cone de metal que amplifica o som naturalmente. Alguns músicos de blues antigos usavam esse tipo de guitarra por duas particularidades, a de ser ouvida acima dos outros instrumentos e também do barulho produzido dentro das juke joints.


EM – Ben nasceu em Trinidad. Quando foi para os Estados Unidos? Podemos ouvir ecos caribenhos em sua formação musical?
VT - Benedict nasceu em Trinidad e Tobago, uma ilha do Caribe ao norte da América do Sul. Sua família chegou aos Estados Unidos quando ele tinha oito anos e viveu na cidade de Nova York a maior parte do tempo. Como designer gráfico, suas habilidades criativas permitiram que ele criasse nosso logotipo, CDs, livros e infinitos materiais de marketing. O tambor de aço (steel drum), instrumento inventado durante o século XX, foi criado em sua cidade natal, Port of Spain, e esses ritmos certamente influenciam suas escolhas quando me acompanha. Quando formamos nossa dupla, ele se direcionou à percussão e escolheu a washboard como seu principal instrumento. Ele também toca instrumentos artesanais de ossos, madeira e harmônica. Suas influências na washboard incluem a Washboard Chaz, de Nova Orleans, e Newman Taylor Baker, baterista de formação clássica que também toca a washboard. 

EM – Quando e como nasceu o duo Piedmont Bluz?
VT - Uma vez que tomei a decisão de dar suporte e continuar as tradições do country blues, meu marido Ben se juntou a mim e formamos nossa dupla de blues acústico chamada Piedmont Blūz. Demos esse nome para que as pessoas saibam que tipo de música esperar de nós, porque eu toco no estilo do Piedmont. Também temos uma empresa, a Mudbone Watson Productions, através da qual produzimos nossos CDs e materiais de instrução. Sempre fomos apenas nós dois e gostamos assim. 

EM - Pra nós aqui no Brasil o Piedmont blues não é um estilo muito conhecido. Acho que até aí nos Estados Unidos. Me parece que fica mais relegado a festivais de música folk. Estou errado? 
VT - A região do Piemont percorre a costa leste dos Estados Unidos, da Virgínia à Georgia, e há muito debate sobre o que é o estilo do Piemont – ou até se ele existe. Como meu mentor, John Cephas, defino o estilo do Piedmont como uma técnica de palhetada que é caracterizada por um baixo alternado que é tocado pelo polegar enquanto os outros dedos tocam uma melodia sincopada. É preciso muita prática para torná-lo suave, mas vale a pena o esforço. 

EM - Vocês estão no caminho oposto à eletrificação do blues, mantendo uma tradição acústica, inclusive com instrumentos rústicos. Gostaria que você falasse sobre a importância dessa preservação das raízes do blues.
VT - Além do violão, nossa instrumentação inclui a washboard, sopro e harmônica. Esses instrumentos eram comumente usados para a música blues nas décadas de 1920 e 1930, por isso faz sentido usar as mesmas coisas para as músicas antigas que gostamos de tocar.


EM - Eu estava pesquisando para essa entrevista quando vi que vocês gravaram When the Levee Breaks e lembrei da catástrofe que foi o rompimento dos diques em New Orleans pela força do furacão Katrina. Essa música conta uma história de quase cem anos e que se repetiu recentemente. Gostaria que você falasse sobre essa capacidade de o blues ser o porta voz das pessoas simples, das pessoas reais e de seus problemas.
VT - Músicas de blues sempre contam histórias. Essa música é a maneira de as pessoas se expressarem. Toda emoção humana pode ser encontrada em uma música de blues. Isso era verdade em 1920 e, 100 anos depois, ainda é verdade! As músicas de blues também capturam a história. O gênero em si é uma tradição oral e muitas músicas documentam os tempos do cantor. Ao ouvir essas músicas, você pode aprender sobre inundações, fome, Jim Crow, a Grande Migração, heróis locais e muito mais. 

EM – Você estudou com John Cephas, um grande representante do estilo Piedmont. Gostaria que falasse um pouco sobre isso. Recentemente estive com Phil Wiggins aqui no Brasil. Foi uma experiência única estar com um músico que leva essa tradição musical. Eu nunca tinha visto nada igual.
VT - John Cephas era meu professor, meu mentor e nosso grande amigo. Ele era um talentoso e respeitado músico de country blues. Estou muito satisfeita por tê-lo conhecido. As pessoas pensam que ele me ensinou muitas músicas - e ele ensinou! - mas conversávamos sobre vida, política e pesca sempre que passávamos um tempo juntos. Nós o conhecemos como pessoa. Seus pensamentos, seus gostos e desgostos, suas experiências de vida, coisas assim. Ele possuía um trailer e um barco de pesca e gostava de fazer viagens, principalmente quando a pesca estava envolvida. Era um carpinteiro maravilhoso e orgulhava-se de ter construído sua própria casa. Além disso, era um fazendeiro entusiasmado e lembro como ele ficou desapontado ao ver nosso jardim. Cultivamos apenas plantas e flores decorativas e ele pensou que era um desperdício porque não podíamos comê-las! Esses são os tipos de coisas que ele compartilhou conosco. Em relação à sua arte, John tinha idéias muito definidas sobre a música que tocou, de onde veio, para onde estava indo e transmitiu seu profundo respeito por ela, bem como o dever de continuar tocando e ensinando-a.


EM – Grandes nomes desenvolveram o estilo Piedmont, Blind Blake, Blind Boy Fuller, Brownie McGhee, Barbecue Bob entre outros. Quem você considera o defensor dessa tradição hoje?
VT - Embora muitas pessoas se preocupem com o fato de a música tradicional do blues acústico estar "desaparecendo", eu diria que isso está longe da verdade. Existem inúmeros músicos modernos que mantêm as músicas antigas vivas e, mais importante, adicionam novas músicas próprias, o que ajuda a tradição a evoluir. Os mais conhecidos incluem pessoas como Corey Harris, Eleanor Ellis, Keb 'Mo', Rev. Robert Jones, Andy Cohen, Guy Davis, Taj Mahal e Roy Book Binder - mas existem muitos outros. Phil Wiggins, o fabuloso gaitista que foi o parceiro musical de John Cephas, fez muito em termos de identificação e promoção de novos músicos de blues acústico. Uma vez por ano, ele nos reúne em um workshop que dura uma semana chamado Blues Week in West Virginia, e foi assim que nos conhecemos. Ministramos aulas, tocamos muita música, compartilhamos histórias, dançamos e geralmente nos divertimos muito juntos. Todo mundo espera por isso. Conhecemos muitos músicos lá, Samuel James, Resa Gibbs, Hubby Jenkins, Geoff Seals, Benjamin Hunter, Tina Dietz, Marcus Cartright, Jontavious Willis, Joe Seamons e Andrew Alli. Cada um deles está contribuindo generosamente para o gênero de uma maneira única.  

EM – Estamos no meio de uma pademia e muitos artistas estão com as suas vidas paradas nesse momento. Como você está sobrevivendo e o que acha que vai acontecer quando esse problema passar?
VT - Essa pandemia é difícil para todos. Não importa quem você é, isso te afeta de alguma forma. Embora muitas pessoas tenham empregos para retornar, os músicos podem ter que redefinir o que "trabalho" significa. O distanciamento social é nosso novo normal, até que uma vacina esteja disponível em todo o mundo, e isso impossibilita shows, festivais e workshops no sentido tradicional. Como todos os outros músicos que conhecemos, todo o nosso calendário para 2020 foi cancelado e muitos locais relutam em reservar para 2021 até que a pandemia seja resolvida. Portanto, 2021 também pode ser um ano difícil para músicos. Meu marido, Benedict, é um designer gráfico profissional e é capaz de trabalhar em casa. Também fazemos uma performance semanal via transmissão ao vivo a partir de um local digital que criamos no Facebook chamado "Piedmont Blūz Café". É um mini-concerto que acontece toda sexta-feira de manhã às 10 horas – horário da costa leste norte americana – e recebemos algum dinheiro com isso. Além disso, podemos vender cópias de nossos CDs e também de nosso livro de música. Passaremos por esse momento difícil e esperamos que outras pessoas também encontrem maneiras criativas de gerenciar. A longo prazo, essa pandemia terá efeitos de longo alcance para os músicos, pois todos temos preocupações com a segurança de voar, ficar em hotéis e estar perto de grandes grupos de pessoas. Nosso trabalho exige que façamos a coisa certa, por isso relutamos em retornar a essas atividades no futuro próximo.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Olavo odeia a todos

Jair ama Carluxo
Que ama Índio
Que ama Flávio
Que ama Queiroz
Que ama Michele
Que ama Osmar
Que ama o virus
Que ama Eleno
Que ama Villas Boas
Que ama Medici
Que ama Nixon
Que ama Kissinger
Que ama Ustra
Que ama Paranhos
Que ama Himmler
Que ama Hitler
Que ama Goebbels
Que ama Alvim
Que ama Camargo
Que ama Weintraub
Que ama Eduardo
Que ama Olavo
Que ama Olavo
Que ama Olavo
Que ama Olavo
É, ele só ama ele mesmo

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Aos 94 anos, Bucky Pizzarelli morre em New Jersey


Bucky Pizzarelli, lendário guitarrista de jazz, pai de John e Martin, guitarrista e baixista, respectivamente, morreu aos 94 anos na cidade que nunca abandonou, New Jersey.
Bucky era conhecido por sua reprodução suave, fluida e de bom gosto, tendo se apresentado na Casa Branca para os presidentes Reagan e Clinton, e na banda “Tonight Show” de Johnny Carson. Também trabalhou com Frank Sinatra, Les Paul, Benny Goodman, Miles Davis, Sarah Vaughan, Tony Bennett, Dizzy Gillespie, Nat King Cole e inúmeros outros.
Como session man tocou em Georgia on My Mind, de Ray Charles, At Seventeen e Aty Bitsy Teeny Weeny Yellow Polka Dot Bikini", de Janis Ian, e também no disco de standards Kisses on the Botton, gravado por Paul McCartney em 2012.
Nos últimos anos Bucky vinha enfrentando vários problemas de saúde e sua filha Mary disse à imprensa local que ele havia testado positivo para coronavírus em 29 de março, embora a causa da morte ainda não tenha sido determinada.
Ele nasceu em Paterson como John Pizzarelli - seu pai lhe deu o apelido de Bucky e serviu no exército durante a Segunda Guerra Mundial. Após a guerra se tornou músico profissional.
Seu filho John Pizzarelli Jr também se tornou um guitarrista e cantor respeitado e o outro filho, Martin, é um baixista profissional que sempre trabalhou com os dois.
Uma das últimas gravações de Bucky foi no álbum de Stanley Jordan, 2011, Friends, que contou com colaborações com vários artistas.
John Pizzarelli Jr, com quem tive o prazer de trabalhar algumas vezes aqui no Brasil, também postou uma homenagem no Facebook: “Ele era um pai maravilhoso. Um jogador de bocha e fã dos Giants – time de futebol de Nova York.

Mais uma vítima do virus corona, Ellis Marsalis Jr morre aos 85 anos

Foto: Getty Images

Os músicos Wynton e Branford Marsalis divulgaram hoje em suas redes sociais que Ellis Marsalis, patriarca do clã que inclui Delfeayo e Jason Marsalis, morreu ontem, dia 01 de abril, vítima da Covid-19.
“É com grande tristeza que anunciou o falecimento de meu pai, Ellis Marsalis Jr., como resultado das complicações do coronavírus”, afirmou Branford em um comunicado publicado em seu site, dizendo que Ellis havia sido hospitalizado no sábado.
Representante da tradição musical de New Orleans, Ellis criou todos os filhos com e para a música. Aclamado pianista, participou de dezenas de álbuns ao longo de sua carreira. Gravou e tocou com Nat e Cannoball Adderley, Marcus Roberts, Courtney Pine, Art Tatum, Kermit Ruffins, entre tantos outros.
Como professor formou Grandes nomes do jazz atual, entre eles, Terence Blanchard, Donald Harrison Jr., Harry Connick Jr. e Nicholas Payton.
Wynton Marsalis publicou fotos  ao lado do pai no Twitter com um breve comentário: “Ellis Marsalis, 1934-2020. Ele se foi do jeito que viveu: aceitando a realidade”.

terça-feira, 31 de março de 2020

Morre Wallace Roney, vítima do corona virus


Um dos músicos de jazz mais importantes da atualidade, o trompetista Wallace Roney, morreu aos 59 anos vítima do corona virus nesta sexta-feira, dia 31 de março.
Roney estudou com as lendas Clark Terry, Dizzy Gilespie e Miles Davis até construir seu prórpio nome ao longo de uma carreira profissional de quase 45 anos. Com Davis, Roney estudou entre 1985 até 1991, até a morte do lendário trompetista. Em 1990 se apresentaram juntos no Montreaux Jazz Festival.
Gravou 21 discos como artista principal e participou de dezenas de outros artistas, inclusive sua ex esposa, a pianista Geri Allen.
Com ela gravou quatro discos, antes da morte de Allen, vítima de um câncer em junho de 2017. Eles já estavam divorciados. Roney se apresentou em quatro dos álbuns de Allen, começando com "Maroons" em 1992. A colaboração final ocorreu em 2006 com "Timeless Portraits and Dreams". 
Além dos artistas já citados, Roney tocou e gravou com Art Blakey, Kenny Barron, Chick Corea, Tony Willians, Joe DeFrancesco, Cindy Blackman e outros.
Wallace Roney morreu em New York, onde morava e epicentro da Covid-19 nos Estados Unidos. Deixou três filhos, frutos da união com Geri Allen. 

segunda-feira, 30 de março de 2020

Stories – 2002 - John Mayall


Esse trabalho traz o gaitista, guitarrista, pianista, percussionista, produtor e compositor inglês John Mayall, as vésperas de completar 70 anos, mas com a mente arejada frente aos Bluesbreakers, Buddy Whittington, Tom Canning, Joe Yuele e Hank Van Sickle.
Desde os anos 60, o grupo sempre foi elemento aglutinador de grandes músicos, Jack Bruce, John McVie, Mick Fleetwood, Aynsley Dunbar e, principalmente os guitarristas, Eric Clapton, Mick Taylor – que sairia para entrar nos Rolling Stones transformando a banda de Jagger e Richards numa autêntica banda de rythmn and blues – Coco Montoya, Harvey Mandel entre outros.
E neste CD, preste atenção no trabalho do guitarrista texano Buddy Whittington que já o havia acompanhado em outras empreitadas e também nos teclados Hammond de Tom Canning que dão aquele clima bluesy em quase todos os temas. 
Uma vez o Nuno Mindelis me disse que considerava o John Mayall mais um bluesófilo do que um blueseiro. Bom, isso é mesmo. Alguns dos temas aqui apresentados são dedicados a contar a história do blues e seus personagens.
São os casos do tema de abertura Southside Story que recria  as noites em que Little Walter dominava a cena de Chicago, e também Oh, Leadbelly, que paga tributo o lendário guitarrista, cantor e presidiário – que cantava o que vivia ou vivia o que cantava, como preferir. Em Southside a harmônica de Mayall canta bonito. 
O folclore do blues também aparece em I Tought I Heard the Devil e em Kids Got the Blues, Mayall homenageia as novas gerações de músicos que se dedicam a tocar blues ao redor do mundo.
O batidão e a letra de The Witching Hour e o climão de Demons in the Night não deixa dúvidas de que estamos falando de New Orleans. A participação do percussionista Lenny Castro em ambas evoca os mistérios e encantamentos da cidade que, assim como a Salvador, é a encruzilhada macumbeira do mundo.
As introduções pianísticas de I Wished I Had e do slow The Mist of Time nos coloca dentro daqueles inferninhos de madeira cheios de dança e malícia que vemos nos filmes.
Blueseiro ou bluesófilo, John Mayall mantêm o caledoscópio girando com a gente dentro dele, curtindo todas as cores da música perpetrada pelos negros fodidos da América no século 20.    

Músicas 
1 – Southside Story
2 – Dirty Water
3 – Feels Like Home
4 – Kids Got the Blues
5 – The Witching Hour
6 – Oh, Leadbelly
7 – Demons in the Night
8 – Pride and Faith
9 – Kokomo 
10 – Romance Classified
11 – I Wished I Had
12 – Pieces and Parts
13 – I Tought I Heard the Devil
14 – The Mists of Time

quinta-feira, 26 de março de 2020

Soul Gumbo – 2014 – Raphael Wressnig


Minha parceria com o guitarrista brasileiro Igor Prado tem rendido bons trabalhos. Entre os shows que consegui trazer pra Santos, os americanos Lynwood Slim (harmônica), James Wheeler (guitarra), Tia Carrol (cantora) e Raphael Wressnig, organista austríaco que divide seu tempo tocando e gravando entre Europa e Estados Unidos. 
Foi quando ganhei o CD e o LP Soul Gumbo, um belo exemplo do peso e influência da música de New Orleans nos jovens músicos de jazz de todo o mundo.
Esse álbum faz parte da série de trabalhos soul gravados por Wressnig que inclui Soul Gift e Soul Connection, ambos parceria com Alex Schultz e o nosso Igor Prado, respectivamente.  
Especialista em Hammond B-3, Wressnig reuniu um time da big easy para gravar esse petardo recheado de souls e funks, onde o som de seu órgão brilha, despejando aquele timbre molhadão, característico.
O disco já começa com o funk pegadão Chasing Rainbows com a voz emprestada do cantor e gaitista nova iorquino Tad Robinson. Soulful Strout vem na mesma linha funky, só que instrumental, com seu parcerio de longa data, Alex Schultz, pilotando a guitarra.
O próximo tema inverte a imagem 180°. Trata-se de um tema soul vindo da alma. Brincadeira! Mas é pra dizer que as palavras de I Want Know saem das profundezas da garganta de Walter “Wolfman” Washington e colam no muro sonoro cimentado pelos metais de Antonio Gambrell (trompete), Jimmy Carpenter (sax tenor), e o Hammond de Wressnig. Uma porrada de sete minutos que, além de Wolfman, guitarrista, autor do tema e figura lendária de New Orleans, tem Schultz, George Porter Jr (baixo) e Stanton Moore (bateria).
Mustard Greens é mais um tema instrumental porrada seguido pela soul Sometimes I Wonder com a voz, e o piano wurlitzer de Jon Cleary e sax do convidado, que também já esteve aqui no brasa, “Sax” Gordon. Linda canção.
Tad Robinson e Alex Schultz voltam no blues Room With a View. Slivovitz For Joe e Soul Jazz Shuffle são verdadeiras jams, a primeira feita sob medida para o sax tenor de Harry Sokal brilhar, ambas com grandes intervenções dos teclados de Wressnig. 
O CD termina com a super soul Nobody Special com os vocais quase falados de Larry Garner. Nem essa e Soul Jazz Shuffle estão no LP. 
Assim como a música, a culinária de New Orleans também é muito diversificada, com influências de todos os povos que aportaram ali ao longo dos séculos. E há uma categoria profissional chamada saucier, ou seja, o cara que é especialista em molhos. E Weak Sauce é um funk com Stanton Moore groovando a lot no seu kit de bateria e mostrando o molho da cozinha de New Orleans. O álbum em vinil conta ainda com a potente Get the Money, que deixa bem claras as influências do Caribe, ali pertinho. 





Músicas CD
1 – Chasing Rainbows
2 – Soulful Strut
3 – I Want To Know
4 – Mustard Greens
5 – Sometimes I Wonder
6 – Room With a View
7 – Slivovitz For Joe
8 – Soul Jazz Shuffle
9 – Nobody Special

Músicas LP
1A – Chasing Rainbows
2A – Soulful Strut
3A – I Want To Know
4A – Mustard Greens

1B – Slivovitz For Joe
2B – Sometimes I Wonder
3B - Get the Money
4B - Weak Sauce

sexta-feira, 20 de março de 2020

Live at the Fillmore East – 1971 - The Allman Brothers Band (Deluxe Edition)


Não é fácil escolher um entre tantos discos ótimos dos Allman Brothers, banda formada em Macon, na Georgia, pelos irmãos Gregg e Duane.
Tenho todos, mas escolhi esse duplo ao vivo porque sintetiza o que de fato era o super grupo que traçou as linhas do blues/rock com o lançamento de seu primeiro álbum em estúdio, gravado em1969. 
Considero esse Live at the Fillmore East, gravado em julho de 1971, um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos. De todos os que ouvi, lógico. Lançou-os ao estrelato e após 50 anos, ainda é o disco que melhor capta a energia da apresentação ao vivo de uma banda no auge. 
Não é pra menos, esse ao vivo traz a banda completa, Dickey Betts (guitarra e voz), Butch Trucks e Jai Johanny Johanson (bateria), Barry Oakley (baixo), além de Gregg (teclado e voz) e Duane (guitarra), em um dos palcos mais prolíficos dos anos 60/70, o Teatro Fillmore, comandado por Bill Grahan, onde os shows costumavam durar três horas, no mínimo.
O LP original tem sete temas, extraídos pelo produtor Tom Dowd – parceiro dos irmãos desde o álbum anterior, Idlewild South – de duas apresentações em março de 1971, em New York. 
Nessa versão as três primeiras músicas são os blues enfesados Statesboro Blues, Done Somebody Wrong e Stormy Monday, para depois mudar drasticamente para os temas viajantes, misturando rock, jazz e muito rythmn and blues.
As suítes que faziam os shows durarem tanto, You Don’t Love Me, Hot ‘Lanta, In Memory of Elizabeth Reed e Whipping Post levam a um mergulho no túnel sonoro dos Allman Brothers. Desafio alguém a me mostrar uma dupla de guitarristas na mesma banda mais foda do que Duane e Dickey Betts.
A minha versão é a  De Luxe Edition, com CD duplo com mais algumas faixas extras – faixa não porque CD não tem faixa, coisa de velho! Músicas é melhor. São elas Don’t Keep Me Wonderin’, One Way Out, Midnight Rider, Mountain’ Jam (com fudidos 33.39’) e Drunken Hearted Boy.
One Way Out e Midnight Rider foram gravadas em 27 de junho, as demais foram gravadas em 12 e 13 de março de 1971. Todas no Fillmore de New York.
Este álbum foi o último gravado com a formação original. Em 29 de outubro de 1971, em meio às gravações de Each a Peach, quatorze dias após os Allman Brothers ter ganhado o disco de ouro por Live at Fillmore East, Duane Allman morreu em um acidente de moto com 24 anos a caminho da casa de Barry Oakley. E em 12 de novembro de 1972, aos 24 anos, Barry Oakley morreu em um acidente de moto a três quarteirões do acidente de Duane. Sinistro.  

Músicas: 

CD 1
1 – Statesboro Blues (4.17)
2 – Trouble No More (3.43)
3 – Don’t Keep Me Wonderin’ (3.27)
4 – Done Somebody Wrong (4.33)
5 – Stormy Monday (8.48)
6 – One Way Out (4.56)
7 – In Memory of Elizabeth Reed (13.04)
8 – You don’t Love Me (19.16)
9 – Midnight Rider (2.55)  

CD 2
1 – Hot ‘Lanta (5.20)
2 – Whipping Post (22.53)
3 – Montain Jam (33.39)
4 – Drunken Hearted Boy (6.57)

quarta-feira, 18 de março de 2020

Pandemia de Covid-19 adia 6ª edição do Clube do Blues de Santos

Diante das notícias estarrecedoras sobre o alastramento do vírus Covid-19, a 6ª edição do Clube do Blues de Santos, que sempre acontece no mês de abril e esse ano seria entre os dias  03/04 e 03/05, está adiada para uma data ainda não definida.
É claro que a medida afeta, e muito, as finanças da empresa, e dos nossos músicos parceiros. Como todos os setores econômicos, temos compromissos a honrar, empréstimos, impostos, etc., mas quem trabalha com cultura enfrenta muitas turbulências e essa será mais uma que vamos superar. 
Diante dos fatos, a Mannish Boy Produções e seus parceiros, Sesc, Secult, Museu do Café, Cervejaria Everbrew, Quintal da Véia e Mucha Breja, em comum acordo, decidiram suspender todos os shows para resguardar a saúde do nosso público, evitando assim o agravamento da epidemia.  
Com responsabilidade, acreditamos que cada um deve fazer a sua parte nesse momento de crise aguda.
Desde já agradecemos a compreensão do nosso público e o profisssionalismo dos nossos parceiros já citados, aos vereadores que apresentaram emendas fortalecendo o Clube do Blues 2020, Lincoln Reis, Thelma de Souza, Fabrício Cardoso e Fabiano da Farmácia, e um abraço especial aos músicos envolvidos no projeto. 
VIVA A MÚSICA!

O dia que tomei uma intima da Dançar Marketing pra mudar o nome do festival – Ao último dia da edição da Mostra Blues de Santos 2019, show do Jefferson Gonçalves, tive uma supresa. Recebi um e-mail de um escritório de advocacia comunicando que o nome Mostra Blues não poderia mais ser usado. A alegação era que ele já havia sido registrado por uma empresa, a Dançar Marketing.
Para quem não sabe, a Dançar Marketing é a responsável pelo festival Samsung Best of Blues, realizado em São Paulo, e que há tempos deixou de ser um festival de blues, tendo convidado Zack Wilde, Joe Satriani, Tom Morello, Richie Sambora, Johnny 5, etc. Ou seja, usa o nome blues para promover shows que não tem nada a ver com o estilo.
E a Mostra Blues da Dançar Marketing se limita a eventos paralelos ao Samsung Best of Blues, ou seja, apresentação de filmes, exposições de fotos, etc. Nunca de shows.
A “minha” Mostra Blues acontece desde 2009, nasceu dentro do Sesc Santos e nunca teve a pretenção de subir a serra. E, desde a primeira edição vem recebendo artistas nacionais dedicados ao blues, entre eles, Big Chico, Igor Prado, Big Gilson, Big Joe Manfra, Jefferson Gonçalves, Caviars Blues Band, Mauro Hector, Márcio Abdo, Ivan Márcio, Giba Byblos, Duca Belintani, Los Breacos, Ari Borger, Artur Menezes, Filippe Dias e Robson Fernandes. 
Todos eles têm história na música brasileira, discos gravados e muitas horas de estrada. Possuem carreiras admiráveis e são respeitados aqui e lá fora, no real cenário do blues, em Chicago, New Orleans ou da costa oeste.
Ao telefone, argumentei tudo isso com a advogada da Dançar e ainda apelei para que ela falasse ao presidente da empresa, o Sr. Pedro Bianco, que ele me conhecia, eu havia feito uma entrevista com ele e, de forma muito respeitosa e reverente, contado sua história em meu segundo livro, Blues – The Backseat Music – As Origens no Brasil. 
Ela me pediu pra registrar tudo isso em um e-mail que iria enviar para ele que, talvez, liberasse o uso do nome. 
Enviei e não houve resposta. Fui ignorado. Diante disso resolvi usar o nome de um projeto antigo que já faço em Santos, o Clube do Blues. 
Brigar pelo nome Mostra Blues contra a Dançar e talvez contra a Samsung não era uma opção, não tenho tempo e nem grana. Além disso, tenho uma história no blues, não vou me rebaixar. 
A Mannish Boy Produções nasceu exclusivamente como uma empresa de produção musical, não usa o nome do blues pra fazer “marketing” ou explorar o blues por dinheiro. 
Ja passei por muitas dificuldades, em 2017 pensei em fechar a empresa, mas resisti e estamos aí na atividade. Todos os anos inventando projetos, respeitando os músicos, mostrando a cara. Com muito acertos e alguns erros.









sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Sai Ilegal, o primeiro CD do grupo santista Contra Bando

Com letras espertas, o grupo manda um recado aos políticos e empresários que se juntam pra meter a mão na grana da população


Eles já andam por aí há algum tempo. Por isso dominam o palco como poucos. E eles tocam muito alto.
Formado por Lone (ex Angel, voz), Gerson Fajardo (Vulcano, guitarra), Oliver Kivitz (ex Aliados, baixo), e Bira Aguiar (bateria), o Contra Bando é um grupo santista de rock que mistura punk com metal, só que na beira da praia, o surf punk.
Nem sempre ensolarados, os dias de Santos podem ser cinza e sombrios, por isso a cidade sempre foi celeiro de bandas fortes na cena alternativa do rock and roll nacional, saíram daqui Harry, Vulcano,  Charlie Brown Jr, Garage Fuzz, Nitro Minds, Surra, Shadowside, Mauro Hector Trio, Medusa Trio, Dr Kaveira e muitos outros artistas importantes.
E com a certeza de que algo poderia ser dito e que o rock pode e deve retomar o seu posto de “música para mente” e não “para a bunda”, como a atual situação da música brasileira se encontra, os veteranos do Contra Bando se juntaram para criar essa nova postura dentro do som autoral e underground do Brasil, trazendo um som vigoroso, inteligente, crítico, com ironia nas letras que falam da situação política, social e religiosa do Brasil na atualidade.
A banda - Lone não é só um cantor, é um frontman com sua postura e voz indiscutíveis. Coisa rara no rock brazuca. Gerson é o ícone “rock star” que todo guitarrista procura ser e desempenhar num palco. Oliver tem a pegada e experiência de um baixista que passou pelo mainstream mas mantem suas características originais de um bass player gringo dos anos 80 e Bira é a bateria perfeita, que segura ao vivo o peso e ritmo como um relógio dentro das composições. 
Lançamento – Chegou às lojas e plataformas digitais em fevereiro de 2020 o CD ILEGAL. Trata-se de um trabalho lapidado, de alta qualidade, onde procuraram passar toda sua postura “013” de onde veio toda a influência da realidade que vivem na famosa cidade portuária de Santos, berço de talentos em todas as áreas e segmentos. 
A Contra Bando inicia a tour Ilegal inicialmente por todo o estado de SP, procurando manter um padrão digno de uma banda veterana em shows que prometem no mínimo “fazer a diferença” para fãs do verdadeiro e honesto Rock and Roll que hoje nos faz tanta falta.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Morre pianista Henry Gray aos 95

Henry Gray no Brasil - foto Eugênio Martins Jr

Morreu ontem, segunda-feira, dia 17 de fevereiro, o grande pianista de blues, Henry Gray, aos 95 anos.
Nascido em Baton Rouge, cidade próxima a New Orleans, onde tocou em festivais e clubes, ganhando a admiração dos moradores locais.
Na época que passou em Chicago 1946-1968, Gray trabalhou com os maiores artistas de blues de todos os tempos, Jimmy Reed, Howlin’ Wolf, Muddy Waters, Junior Wells, Jimmy Rogers, Buddy Guy, Little Walter, Morris Pejoe.
Além de tocar em festivais importantes nos Estados Unidos, como o New Orleans Jazz and Heritage, onde atuou 39 vezes, King Biscuit Blues Festival, Chicago Blues e outros, Gray viajou por Japão e Europa, onde tocou no Montreux Jazz Festival.
Adepto do blues e do boogie woogie, sua “pegada” era autêntica, sua mão esquerda martelava as teclas com paixão e precisão.
Uma curiosidade, foi convidado por Mick Jagger para tocar no seu 55º aniversário comemorado em Paris.
Em 2013 Gray tocou no Brasil, em um festival em Poços de Caldas, quando pedi uma entrevista, mas a má vontade e amadorismo da organização do evento fez de tudo pra eu não falar com Gray e Tail Dragger. Uma pena, hoje teríamos esse registro.

Consegui essa foto graças ao amigo Bob Corritone

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Cherry Cake (um funk bem safado na cozinha)

Mama in the kitchen
Making a cherry cake
Put in all my filling
And shake, shake, shake

Wait just a minute
The temperature is hot
Make that old movement
And just don’t stop

Baby you so sweety
A candy little pot
Take me to your kitchen
And show me what you got

Shake your money maker
Dancing to the floor
I’m nasty little dog, girl
I'm coming through the back door

Funk in the kitchen
Spreading the cream in the cake
Gimme another slice
And shake, shake, shake

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Minas Gerais abre o calendário 2020 com o Projeto Blues Verão


Nos dias 11 e 18 de janeiro o Barracão Antiguidades e Arte, em Casa Branca, Brumadinho-MG, região famosa pelas belezas naturais, recebe a sétima edição do Projeto Blues Verão

Auder Jr

Abrindo a programação, dia 11 de janeiro, “Auder Jr. & Blues Friends” prometem uma noite regada a clássicos do blues e músicas autorais. Auder Jr., blueseiro de Minas Gerais e integrante da Audergang, banda de destaque no cenário musical, se apresenta com Brazza (contrabaixo) e Túlio Bastos (bateria). No repertório, Freddie King, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, BB King, Muddy Waters e muito mais.

No dia 18 a banda mineira Soul Much Blues apresenta clássicos dos dois gêneros da música norte-americana que dão nome à banda.  No repertório, Etta James, Koko Taylor, B.B. King, Eric Clapton, Joss Stone, James Brown, Jimi Hendrix, entre outros. O grupo é formado por Laura Lima (voz), Artur Santos (guitarra), Leo Lima (teclado), Rod Vaz (baixo) e Benny Cohen (bateria).
“Nosso objetivo é fortalecer a cena do blues em Minas Gerais. A proposta é ousada, pois os shows acontecem no Barracão de Antiguidades, ambiente único, que remete a atmosfera dos famosos juke joints americanos, além da gastronomia e bar temático”, diz Marcos Kaoy, idealizador do projeto feito em parceria com a Marques Produções, comandada pelo guitarrista e produtor cultural Bruno Marques.
Gastronomia - A gastronomia também será um dos destaques do festival. Inspirada na culinária norte-americana, os visitantes poderão apreciar o Mississipi Burning (costelinha Creole, Frango Cajun e Batatas Doces fritas) e o Gumbo (guisado vegetariano sweet spice com legumes e verduras). O cardápio será elaborado pelo chef Luigi Russo, um dos fundadores do Restaurante Coletivo em Casa Branca.
Arte - Vai rolar ainda a mostra Mississippi e Seus Mojos, com foco no blues, de autoria de Marcos Kaoy. As telas, criadas com matérias-primas consideradas “lixo” para muitos, mas que se transformam em preciosidades nas mãos do artista plástico, foram destaques em grandes festivais de blues em 2019, como o “Ibitipoca Blues – 20 anos” (MG), 8º “Festival Internacional Dipanas Blues & Jazz” (MG) e “Rota do Blues (MG).“Tive contato com o blues desde cedo, tanto que virei gaitista e passei a admirar esse universo que tanto me inspira a criar quadros e peças relacionados ao gênero musical”, explica o artista.
Sobre o Barracão - Criado em 2012 pelo artista plástico e gaitista, Marcos Kaoy, o Barracão de Antiguidades e Arte está na rota das atrações culturais e turísticas mais badaladas de Minas Gerais. 
Com estilo de juke joint, funciona como loja também e reúne mais de mil peças, como radiolas, discos de vinis, máquinas de datilografia, placas demonstrativas de épocas, luminárias, entre outras. “Temos objetos de 50 a 80 anos. Outros foram criados por mim e são focados no blues, como instrumentos musicais, quadros e peças decorativas. Todos estão à venda”, diz Kaoy.
O espaço também passou por reformas e ganhou estrutura para proteger o público em caso de chuvas.

Serviço:

Evento: 7ª edição do “Projeto Blues Verão” em Casa Branca.
Shows: 11/01 (sábado) – às 20h – Auder Jr. & Blues Friends; 18/01 (sábado) – às 20h – Soul Much Blues
Ingressos – Os ingressos para o “Projeto Blues Verão” custam R$ 20 e podem ser adquiridos no site do Sympla (https://bit.ly/36m0SWD) ou nos dias dos eventos no Barracão de Antiguidades (rua Canela de Ema, 20, Casa Branca, Brumadinho/MG). Informações pelos telefones: (31) 99952-2045 e 98851-8153.
Local: Barracão de Antiguidades (rua Canela de Ema, 20, Casa Branca, Brumadinho/MG). Acesso pelo Parque da Serra do Rola Moça no Jardim Canadá.
*O melhor acesso ao local é feito pelo Parque da Serra do Rola Moça (Jardim Canadá). 

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Sweet Tea – 2001 – Buddy Guy


Quando Sweet Tea foi lançado Buddy Guy era o "príncipe" do blues. O rei, claro, o velho BB. Sempre mais popular e mais rico. Isso ninguém duvida. 
A diferença é que a partir dos anos 90 Guy passou a lançar um disco atrás do outro, uns geniais, outros menos, mas todos bons discos. Ao passo que King já havia atingido o auge na carreira e passado a lançar albuns repetitivos e não tão legais. Mas BB sempre será eterno.
Então, Sweet Tea, lançado pela gravadora Silvertone, veio no rastro desses trabalhos, mas é completamente diferente. E o que ficou constatado ao ouvi-lo, é que Buddy Guy não passa de um enganador. Explico.
Em Done Got Old, a primeira faixa do álbum, Guy canta que está ficando velho e que não faz mais as coisas que costumava fazer, isso leva o ouvinte a pensar que a coisa vai continuar calma porque o tema é mesmo um blues de raiz e, levando em consideração a quantidade de discos gravados antes de Sweet Tea, talvez ele quisesse um pouco de sossego. 
Mas é aí que está a enganação. A segunda música, Baby Please Don’t Leave Me, é um petardo de 7m30 com Guy cantando e mandando ver na guitarra, ancorado pela ótima banda de apoio, todos músicos feras de estúdio – Spam (Tommy Lee Miles, na bateria), Davey Faragher (baixista, colaborador frequente de John Hiatt), Jimbo Mathus (guitarra base) e os convidados Bobby Whitlock (piano, co-fundador dos Derek & The Dominos), Sam Carr (baterista lendário que tocou com Paul Butterfield), Pete Thomas (bateria), Craig Kampf (percussão).
Seguindo em frente, perdemos toda a confiança no ídolo, fomos mesmo enganados. É claro que ele está envelhecendo e ná época Guy havia completado 65 anos, mas continuava fazendo as coisas que costumava fazer, só que melhor. Pelo menos cantar e tocar guitarra em Look What All You Got parece não ter sido tão difícil. 
A partir dali, não existe mais calmaria, só tempestade em solos de guitarra sobre uma base crua, repetitiva, mas segura que remete aos inferninhos dos cafundós do Mississippi. Remete também a Muddy Waters e, principalmente, RL Burnside. Tanto no instrumental como nas letras que falam de amor, aliás no disco inteiro só se falha em mulher. 
Stay All Night combina perfeitamente aquele riffão pesadão, uma batida seca e voz de Guy com efeito seguida por Tramp, uma boa regravação de Lowell Fulson, outro medalhão do blues. She’s Got Devil in Her vem com o timbre conhecido de Guy com ele solando logo de saída e I Got You Try You Girl tem incríveis 12m09 sustentando uma batida hipnótica em uma viagem ácida ao fundo do blues. Podemos chamar Who’s Been Foolin’ You de um boogie que alegra a alma antes da reflexiva que é It’s a Jungle Out There, do próprio Guy.
No final da audição, enganados mas felizes, constatamos que o velhinho cometeu uma obra prima daquelas. 

Músicas: 
1 - Done Got Old
2 – Baby Please Don’t Leave Me
3 – Look All What You Got
4 – Stay All Night
5 – Tramp
6 – She’s Got The Devil In Her
7 – I Got a Try You Girl
8 – Who’s Been Foolin’ You
9 – It’s A Jungle Out There

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Relógio, chocolate e canivete. Marc Perrenoud, Marco Mueller e Cyril Regamey. Os dois trios mais famosos da Suíça

Marc Perrenoud Trio

Texto: Eugênio Martins Jr
Fotos: Divulgação

Conhecida por sediar um dos festivais mais importantes do mundo, o Montreux Jazz Festival, a Suíça possui uma nova e prolífica cena jazzística, da qual faz parte o pianista Marc Perrenoud. 
Ele começou na música clássica, mas logo bandeou-se ao jazz por causa do improviso e desde que começou a gravar foi considerado uma revelação no mundo do jazz. 
Seu trio trabalha com a precisão de um relógio, composto por Marco Müeller (baixo) e Cyril Regamey (bateria), está junto há 12 anos, contabilizando mais de 300 shows e sendo considerado um dos grandes trios de jazz acústicos da cena atual. 
Gravaram grandes discos, Logo (2008), Two Lost Churches (2012), o excepcional Vesty Lamento (2013) e Nature Boy (2016). Marc Perrenoud Trio tem um repertório com mais recurso do que um canivete: suas influências vão desde o trompetista norte-americano Chet Baker e o pianista canadense Oscar Peterson, passam pelo pianista e compositor russo Igor Stravinsky e o francês Maurice Ravel, e chegam até a banda inglesa de trip hop Massive Attack.
Ainda em carreira solo, Perrenoud avança no repertório erudito (Hamra de 2016 é bem isso), e nas parcerias, seu mais recente trabalho, Aksham (2019) traz a bela voz de Elina Duni.
Atualmente o grupo prepara o lançamento de seu quinto álbum, cujos temas foram apresentados em primeira mão na segunda edição do Sesc Jazz, que incluiu Santos no calendário, e onde essa entrevista foi realizada. 
Não dá pra não mencionar, Marc Perrenoud rasgou elogios às equipes que o atenderam em suas passagens pelo brasa. Para quem está acostumado a tocar no mundo todo não é pouca coisa.  
Outra coisa que não dá pra não mencionar, a Suíça também é conhecida pelo chocolate, mas isso eu não consegui enfiar na matéria.


Eugênio Martins Júnior – Seus pais eram dedicados à música clássica. Quando e como o jazz entrou na tua vida? Li que isso foi uma pequena revolução pra você. Poderia explicar isso? 
Marc Perrenoud – Sim, meus pais eram músicos profissionais. Cresci em Berlim, na Alemanha, e meus pais tocavam em orquestras lá. Então estava cercado por música clássica e músicos o tempo todo. E comecei a aprender piano, mas gostei da improvisação desde o começo e é por isso que eu digo que foi a minha pequena revolução. 

EM – E o clássico não permite improvisação.
MP – Não. Adoro música clássica, que tem uma abordagem diferente, mas adoro improvisar.

EM – Você lembra quais foram os primeiros artistas de jazz que ouviu?
MP – Comecei no jazz aos 14 ou 15 anos ouvindo Fats Waller e Oscar Peterson, mas ao mesmo tempo descobri o rock e outros estilos musicais. Até então só ouvia música clássica... e Beatles. (risos)

EM – Em 2016 você gravou seu primeiro disco solo após ter gravado alguns com o trio. Gostaria que contasse a história desse trabalho. Poderíamos dizer que misturou Bach com Monk?
MP – É uma mistura de muitas coisas. Além da música clássica, coloquei coisas pelas quais estava sob muita influência. Influências árabes, estava morando no Líbano naquela época. Fazendo muitos concertos solo. Iria gravar um disco com o trio que foi cancelado e acabei gravando o solo. Foi um projeto legal porque foi sem pressão, ninguém esperava um CD solo. Em 2016 gravei o CD solo e um com o trio. Todos diferentes entre si.


EM – Estamos em 2019. Como lidar com todas as influências que o jazz produziu nesses cem anos de história e ainda olhar para o futuro? 
MP – Pra mim a música não é a vida. É parte dela. Não sou particularmente influenciado pela música. Claro que ela tem sua parte, mas minha maior inspiração é o que vejo à minha volta. Os diferentes lugares, as pessoas que conheço, descobrindo coisas novas, ouvindo e falando sobre política, a partir disso criar as músicas. Há algumas influências de outros compositores, clássicos, do jazz, não posso dizer o quê, ou de onde vem. Talvez Ravel, Oscar Peterson, a viagem ao Brasil ou a África. Não sei. Pra mim é importante estar aberto para a vida. Um bom exemplo é a viagem entre São Paulo e Santos que é muito bonita, através da floresta. Isso me inspirou.   

EM – Li que você começa a compor de manhã e durante esse processo revisita teus sentimentos e até o teu ego. Parece que o teu processo de trabalho vem mais do bom e velho trabalho duro do que da inspiração divina. Gostaria que falasse sobre esse processo.
MP – Sim. Não entendo muito bem como isso acontece. Mas é como se fosse um garimpo atrás de ouro. Tento achar elementos que se encaixam. É sempre assim. Nunca tive inspiração divina. (risos)

EM – Ao longo dos últimos anos muitos grupos de jazz vem usando uma parafernália eletrônica nas apresentações, mas mais recentemente apareceu um movimento em direção ao jazz acústico com trios aparecendo cada vez mais. Inclusive esse festival que está recebendo Avishai Cohen, Amaro Freitas e vocês. O que tem a falar sobre isso?
MP – É verdade. Para nós no trio que estamos juntos a 12 anos nunca usamos eletrônicos. Mesmo fazendo muitas coisas tentamos manter assim. Trata-se da forma mais simples e natural de fazer música. Esse é o nosso conceito. 

EM - Você já tocou no Rio, São Paulo e agora volta para esse festival. Como tem sido sua experiência por aqui?
MP – Maravilhosa. Dessa vez tocaremos em dois Sescs, ontem tocamos em São Paulo e hoje estamos em Santos. Os instrumentos são perfeitos, o time muito profissional. Como eu te disse antes, gostaria que tivéssemos isso na Europa e na Suíça às vezes. São muito precisos com a luz o som. E adoro viajar, ir de uma cidade para outra é maravilhoso, podemos conhecer o país. Espero poder fazer mais vezes no Brasil.


EM – Você teve contato com a música popular brasileira ou o nosso jazz, o samba jazz?
MP – Sim, claro. O jazz é um estilo universal. Quando você tem uma música popular que pode improvisar, isso é jazz. Vocês chamam de jazz brasileiro. Mas nos outros lugares podemos chamar de jazz asíatico ou jazz do Oriente Médio.

EM – Sim. O que eu quis dizer, mas não expliquei, é que o Brasil é um páis com dimensões continentais e com muitos ritmos musicais e o brasileiro mistura todos eles, inclusive improvisando em cima. Samba jazz é um nome que usamos pro samba instrumental.
MP – É muito bom ver isso. Na Suiça existem muitas universidades e escolas onde muitos artistas são formados. 

EM – Você pode recomendar alguns?
MP – Sim, claro. Schnellertolermeyer, que é uma espécie de banda de jazz progressivo. As cantoras Elina Duni e Susanne Abbuehl. O pianista Nick Bertschy. Há muitos outros.

EM – Já que você fala sobre política. Você acompanha a escalada da extrema direita na política brasileira?  
MP – Sempre tenho o cuidado de falar sobre o que não conheço. Sou casado com uma siria, nos conhecemos na guerra, por isso conheço a situação do país. Sobre o Brasil, conheço pela mídia. Claro que sei sobre Bolsonaro, as coisas ruins que falam dele. Provavelmente, as verdadeiras e as falsas. Preciso conversar com mais brasileiros para entender qual é a situação. O que sei é que a música e as artes em geral estão em evidência, mas na maioria dos casos é por causa das políticas populistas. Na Suiça também temos partidos populistas que querem cortar o dinheiro para a cultura. Mas digo mais uma vez, é difícil dar uma opinião sem conversar mais com as pessoas no Brasil. Mas é estranho. Onde eu vivo há uma comunidade brasileira e conheço muitos jovens que votaram em Bolsonaro. Pessoas muito jovens. E fico pensando, o que levou esses jovens a votar nele.  

EM – Eu também não sei.