terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Jimmy Johnson e Sam Lay, o mundo do blues perde duas lendas. Giba Byblos conta como conheceu Jimmy Johnson.

 

Jimmy Johnson

As tardes de sábado nunca mais serão as mesmas. Morreu ontem em sua casa aos 93 anos, Jimmy Johnson, o veterano guitarrista de blues que nos anos da pandemia, 2020/21, se notabilizou pelas lives transmitidas todos os sábados diretamente de sua casa em Illinois. 
Durante essas apresentações, Jimmy cantava clássicos do blues e conversava com fãs no mundo inteiro.  
Também recentemente, aos 92 anos, lançou Every Day of Your Life, álbum lançado pelo Delmark, um dos selos mais importantes para o blues nos Estados Unidos.
Nesse trabalho, o jovem de 92 anos experimentou mais do que o habitual, flertou com fraseados de jazz, reggae e outros ritmos fora do blues. Ele mesmo conta que não queria soar como de costume: “I don’t want to sound like I did on any other record”, disse Jimmy ao repórter Alan Paul, do Wall Street Journal. 
Nascido no Mississippi em uma família de músicos - seu irmão Syl Johnson era músico notório da soul music e Mack Thompson baixista de Magic Sam – começou profissionalmente tocando piano na banda Slim Willis.
Influenciado por Buddy Guy e Otis Rush, Jimmy migrou pra guitarra, tendo tocado com os grandes do instrumento, entre eles, o próprio Otis Rush, Albert King, Jimmy Dawkins, Magic Sam e tantos outros.
Sam Lay – Dois dias antes, dia 29 de janeiro, outro veterano no blues fez a sua passagem, aos 86 anos, o baterista Sam Lay. No início trabalhou com as lendas Little Walter e Howlin’ Wolf, mas deixou sua marca como um inovador na banda de Paul Butterfield. Na sua passagem para a eletrificação, Bob Dylan usou Sam lay como baterista na famosa apresentação no Newport Folk Festival, em 1965. E também na gravação de um de seus álbuns mais notórios, Highway 61 Revisited. 
Sam Lay era figurinha carimbada nas gravações da lendária gravadora Chess de Chicago.

Sam Lay

O guitarrista brasileiro Giba Byblos conta como conheceu Jimmy Johnson em Chicago. Parceria que valeu alguns shows no Brasil. 

Foi em junho de 2012, na primeira vez que estive em Chicago, junto com o Fabio Basili, o Maurício Sahady, Chris Crochemore e Ivan Márcio. Estavamos no Kingston Mines, assistindo o Magic Slim. Eu estava com a cabeça do outro lado da rua, no Blues On Halsted, tinha visto o cartaz anunciando o Jimmy Johnson, um cara que sou fã desde moleque. Insisti com o pessoal até atravessarmos a rua. Entramos e nos sentamos. Que um dos amigos que citei me desminta se os cinco marmanjos não estavam de olhos marejados tamanho feeling que o Jimmy passava a cada nota.
O show acabou e eu fui tietar, ele foi gentil mas logo virou a cara, não estava muito a fim de papo. No ano seguinte voltei pra Chicago e o vi de novo no Blues On Halsted e fui tietar de novamente. Ele me olhou com cara de “você de novo”. Eu tinha a intenção de trazê-lo pra cá, assim como fiz com o Merle Perkins em abril do mesmo ano. O Jimmy foi duro na queda, falou que viria desde que eu pagasse 50% adiantado. A negociação evoluiu e eis que fui buscá-lo em Guarulhos. O bluesman mal humorado se revelou uma senhor super amável, de alto astral, tirador de sarro contador de histórias incríveis do mundo do blues e da sua vida pessoal. Se eu contar metade do que ouvi, capaz de virar livro! 
Desde então viramos amigos, voltei a Chicago várias vezes, frequentei a sua casa e conheci a sua família, que me tratou como se eu fosse de casa. Nos falávamos frequentemente e quando eu custava a ligar, ele reclamava, perguntava se não paguei a conta do telefone. A cada conversa, uma lição, uma dica musical, uma nova história. Não é à toa que o apelido dele era Bar Room Preacher! Me sinto privilegiado de ter usufruído dessa convivência e como prometi a ele, a cada show meu, sempre vai rolar um som do one & only Jimmy Johnson.  

Um noite de birita com Giba, Jimmy e um de seus sidemen