terça-feira, 17 de maio de 2022

Festival Do Choro ao Jazz sobe o morro e ocupa palco flutuante da Lagoa da Saudade em Santos

Será uma tarde inteira com muita música brasileira com  três shows grátis no palco da Nova Cintra. Mais uma produção da Mannish Boy Produções Artísticas

Lagoa da Saudade (Foto: Cezar Fernandes)

Criado para abrigar todos os estilos musicais produzidos no Brasil, o festival Do Choro ao Jazz estreia com Choro de Bolso convidando Thadeu Romano, Joabe Reis e Digo e a Faixa Preta.
Os shows acontecem no palco flutuante da Lagoa da Saudade, no Morro da Nova Cintra, a partir de 13 horas do domingo, dia 22 de maio. O local foi escolhido por ser ao ar livre e, principalmente, estar fora do circuito tradicional dos shows que acontecem em Santos, levando a música para todos.  
Com quase vinte anos de atuação, a dupla Choro de Bolso convida o acordeonista Thadeu Romano para uma apresentação criada especialmente para a ocasião. O trombonista Joabe Reis é um sideman conhecido no circuito de jazz de São Paulo, mas que passou a investir fortemente em sua carreira solo, arrancando elogios acalorados de crítica e público. O Multi-instrumentista, cantor e compositor Digo Maransaldi fecha a tarde de domingo estreando seu espetáculo Digo e a Faixa Preta, com releituras de clássicos da black music brasileira somadas a composições próprias. É tudo grátis.

Choro de Bolso

Thadeu Romano

Choro de Bolso convida Thadeu Romano - Choro de Bolso é formado por Débora Gozzoli (flauta) e Marcos Canduta (violão). Tem dois discos gravados e estão na produção do terceiro. Contam com inúmeras apresentações pelo Sesc e Sesi, e alguns Festivais, entre eles, Santos Jazz festival e Ilhabela Bossa e Choro.
Thadeu Romano é fera no acordeon e também pianista, compositor e arranjador. Tocou com Renato Teixeira, Yamandu Costa e outros grandes nomes da nossa música. Tem gravado o CD da Reza a Festa. Está finalizando novo disco.

Joabe Reis

Joabe Reis - Trombonista, compositor e produtor, lançou seu primeiro álbum em 2021. O trabalho, aclamado pela crítica, conta com as participações de Toninho Horta, Nelson Ayres e do trombonista nova-iorquino Elliot Mason, integrante da Lincoln Center at Orchestra, liderada pelo trompetista Wynton Marsalis. 
Joabe reverencia o jazz, altamente influenciado pelo hip-hop, neo soul, funk e o pop. 
Em 2021 participou de diversos festivais online e presenciais (um deles com participação da Paula Lima), apresentou o álbum no SESC Instrumental Brasil, Palco Virtual do Itaú Cultural, Valadares Jazz Fest e Festival Afrofuturistc, Blue Note SP e Bourbon Street. 
Em julho de 2021 lançou seu primeiro clipe\curta-metragem I Just Wanna Breathe, com participação do Síntese Rap:  https://www.youtube.com/watch?v=5BnlN_FGd14

Digo Maransaldi

Digo Maransaldi - Músico multi-instrumentista autodidata, compositor e produtor musical brasileiro nascido em Santos/SP nos anos 70 do século passado. Lançou seu primeiro disco em 2010, “Digo e a New Gafieira” e está em fase de produção do seu segundo trabalho, que terá o título de “Balanço Diferente”. 
O show “Digo Maransaldi e a Faixa Preta” faz um resumo de sua carreira e todas as suas influências musicais, composta totalmente por compositores e artistas pretos. O repertório super balançante e pensante são as canções autorais de maior destaque do artista, lançadas no seu primeiro disco, singles e novidades do seu novo disco Balanço Diferente.

Programação:

22/05, domingo - Lagoa da Saudade
Choro de Bolso convida Thadeu Romano, 13h
Joabe Reis, 15h 
Digo e A Faixa Preta, 17h 

Realização: Secretaria de Cultura de Santos
Produção: Mannish Boy Produções e Digo Design
Apoios: Jade Louback Design, Digo Maransaldi Design, Quintal da Véia
Apoios vereadores: Chico Nogueira, Lincoln Reis e Telma de Souza

quarta-feira, 11 de maio de 2022

15 anos entre dois Eric Gales

 

Eric Gales e Smoke Face (Rio das Ostras 2021)

Texto e fotos Rio das Ostras: Eugênio Martins Júnior
Fotos Santos: Leandro Amaral

No dia 28 de julho de 2006 produzi meu primeiro show internacional e o primeiro do grande Teatro Coliseu, aqui de Santos, que havia sido reformado.
A história começou um pouco antes, em janeiro do mesmo ano. Folheando a revista de sexta-feira de um jornal aqui de São Paulo, que traz a programação cultural do final de semana, li que dois de meus ídolos viriam ao Brasil para tocar no Bourbon Street Music Club, o gaitista Charlie Musselwhite e, nada menos do que um dos maiores guitarristas de blues de todos os tempos, Otis Rush.
Aquilo não saiu da cabeça. Fiquei pensando em como poderia trazer os caras a Santos.
Num estalo peguei o telefone e liguei para o Bourbon. Me passaram o diretor artístico da casa, o Herbert, que atendeu e disse que estava com viagem marcada para os Estados Unidos, mas que quando voltasse poderíamos nos encontrar.
Um mês depois almoçamos num restaurante no centro de Santos, na histórica Rua XV: o Herbert, sua irmã Thais e o Beto, da produtora Lucas Shows.
Na época eu ainda não sabia, mas no mundo da produção cultural existem dois tipos de gente, as que fazem e não falam e as que falam e não fazem. Ali estavam algumas do primeiro time. Saímos daquela reunião com um nome na cabeça, Jazz, Bossa & Blues.
Por uma série de motivos, os shows de Charlie Musselwhite e Otis Rush não aconteceram no Brasil naquele ano. O Charlie encontrei na estrada um par de vezes, mas o Otis Rush nunca. Uma pena, Rush morreu em 29 de setembro de 2018 e eu nunca o vi tocar. 
Mas o projeto andou e entre algumas opções de artistas, apareceu o nome de Eric Gales. Irmão do não menos famoso, Little Jimmy King, Eric Gales nasceu em 1974 em Memphis, berço do rhythm n’ blues. A partir de quatro anos de idade o garoto canhoto aprendeu a tocar guitarra com o seu outro irmão, adivinhem o nome?! Eugene.
Então, começamos o projeto de música da maneira certa, com a mão esquerda.
O show rolou. O teatro Coliseu havia acabado de ser re-inaugurado após anos de uma reforma mal feita e incompleta, cortesia da péssima administração municipal da época.  
A prefeitura estava tomando porrada na imprensa por causa da reforma porca do local e nada como um showzinho legal pra trazer prestígio à casa, não é verdade?. Acredito que tenha sido o primeiro show internacional dessa nova fase do grande teatro. É, às vezes a gente serve o diabo sem saber.
No dia 28 de julho de 2016, o time que subiu ao palco do Teatro Coliseu foi o Eric Gales (guitarra e voz), Ugo Perrota (baixo) Papel (bateria) e Fred Sun Walk (guitarra). 
Para abertura não poderíamos ter colocado outro músico senão Mauro Hector, de Santos. Outro canhoto e discípulo de Jimi Hendrix.
Gales havia acabado de lançar o álbum Crystal Vision e estava em uma fase "atribulada", fazendo o uso de substâncias que estavam afetando sua vida e música. A produção incluiu alguns rolos, as tais substâncias, prostitutas e outros ilícitos. E eu, tendo de lidar com tudo isso porque as outras pessoas envolvidas estavam preocupadas em tirar fotos com o prefeito e aparecer na imprensa. Só uma coisa a dizer, fuck’em all, eu fiz a minha parte.
Antes do show eu conversava com o Mauro no backstage quando surgiu a ideia de ele entrar no final do show de Gales para uma jam, e a dúvida de qual música apresentar apareceu. Então mandei essa: “Os dois são canhotos, díscipulos de Jimi Hendrix porque não tocam Red House?”. E assim foi. Na hora do “mais um” Gales chamou o Mauro e os dois tocaram juntos. 
O negócio começou suave como Red House costuma ser, um tremendo slow blues, mas logo descambou pra violência. Todo mundo sabe que o Mauro não sabe brincar. Logo ele chutou a canela de Gales que retribuiu e os dois acabaram duelando e fritando. Essas histórias de bastidores é que dão prazer nessa profissão.


Novembro de 2021 – Encontrei Eric Gales quinze anos depois, no Rio das Ostras Jazz e Blues Festival. Recuperado dos vícios e considerado um dos grandes guitarristas dos Estados Unidos. A experiência foi totalmente diferente. Empolgadão como de costume, levei umas fotos do primeiro show de 2006 para dar de presente pro cara achando que iria agradar e pelo menos ganhar uma boa entrevista em retribuição. Que nada, fui recebido com uma certa indiferença. Mesmo após esperar por toda a passagem de som que levou um bom tempo. Quando ficamos frente a frente ele mandou: “You have 10 minutes”.
Os shows foram excelentes e escancararam os motivos pelos quais Eric Gales é considerado um dos grandes guitarristas da atualidade. Grandes performances no palco, técnica impecável num show que não é chato apesar de todo esse virtuosismo. A “fritação” é sempre colocada a serviço da diversão. Eu conto um pouco sobre os dois shows de Rio das Ostras no “Diário de Rio das Ostras 2021” nesse livro. E a entrevista é essa que está aí, publicada com seis meses de atraso. Durou sete minutos gravados.

Eric Gales em Santos 2006

Eugênio Martins Júnior - Como foi a sua infância musical, crescendo em uma família de músicos? 
Eric Gales – Foi maravilhosa. Vivia em uma casa com muita música. Todos estavam envolvidos em algum momento com música. 

EM - Qual foi a maior influencia recebida de seu irmão Little Jimmy King que partiu muito cedo?
EG – Ser persistente. Estar sempre focado. Era um grande guitarrista e me proporcionou uma base, como toda a família.  

EM - Você nasceu e cresceu em Memphis, uma das cidades chave para o blues mundial. Qual é a importância do blues pra cultura americana?
EG – Sim. É uma cena muito forte.

EM – Como sua carreira se desenvolveu desde seu primeiro álbum, The Eric Gales Band, lançado há 30 anos?
EG – Ganhei experiência em muitas coisas, especialmente na minha história de vida. Tenho vivido muita coisa tocando guitarra.

The Duelists 2006

EM - Fizemos um show na minha cidade, Santos, há 15 anos. Naquela época você estava mais, como posso, dizer, “rebelde”. Gostaria que falasse sobre como esses anos afetaram a sua vida.
EG – Aprendi com os meus erros e continuei indo em frente.   

EM – Você usa a sua história de vida nas letras?
EG – Sempre. Pra mim não há melhor forma para contar as histórias vividas ao longo dos anos. Sou abençoado por estar vivo e poder contar a minha história. Manter a mente sã. E espero que essa história inspire as pessoas. Só estou tentando me manter na linha. 

EM – Você é um homem religioso?
EG – De uma certa forma sim. Acredito que há alguém lá em cima.

EM – Olhando por você?
EG – Sim.

EM - The Bookends foi lançado em 2019, antes da pandemia. Nem teve tempo de mostrar esse trabalho nos palcos. Como tem sido a vida sob a pandemia de covid-19? 
EG – Estava tudo correndo bem. Estava gravando, concorrendo em algumas premiações de rock e blues. Acredito que seja um grande álbum e com uma boa trajetória até tudo isso acontecer. As pessoas se retraíram e tudo parou.

Eric Gales e Smoke Face em Rio das Ostras - novembro de 2021

EM – Penso que você ganhou muito mais fãs fazendo um som que mistura a agressividade de solos de guitarra com melodias pop, porém muito bonitas. Você concorda?
EG – Obrigado. Concordo. Sou um afortunado em por receber essa energia do universo, criar essas melodias e depois poder dialogar com o público dessa forma.

EM - Teu álbum Middle of The Road traz parcerias com Gary Clark Jr e Kristone Kingfish. Outros dois nomes que estão se tornando importantes no mundo do blues. 
EG – São grandes amigos e estou feliz que tenham feito parte do disco com o que eles têm de melhor. 

EM – O veterano Tail Dragger disse que os jovens negros dos Estados Unidos não se interessam mais pelo blues. Eles só querem fazer rap hoje em dia. Você concorda?
EG – (risos) Tem alguma verdade nisso. Eu cresci ouvindo rap, fez parte da minha base. Eu sou fã de rap.

EM – Mas você acabou indo para o blues, ainda que um blues rock. Que importância você dá para esse gênero musical para a cultura dos Estados Unidos? 
EG – É uma forma de vida. Uma necessidade. Que deve estar sempre entre nós. O blues está em tudo.

EM – Você fala sobre política?
EG – Não.

EM – Você se vacinou?
EG – Sim, tomei duas doses. Mas conheço muitas pessoas que não. Veja, minha carreira me coloca em contato com muitas pessoas ao redor do mundo. Tenho que me proteger dá melhor forma possível. Não vou dar mole, já conheci gente que morreu.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Circuito Sesc de Jazz & Blues realiza 90 shows em cinco cidades do Rio de Janeiro. Mannish Blog entra com 10

A ideia do Circuito Sesc de Jazz & Blues surge a partir da parceria de sucesso de dois anos entre o Sesc RJ e o Rio das Ostras Jazz e Blues – maior festival de jazz e blues da América Latina. O Circuito inicia em maio na cidade de Búzios, passando por Paraty, Rio das Ostras, Niterói e Barra do Piraí. Tudo Grátis

Roberto Fonseca (Cuba)

Entre maio e julho as cidades de Rio das Ostras, Búzios, Paraty, Niterói e Barra do Piraí servirão de palco para o primeiro Circuito Sesc de Jazz & Blues. Serão cerca de 90 shows, totalmente gratuitos, dentro de uma programação artística, reunindo nomes como pianista cubano Roberto Fonseca, o trompetista japonês Takuya Kuroda, Leo Gandelman, a banda A Cor do Som e As Mulheres do Blues, projeto criado pela Mannish Boy Produções, reunindo as cantoras Bidu Sous, Caru de Souza e Ana Clemesha. E também uma super banda composta por Lancaster Ferreira, Flávio Naves, Bruno Falcão e Fred Barley. 
Búzios abre o circuito no dia 13 de maio com o saxofonista americano Sax Gordon Beadle & Just Groove, o saxofonista brasileiro Léo Gandelman, Tony Gordon, Nico Rezende - Tributo a Chet Baker, entre outras atrações.
Entre os dias 10 e 12 de junho será a vez de Paraty, com um cast reunindo o pianista cubano Roberto Fonseca, a cantora americana Deanna Bogart, o cantor americano de R&B e soul music Lorenzo Thompson, a cantora de blues Taryn Szpilman e muitos outros artistas.
No feriado de 16 a 19 de junho Rio das Ostras recebe o pianista cubano Roberto Fonseca, o trompetista japonês Takuya Kuroda, a baixista dinamarquesa Ida Nielsen, a cantora Americana Deanna Bogart, o gaitista americano de blues e R&B Hook Herrera, a lendária banda A Cor do Som – ganhadora do Grammy Latino 2021 pelo melhor disco de música instrumental, Blues Etílicos, Blues Beatles, a Banda Mulheres do Blues, Nelson Farias Jazz Quarteto, Márvio Ceribelli Quinteto, Tony Gordon, entre outros músicos.
O circuito chega a Niterói nos dias 24, 25 e 26 de junho reunindo o pianista Roberto Fonseca, o trompetista Takuya Kuroda, a baixista Ida Nielsen, a americana Deanna Bogart, o gaitista americano Hook Herrera, o cantor americano de R&B e soul music Lorenzo Thompson, o guitarrista Jimmy Burns (USA), a banda A Cor do Som, Blues Etílicos, Tony Gordon, Nico Rezende com Tributo a Chet Baker, Blues Beatles, As Mulheres do Blues, entre outros.
Fechando o Circuito Sesc de Jazz e Blues, a cidade de Barra do Piraí realiza o evento entre os dias 15 e 17 de julho. Entre as atrações, Léo Gandelman, Banda do Síndico, Tony Gordon, Taryn Szpilman, Blues Beatles, Blues Etílicos, Banda Base além de diversas bandas locais.
Por meio do Circuito Sesc de Jazz & Blues, queremos incentivar o desenvolvimento econômico, turístico, social e cultural das cidades, possibilitando a injeção de capital durante sua realização. Como exemplo, temos o Festival de Rio das Ostras que, de acordo com pesquisas realizadas pela FGV-RJ e SEBRAE, nas suas últimas seis edições, injetou cerca de R$ 9 milhões em média nos quatro dias de sua realização”, afirma Stenio Mattos, produtor cultural e responsável pela organização do Circuito.

Ana Clemesha, Bidu Sous e Caru de Souza forma o projeto Mulheres do Blues


Confira a programação:
 
BÚZIOS – 13 a 15 maio 2022
Palco Praia dos Ossos – Palco jazz e Instrumental
Dias 14 e 15 junho – a partir das 16h 
Dia 14 – Abertura Banda local (16h). Show com As Mulheres do blues (17h)
Dia 15 – Abertura Banda local (16h). Show com Taryn Szpilman (17h)

Palco Praça Santos Dumont – Palco principal
Dias 13, 14 e 15 maio – a partir das 20h30
 
Dia 13
20h30 – Léo Gandelman
22h – Tony Gordon
23h30 - Blues Etílicos
 
Dia 14
20h30 – Nico Rezende – Tributo a Chet Baker
22h – Sax Gordon Beadle & Just Groove
23h30 – Blues Beatles
 
Dia 15
20h – Abertura banda da cidade
20h30 –Dalto no show Moon Night Serenade

Sax Gordon (EUA)


PARATY – 10 a 12 junho 2022
Palco Giratório: dias 11 e 12 de junho a partir das 11h
Sábado – atração a confirmar
Domingo – Taryn Szpilman
 
Palco Matriz: Dias 10, 11 e 12 a partir das 20h30
Sexta-feira - Márvio Ciribelli + Tony Gordon + A Cor Do Som
Sábado – Roberto Fonseca + Deanna Bogart + Banda Do Síndico
Domingo – Mulheres do Blues + Lorenzo Thompson
 
Palco Santa Rita: Dias 11 e 12, shows das 14h às 15h30
Sábado – Blues Beatles
Domingo – Deanna Bogart
 
Palco Sesc (na unidade Sesc): Dias 11 e 12 às 16h e 17h30
Sábado – Banda Local + Nico Rezende
Domingo – Banda Local + Jimmy Burns

RIO DAS OSTRAS – 16 a 19 de junho 2022
 
DIA 16 – Quinta-Feira:  início às 17h
 
Palco Boca da Barra - Jazz
Show das 17h às 18h15 – TAKUYA KURODA Jazz Quartet (USA)
 
Palco de Costazul - Shows no palco Principal a partir das 20h30
Abertura às 20h com shows no Espaço Arthur Maia (Casa do Jazz)
 
Shows no palco Principal a partir das 20h30
- Orquestra de Sopros de R.O.
- Nelson Farias Quarteto – participação especial de Chico Chagas
- Hook Herrera Blues Band (USA)
- Mulheres do Blues
 
DIA 17 – Sexta-feira
 
Palco Novos Talentos - Bandas de Rio das Ostras e norte-fluminense
- Show às 11h15 às 12h15 – Atrações a confirmar
 
Palco Iriry - Blues
- Show às 14h às 15h15 – Blues Beatles   
 
Palco Boca da Barra - Jazz
- Show às 17h às 18h15 – Ida Nielsen (Dinamarca)
 
Palco Costazul
Abertura às 20h com shows no Espaço Arthur Maia (Casa do Jazz)
 
Shows no palco Principal a partir das 20h30
- Márvio Ciribelli Jazz Quarteto
- Takuya Kuroda Jazz Quartet (USA)
- Deanna Bogart Blues Band (USA)
- Blues Etílicos
 
 
DIA 18 – Sábado:
 
Palco Novos Talentos – Bandas de Rio das Ostras e norte-fluminense
- Show às 11h15 às 12h15
 
Palco Iriry  
- Show às 14h às 15h15 – Deanna Bogart Blues Band (USA)
 
Palco Boca da Barra - Jazz
- Show às 17h às 18h15 – Hook Herrera Blues Band (USA)
 
Palco Costazul
- Abertura às 20h com shows no Espaço Arthur Maia (Casa do Jazz)
 
Shows no palco Principal a partir das 20h30
- Tony Gordon
- Roberto Fonseca (Cuba)
- Ida Nielsen (Dinamarca)
- A Cor Do Som
 
DIA 19 – Domingo:
 
Palco Novos Talentos – Bandas de Rio das Ostras e norte-fluminense
- Show às 11h15 às 12h15
 
Palco Iriry
- Show às 13h15h às 14h30 – (atração a confirmar)
- Show às 15h30min às 17h – A Cor Do Som

NITERÓI - 24 a 26 junho 2022
O Circuito Sesc de Jazz & Blues – Niterói acontece a céu aberto nos dias 24, 25 e 26 de junho. Com um palco principal à beira mar na Praça do Rádio Amador (São Francisco), além de palcos secundários no Campo de São Bento (Icaraí), Horto do Fonseca (Fonseca) e Horto do Barreto (Barreto), nos seguintes dias e horários: 24 de junho das 19h às 23h, no dia 25 das 17h à 01h e no dia 26 das 17h às 24:00h.
Serão cerca de 20 shows em três dias de evento, além de oficina musical para os jovens da Orquestra de Cordas da Grota. O festival vai colaborar para aumentar a visibilidade nacional da cidade, visando torná-la como um dos principais polos culturais e turístico do estado do Rio de Janeiro.
O pianista cubano Roberto Fonseca, o trompetista japonês Takuya Kuroda, a baixista dinamarquesa Ida Nielsen, a cantora Americana Deanna Bogart, o gaitista americano Hook Herrera, o cantor americano de R&B e soul music Lorenzo Thompson, o guitarrista Jimmy Burns (USA), vencedora do Grammy Latino 2021de melhor disco de música instrumental - a lendária A Cor do Som, Blues Etílicos, Tony Gordon, Nico Rezende com Tributo a Chet Baker, Blues Beatles, As Mulheres do Blues, entre outros.
 
 
BARRA DO PIRAÍ – 15 A 17 DE JULHO
PALCO E PROGRAMAÇÃO: a partir das 20h
Todos os shows serão realizados em palco montado ao lado da centenária e histórica Estação de Ipiabas, estação de trem recém reformada
 
Dia 15 / 07 – sexta-feira
21h às 22h – Léo Gandelman
22h20 às 23h20 – Banda Base
23h40 às 24h50 – Banda do Síndico
 
Dia 16 / 07- sábado
20h às 20h40 – Banda Local – Instrumental
21h às 22h – Blues Etílicos
22h20 às 23h20 – Tony Gordon
23h40 às 24h50 – Blues Beatles
 
Dia 17 / 07 – domingo – a partir das 13h
13h - Banda Local – Instrumental
14h – Taryn Szpilman Jazz & Blues Band

quinta-feira, 10 de março de 2022

Agora no calendário oficial da cidade, o CLUBE DO BLUES DE SANTOS 2022 volta em abril

 Grandes nomes da música brasileira vêm a Santos para shows em vários pontos da cidade, principalmente no morro e na Zona Noroeste. O festival é produzido pela Mannish Boy Produções, Prefeitura e Sesc Santos

Nuno Mindelis

Line up – Em 2022 o Clube do Blues conquistou um lugar especial no coração dos santistas. Oficialmente incorporado ao calendário de eventos oficiais da cidade de Santos, o festival que já acontece há 14 anos, tradicionalmente em abril, vai trazer muita música para três regiões da cidade. 
Os shows serão com Nuno Mindelis, Sax Gordon e Igor Prado and Just Groove, Big Chico Blues Band (Tributo a Rod Piazza), The Headcutters, Marcelo Naves e Tigerman, Dog Joe e Vasco Faé. 

O evento - Os shows acontecerão no Sesc, Zona Noroeste e Morros de Santos, cobrindo áreas periféricas da cidade que são locais pouco contemplados por outras produções. 
Serão shows grátis e ao ar livre, celebrando a boa música a amizade e a vida.

Realização - A realização do Clube do Blues de Santos só é possível com parcerias fundamentais, o Sesc Santos, onde acontecerá o show do Nuno Mindelis, dia 01 de abril. E prefeitura de Santos, por meio de sua Secretaria de Cultura.
E ainda os vereadores Cacá Teixeira, Débora Camilo, Fabrício Cardoso, João Neri, Lincoln Reis, Telma de Souza e Zequinha, que destinaram emendas parlamentares para o fomento da cultura.    

Histórico - O mês de abril foi o escolhido em comemoração ao nascimento de Muddy Waters, artista revolucionário do blues mundial e o nome que sintetizou o blues rural do Mississippi na música urbana de Chicago, influenciando milhares de músicos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde os músicos misturaram o blues com os nossos ritmos. 
O Clube do Blues de Santos já trouxe inúmeros artistas do estilo musical a cidade. Entre os brasileiros, Ari Borger, Márcio Abdo, Jefferson Gonçalves, Big Joe Manfra, Big Gilson, Robson Fernandes, Fábio Brum, Mauro Hector, Caviars Blues Band, Ivan Márcio, Giba Byblos, Igor Prado Band, e muitos outros. Entre os estrangeiros, Larry McCRay, Eric Gales, Shirley King, Tia Carrol, Peter Madcat, Jon McDonald, Sax Gordon, Raphael Wressnig, Kenny Brown, Aki Kumar, James Wheeler, Lynwood Slim.    


Nuno Mindelis - volta a Santos na sexta-feira, dia 01 de abril, com o show Blues Blues Blues, no qual retoma o gênero na sua forma mais tradicional. Acompanhado de sua banda de músicos exímios, Marcos Klis (baixo), Dhieego Andrade (bateria) e Henrique Mota (teclados), e tendo como convidado Marcelo Naves na gaita, a apresentação refletirá uma entrega irrestrita e muito relaxada ao gênero responsável pelo seu DNA musical. 
Temas de seus álbuns mais tradicionais, gravados com a lendária Double Trouble e de Angels & Clowns com Duke Robillard e banda, alternarão com clássicos do Blues, de Eric Clapton a BB King, Albert Collins e tantos outros. 
No dia 01 de abril o palco do Sesc Santos vai parecer um barzinho pequeno em Chicago ou New Orleans. O público conviverá por uma hora e meia com notas mágicas e inebriantes que transformarão a sua noite num antes e depois.


Vasco Faé - O trabalho solo de Vasco Faé é hoje uma referência nacional dentro do cenário Blues, ao completar 22 anos de carreira profissional, com três CDs solo lançados (Saudações, Manoblues e Voz-Gaita-Guitarra-Caixa-Bumbo), sendo um ao vivo, que é o atual lançamento de sua carreira. O Manoblues foi  pioneiro no Brasil a se arriscar na arte da coordenação motora ao tocar a gaita no suporte com outros instrumentos de maneira musical e não apenas figurativa, tendo influenciado toda uma geração de gaitistas desde o início dos anos 90. Gravou participações em incontáveis discos de artistas de gêneros variados, sempre com sua personalidade marcante e estilo inconfundível e é o autor das mais antológicas versões bluesy de músicas brasileiras, como o Trem das 11, Medo da Chuva, entre outras. Dentre todos os trabalhos em que participa estima-se que já realizou mais de 1900 apresentações pelo país. Nessas andanças criou seu "Caixa Automático" com o sistema "self-service" para venda de CDs que acabou se tornando parte do show. Dividiu palco com inúmeros artistas tais como Herbert Viana, Nando Reis, Dinho Nascimento, Pitty, Caetano Veloso, Simone, Samuel Rosa, Lobão, entre outros.


Big Chico e Banda - O cantor, gaitista e guitarrista Big Chico apresenta seu novo trabalho, uma grande homenagem a um dos músicos que pode ser considerado uma de suas maiores influências na harmônica, Ro d Piazza.
Nos Estados Unidos e no Brasil, Big Chico conviveu, tocou e arrancou vários elogios deste que pode ser considerado um ícone em seu instrumento: “ Chico has really got feeling and soul of the blues! His attack and tone are real! He’s kepping it alive.” Disse Rod Piazza após ouvir Chico tocar sua gaita.  Com o repertório que passa pelo blues tradicional de Chicago e o suingue, mais conhecido como Jump Blues – uma mistura de blues com elementos das big bands de jazz – Big Chico faz releituras de temas do grande Rod Piazza, conduzindo sua super banda aos instrumentais e clássicos do blues, levando o público ao delírio em um show extremamente dançante, cheio de energia e animação.



The Headcutters - Considerada uma das mais renomadas bandas de Blues do Brasil, com timbres e sonoridade dos anos 50 e 60, seguem a linha das lendárias gravadoras de Blues de Chicago. O nome vem como homenagem aos grandes ídolos do Blues: Muddy Waters, Little Walter e Jimmy Rogers que no começo dos anos 50 eram chamados The Headhunters, o nome The Headcutters vem como alusão a esses mestres que são a grande fonte de inspiração da banda. Com shows contagiantes, muito carisma e performances empolgantes, a banda vem conquistando o público por onde tem passado. Fundada em setembro de 1999, tem como formação quatro amigos de infância: Joe Marhofer (harmônica e vocal), Ricardo Maca (guitarra e vocal), Johnny Garcia (contra-baixo acústico) e Leandro Cavera (bateria). Fizeram quatro turnês internacionais, três na Argentina (2015, 2017 e 2018) e outra nos EUA (2014) 28 dias com 14 shows, percorrendo 5 estados e 18 cidades. Em outubro de 2021 farão nova turnê pela Europa. O ponto alto da turnê nos EUA fica por conta dos shows nos lendários Festivais: “King Biscuit Blues Festival” em Helena, Arkansas (Festival com mais de 40 anos de existência) e também no “Pinetop Perkins Blues Festival” em Clarksdale, Mississippi. The Headcutters foi a primeira banda brasileira a tocar em ambos os festivais, feito jamais realizado até então por brasileiros nos EUA. A banda participou de grandes festivais de Blues & Jazz, gravou e tocou com grandes nomes do blues nacional e internacional como: Bob Stroger, James Wheeler, Rip Lee Pryor (filho de Snooky Pryor), J.J. Jackson, Junior Watson, Jai Malano, Lorenzo Thompson, Phil Guy (irmão de Buddy Guy), Mud Morganfield (filho de Muddy Waters), Eddie C. Campbell, Kim Wilson, Billy Flinn, Gary Smith, Billy Branch, Carlos Johnson, Wallace Coleman, Joe Filisko & Eric Noden, Ian Siegal, Lynwood Slim, Mitch Kashmar, Igor Prado, Blues Etílicos, Greg Wilson, Nico Smoljan e The Silver Kings.



Marcelo Naves e The Tigermen - Marcelo Naves e Tigerman - Gaitista há mais de 22 anos, Marcelo Naves é hoje considerado um dos grandes gaitistas de Blues do Brasil. Com seu estilo comparado aos grandes gaitistas de Chicago, Naves vem conquistando cada vez mais o público de Blues e Gaita do Brasil e exterior. É mais um dos integrantes do CD "Blueseiros do Brasil - edição gaitistas", que foi a 1°Jam Session de grandes gaitistas, gravada e lançada no país. Já se apresentou ao lado de grandes nomes do Blues, como Deacon Jones, Mud Morganfield, Diunna Greenleaf, Tia Carrol, Jimmy Burns, R.J.Mischo, Willie “Big Eyes” Smith, Sugar Ray RayFord, Michael Dotson, James Weller, Eddie C. Campbell, Walace Colleman, Junior Watson, Mitch Kashmar, Aki Kumar, James "Super Chikan" Johnson, Nuno Mindelis, entre outros.


Dog Joe - A experiente banda de blues-rock e soul music da Baixada Santista Dog Joe já tocou com os bluesmen Lazy Lester, Lurrie Bell e dividiu o palco com Jon McDonald.
O show no Clube do Blues 2022 será um passeio por todas as épocas do blues e soul  music.
Com arranjos cheios de identidade, nos quais o quarteto Dog Joe mostra toda sua versatilidade em solos e grooves desconcertantes, o encontro promete ser uma das viagens no tempo mais emocionantes proporcionadas pela música.


Igor Prado e Just Groove - Há 17 anos na estrada, o guitarrista e produtor musical paulistano Igor Prado (único sul-americano indicado ao Blues Music Awards o Oscar do Blues americano) ao lado da banda Just Groove, mescla blues, soul, funk e música brasileira. 
No repertório, versões de peso pesados da black music de Isley Brothers, The Meters e até mesmo Tim Maia, mesclado com material autoral que fará parte do próximo álbum do guitarrista que será lançado no Brasil e nos EUA. O show conta com a participação do renomado pianista de Porto Alegre Luciano Leães que é referência na américa do sul no estilo Blues e New Orleans. Igor Prado (guitarra e voz), Junior Isidoro (bateria), Douglas Couto (baixo elétrico) e Herbert Medeiros (teclado).


Sax Gordon - “Sax” Gordon Beadle nasceu em Detroit em 1965 e sua primeira experiência musical foi na Carolina do Norte muito jovem tocando em Big Bands e acompanhando o lendário cantor de jazz Johnny Heartsman. Rapidamente conseguiu reputação entre os músicos locais com suas performances vibrantes. 
Alguns anos depois mudou-se  para Boston e já era um dos mais requisitados saxofonistas  trabalhando com artistas de peso do Blues & Rhythm Blues como: Duke Robillard, Jimmy Witherspoon, Rosco Gordon, Jay Mc Shann, Kim Wilson, entre outros. 
Participou de álbuns importantes de lendas como Jimmy Mc Griff, Pinetop Perkins, Billy Boy Arnold, Charles Brown, Clarence Gatemouth, Junior Wells, James Cotton, Johnny Johnson, Solomon Burke, Little Milton, Grant Green.
Em 1998 iniciou sua carreira solo lançando dois álbuns, “Have Horns Will Travel” e “You Knock Me Out” sendo indicado e ganhando vários prêmios na Europa e Estados Unidos.
Seu último cd “Extreme Sax” (2021) gravado ao vivo consolida sua fama e reputação ao redor do mundo como um dos maiores saxofonistas de Blues e Rhythm Blues em atividade!

Programação:
O1/04, sexta-feira, Sesc Santos
Nuno MIndelis, às 20h

17/04, domingo – Jardim Botânico 
The Headcutters, às 13h
Big Chico Blues Band, às 15h
Marcelo Naves e The Tigermen, às 17h (lançamento do CD) 

01/05, domingo – Lagoa da Saudade
Vasco Faé, às 13h
Dog Joe, às 15h 
Sax Gordon e Igor Prado and Just Groove - às 17h (show internacional)

Realização: Prefeitura de Santos, Sesc Santos
Produção: Mannish Boy Produções Artísticas
Apoios: Cervejaria CAIS, Cantina Di Lucca, Digo Design, Quintal da Véia, Tasca do Porto

quarta-feira, 9 de março de 2022

O blues californiano de Chris Cain rodou São Paulo em fevereiro

 

Chris Cain

Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior

Dia 02 de fevereiro de 2022. Há uma semana chove muito no estado de São Paulo. Cidades inteiras alagadas, encostas escorregando em cima de casas. Uma tragédia. 
O guitarrista Chris Cain passou rápido para tocar com a banda do Big Chico em quatro gigs. A primeira, na capital, perdi. 
A segunda, no Mercado das Artes em Vinhedo, a 172 quilômetros da minha casa em Santos, fui. 
Não tenho carro, então peguei duas horas de chuva de moto pra trocar uma ideia com o coroa e ouvi-lo tocar. Uns vão dizer: “Louco”. Outros, “Yeah!”
O Mercado das Artes é um lugar rústico e bacana. Alto astral. Com uma galera que gosta de blues de verdade. 
Chris estava à vontade e em grande forma. Tocou e cantou muito. Queimou uma palha, bebeu cerveja e interagiu legal com a galera. 
Com 15 álbuns gravados, o mais recente, Raisin’ Cain, pelo selo Alligator, Chris é um guitarrista com um fraseado cortante, como uma faca afiada nas mãos de um açougueiro. Porém, elegante. Uma outra linguagem dentro do blues. 
Natural de San Jose, iniciou sua carreira tocando nos clubes da Califórnia nos anos 80. Logo gravou seu álbum de estreia, Late Night City Blues, que o levou aos palcos da Europa. 
Passou um tempo na gravadora Blind Big, onde gravou bons álbuns ao longo das décadas seguintes até assinar com a Alligator e lançar seu mais recente trabalho, o já citado Raisin’ Cain.
Por duas vezes, durante essa entrevista, ele se emocionou, a primeira quando falei que seu primeiro trabalho havia completado 35 anos. Ele não havia se dado conta disso. Parou, pensou e as lágrimas escorreram e ele falou: “Já faz tanto tempo que estou na estrada?”. 
Depois quando perguntei sobre sua relação com Jimmy Johnson, morto uma semana antes. Parece que sua relação com o veterano do blues era das mais íntimas e ele demostrou estar realmente abalado. Histórias do blues. De glórias e perdas.


Eugênio Martins Júnior – Born To Play, de seu álbum mais recente, Raisin’ Cain, é uma música autobiográfica. Você conta como seus pais te influenciaram. Como foi sua infância musical? 
Chris Cain – Minha infância musical foi linda. Meu pai me levava para assistir shows do BB King, Ray Charles, não perdia um. Ele era um grande colecionador de discos e me expôs à melhor música possível. 

EM – Vocês são de Memphis?
CC – Não, meu pai era da Luisiana e na adolescência mudou para Memphis onde cresceu, na Beale Street. Mais tarde se alistou na Marinha, servindo na Califórnia, onde conheceu minha mãe. Eu sou uma mistura. (risos)   

EM – Ele chegou a falar com você sobre a Beale Street? Como era aquele ambiente? 
CC – Ele me falava sobre os teatros. A primeira vez que estive lá tive recordações das coisas que ele me falava. Era como se eu já conhecesse o lugar. O que existia em determinados locais em sua época. O Handy Park, que é um parque em homenagem a um músico, W.C. Handy, hoje é uma espécie de Hard Rock Café, ou sei lá o quê. 


EM – Aqui no Brasil nós que somos os entusiastas do blues vivemos lendo livros e vendo documentários sobre os artistas, os locais e todas essas histórias e lendas do blues. Por isso sempre faço esse tipo de pergunta.
CC – Cara, quando era criança conheci Albert King, Freddie King, Ray Charles. Meu pai me levava para conhecê-los. Eu tinha muito respeito por aqueles senhores. Tive muita sorte em estar nessa situação em que muitos gostariam. 

EM - Onde você está vivendo atualmente?
CC – Moro em Copperopolis, na Califórnia.

EM – Como é a cena de blues lá?
CC – Não é muito agitada. É uma cidade pequena, um pouco fria. Quando estou em casa prefiro as coisas mais tranquilas. 

EM - Gostaria que falasse sobre Late Night City Blues que está completando 35 anos.
CC – Já faz trinta e cinco anos desde que gravei esse disco? Eu emprestei dinheiro para fazê-lo. (Nessa hora o cara começou a chorar). Fiz o disco porque precisava apresentar nos clubes para arranjar algum trabalho. E ele foi indicado para alguns prêmios. Só queria gravar um disco para arrumar algumas datas e ele acabou me levando a um festival na Europa. Sempre digo que tive sorte. Só queria gravar um disco.  

EM – São mais de quarenta anos viajando e tocando.  Você ainda se diverte tocando guitarra após todos esses anos?
CC – Me divirto mais do que nunca. Sinto menos pressão. Me preocupava com a banda, com o que as pessoas iam pensar sobre mim. E isso é uma loucura. Hoje faço o que tenho de fazer. Tenho a oportunidade de tocar com muita gente e conhecer muitos músicos.

Big Chico

EM - Por exemplo, vir ao Brasil e saber que aqui tem uma cena de blues ajuda a continuar fazendo o que faz?
CC – É inacreditável. Acabei de passar seis dias na Argentina e vi os garotos tocando blues. E eles vinham me ver. Isso vem acontecendo ao longo dos anos. Amo a vida de músico por causa disso.   

EM - Em Down on the Ground você fala sobre os problemas do mundo atual, as pessoas não se entendem mais. Uma música de protesto. Nos Estados Unidos e no Brasil governos neofascistas foram eleitos legitimamente. Como vê esse retrocesso. 
CC – Quando escrevi essa música parecia que ela havia sido escrita para as pessoas que moram na rua. Mas não era isso que eu estava pensando. Era sobre como o tratamento entre as pessoas não me parece certo. Mas você trouxe outro ponto de vista e eu adoro ouvir isso. Pode ser um monte de coisas. Estou feliz por você ter me perguntado sobre essa canção. Ela fala sobre o relacionamento humano.

EM – Sim e sobre como estamos nos tratando mal.
CC – Concordo, obrigado. 

EM - Como está a volta de shows com a pandemia ainda em curso?
CC – Comecei a tocar novamente e ver as pessoas e estou me sentindo bem por isso. Foi a mesma emoção que senti ao tocar pela primeira vez. Sentia falta do contato humano. Foi diferente. Estou agradecido porquê que isso está passando.  


EM – Você soube da morte de Jimmy Johnson? Gostaria que falasse sobre ele e sobre a importância para o blues. (mais uma vez nesse momento Chris Cain não se contém e chora copiosamente e eu tenho de parar a entrevista).
CC – Eu não o conhecia, mas já sabia de sua importância. Então eu estava em um Blues Cruiser* e fiquei sabendo que Jimmy Johnson estava naquele navio. E ele já não viajava muito naquela época. Eu acordei um dia e o encontrei e ele estava tomando um sorvete. Ele me chamou pelo nome e eu fiquei em choque ao saber que ele me conhecia. E
Era uma pessoa maravilhosa. Ele brincou comigo dizendo que ele tocava guitarra em três posições e eu tocava em seis. Ficamos juntos quando o navio ancorou em Porto Rico e ele me contou aquele monte de histórias. Em outra noite quando nos encontramos e estávamos pronto para uma jam ele percebeu que eu havia bebido demais e me chamou a atenção. Era como um pai chamando a atenção de um filho. Nos últimos tempos ele tocava nas tardes de sábado em sua casa com a esposa e quando eu aparecia em alguma mensagem ele dizia: “Hey brother Chris!”. Sempre me tratou com muita gentileza, era como um segundo pai pra mim.    

EM – Quem hoje te chama a atenção na cena do blues?
CC – Dos caras que já vi tocar Nick Moss é um deles. E Christone Kingfish, que é muito jovem, mas está levando a coisa adiante. 

EM – O baixista do Nick Moss, o Rodrigo Mantovani é brasileiro aqui de São Paulo. 
CC – Sim. O conheci no Brasil. Um ótimo baixista e uma grande pessoa.  

*Blues Cruiser é um cruzeiro tradicional só com artistas de blues que acontece há mais de trinta anos nos Estados Unidos e Caribe.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Jimmy Johnson e Sam Lay, o mundo do blues perde duas lendas. Giba Byblos conta como conheceu Jimmy Johnson.

 

Jimmy Johnson

As tardes de sábado nunca mais serão as mesmas. Morreu ontem em sua casa aos 93 anos, Jimmy Johnson, o veterano guitarrista de blues que nos anos da pandemia, 2020/21, se notabilizou pelas lives transmitidas todos os sábados diretamente de sua casa em Illinois. 
Durante essas apresentações, Jimmy cantava clássicos do blues e conversava com fãs no mundo inteiro.  
Também recentemente, aos 92 anos, lançou Every Day of Your Life, álbum lançado pelo Delmark, um dos selos mais importantes para o blues nos Estados Unidos.
Nesse trabalho, o jovem de 92 anos experimentou mais do que o habitual, flertou com fraseados de jazz, reggae e outros ritmos fora do blues. Ele mesmo conta que não queria soar como de costume: “I don’t want to sound like I did on any other record”, disse Jimmy ao repórter Alan Paul, do Wall Street Journal. 
Nascido no Mississippi em uma família de músicos - seu irmão Syl Johnson era músico notório da soul music e Mack Thompson baixista de Magic Sam – começou profissionalmente tocando piano na banda Slim Willis.
Influenciado por Buddy Guy e Otis Rush, Jimmy migrou pra guitarra, tendo tocado com os grandes do instrumento, entre eles, o próprio Otis Rush, Albert King, Jimmy Dawkins, Magic Sam e tantos outros.
Sam Lay – Dois dias antes, dia 29 de janeiro, outro veterano no blues fez a sua passagem, aos 86 anos, o baterista Sam Lay. No início trabalhou com as lendas Little Walter e Howlin’ Wolf, mas deixou sua marca como um inovador na banda de Paul Butterfield. Na sua passagem para a eletrificação, Bob Dylan usou Sam lay como baterista na famosa apresentação no Newport Folk Festival, em 1965. E também na gravação de um de seus álbuns mais notórios, Highway 61 Revisited. 
Sam Lay era figurinha carimbada nas gravações da lendária gravadora Chess de Chicago.

Sam Lay

O guitarrista brasileiro Giba Byblos conta como conheceu Jimmy Johnson em Chicago. Parceria que valeu alguns shows no Brasil. 

Foi em junho de 2012, na primeira vez que estive em Chicago, junto com o Fabio Basili, o Maurício Sahady, Chris Crochemore e Ivan Márcio. Estavamos no Kingston Mines, assistindo o Magic Slim. Eu estava com a cabeça do outro lado da rua, no Blues On Halsted, tinha visto o cartaz anunciando o Jimmy Johnson, um cara que sou fã desde moleque. Insisti com o pessoal até atravessarmos a rua. Entramos e nos sentamos. Que um dos amigos que citei me desminta se os cinco marmanjos não estavam de olhos marejados tamanho feeling que o Jimmy passava a cada nota.
O show acabou e eu fui tietar, ele foi gentil mas logo virou a cara, não estava muito a fim de papo. No ano seguinte voltei pra Chicago e o vi de novo no Blues On Halsted e fui tietar de novamente. Ele me olhou com cara de “você de novo”. Eu tinha a intenção de trazê-lo pra cá, assim como fiz com o Merle Perkins em abril do mesmo ano. O Jimmy foi duro na queda, falou que viria desde que eu pagasse 50% adiantado. A negociação evoluiu e eis que fui buscá-lo em Guarulhos. O bluesman mal humorado se revelou uma senhor super amável, de alto astral, tirador de sarro contador de histórias incríveis do mundo do blues e da sua vida pessoal. Se eu contar metade do que ouvi, capaz de virar livro! 
Desde então viramos amigos, voltei a Chicago várias vezes, frequentei a sua casa e conheci a sua família, que me tratou como se eu fosse de casa. Nos falávamos frequentemente e quando eu custava a ligar, ele reclamava, perguntava se não paguei a conta do telefone. A cada conversa, uma lição, uma dica musical, uma nova história. Não é à toa que o apelido dele era Bar Room Preacher! Me sinto privilegiado de ter usufruído dessa convivência e como prometi a ele, a cada show meu, sempre vai rolar um som do one & only Jimmy Johnson.  

Um noite de birita com Giba, Jimmy e um de seus sidemen

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Itahhaém abre a temporada de festivais de blues e jazz em 2022

 

Prefeitura de Itanhaém e Mannish Boy Produções reúnem 12 atrações para o primeiro festival de blues de 2022. O cast conta com os veteranos Sérgio Duarte, Mauro Hector e Big Chico, mas também com novos nomes da cena, Filippe Dias, Pedro Bara e Carla Mariani

Sérgio Duarte

A partir desta sexta-feira, dia 14 de janeiro a cidade de Itanhaém, no litoral sul de São Paulo vai se transformar na capital do blues do Verão Paulista. Uma parceria entre a prefeitura  e a Mannish Boy Produções vai levar a nata do blues nacional ao Estação Blues, festival que receberá 12 shows. 
O projeto será realizado na Rua Cesário Bastos, um dos pontos históricos de Itanhaém,. em frente a antiga estação ferroviária, espaço revitalizado em 2021, tendo como um dos principais objetivos de sua revitalização a criação de um novo espaço de eventos.
"Estação Blues, surge com objetivo de diversificar a programação cultural de verão do município, valorizando os pontos turísticos, e incentivando o turismo de eventos em Itanhaém”, afirma o Diretor de Cultura Tony Sheen.
Os shows do festival de verão acontecem às sextas e sábados, sempre a partir das 20h, entre os dias 14 de janeiro e 5 de fevereiro, com acesso gratuito.

Confira a programação completa:

14/01 – 20h – Big Chico
15/01 – 20h – Carla Mariani
             21h30 – Mauro Hector Trio
21/01 – 20h - Boogie Duo    (Kadu Abecassis e Fabiano Guedes )
22/01 – 20h – Sérgio Duarte
     21h30 – Eletric Miles
28/01 – 20h - Val Tomato
29/01 – 20h – Vasco Faé
     21h30 – Filippe Dias Trio
04/02 – 20h -  Baby Labarda
05/02 – 20h – Pedro Bara
     21h30 – Dog Joe

Baby Labarba

Big Chico

Boogie Duo

Carla Mariani

Dog Joe

Electric Miles

Filippe Dias

Mauro Hector

Pedro Bara

Val Tomato

Vasco Faé