quinta-feira, 11 de junho de 2026

Morre aos 86 anos o indomável James “Blood” Ulmer

 

Ulmer em Londres, 16 de junho de 2009
. (Foto: Helen Boast PhotographyRedferns)

Esse obituário vem com atraso, mas com a reverência devida. Problemas da vida e a correria do trabalho me afastou do noticiário musical por um tempo e não li sobre a morte do grande James “Blood” Ulmer, aos 86 anos, no dia 03 de junho. Vamos a ele. 
Em um comunicado nas redes sociais, sua família informou sobre a morte do guitarrista e acrescentou: "Sua música era destemida, assim como seu espírito". A mais pura verdade.
Nascido Willie James Ulmer na Carolina do Sul em 1940, a carreira musical de Ulmer começou em bandas de funk, viajando de Pittsburgh a Columbus e Detroit – acompanhando músicos como Jewel Bryner e Hank Marr – antes de se estabelecer em Nova York no início dos anos 1970.
James “Blood” Ulmer não se prendia a um estilo. Além de tocar com Art Blakey, Joe Henderson e Rashied Ali, teve como mentor Ornette Coleman.
Esse espírito livre reinou por toda a carreira de Ulmer, caracterizada por uma execução instintiva e sem limites, mesmo quando começou a se dedicar à composição.
O próprio Coleman coproduziu eu álbum de estreia, Tales of Captain Black. Seu álbum seguinte, Are You Glad to Be in America?, foi lançado pelo selo britânico Rough Trade. 
O comentário social provocativo da faixa-título a tornou uma canção marcante, e ele acabou, vejam vocês, abrindo shows para bandas do pós-punk e rock, entre elas, Public Image Ltd e Captain Beefheart. Sobre o público nesses shows, ele disse mais tarde: "Eu ficava no microfone e mandava eles calarem a boca. Eles tinham cinco minutos para entrar no clima ou vazar!"
Após a passagem pela Columbia, assinou brevemente com a Blue Note para mais um álbum dando uma cutucada na América: America – Do You Remember the Love? (1987).
Continuou lançando álbuns de estúdio durante as décadas de 1990 e 2000, focando menos no jazz e mais no blues: "Blue Blood" (2001) contou com uma banda que incluia Bill Laswell, Amina Claudine Myers e Bernie Worrell, do Funkadelic. Lançado no mesmo ano, Memphis Blood: The Sun Sessions lhe rendeu uma indicação ao Grammy na categoria de melhor álbum de blues tradicional.
Ele também foi requisitado por outros artistas para contribuir com seu inimitável estilo de tocar guitarra: participou de gravações como a trilha sonora de Ry Cooder para o filme The End of Violence, de Wim Wenders (1997), e do álbum Phenology, do grupo de hip-hop The Roots.
Finalmente se aposentou em 2024, fazendo seu último show no festival de jazz de Detroit.
Consegui assistir James Blood Ulmer apenas uma vez. Foi em agosto de 2028 no festival Sesc Jazz (antes chamado de Jazz Na Fábrica). 
James "Blood” Ulmer e Memphis Blood Blues Band convidaram o ET Vernon Reid para apresentar um show de blues visceral e elétrico, misturando composições autorais com releituras clássicas de lendas do gênero, como Willie Dixon e Muddy Waters. Por sorte, o show foi gravado e está disponível no ambiente do Selo Sesc no Spotify.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Time Traders - 2001 - Peter Green/Splinter Group

 


O guitarrista inglês que despontou nos anos 60 com Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page, mas que nunca teve um décimo da fama destes, mesmo após substituir o próprio Clapton nos Bluesbreakers de John Mayall e fundar o grupo de blues/rock Fleetwood Mac, gravou seu melhor disco em anos. Green andava afastado da cena por causa do seu envolvimento com drogas pesadas, coisas da vida rock and roll.
Time Traders é, em todos os sentidos, um biscoito fino: produção, composições, arranjos e execuções. Tudo ancorado pelo ótimo Splinter Group. 
É a volta definitiva dele ao bom e velho blues, mas sem o fantasma da urgência ou de algum  virtuosismo vazio. O que se ouve aqui é a pura essência do gênero, filtrada pela sabedoria de quem já viveu o suficiente para cantar a dor com autoridade.
Acompanhado por Nigel Watson na segunda guitarra, Pete Stroud no baixo, Roger Cotton nos teclados e Larry Tolfree na bateria, Green encontra o colchão perfeito para desfilar seu fraseado econômico e expressivo.
A pedrada começa com Until The Well Runs Dry, uma dor de corno daquelas que só os blueseiros e os sertanejos brasileiros sabem cantar. 
Real World tem um Hammond B3 de fundo sob uma batida classuda daquelas que o batera toca olhando para os lados com cara de paisagem, mas que marca o tempo perfeito para a cantoria sobre os dias idos e perdidos e que não voltam mais. Green e Watson solam bonito. 
 O Splinter Group não funciona apenas como grupo de apoio, mas como uma engrenagem coesa que entende o tempo e o espaço que o mestre precisa para brilhar e deixar brilhar. Prova disso é a mudança de dinâmica de tirar o folego em Running After You.  
Enquanto temas mais diretos mostram que sua pegada rítmica continua impecável, tipo Shadow On My Door, um bluesão da porra. O som é limpo, quente e sem os excessos que muitos discos de blues na virada do milênio apresentaram.
Se voz de Green já carrega as marcas do tempo e dos excessos passados, ela ganha em expressividade e crudeza quando ele canta... you tell me lies, lies, em Lies. Com direito a backing vocals e metais.  
O repertório do álbum equilibra com maestria canções originais e releituras, como Underway, com uma atmosfera hipnótica e melancólica que tornou Green e sua icônica Les Paul lendas da música. Qualquer semelhança com Albatross pode não ser mera coincidência.
Longe dos holofotes, Time Traders se consolidou não apenas como um grande registro de estúdio da época, mas como o testamento de um sobrevivente que escolheu a música como sua redenção final. Com alma de blueseiro. 

Músicas:

1 - Until The Well Runs Dry
2 - Real World
3 - Running After You
4 - Shadow On My Door
5 - Lies
6 - (Down The Road Of) Temptation
7 - Downsize Blues (Repossess My Body)
8 - Feeling Good
9 - Time Keeps Slipping Away
10 - Wild Dogs
11 - Home
12 - Underway
13 - Uganda Woman


sexta-feira, 5 de junho de 2026

São Paulo ganha a primeira edição do Underground Jazz Fest em junho

 Improviso e ousadia. Músicos da cena de São Paulo, a cidade mais jazz do Brasil, se reúnem num evento em homenagem à liberdade artística


A proposta do Underground Jazz Fest é tocar música livremente para os amantes do improviso. E, de preferência, música autoral. 
Sim, respeitando e dando espaço aos músicos que tocam na noite paulistana e que têm o compromisso apenas com a música. São eles: Renato Alves Quarteto, Igor Bollos Trio, Stefano Moliner Quinteto e Sintia Piccin Quarteto. 
Segundo Stefano Moliner, organizador do Underground Jazz Fest, os festivais usam a nomenclatura “jazz”, mas não tocam jazz: “Tem pop, rock, reggae, soul tudo muito maquiado, muito blasé. Mas aquela urgência, aquele improviso, o som indigesto que pega fogo, a criatividade ativa em tempo presente ali na tua cara, não vejo nesses festivais”, polemiza o músico e produtor.
Portanto, o Underground Jazz Fest, desde sua primeira edição, será uma experiência indispensável para quem busca o jazz feito com alma, criatividade viva e total liberdade.

Renato Alves

Renato Alves – É guitarrista e compositor de Marília (SP). O músico apresenta os temas de seu mais recente álbum, Casa Viva. 
O show conta com composições autorais que transitam entre o jazz-fusion, grooves contemporâneos e a riqueza rítmica da música brasileira, criando uma sonoridade moderna e cheia de nuances. 
A guitarra conduz a narrativa musical, sempre abrindo espaço para a improvisação, a interação e o diálogo entre os músicos no palco. 
Além de Renato, a banda é composta por Adauto dias (baixo), Fernando Amaro (bateria) e Gabriel Gaiardo (piano e teclado).

Igor Bollos

Igor Bollos - Para o UJF, enfant terrible da guitarra apresenta pela primeira vez composições autorais que serão executadas com o novo trio formado por Igor Willcox (bateria), Jackson Silva (baixo). 
O show também marca a estreia ao vivo do single Cloud Nine, que está previsto para ser lançado ainda esse mês. Seu trio inclui Igor Willcox (bateria) e Jackson Silva (baixo).

Stefano Moliner

Stefano Moliner – Lança no festival seu terceiro álbum, Codex Ultra Deum, seguindo a trilha evolutiva traçada desde o primeiro trabalho, Miração de 2018, seguido por Apotheosis de 2022.
O trabalho segue a linha de jazz rock ou fusion, como preferir, ainda com referências bastante declaradas ao campeão Hermeto Pascoal, porém, agora assume um caráter ainda mais denso e pesado, flertando até com o heavy metal e texturas e harmonias soturnas de Wayne Shorter e Miles Davis.
Tal gama de influências traz ao Codex Ultra Deum uma digital bastante particular que busca romper bolhas sem tornar-se uma caricatura ou colcha de retalhos. O time de Stefano Moliner é Igor Bollos (guitarra), Rafael Abissamra (bateria) e Cassio Ferreira (saxofone).


Sintia Piccin – Apresenta Freedom of Mind, espetáculo que abraça a liberdade musical e a exploração criativa, estendendo-se ao território do jazz fusion. 
O grupo guia o público numa jornada sonora sinuosa, onde a improvisação e a composição se entrelaçam em um tapete sonoro imprevisível e cativante.
O groove é parte essencial dessa experiência musical, fornecendo uma base sólida para as explorações musicais do saxofone e da flauta de Sintia, combinando os talentos individuais dos sidemen, sempre sob a visão moderna da frontwoman.
No palco, Sintia Piccin (saxofone), Richard Fermino (trompete), Jackson Silva (baixo) e Fernando Amaro (bateria).

Serviço:
Evento: 1º Underground Jazz Fest
Local: Jai Club
Horário: das 15 às 22h
Endereço: Rua Vergueiro, 2676 – Vila Mariana
Ingresso: 1º lote = R$ 30,00; 2º lote = R$ 40,00; 3º lote R$ 50,00.
Vendas:  https://shotgun.live/pt-br/events/undergroundjazz

terça-feira, 2 de junho de 2026

O mundo oculto de Ada Rovatti

Em entrevista exclusiva, a saxofonista italiana radicada em Nova York fala sobre seu álbum mais pessoal, a parceria de 25 anos com Randy Brecker e a relação com a música brasileira


Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior

Nascida na Itália e radicada em Nova York, a saxofonista e compositora Ada Rovatti consolidou-se como uma das vozes mais autênticas e versáteis do jazz contemporâneo. 
Dona de uma sonoridade robusta no sax tenor e de um ágil fraseado no soprano, Rovatti equilibra o respeito à tradição do bop com fusões estéticas que passam pelo R&B e música instrumental de matriz latina. 
Além do virtuosismo técnico, sua trajetória também é marcada pela inventividade nos arranjos e na liderança de seus próprios conjuntos, características que a colocaram na vanguarda da cena instrumental global.
Sua discografia confirma minha tese. Em Ada Rovatti & Elephunk (2003) escancara sua forte inclinação pelo groove e pela fusão do jazz com elementos do funk e do soul. 
Nos anos seguintes, trabalhos como Under the Hat e Airbop evidenciaram sua sólida ancoragem no hard bop. 
Em Green Factor a saxofonista expande ainda mais sua paleta sonora ao incorporar nuances da música celta e folclórica, mostrando sua busca incessante por texturas raras.
Em lançamentos mais recentes, como Breaker (2019), Rovatti entrega uma obra densa, investindo na força das interpretações. E em The Hidden Side (2024), mergulha em uma faceta intimista e sofisticada, reafirmando seu papel como uma compositora de mão cheia e improvisadora nata.
A busca por novas fronteiras culminou em The Hidden World of Piloo, um trabalho profundamente pessoal, gestado em um período de intensas transformações.
Longe do formato de um registro de jazz convencional, focado estritamente na improvisação, o álbum funciona como o espelho de uma fase de isolamento e autodescoberta durante a pandemia de covid 19. 
Nele, a saxofonista revela um lado vulnerável e sensível, o que de forma alguma significou a perda do controle absoluto sobre o processo de criação, misturando pop e jazz. Eu não paro de ouvir.


Eugênio Martins Jr – Como foi sua infância musical?
Ada Rovatti - Comecei a tocar piano muito cedo, por volta dos quatro anos de idade. Minha avó tocava piano e tanto eu quanto meu irmão tínhamos aulas com ela, então minha primeira linguagem de verdade foi a música. Eu sabia ler partituras antes mesmo de ler palavras.

EM – Sua transição da música clássica para o jazz aconteceu quando você trocou o piano pelo saxofone? Gostaria que você falasse sobre isso.
AR - Toquei piano clássico por uns doze anos, e só no final da adolescência comecei a tocar saxofone. Na Itália, não tínhamos muita música nas escolas. Naquela época, tínhamos coral ou flauta doce no ensino fundamental, história da música no ensino médio e nenhuma educação musical no ensino superior, a menos que você estivesse matriculado em um conservatório. Então, a chance de experimentar um instrumento e ter contato com qualquer tipo de música era muito limitada. E ainda é mais ou menos assim hoje em dia.
Então, sempre me senti privilegiada por ter música na minha família. A mudança foi bastante ditada pela minha curiosidade; meu irmão ouvia R&B e blues e meio que despertou meu interesse por esses gêneros. Na minha adolescência, também ouvia muito rock e rock/pop inglês e ficava intrigada com a ideia de improvisar, a liberdade que isso me proporcionava, e comecei a compor ainda jovem, antes mesmo de tocar saxofone.

EM – Algum artista em particular motivou essa mudança?
AR - Lembro-me de ouvir os Blues Brothers e o álbum Room Full Of Blues e adorava a seção de metais.

EM – Houve uma época em que você dividia sua vida entre estudar nos Estados Unidos e na Itália, seu país. Mas você acabou se mudando para Nova York, a cidade do jazz. Foi uma necessidade profissional? Você sentia que a cena jazzística de Nova York era necessária?
AR - Entre a mudança para Boston e depois para Nova York, morei um ano em Paris. Acho que cada mudança foi ditada pela necessidade de encontrar minha voz e algum espaço e apoio para aprender e praticar essa forma de arte. Na Itália, me sentia muito limitada, havia preconceito de gênero e não havia situações suficientes onde eu pudesse aprender e ser ouvida. A França e, definitivamente, os EUA eram mais abertos e mais receptivos.

Ada Rovatti e Randy Brecker - Bourbon Street Music Club

EM – Foi com Under The Hat que sua parceria com Randy Brecker começou? Vocês já trabalharam juntos em muitos projetos, e muitos deles ganharam prêmios. É uma parceria musical muito prolífica. Gostaria que você falasse sobre isso.
AR - Under The Hat foi a primeira vez que gravei com Randy, mas não foi a primeira vez que toquei com ele. Aliás, talvez você saiba, talvez não, mas sou casada com o Randy há 25 anos!
Não foi minha primeira gravação tocando minhas próprias músicas. Eu tinha feito algumas demos antes, mas não queria a pressão de tocar com ele, então não pedi para participar da minha gravação anterior. Mas quando a oportunidade surgiu, quis ter certeza de que ele estaria no meu primeiro projeto de verdade. Adoro a maneira como ele ouve as coisas - quem não gosta? - e sempre traz algo novo. Ele tem me apoiado muito ao longo do ano e é sempre uma inspiração, tanto musical quanto profissionalmente. Temos um gosto musical muito parecido e, quando tocamos juntos e compartilhamos nossas músicas, definitivamente existe uma busca musical em comum. Depois de tantos anos tocando juntos, desenvolvemos uma ótima sintonia e uma maneira semelhante de pensar sobre fraseado e fusão do nosso som.

EM – Ada, adoro seus álbuns. Mas não entendi algumas coisas. Uma italiana morando em Nova York gravando temas do folk irlandês. Gostaria que você me explicasse o conceito do Green Factor.
AR - Ah! Meu amor pela música celta e irlandesa começou na infância, quando meus pais fizeram uma viagem de um mês para a Irlanda.
Por uma série de circunstâncias que não vou detalhar, acabei na Sardenha, que é uma das grandes ilhas da Itália, em um mosteiro de freiras durante o verão. Com sete anos de idade, você pode pensar que foi uma experiência brutal ou difícil, mas, ao contrário disso, tive uma das experiências mais espirituais e divertidas da minha vida. Quando meus pais voltaram, compraram um LP de um famoso cantor irlandês cantando músicas tradicionais irlandesas, e acho que combinei a experiência e a carga emocional, e isso me acompanhou por todos esses anos. Duas músicas dessa gravação acabaram entrando no meu projeto: Danny Boy e Wild Colonial Boy. A segunda também tem um lugar especial para mim, pois estava em um filme que meus pais adoravam, Depois do Vendaval, dirigido por Ford e estrelado por Maureen O'Hara e John Wayne.
Mal sabia eu que, anos depois, fiz um teste de DNA e descobri que sou 24% irlandesa e escocesa... então, talvez a gaita de foles esteja no meu DNA, afinal! (risos)

EM – Quando nos conhecemos, você tinha acabado de lançar The Hidden World of Piloo. Um álbum de jazz moderno com muitos ritmos e com cantoras muito especiais: Fay Claassen, Alma Naidu e Niki Haris. Gostaria que você falasse sobre essa obra maravilhosa.
AR - Eu queria me apresentar ao público em um formato diferente das minhas gravações anteriores. Piloo é o apelido que meu pai me deu. Era o nome de um gatinho travesso em um livro que eu adorava ler quando criança, e esse apelido ficou comigo todos esses anos... e até deu nome à minha gravadora, a Piloo Records. Meu pai faleceu em setembro de 2021 e dediquei essa gravação a ele.
Comecei a compor algumas das músicas durante a pandemia. Como muitos artistas, a pandemia desencadeou uma gama incrível de emoções, e a criatividade certamente se alimentou delas. 
Então, considero meu projeto um "filho da pandemia". Isso expôs uma parte mais oculta e vulnerável de mim, e decidi expandir meus limites e explorar qualquer talento ou arte que estivesse fora da minha zona de conforto para ver onde isso me levaria. 
Não se trata de uma gravação de jazz clássico onde a improvisação é o ponto central, mas a ideia principal destaca outras facetas da minha personalidade. Desde tocar outros saxofones e flauta, até fazer arranjos para cordas, escrever letras e até mesmo controlar todas as etapas da produção, edição, design do LP/CD, sessão de fotos, maquiagem, e até mesmo as roupas que estou usando na capa são de minha autoria e costura.


EM – A cena do jazz sempre foi dominada por instrumentistas homens, mas há um grande movimento de mulheres assumindo a liderança em bandas com destaque no cenário mundial. Posso citar algumas: Ada Rovatti, Badi Assad, Esperanza Spalding, Nubya Garcia, Yissi Garcia. Gostaria que você falasse sobre isso.
AR - Acho que as mulheres sempre estiveram presentes, mas nunca foram reconhecidas o suficiente, corretamente ou simplesmente receberam o mesmo destaque que os homens. Devido a restrições culturais, fomos minoria por muito tempo, mas nas últimas décadas o número tem crescido exponencialmente e devo dizer que algumas das minhas artistas favoritas e mais inovadoras atualmente são mulheres.

EM – Recentemente, entrevistei a saxofonista israelense Hillai Govreen, que também mora em Nova York e que convidou o Café da Silva para tocar em seu álbum. Qual foi a participação dele no seu álbum? E você também costuma tocar com Marco Bosco, outro percussionista brasileiro. Qual é a sua relação com a música brasileira?
AR - Convidei o Café da Silva para tocar nos meus dois últimos álbuns. Ele é um mestre da percussão, tem uma musicalidade incrível e sabe exatamente como complementar cada música. Marco Bosco teve a oportunidade de tocar ao vivo com ele em São Paulo no ano passado e fiquei totalmente hipnotizada pela sua arte. Entrei em contato com ele para tentar gravar algo e espero que tenhamos a chance de fazer isso em breve. Ouço muita música de diferentes partes do mundo e a música brasileira definitivamente tem um grande impacto na minha maneira de ouvir música, tanto rítmica quanto harmonicamente.

EM – Leo Susi me disse que você fará uma turnê pela China. Ela contará com um trompetista americano, um saxofonista italiano, um baterista e um percussionista brasileiros – uma verdadeira "Nações Unidas da Música". O conceito de World Music faz algum sentido para você?
AR - Claro, a música NÃO tem fronteiras. A música não se importa com cores, religião ou gênero e fala ao coração de todos, com uma linguagem que todos entendem. Nestes tempos conturbados, a música e a arte são como um refúgio seguro.

Backstage Bourbon Street

Com Leo Susi - Camarim do Bourbon Street




quarta-feira, 27 de maio de 2026

Morre Sonny Rollins, o colosso do saxofone, aos 95 anos

 

Sonny Rollins em Viena/2006 - Foto: Jeff Pachoud/AFP via Getty Images

Morreu no dia 25 de maio, véspera de aniversário dos 100 anos de Miles Davis, Sonny Rollins, aos 95.
Nascido em Nova York, Rollins cruzou caminhos com Miles ainda jovem, quando o trompetista de St. Louis já atuava como um arregimentador de prodígios. 
Juntos, compartilharam inúmeras gigs, gravações históricas e a rotina da patota da heroína no Harlem dos anos 1950, um círculo que incluía Dexter Gordon, Tadd Dameron, Art Blakey, JJ Johnson e Jackie McLean. 
Na chamada época de ouro do jazz improvisado e cabeçudo, Sonny Rollins integrou o lendário conjunto de Miles ao lado de McLean, Cannonball Adderley e John Coltrane, fechando o círculo dos derradeiros representantes do jazz pós II Guerra Mundial.
Com Coltrane, manteve uma relação afetuosa, definindo os rumos do instrumento. Lembrando dele, décadas mais tarde, Sonny declarou: "Um ser humano belo, belo".
Rollins ganhou a alcunha de colosso graças ao seu influente álbum Saxophone Colossus, com o qual rompeu as limitações estruturais do jazz, consolidando o hard bop. 
Lançado no concorrido ano de 1956, Saxophone Colossus concorreu com gravações lendárias: Ella and Louis, com Ella Fitzgerald e Louis Armstrong; Ellington at Newport, de Duke Ellington;  Pithecanthropus Erectus de Charles Mingus; Fontessa do Modern Jazz Quartet e a série Cookin', Relaxin', Workin' e Steamin, do  Miles Davis Quintet, que incluía John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones. 
Ao contrário de muitos de seus contemporâneos que morreram cedo, Sonny alcançou a longevidade, aperfeiçoando sua obra após completar 80 anos. Superou problemas respiratórios com o auxílio da ioga, que o ajudou a manter-se longe dos excessos. Nos últimos anos exibia a modéstia dos sábios: “Continuo vivo porque continuo aprendendo”, confessou em 2016.
Para além da música, Rollins utilizou o saxofone como ferramenta de forte comentário social, político e espiritual. 
Em 1958, lançou a emblemática Freedom Suite, peça instrumental de 20 minutos que ecoava abertamente as dores e as esperanças dos afro-americanos na luta pelos direitos civis. 
Na contracapa do disco, registrou um manifesto sobre a ironia de a cultura negra representar o soft power norte-americano, enquanto seu povo era recompensado com a perseguição e a desumanidade.
Seu sopro também se conectou com o misticismo que descobriu em longos retiros na Índia e no Japão. Quatro dias após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, Rollins também subiu ao palco em Boston para um show gravado ao vivo em homenagem às vítimas. 
Com sua morte, silencia-se o sopro que desenhou a liberdade no século XX, deixando um legado indestrutível na história da música.
Sonny Rollins morreu na segunda-feira, 25 de maio, em sua residência em Woodstock, New York. 

terça-feira, 26 de maio de 2026

A 100 Miles

 


“Em retrospecto não lembro muita coisa de meus primeiros anos – e jamais gostei de olhar muito pra trás mesmo. Mas uma coisa eu sei: no primeiro ano depois que nasci, um furacão varreu St. Louis e destroçou a cidade. Tenho a impressão de que lembro um pouco disso – uma coisa no fundo da memória. Talvez por isso eu tenha um gênio tão ruim às vezes; aquele furacão deixou em mim alguma coisa de sua violenta criatividade. Talvez tenha deixado um pouco de seus ventos fortes. Sabe, a gente precisa de um sopro forte para tocar trompete. Eu acredito no mistério e no sobrenatural, e um furacão é misterioso e sobrenatural”

Trecho extraído da biografia de Miles Davis

O som
Tutu, de Miles Davis, foi meu primeiro disco de jazz e, além da música que saia dos sulcos do vinil, a capa com sua foto em preto e branco faz parte da minha vida desde então. Esteticamente, tanto quanto as fotos de jazz de William Claxton.  
Lançado em 1986, o álbum marcou a estreia triunfal de Miles Davis na gravadora Warner Bros., após três décadas de uma histórica e desgastada relação com a Columbia Records. 
O projeto, concebido originalmente para ser uma colaboração com o astro pop Prince — que acabou se afastando por incompatibilidade de agendas —, tornou-se o testamento definitivo do jazz dos anos 1980. E mais uma vez Miles mudaria os rumos da música. 
Como disse, o impacto começava na capa: um retrato em close-up de Miles em preto e branco, fotografado por Irving Penn com direção de arte de Eiko Ishioka. A imagem faturou o prêmio Grammy de melhor capa de álbum. 
Musicalmente, a obra dividiu a crítica tradicional, mas capturou uma audiência jovem e global ao abraçar de forma radical a tecnologia da época. Sob a produção cuidadosa e composições do multi-instrumentista Marcus Miller, o disco substituiu a dinâmica de uma banda tradicional em estúdio por sobreposições de texturas sintetizadas. 
O arquiteto por trás dessa paisagem sonora futurista foi o programador de sintetizadores Jason Miles, que ao lado de Adam Holzman, utilizou um arsenal que incluía o PPG Wave 2.3, o E-mu Emulator II e o Yamaha DX7 para esculpir samples e timbres que fugiam do genérico.
Em 2009 conversei com Jason Miles em Rio das Ostras e ele foi enfático em dizer que Davis era um futurista. “Estava sempre à frente. Não se prendia ao que havia feito no passado, ele sempre falava isso quando estávamos juntos. Passamos cinco anos trabalhando e aprendi muito com ele, sobre como encarar a vida, música, comida, ele sacava tudo profundamente”.
Sobre a cama eletrônica de funk, R&B e pop-jazz, a trompete de Miles Davis flutuava com sua icônica surdina, provando que sua expressividade continuava intacta em meio às máquinas. 
O álbum foi batizado em homenagem ao arcebispo sul-africano Desmond Tutu, tornando-se também um manifesto político de resistência contra o regime do Apartheid. Comercial e artisticamente bem sucedido, Tutu rendeu a Miles o Grammy de Melhor Performance de Jazz Instrumental Solo em 1986. 
Os números exatos globais de toda a sua história no catálogo da Warner variam na casa de centenas de milhares de cópias físicas e Tutu consolidou-se em paradas internacionais, alcançando o Top 20 do Reino Unido e é considerado o maior clássico da fase tardia do trompetista.
Conceitualmente, fica evidente que Tutu não foi apenas mais um capítulo na discografia de Miles Davis, mas um acontecimento preciso no tempo, quando os olhos do mundo estavam voltados à urgência humanitária da África do Sul e as engrenagens do racismo global e que o trompetista sempre combateu por toda a vida em seu próprio país.
Artisticamente, ao cruzar a sofisticação tecnológica, o álbum Tutu consolidou a transição iniciada na virada dos anos 1980 com a série The Man With the Horn (1981), We Want Miles (1982), Star People (1983), Decoy (1984) e You’re Under Arrest (1985), eternizando-se como um manifesto político e estético. 

A fúria
Mesmo com a consciência sobre a situação racial na África do Sul e por trás da genialidade revolucionária que redefiniu a arte moderna, no coração de Miles Davis habitava uma personalidade complexa e frequentemente destrutiva. 
Sua vida pessoal foi marcada por uma dualidade brutal, onde a beleza de sua música contrastava com seu comportamento errático. 
O envolvimento profundo com a heroína na juventude, e mais tarde com a cocaína e o álcool, potencializou um temperamento que oscilava entre o isolamento paranóico e a agressividade explícita. Nos últimos meses de sua vida Miles Davis levava uma arma onde quer que fosse.
Mesmo diante do abismo das drogas que tragou alguns dos gênios do jazz; Charlie Parker, John Coltrane, Chet Baker e tantos outros, Miles Davis revelou um instinto de sobrevivência e uma visão de negócios únicos. 
Enquanto a dependência química desmantelou a capacidade funcional de Charlie Parker, que vivia em um caos administrativo crônico que o levou a penhorar o próprio instrumento, Miles conseguia controlar sua fúria em detrimento da disciplina exigida nos palcos. Antes de sua guinada espiritual, o vício também paralisou John Coltrane até sua demissão do lendário grupo de Miles nos anos 50.
Por fim, Chet Baker, que se tornou um nômade, uma sombra de si mesmo, até morrer quase esquecido de forma trágica ao cair de uma janela, tendo o crânio esfacelado pela queda. 
Miles, contudo, teve a autoconsciência de parar com a heroína em 1953, trancando-se no quarto da fazenda de seu pai, limpando o sangue do opióide por pura força de vontade. Mesmo quando enfrentou recaídas com outras substâncias ao longo das décadas seguintes, ele jamais abriu mão de sua postura de CEO do jazz.
Suas relações afetivas carregavam o peso da misoginia, documentada pelo próprio músico em sua autobiografia; casamentos e namoros foram sufocados pelo ciúme patológico e por episódios de violência doméstica. 
No entanto, essa mesma fúria interna alimentava uma postura combativa intransigente contra a opressão social. Em uma América segregada, Miles recusava-se a adotar a postura subserviente que a indústria fonográfica, geralmente dominada por brancos, esperava dos artistas negros. Sempre exigiu ser tratado como um gênio da música contemporânea, renegando o rótulo de entertainer. 
Sua postura altiva nas entrevistas e aparições ao vivo, o figurino impecável de alta costura e a recusa em sorrir para plateias condescendentes eram atos políticos de afirmação. 
Nem mesmo a violência policial, como a infame agressão que sofreu em frente ao Birdland em 1959 amansou sua índole. 
Miles Davis personificou o paradoxo do artista extraordinário cuja raiva, embora destrutiva na esfera íntima, foi o combustível necessário para confrontar o racismo estrutural de sua época e cravar seu nome na eternidade como um dos maiores artistas do século XX.

O legado
Ao celebrar o centenário de nascimento de Miles Davis, fica evidente que sua antecipação à fusão do trompete com as inovações tecnológicas deixou um mapa genético que se tornou a fundação da música urbana no século 21. 
Esse marco de 100 anos não serve apenas para exaltar o passado, mas celebrar a passagem por esse mundo do grande visionário que foi o músico Miles Davis e seu flerte com as máquinas, abrindo caminhos para que o hip-hop e a música eletrônica redescobrissem o jazz como matéria-prima. 
Sua visão futurista ecoou no acid jazz do Us3 e no projeto Jazzmatazz do rapper Guru nos anos 1990, estendendo-se até a revolução contemporânea de DJs e artistas como Robert Glasper, que confundem as fronteiras entre o acústico, o digital e o neo-soul. 
O verdadeiro legado do gênio do trompete, reforçado neste centenário está na coragem de usar a tecnologia para desafiar os puristas de sua época. 
Ao provar que a expressividade humana se mantém intacta mesmo em meio aos sintetizadores e samplers, Miles Davis chega aos 100 anos ainda apontando para o futuro, como o arquiteto definitivo do som do nosso tempo.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

C6 Fest 2026 consolida curadoria elegante com Robert Plant, The xx e ícones do Jazz

 

Branford Marsalis - Foto: Mark Sheldon (Extraida do site da Downbeat)

Entre os dias 21 e 24 de maio de 2026, São Paulo se transforma mais uma vez no epicentro da vanguarda musical global com a realização da quarta edição do C6 Fest. Ocupando os gramados e as estruturas do Parque Ibirapuera — incluindo a Tenda MetLife, a Arena Heineken, o Pacubra e o prestigiado Auditório Ibirapuera —, o evento traz ao Brasil um elenco de 28 atrações vindas de quatro continentes. 
O festival reafirma seu compromisso de costurar, em uma mesma lona, o peso histórico de lendas vivas, o frescor do pop alternativo e a sofisticação da improvisação instrumental contemporânea.
Fruto da parceria entre o C6 Bank e a Dueto Produções — produtora de herança inestimável, responsável por desenhar o Free Jazz Festival nas décadas de 1980 e 1990 —, o C6 Fest nasceu em 2023 com a missão de resgatar o espírito dos antigos festivais de nicho, focados na experiência e no ecletismo refinado. 
Em suas edições anteriores, o palco paulistano testemunhou momentos históricos, que variaram do experimentalismo eletrônico do Kraftwerk e do pop orquestral de Jon Batiste em 2023, passando pelo neo-soul catártico do Black Pumas e o lirismo de Cat Power em 2024, até chegar à celebração dançante de Nile Rodgers & Chic e o pós-punk do The Pretenders em 2025. 
Em 2026, o festival dá um passo além em sua maturidade conceitual, inaugurando o palco C6 Lab, espaço inteiramente dedicado a novas sonoridades e apostas experimentais da cena mundial.

Brandee Younger - Foto: Erin O'Brien

Quinta-feira, 21 de maio – Jazz no Auditório Ibirapuera
O festival abre suas portas no Auditório Ibirapuera a partir das 19h, dedicando sua primeira noite à profundidade do jazz instrumental contemporâneo e transfronteiriço.

20h00 – 21h05 | Anouar Brahem Quartet: O mestre tunisiano do oud (o alaúde árabe) apresenta o aclamado concerto After The Last Sky. Conhecido por fundir a tradição musical árabe ao jazz ocidental, Brahem sobe ao palco amparado por um quarteto de gigantes: o contrabaixista britânico Dave Holland, o pianista Django Bates e a violoncelista alemã Anja Lechner.
21h35 – 22h25 | Julius Rodriguez: Jovem prodígio do piano e multi-instrumentista do Brooklyn, Rodriguez personifica a nova era do jazz. Apelidado de "Orange Julius", o músico costura com fluidez as fronteiras do hard bop com o R&B, o hip-hop e o gospel, trazendo uma energia vibrante e urbana ao festival.
22h45 – 00h00 | Branford Marsalis Quartet: Um dos saxofonistas mais reverenciados da história do jazz moderno, o norte-americano Branford Marsalis lidera seu refinado e longevo quarteto. Dono de uma técnica irretocável que transita entre o clássico e o avant-garde, o músico traz a São Paulo a sofisticação do jazz acústico em sua máxima expressão de improvisação e diálogo coletivo.

Sexta-feira, 22 de maio – Jazz e Fronteiras Musicais no Auditório Ibirapuera
Na segunda noite, os portões abrem às 19h para celebrar a expansão do jazz em direção à world music, à vanguarda brasileira e ao pop eletrônico.
20h00 – 21h00 | Brandee Younger: Harpista norte-americana indicada ao Grammy, Younger tem sido a principal responsável por revolucionar o papel de seu instrumento na música contemporânea. Mesclando o jazz espiritual de Alice Coltrane com pulsações modernas de hip-hop e soul, ela entrega uma sonoridade hipnótica e profundamente melódica.
22h30 | Hermeto Pascoal Big Band: O "Bruxo" da música universal, patrimônio vivo da cultura brasileira, comanda sua enérgica Big Band. Hermeto Pascoal desafia os limites da composição rearranjando sua vasta e imprevisível obra com metais robustos, ritmos nordestinos e aquela liberdade harmônica genial que o tornou cultuado no mundo inteiro.
22h50 – 23h50 | Knower: Duo norte-americano de pop-jazz eletrônico formado pelo baterista Louis Cole e pela vocalista Genevieve Artadi. Conhecidos por apresentações hiperenergéticas e vídeos virais, eles misturam linhas de baixo colossais, harmonias de jazz complexas e texturas eletrônicas pesadas com muito humor e virtuosismo.

Sábado, 23 de maio
Alternativo, Rock e Eletrônica no Ibirapuera
O sábado marca a expansão do festival para as grandes arenas montadas no parque. Os portões se abrem às 13h para uma maratona de música alternativa que se estende até a madrugada.

Arena Heineken
15h40 – 16h40 | Amaarae: Cantora e compositora americano-ghanesa, Amaarae é um dos nomes mais incensados do afropop e do R&B alternativo atual. Com sua voz sussurrada marcante e produções que misturam dancehall, trap e música tradicional da África Ocidental, ela traz um ambiente pop global e sensual para o palco principal.
17h20 – 18h20 | Mano Brown part. Rincon Sapiência: Substituindo o cantor americano Dijon (que cancelou por motivos pessoais), a lenda do rap nacional Mano Brown apresenta um show focado nas texturas dançantes e românticas de seu celebrado álbum solo Boogie Naipe. O show passeia pelo funk, soul e disco, contando ainda com a rima certeira e elegante de Rincon Sapiência e clássicos históricos de sua trajetória.
18h50 – 20h00 | BaianaSystem part. Makaveli e Kadilida: O combo baiano traz seu tradicional paredão sonoro de sound system e guitarra baiana ao Ibirapuera. Para esta catarse rítmica, o grupo convida o rapper cearense Makaveli e a cantora Kadilida, aprofundando o diálogo entre as batidas periféricas e a urgência das ruas.
20h45 – 21h55 | The xx: O trio britânico indie pop faz seu aguardado retorno ao Brasil. Conhecidos pela estética minimalista, guitarras ecoantes e vocais sussurrados divididos entre Romy Madley Croft e Oliver Sim, amparados pelas batidas eletrônicas precisas de Jamie xx, eles encerram a arena com sua atmosfera melancólica e cinematográfica.

Tenda MetLife
14h40 – 15h40 | Horsegirl: Trio de jovens de Chicago que vem revitalizando o rock alternativo e o noise pop de garagem. Com influências diretas do lo-fi dos anos 1990 e de bandas como Sonic Youth, o grupo entrega guitarras barulhentas e melodias indie cativantes.
16h40 – 17h40 | Baxter Dury: O cantor e compositor britânico, filho da lenda punk Ian Dury, traz seu carisma singular de "crooner sarcástico". Com seu spoken-word peculiar sobre bases de indie pop e funk minimalista, Dury canta crônicas afiadas sobre a vida noturna e as excentricidades de Londres.
18h10 – 19h10 | Wolf Alice: Liderada pela magnética Ellie Rowsell, a banda britânica de rock alternativo transita sem esforço entre o shoegaze, o grunge pesado e o pop etéreo. Vencedores do cobiçado Mercury Prize, trazem ao festival um show vigoroso e cheio de texturas.
19h40 – 20h45 | Matt Berninger: O icônico e barítono vocalista da banda The National apresenta-se em seu projeto solo. Com interpretações densas e teatrais, Berninger traz baladas confessionais embaladas por arranjos folk e indie rock, destilando melancolia e composições líricas profundas.

Pacubra & C6 Lab
20h45 – 23h00 | Aline Rocha: DJ e produtora brasileira em franca ascensão internacional, conhecida por sets elegantes que passeiam pelo deep house, soulful e clássicos da house music.
23h00 – 03h00 | Marten Lou: O DJ e produtor parisiense traz sua assinatura de melodic house para a madrugada paulistana, arrastando pistas com seus remixes sofisticados de texturas profundas.
23h00 – 00h00 (C6 Lab) | Mabe Fratti: A violoncelista e compositora experimental guatemalteca (radicada no México) apresenta sua fusão de arranjos barrocos de violoncelo com sintetizadores e vocais etéreos, criando uma atmosfera vanguardista hipnotizante.

Domingo, 24 de maio – Pop alternativo, indie e clássicos do rock
O encerramento do festival mantém os portões abertos a partir das 13h, equilibrando o pop alternativo mais refinado com a presença histórica da realeza do rock mundial.

Robert Plant
Arena Heineken
15h30 – 16h30 | Magdalena Bay: Duo de synthpop de Los Angeles formado por Mica Tenenbaum e Matthew Lewin. Unindo uma estética visual inspirada no início da internet a um pop eletrônico cirúrgico, recheado de camadas de sintetizadores e ganchos viciantes, eles abrem a arena principal em tom futurista.
17h00 – 18h00 | Os Paralamas do Sucesso part. Nação Zumbi: Um encontro histórico do rock nacional. O power trio canônico do pop-rock e do ska brasileiro convida os herdeiros do manguebeat da Nação Zumbi. Juntos, prometem uma parede percussiva e de guitarras celebrando clássicos que moldaram a música brasileira moderna.
18h30 – 19h45 | Beirut: O projeto do multi-instrumentista Zach Condon retorna ao Brasil com seu aclamado e nostálgico "indie folk do mundo". Misturando elementos da música folclórica do Leste Europeu, acordeões, ukuleles e metais com o pop alternativo, a banda cria paisagens sonoras poéticas e bucólicas.
20h30 – 22h00 | Robert Plant's Saving Grace feat. Suzi Dian: A lendária voz do Led Zeppelin encerra o palco principal com seu mais recente e íntimo projeto. Ao lado da vocalista Suzi Dian e da banda Saving Grace, Robert Plant mergulha em suas profundas paixões pelas raízes do folk britânico, pelo blues de garagem americano e pela música mística oriental, entregando uma apresentação mística, acústica e de extrema sensibilidade.

Tenda MetLife
15h00 – 15h50 | Samuel de Saboia: O artista visual e pesquisador brasileiro apresenta um set performático, conectando pesquisas sonoras que dialogam com ancestralidade, batidas afro e texturas urbanas contemporâneas.
16h30 – 17h30 | Benjamin Clementine: Cantor, pianista e poeta britânico, vencedor do Mercury Prize. Dono de uma voz operística dramática e arrebatadora, as apresentações de Clementine ao piano são experiências quase teatrais, marcadas por um expressionismo cru que flerta com a chanson francesa e o avant-garde.
18h00 – 19h00 | Oklou: Produtora e cantora francesa que se tornou referência no movimento do hyperpop e do R&B ambiente. Suas produções trazem vocais carregados de auto-tune sob bases minimalistas e melancólicas de sintetizadores, desenhando paisagens digitais introspectivas.
19h20 – 20h30 | Lykke Li: A cantora e compositora sueca encerra a Tenda MetLife trazendo seu pop alternativo melancólico e sensual. Com sucessos mundiais na bagagem, ela apresenta canções que equilibram batidas eletrônicas soturnas com vulnerabilidade acústica e vocais marcantes.

Pacubra & C6 Lab
20h00 – 21h30 | Jude Paulla: A DJ brasileira traz sua pesquisa focada em ritmos tropicais, música brasileira de pista e black music, injetando descontração e ginga na reta final do evento.
21h30 – 23h30 | DJ Nyack B2B Pathy Dejesus B2B Eduardo Brechó: Um encontro de peso da discotecagem nacional. Unindo o consagrado DJ Nyack (conhecido por seu trabalho com Emicida), a versatilidade de Pathy Dejesus e a bagagem de Eduardo Brechó (líder do Aláfia), o trio comanda uma sessão de encerramento focada no hip-hop, r&b, soul e grooves brasileiros.
23h00 – 00h00 (C6 Lab) | Cameron Winter: O vocalista e principal compositor da cultuada banda de indie rock novaiorquina Geese encerra os trabalhos do palco experimental. Em sua apresentação solo, Winter expõe suas composições em formato cru, passeando pelo art-punk e pelo folk torto com sua habitual entrega vocal excêntrica.