terça-feira, 1 de setembro de 2026

Celso de Almeida soma samba com jazz há quatro décadas

 

Celso de Almeida e Paulo Paulelli

Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior
Fotos com Rosa Passos: Leandro Amaral

Ao frequentar o JazzB regularmente, tenho feito bons contatos e boas entrevistas para o Mannish Blog. Além de sempre dar uma escapada para devorar o sanduíche de costela da Casa do Porco, que fica ali ao lado.
Esta entrevista com Celso de Almeida foi uma dessas. Na ocasião, o baterista se apresentou ao lado dos amigos de longa data Fábio Torres (piano) e Paulo Paulelli (baixo), dois terços do Trio Corrente, em uma noite de maio cujas fotos acompanham esta matéria.
Acompanho a trajetória artística de Celso há algum tempo. Mais precisamente desde 2007/08, quando produzi dois shows da cantora e violonista Rosa Passos, no Teatro Coliseu e no Teatro do Sesc Santos, respectivamente. Também naquela ocasião, Torres e Paulelli estiveram presentes.
Chegaram a gravar um álbum que pode ser encontrado nas plataformas digitais com bons sambas-jazz: Casa de Marimbondo, Cadê a Razão, Samba de Almeida, entre outros temas mais líricos.
Anos mais tarde, montou com os jovens Felipe Silveira (piano) e Sidiel Vieira (baixo) o Celso de Almeida Trio, lançando um álbum com oito temas, entre eles alguns denominados Sambalanço 1, 2, 3, 4 e 5.
O trio carrega a mais pura tradição dos grupos de samba-jazz dos anos 60, como Tamba Trio, JT Meirelles, Sambalanço Trio, Trio 3D, Zimbo Trio, Sambrasa Trio, Os Bossa Três e tantos outros combos lendários que moldaram a música instrumental no país.
Ao longo deste bate-papo, com muito bom humor, Celso passa em revista a própria trajetória: lembra as viagens de trem e os bailes de salão no interior paulista, a transição para a noite da capital paulista e a construção de um estilo marcado pelo domínio do ritmo.
Fala também das turnês internacionais, do respeito cobrado e conquistado diante de mestres da cena global e dos trabalhos mais recentes.

Celso, Paulelli e Torres

Eugênio Martins Júnior – Como foi a sua infância musical? O teu pai, Ary de Almeida, era baterista. Conta pra nós.
Celso de Almeida – Minha infância musical foi divertida. Sempre gostei de música, meu despertar foi em casa. Tenho vagas lembranças. Meu pai me levava aos ensaios da orquestra de baile em que ele tocava e que se chamava Nelson e Sua Orquestra Tupã. Orquestra de bailes muito famosa nas décadas de 60/70. Infelizmente essa orquestra não durou duas décadas, porque o maestro faleceu nos anos 70. Eles têm dois álbuns gravados. Naquela época não se gravava com facilidade, tinha que ter uma gravadora. Eles tinham uma bateria branca e eu ficava perto. Foi um despertar. Sou de 1960 e tive esse despertar natural. Digo, aquele instinto, né? De conseguir fazer aquele ritmo... tchum tcha tchum tchum. Para uma criança... (risos). E nessa orquestra eu tinha um tio cantor, o Hamilton Rangel. E tinha meu outro tio, o Toniquinho (Antônio de Almeida), baterista que foi fundador da Orquestra Jazz Sinfônica, onde ficou 25 anos. Mas o Hamilton viu que eu tinha jeito e me levou para acompanhá-lo em serestas, bailes, não sei o quê. Eu pegava uma caixinha do meu pai — que tenho até hoje, uma caixa da Gaeta —, uma vassoura, uma baqueta e ia atrás do meu tio. Tinha um baterista que tocava com ele, mas ele me chamava pra canja.

EM – Ainda não era um esquema profissional?
CA – Meu tio era profissional, mas ele estava me introduzindo nesse caminho. E como funcionava? Ele virava pro violonista e falava o tom. Aí virava pra mim e dizia: "É um bolero", "É um fox", "É um samba-canção" (Celso cai na gargalhada e solfeja todos esses ritmos). Com meus 13 anos eu fazia isso. A gente viajava de trem. Eu morava em Tupã, uma cidade que fica a 540 quilômetros aqui de São Paulo. Íamos de trem, tocávamos na seresta, dormíamos no hotel e no outro dia de manhã voltávamos pra casa. E às vezes a gente viajava num Gordini que ele tinha. Eu estava na pré-adolescência e tenho boas lembranças dessa época (risos).

EM – E quando começou a fase profissional?
CA – Estava com 14 anos quando fui tocar numa banda de baile de amigos da mesma idade. Sempre tinha um baile pra tocar. Fui por esse caminho, com ensaios e repertório da época, né? Em 1974, era sucesso de novela, sucesso de banda de rock, músicas que tocavam na rádio. Fui aprendendo na prática. Mas não envolvia leitura musical. Colocávamos um disco na vitrola e ficávamos em volta escutando: guitarra, piano, baixo, harmonia. Na época, a melhor banda de baile era aquela que conseguia copiar melhor (risos). Mas tinha toda aquela deficiência de equipamento, né? Só que foi uma época muito bacana para o meu aprendizado pelo fato de poder ouvir. Mesmo que as peles da bateria já ficassem marcadas no primeiro show, pratos que não eram de marca e que tinham de ser desamassados para poder tocar de novo.

EM – Tinha que levar na funilaria.
CA – (risos) Era o que tinha. E nessa de querer tocar igual àquele som do disco, a gente ajustava aquele chimbal ruim até fazer ele soar parecido com aquilo. Parece loucura, mas era assim que funcionava. E o mesmo com a caixa e o bumbo, o som de aro, etc.



EM – Aprendeu fazendo.
CA – Sim. E hoje em dia tem muito a parte visual. Mas de repente você está vendo, mas não está ouvindo. Vê as marcas que os outros usam e acha que o som vai sair igual. É uma coisa gozada, a bateria tem essa característica: cada colega que sentar e tocar vai tirar um som diferente.

EM – Tocar em banda de baile te ensina a tocar todos os gêneros musicais, né? Quem passa por esse aprendizado não passa aperto.
CA – Sim. Minha escola, como a de muitos colegas da minha geração, foi em uma banda de baile. Era muito comum. Fiquei uns 20 anos fazendo baile (risos). E quando parei de fazer baile e mudei pra São Paulo, fui tocar na noite e fiquei mais 20 anos. Mas em Tupã toquei em uma banda chamada Eclipse. Depois, em 1974, toquei na Brazilian. Toquei em Marília, Lins, Taquaritinga e, em 1990, mudei pra São Paulo.

Com Rosa Passos em 2008

EM – Já tinha 30 anos.
CA – No começo tive a ajuda do meu irmão. E meu tio me arrumou um trabalho no programa Záccaro, o Italianíssimo. Fiquei três anos, até 1993. Tocava em festas italianas, tarantela (solfeja a tarantela). “Ahhh, isso é tarantela? Tá bom”. E ia fazendo. O baile deixa você esperto. Você tendo um bom estudo das divisões musicais e aprendendo os ritmos, toca a maioria das coisas. Quando cheguei aqui, já tinha uma boa noção de leitura.

EM – Então não foi direto para o jazz?
CA – Não. Fiquei uns quatro meses sem fazer nada, até pensando se tinha feito besteira em mudar. Paralelamente ao Záccaro, comecei a fazer umas orquestras de gafieira. Toquei com um maestro que havia sido muito famoso nas décadas de 70 e 80, que era o Elcio Alvarez. Fiquei uns dois anos, o que melhorou minha leitura. O maestro Azevedo tinha uma big band no mesmo local e eu fazia sub de uma baterista chamada Junia, uma grande baterista.

EM – Foi nessa gafieira que você se especializou em samba-jazz?
CA – Entrei porque tinha aquela linguagem diversificada do instrumento devido ao boca a boca. É claro, meu pai tinha em casa os álbuns do Zimbo Trio, Milton Banana, Edison Machado... eu sabia do que se tratava, mas não trabalhava com isso. Samba-jazz por quê? Porque você toca livre, o samba à sua maneira, e tem o improviso. Como já tinha leitura, fui convidado pelo maestro Branco (José Roberto Branco), que era da Banda Savana. Essa banda tem dois álbuns, que foram gravados pelo baterista Magno Bissoli — um baterista, compositor e arranjador. Toquei dois anos nessa banda e fui ficando conhecido.

EM – Só pra voltar um pouco sobre esse assunto do samba-jazz, improviso, etc. Esses discos do teu pai que você ouvia chegaram a te influenciar?
CA – Minha formação foi totalmente prática. E costumamos dizer que esse aprendizado foi autodidata, mas não dá pra ser 100% se você ouve os outros (risos). Ou seja, não fui eu quem inventou, né? Mas por ter esse lado de prestar atenção no pessoal tocando, o que me ajudou muito a caminhar, tem esse aprendizado com meu pai, que foi um grande baterista de baile, o Ary de Almeida. Mas ele nunca foi um músico que dizia: “Olha esse aqui. Olha a pegada desse”. Ele sempre me estimulou a ouvir todo mundo, sempre pelo meu ponto de vista. Naquele disco Balançando, com Milton Banana, entendi uma forma mais contida de tocar, mais controlada. Com o Edison Machado era mais aberto, livre, mais presente. E com o Rubinho Barsotti, no Zimbo Trio, eram aqueles arranjos sempre muito elaborados, cheios de obrigações. Das três formas eles estão tocando pra danar.


EM – Fez uma síntese de todas essas coisas.
CA – Procuro tocar na soma, vendo o que está acontecendo, as informações que os amigos que estão tocando comigo me passam. Há uma coisa interessante: às vezes acontece muita coisa na música que dá a impressão de que a gente ensaiou. Mas não, é só a vontade de tocar junto. A bateria funciona nesse caminho: melodicamente, acompanhando as nuances que os amigos estão tocando. E acaba dando uma certa identidade pra gente. Quando dou aula pra algum colega que já toca ou é iniciante, procuro mostrar esse caminho da soma. Que às vezes não precisa tocar muito. Mas também não quer dizer que aquele ditado de que "o menos é mais" tem que ser levado a ferro e fogo. Às vezes precisa tocar muito também. A boa técnica é admirável.

EM – Você, que viaja o mundo inteiro com vários artistas, o que tem a dizer sobre esse samba-jazz que é tão admirado fora do Brasil?
CA – Tom Jobim e João Gilberto viajaram aos Estados Unidos com vários bateristas: Dom Um Romão, Edison Machado, Milton Banana. Isso na década de 60, quando eu nasci. Essa linguagem foi muito bem difundida. A gente entrou por essa porta que eles abriram. Essa gente abriu caminho e deixou aquela marca: “Ah, é baterista brasileiro”. Somos um país cheio de ritmos, mas a certeza é que os principais são o samba e a bossa nova. Até hoje, quando tenho a sorte de ter trabalhos fora, a garotada que está aprendendo vem me falar de Tom Jobim. Aí quando chega nos anos 70 tem o Paulinho Braga, o Teo Lima — que está com mais de 80 e tocando pra danar. Tinha o Mamão (Ivan Conti), o Robertinho Silva... e vou colocar o meu tio, o Toniquinho. Meu tio e o Mamão nos anos 70 viajavam para Paris e faziam turnês com a orquestra do Paul Mauriat. Iam para a Ásia e ficavam três meses fora.

EM – Produzi dois shows da Rosa Passos aqui em Santos, um no Teatro do Sesc e outro no Teatro Coliseu, e foi quando te conheci. Gostaria que falasse sobre esse período com a Rosa.
CA – Comecei a tocar com ela em 1998. Antes de mim era o grande Erivelton Silva. Tem também o Wilson das Neves, que tocou com grandes artistas. Nos discos da Rosa tem Wilson das Neves, Paulinho Braga, Rafael Barata, vários colegas. E a partir de 1998, quando comecei a trabalhar com a Rosa, fiz a maioria dos shows ao vivo. E foi nessa época, já com 38 anos, que comecei a me sentir brasileiro. E por quê? Imagine você tocar em um lugar e ver que John Patitucci, Ron Carter, Paquito D’Rivera, o saudoso Russell Malone e todo mundo quer conversar com a gente por causa daquele jeitinho de tocar bossa nova e samba que eles gostam, né? E essa é a minha função: tocando bateria lá fora da melhor forma possível, vou ser respeitado como um igual.
Tive uma experiência bacana já faz uns 10 anos. A última vez que toquei no Blue Note com a Rosa, um tal de Jeff começou a me mandar mensagens dizendo que iria a Nova York assistir a gente. E eu: “Ah, legal, vai lá”. Mas não tinha ideia de quem era. Depois caiu a ficha que era o Jeff Hamilton, baterista da Diana Krall. Ele saiu de Los Angeles, fez conexão em Chicago e apareceu no Blue Note em Nova York. Daí chegamos e ele já estava sentadinho lá esperando a gente tocar. Assistiu a quatro shows em dois dias, nos convidou pra almoçar. A paixão dele pela música brasileira vem do começo dos anos 70, porque ele tocou com o violonista brasileiro Laurindo de Almeida. Gravaram disco, está até na capa ao lado do Laurindo. Sempre que tem algum amigo nosso tocando, ele aparece.

EM – Faz tempo que você não grava um álbum. Não está na hora?
CA – Em 2021, o Steen Rasmussen, pianista de Copenhague, me chamou pra gravar um álbum e acabou dando certo. Fui para lá em 2022, fizemos shows em várias cidades e acabamos em um estúdio. Gravamos o Milton På Svenska, que é Milton Nascimento em sueco. É que a Josefine, a cantora, disse que em sueco seria mais audível do que em dinamarquês. Voltei em 2023, tocamos no Copenhagen Jazz Festival e gravamos outro álbum em trio chamado Red Bossa. Em 2025 fiz duas turnês e gravamos outro álbum que sai este ano. E no ano que vem já temos agenda pra tocar o novo trabalho.

EM – Então tem coisa nova que a gente não sabia.
CA – Sim. E participo também da Banda Mantiqueira. Fiquei afastado dois anos, mas o Proveta me convidou e eu estou de volta. Gravamos um álbum na semana passada que será lançado em breve.

Rosa Passos e banda - Além de Almeida, Torre e Paulelli, o saudoso Vinicius Dorin

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Feriado prolongado em setembro tem dois festivais em Santos

 Clube do Blues e Do Choro ao Jazz trazem atrações nacionais e internacionais e acontecem na Lagoa da Saudade com oficinas musicais espalhadas pela cidade. Tudo grátis

Alma Thomas e Prado Brothers Band

Clube do Blues de Santos - Realizado desde 2008 pela Mannish Boy Produções Artísticas, o evento traz atrações nacionais e internacionais para Santos, promovendo o intercâmbio dos artistas do gênero. 
Esse ano a cantora, compositora e arranjadora norte-americana nascida em Nova York, Alma Thomas, fecha a noite do sábado, dia 05 de setembro, a partir das 19h, acompanhada pela Prado Blues Band, uma das principais bandas de blues do Brasil.
Abrindo para Thomas, às 15h, a banda santista Dog Joe recebe como convidado o guitarrista Fabio Brum em um grande show de blues rock baseado nas guitarras do próprio Brum e de Eduardo Elói, frontman da Dog Joe. No repertório, Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton, Rolling Stones e muito mais.
O segundo show do dia fica por conta do trio que vem revolucionando o blues e o jazz brasileiro, Jefferson Gonçalves e Bitencourt Duo, com a mistura de música brasileira folk e nordestina mais o blues do Mississippi. Por meio dos instrumentos inusitados dos irmão Bittencourt – guitarra híbrida de Luciano e o kit de bateria com inúmeros elementos de Júlio – somados às gaitas de Jefferson Gonçalves, o grupo construiu sonoridade única jamais ouvida no país. O grupo acaba de chegar de uma turnê pelo México para tocar direto no palco da Lagoa da Saudade. 

Do Choro ao Jazz – Logo em seguida, no dia 06 de setembro, o mesmo palco da Lagoa recebe outras três grandes atrações. 
O grupo As Choronas, formado por mulheres, abre os trabalhos do domingo às 15, com show em comemoração aos 30 anos de carreira.
Em seguida, às 17h, o chileno Samuka Cartes, acompanhado pelo seu quinteto de jazz, lança seu álbum de estreia, Ao Sul do Mundo. É a primeira vez que o grupo se apresenta em Santos.
Fechando o domingo, às 19h, a cantora santista A.B.E.C.C.A. e sua banda lançam o primeiro EP, Afrofruto, com composições próprias.
E ainda nas semanas adjacentes, a cidade receberá in´pumeras oficinas musicais cujas datas e os locais ainda serão definidos. Todas as atividades são gratuitas.

Apoios: Ao longo dos anos ambos os festivais vêm recebendo apoios fundamentais para que possam acontecer. Esse ano contamos com as seguintes parcerias: Arte no Dique, Cantina Di Lucca, Cervejaria Santista, Clube do Choro de Santos, Ibis Santos Valongo, Quintal da Véia, Mucha Breja, Tasca do Porto. Artes, imagens e edições por Jade Louback Design e Digo Maransaldi Design. Produção: Mannish Boy Produções Artísticas.
O festival é realizado com emendas parlamentares dos vereadores Lincoln Reis e Zequinha Teixeira, por meio da Secult, de acordo com a Lei de Fomento da Prefeitura de Santos. 

Históricos - O Clube do Blues de Santos, que acontece desde 2008, já trouxe inúmeros artistas do estilo musical a cidade. Entre os brasileiros, Ari Borger, Márcio Abdo, Jefferson Gonçalves, Big Joe Manfra, Big Gilson, Robson Fernandes, Fábio Brum, Mauro Hector, Caviars Blues Band, Ivan Márcio, Giba Byblos, Igor Prado Band, Eric Assmar, Brazilian Blues Band e muitos outros. Entre os estrangeiros, Larry McCRay, Eric Gales, Shirley King, Tia Carrol, Peter Madcat, Jon McDonald, Sax Gordon, Raphael Wressnig, Kenny Brown, Aki Kumar, James Wheeler, Lynwood Slim, JJ Thames.
Criado para abrigar todos os estilos musicais produzidos no Brasil, o festival Do Choro ao Jazz chega ao seu quinto ano, com mais uma tarde com grandes atrações.
Nos quatro anos anteriores o festival recebeu grandes artistas, entre eles, Thadeu Romano, Joabe Reis, Stefano Moliner convida Bocato, Rodrigo “Digão” Braz, Caimmy In Jazz, Electric Miles, Choro de Bolso, Digo e a Faixa Preta, Sol Carvalho, Rafa Laranja, Balanzê, Monna e Banda, Diego Alencikas e Bitencourt Duo.

Profissionais de Santos – Pessoal, som, iluminação, geradores, palcos, tendas, camarins, e demais itens de produção serão contratados em Santos, usando as emendas parlamentares para movimentar a economia criativa local. 

Atrações Clube do Blues de Santos

Dog Joe convida Fábio Brum

Dog Joe convida Fábio Brum - Uma das bandas de blues-rock mais antigas da Baixada Santista, composta por Digo Maransaldi (bateria/voz), Eduardo Elói (guitarra/voz) e Rogério Duarte (baixo), a banda Dog Joe, convida um dos ícones da guitarra blues do Brasil, o guitarrista Fábio Brum para um show explosivo.
O show promete uma explosão sonora com o melhor do Blues, Blues-Rock e Soul Music com canções do primeiro disco da Dog Joe e versões cheias de identidade do "power trio" junto com a guitarra nervosa de Fábio Brum, celebrando artistas como B.B. King, Eric Clapton, Buddy Guy, Elmore James, Albert Collins, Stevie Ray Vaughan, Creedence, Little Richard e muito mais, com arranjos especiais celebrando a potência e virtuose deste encontro.

Jefferson Gonçalves e Bitencourt Duo

Jefferson Gonçalves e Bitencourt Duo - Jefferson somou a qualidade de suas gaitas às percussões e à guitarra híbrida dos irmãos Júlio e Luciano Bittencourt. O tempero especial fica por conta da guitarra híbrida, instrumento desenvolvido pelo músico norte-americano Charlie Hunter, com sete cordas (três de contrabaixo e quatro de guitarra). 
Com essa formação, única no Brasil, o trio faz um som cheio de personalidade e muito groove. 
Para esse show os músicos prepararam releituras das composições de Jefferson, que, além de grande intérprete, é compositor de mão cheia – seus temas instrumentais levam os ouvintes a viagens musicais nas quais as esquinas do Nordeste brasileiro, sopradas pelos foles de Gonzagão e de Dominguinhos e os pifes dos Irmãos Aniceto, se cruzam com as do Mississippi profundo, dedilhadas nas cordas de aço de Muddy Waters e agora com a sonoridade incomum da guitarra híbrida. No repertório: músicas autorais repletas de groove, melodias e ritmos, ingredientes perfeitos para um show alto-astral e dançante.

Alma Thomas

Alma Thomas e Prado Brothers Band - Um dos encontros mais aguardados da música preta e instrumental de 2026 reúne a cantora norte-americana Alma Thomas e a Prado Brothers Band em uma turnê histórica pelo Brasil. O espetáculo transita organicamente entre a sofisticação do Jazz, a energia do Blues, a sensualidade do R&B e o balanço do Soul, conectando o público às raízes de Nova York e Chicago com tempero brasileiro.
Radicada no país e formada pela Berklee, Alma Thomas divide o palco com o grupo do virtuoso guitarrista Igor Prado — primeira banda sul-americana indicada ao prestigiado Blues Music Awards. O repertório traz releituras viscerais de clássicos de Aretha Franklin, Etta James e B.B. King, marcados por forte improvisação e groove.
"Reunir a sofisticação da Alma com o groove da nossa banda gerou uma química imediata. É um show vibrante, feito para arrepiar", destaca Prado. A turnê promete levar aos palcos nacionais a energia e a excelência dos grandes festivais internacionais.

Atrações Do Choro Ao Jazz

Choronas

Choronas - Fundado em São Paulo em 1994, é reconhecido como o primeiro regional de choro formado exclusivamente por mulheres. Combinando flauta, cavaquinho, violão de 7 cordas e percussão, o quarteto surgiu quebrando paradigmas ao ocupar um espaço historicamente masculino na música instrumental. Ao longo de mais de três décadas de carreira, construíram uma discografia marcante que inclui álbuns como Atraente, O Choro é Brasileiro e A Caminho da Roça. O repertório do grupo resgata grandes mestres como Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga e Waldir Azevedo, além de trazer composições autorais e transitar com elegância por ritmos como samba e baião. Além de representarem a cultura brasileira em diversas turnês internacionais pelas Américas e Europa, as integrantes desenvolvem um relevante trabalho educativo por meio de shows didáticos e oficinas. Hoje, o grupo consolida-se como um símbolo incontestável de virtuosismo, longevidade e representatividade feminina na música popular brasileira.

Samuka Cartes

Samuka Cartes Quinteto - O primeiro disco de Samuka Cartes, convida para uma viagem musical por alguns gêneros das américas, além de propor uma 
visão pessoal do artista, de como os musicistas sulamericanos se influenciam e estabelecem diálogos, experimentos e 
misturas de diferentes gêneros musicais, propiciando criações e releituras com uma identidade própria.
O material conta com 11 faixas, sendo 08 delas instrumentais. Dentre essas se destacam releituras como “O Futebol” de Chico Buarque, “Anu Preto” de Sizão Machado e “La Muerte del Ángel” de Astor Piazzola. Entre as faixas cantadas, uma das grandes surpresas é a parceria póstuma com o inigualável Paulo Leminski, denominada “Um Passarinho Volta Pra Árvore”. A música surgiu através de um trecho da poesia “Dança da Chuva” do livro “Toda Poesia”. Os gêneros se diversificam entre rumbas, jazz latino, bossa nova, samba, samba jazz, entre outros.

A.B.E.C.C.A

A.B.E.C.C.A - Aquilombando a música regional, A Levada dAbecca nasce imerso a música preta popular brasileira. Motiva a revisitar enlaces ancestrais rabiscados pela arte, entregues na fé e na passagem dos nossos caminhos, celebrados em uma verdadeira viagem de sons. Visa destacar o papel fundamental que exige a coletividade, buscando caminhar com artistas locais e da cena independente. A proposta abrange uma diversidade de estilos, além disso, traz uma mensagem incorporando uma parte essencial da identidade brasileira. É uma verdadeira viagem sonora que convida todos a revisitar e celebrar nossas influências. Com o lançamento de seu primeiro EP, AfroFruto, e na estrada da emancipação das emoções e afetos que a música com sua doçura nos envolve e expande o tempo regulamentar, o som chega na batida do seu coração com blues, ventos e poesia.

Oficinas e aulas show

Silvério Pontes

Silvério Pontes - Nascido em Laje do Muriaé (RJ) em 1960, Silvério Pontes iniciou seus estudos musicais aos dez anos na banda Lira da Esperança, por influência do pai. Mudou-se para Niterói em 1977 e consolidou sua formação técnica e artística nas noites cariocas, destacando-se na MPB. Integrou a banda de Luiz Melodia a partir de 1985 e, no ano seguinte, a lendária Vitória Régia, de Tim Maia, com quem tocou por quase uma década, além de atuar com Ed Motta e Cidade Negra. O grande divisor de águas em sua carreira ocorreu em 1986, ao conhecer o trombonista Zé da Velha. A parceria histórica deu origem à dupla apelidada de "a menor big band do mundo", referência pela revitalização dos metais no choro. Juntos, lançaram álbuns aclamados como Só Gafieira! (1995) e Tudo Dança (1999). Reconhecido pela interpretação melódica do trompete e do flugelhorn, Silvério construiu uma notável trajetória solo, destacando-se pelos discos Reencontro (2016) e Coração Brasileiro (2018).

Marco Bosco

Marco Bosco - Reconhecido por unir a ancestralidade da percussão brasileira à tecnologia, Bosco foi pioneiro no uso de sintetizadores e sequenciadores em suas produções. Sua sonoridade singular transforma a linguagem dos ritmos nacionais na gramática fundamental para a construção da world music.
Entre instrumentos rústicos e captações da natureza, Bosco construiu parcerias históricas, destacando-se a duradoura colaboração com o tecladista Paulo Calasans.
Sua bagagem internacional inclui uma marcante vivência de mais de duas décadas no Japão, onde se aprofundou no estudo dos tradicionais tambores taiko. Nos palcos e estúdios pelo mundo, acumula passagens e trabalhos ao lado de ícones como Nina Simone, Brian Eno e Sadao Watanabe.
Obras marcantes como Metalmadeira e Tokyo Diary evidenciam sua habilidade em transformar a percussão na própria arquitetura da música. Atualmente, o músico desenvolve projetos inéditos que integram orquestras de cordas, timbres eletrônicos e violeiros regionais. Sua trajetória reafirma que o ritmo brasileiro não apenas dialoga com a música global, mas é peça central na sua humanização.

Serviços:

Shows
Evento: Clube do Blues de Santos
Data: 05 de setembro
Shows: Dog Joe convida Fábio Brum, 15h; Jefferson Gonçalves e Bitencourt Duo, às 17h; Alma Thomas e Banda, 19h
Local: Lagoa da Saudade

Evento: Do Choro ao Jazz
Data: 06 de setembro
Shows: Choronas 30 Anos, 15h; Samuka Cartes Quinteto, às 17h; A.B.E.C.C.A. e Banda, às 19h.
Local: Lagoa da Saudade

Oficinas e aulas show:
Evento: Oficina percussão com Marco Bosco 
Data: 11 de setembro
Horário: 15h
Local: Instituto Arte no Dique

Evento: Aula show com Marco Bosco
Data: 11 de setembro
Horário: 21h
Local: Sala Especial

Evento: Oficina e Roda de Choro com Silvério Pontes. Com participação de Marcos Canduta
Data: 24 de setembro
Horário: 20h
Local: Clube do Choro de Santos

Evento: Oficina
Data: 25 de setembro
Horário: 19h
Local: Madrigal Ars Viva

Endereços: 
Palco Lagoa da Saudade – Morro da Nova Cintra
Instituto Arte no Dique – Av. Brigadeiro Faria Lima, 1349 – Rádio Clube - Santos
Sala Especial – Rua Frei Gaspar, 56 – Centro Histórico - Santos
Sociedade Ars Viva – Rua Goiás, 167 – Gonzaga - Santos

Ingressos: grátis
Indicação: livre

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Após bem-sucedida turnê no México, Jefferson Gonçalves e Bitencourt Duo tocam no Clube do Blues de Santos

O palco flutuante da Lagoa da Saudade, no Morro da Nova Cintra, recebe o show do grupo no feriado prolongado em setembro, dia 05


O show será o mesmo, a soma da qualidade das harmônicas de Jefferson Gonçalves com as percussões e a guitarra híbrida dos irmãos Júlio e Luciano Bittencourt, respectivamente.
O tempero especial fica por conta da guitarra híbrida, instrumento desenvolvido pelo músico norte-americano Charlie Hunter, com sete cordas (três de contrabaixo e quatro de guitarra). 
Com essa formação, única no Brasil, o trio faz um som cheio de personalidade e muito groove. 
Para esse show os músicos prepararam releituras das composições de Jefferson, que, além de grande intérprete, é compositor de mão cheia – seus temas instrumentais levam os ouvintes a viagens musicais nas quais as esquinas do Nordeste brasileiro, sopradas pelos foles de Gonzagão e de Dominguinhos e os pifes dos Irmãos Aniceto, se cruzam com as do Mississippi profundo, dedilhadas nas cordas de aço de Muddy Waters e agora com a sonoridade incomum da guitarra híbrida. 
No repertório: músicas autorais repletas de groove, melodias e ritmos, ingredientes perfeitos para um show alto-astral e dançante.

Turnê internacional - Entre os dias 20 e 27 de julho, o gaitista Jefferson Gonçalves e o Bitencourt Duo levaram a força e a riqueza da música instrumental brasileira para palcos de destaque no México. 
A circulação marcou a primeira turnê do grupo pelo país, consolidando novas pontes culturais e abrindo portas para parcerias internacionais.
A programação teve início na Cidade do México, com apresentações calorosas nos consagrados clubes Jazzatlán Capital (20/07) e Parker & Lenox (22/07). Na sequência, o grupo seguiu para Salvatierra, no estado de Guanajuato, onde fez história ao representar o Brasil no 17º SalvaBlues & Jazz Festival — tornando-se os primeiros músicos brasileiros convidados a integrar o line-up oficial do evento.
Além do concerto principal no festival, o grupo promoveu uma oficina de harmônica e música brasileira, proporcionando um rico intercâmbio técnico e afetivo com instrumentistas e estudantes mexicanos.
A viabilização da turnê contou com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, por meio do Edital Mobilidade RJ, ferramenta fundamental para impulsionar a circulação internacional da produção artística fluminense.
Toda a gestão do projeto — desde a elaboração da proposta, aprovação no edital, até a produção executiva e logística da tour no México — esteve a cargo da Bessa Realizações.
Novos Horizontes
O impacto da passagem do trio pelo México já rendeu frutos concretos. Além da excelente receptividade do público e da crítica local, o grupo retornou ao Brasil com convites alinhados para uma nova turnê em solo mexicano e uma proposta para gravar em um estúdio profissional na cidade de Guadalajara, reafirmando a projeção da música instrumental brasileira no exterior.


segunda-feira, 6 de julho de 2026

A música de Amaro Freitas é a crônica do Brasil redescoberto

 

Amaro Freitas na passagem de som no Sesc Santos - 25/04/2026

Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior

A primeira vez que conversei com o Amaro Freitas foi em setembro de 2019. Naquela época o recifense consolidava sua assinatura musical com os álbuns Sangue Negro e Rasif.  
Muitas águas turvas passaram pelos canais de Recife desde então. As pandemias de covid 19 e de ignorância devastaram muitas famílias e a vida cultural no Brasil.
Com resistência, músicos e produtores tocaram a vida, projetando novas rotas para a arte. Amaro Freitas transformou a reclusão em um mergulho ainda mais profundo em suas raízes. Seu piano percussivo tornou-se um canal de cura e conexão espiritual. 
Em Sankofa e Y'Y o ruído das cidades deu lugar ao “mantra da natureza” e à “ancestralidade amazônica”, expandindo as fronteiras de sua criação. 
Ao deixar de ser uma promessa musical, Amaro consolidou-se como um dos principais nomes da música instrumental do planeta. E essa consagração nos palcos internacionais mostra que mesmo quando as águas dos canais sobem, nossas raízes são profundas demais para serem arrancadas. E pensar o Brasil a partir de sua ancestralidade exige afastar o ufanismo e encarar nossas fraturas históricas. 
Em O Povo Brasileiro - A Formação e o Sentido do Brasil, o antropólogo Darcy Ribeiro defende que o povo brasileiro nasceu de uma “matriz integradora” violenta, uma fusão dolorosa, mas profundamente inventiva, com raízes indígenas, africanas e europeias. 
Essa “Nova Roma”, descrita por ele, não se consolidou pela pureza, mas pela síntese e pela resistência cultural daqueles que foram submetidos ao processo de descaracterização. E mais, de desumanização. 
Penso que é precisamente no território da reinvenção que a música de Amaro Freitas se conecta à tese darcyana. 
O pianista pernambucano subverte a tradição do jazz europeu e norte-americano ao injetar no piano de cauda o conteúdo e a forma das culturas afro-brasileiras e indígenas. Uma engenharia genética que misturou o DNA do instrumento ocidental com o dos tambores da floresta e da África. 
Evocando os mistérios dos povos originários e as polirritmias do frevo, do maracatu e do coco, Amaro constrói a crônica da Nova República de Darcy, onde a ancestralidade é vanguarda. 
A riqueza da nossa música, portanto, não reside em uma harmonia pacífica e idílica, mas na capacidade contínua de deglutir a violência histórica e transformá-la em potência criativa. 
Ribeiro teorizou a fundação desse povo, Amaro Freitas compõe a sua trilha sonora contemporânea, provando que o Brasil profundo continua vivo, complexo e em constante estado de criação.


Eugênio Martins Júnior – Muita coisa mudou desde o nosso último encontro em 2019. Você já havia gravado Sangue Negro e Rasif. Agora, em 2026, após os lançamentos de Sankofa e YY, você ganhou o mundo. O que muda ao apresentar a música brasileira para o mundo?
Amaro Freitas – Quanto mais eu conheço o mundo mais conheço o Brasil. Acessando espaços como Estados Unidos, Japão, Europa entendi também essa música brasileira que é consumida fora do Brasil, mas que o país não conhece. Entendi que os heróis brasileiros são outros. Você chega em um teatro em Oslo e vê uma foto do Hermeto Pascoal. O produtor que me chamou para aquele festival dizer que o Naná Vasconcelos esteve ali há vinte anos. Veja, Naná, Hermeto, Egberto foram responsáveis por colocar essa música criativa no mundo. Deram uma cara a esse tipo de música. E quando estou fora no Brasil para apresentar o meu trabalho já existe um caminho de compreensão. Já existe um lugar para mim no mundo. Através de uma estrada que foi pavimentada antes. Esses caras entraram no mato e abriram o caminho para eu passar. E para vários músicos que representam essa música brasileira. 
Também foi interessante perceber o quão próximo é um instrumentista e um cantor. A valorização e o posicionamento da música instrumental fora do Brasil são mais fortes do que o canto. É óbvio que as pessoas vão adorar Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, Maria Bethânia, Liniker, mas o lugar de prestígio, de escuta da música instrumental brasileira nesse circuito é muito grande. Principalmente quando a gente vê como o Hermeto é venerado. Lembro do festival Jazz in Marciac em que um dia estavam o Hamilton e o Egberto e no outro eu e o Hermeto e havia seis mil pessoas para ouvir. Houve outro no Japão que era no Blue Note, onde tinha quinze mil pessoas. Toquei antes da Norah Jones, mas eu era o representante da música brasileira.
Foi importante compreender que a música que eu faço não é a mais famosa do mundo e nem no meus país, mas é a melhor música que o mundo consome.

EM – Quando conversamos em 2019 não tínhamos noção do que nos esperava, uma pandemia de Covid 19. Como foi atravessar esse período?
AF – Foi um período muito difícil, mas curiosamente tive muito trabalho. Fiz várias gravações online. O Sesc deu um suporte muito forte para vários artistas. Ia ao estúdio fazer lives e depois viajava para tocar em teatros vazio. Esse período foi complicado, desenvolvi uma crise de ansiedade e cheguei a chorar em um voo. Levei um tempo para conseguir me recuperar. Entrava no avião e ficava tenso com aquela situação, todo mundo de máscara. Foi em um voo para o Rio de Janeiro, quando fui gravar para um edital da Lei Aldir Blanc. Perdi a minha avó para a Covid 19. Vi vários amigos músicos saindo da música, indo trabalhar em outra coisa para se sustentar. Muito difícil para todos e para mim não foi diferente.

      

EM – Penso que a gravação do álbum Sankofa marca uma guinada no rumo, remetendo à ancestralidade africana na cultura brasileira. Talvez até representando um grito de resistência com o que estava acontecendo no país naquele momento. Estávamos vivendo sob um governo que era contra a cultura, a ciência e a educação. Procede?
AF – Acho que várias pessoas ficam com medo de gravar quando veem um governo como esse. Que não é a favor da cultura, a favor da arte, que quer tolher... a gente sabe que cortando acesso a isso fica mais fácil de manter o povo na ignorância e na insensibilidade. E sempre pensei o contrário. Acho que esse momento é que temos de enfrentar, com a ideia que seja intelectual, que seja artística, profunda. Que, de alguma forma, isso transforme e fortaleça o coração das pessoas que lutam por essa causa.
Quando faço o disco Sankofa estou falando sobre o conhecimento de uma história que não tive acesso quando era 
criança. Não estudei a história real das pessoas que vieram de África. O olhar bonito sobre Tereza de Benguela, Aqualtune ou Baquaqua. Gostaria de ter estudado sobre esses personagens que foram reis e rainhas que lideraram quilombos. Queria ter estudado sobre o candomblé, as matrizes africanas. Queria ter estudado sobre o povo Xambá, sobre a igreja Rosário dos Pretos no Pelourinho. Não tive acesso a isso. Então, quando começo a entender que existe um motivo pelo qual eu posso me orgulhar, de ter nascido nesse solo, vindo da periferia e ter colocado um som de piano original, pensei que precisava fazer
um álbum celebrando essa história. É em um momento da vida no qual estou saindo muito do Brasil, presente na Europa, Estados Unidos, passando por vários festivais e percebendo a diáspora africana. Lembro de ter visto Jeff Parker no Cork Jazz; a Brandee Younger; o Hamid Drake, no festival de jazz da Macedônia; Christian Scott, no Liubliana Jazz Festival. Músicos que vêm da Inglaterra, França, Estados Unidos. De Cuba vi Roberto Fonseca, Chucho Valdez e Gonzalo Rubalcaba. Todos esses artistas expressando a musicalidade da África em todos esses lugares onde ela foi plantada. Mas entendendo que em todos eles, o tambor é o centro. A rítmica é muito presente. Nesse momento estou estudando muito polirritmia, isorritmia, ritmo negativo. No qual começo a trabalhar a célula do tamborim, do partido alto. Começo a pensar em Baquaqua e em polirritmia. Na situação de vida desse personagem, que foi tão difícil no Recife, no Rio de Janeiro. E ele consegue se libertar quando chega aos Estados Unidos. De uma forma polirrítmica, harmônica, pensando nesse acorde frio, que traz uma sensação de garganta entalada, de alguém que quer botar pra fora, que quer explodir. E de uma forma subjetiva, expressar todos esses processos que Baquaqua viveu.
Sankofa é um disco que fala sobre o reconhecimento do meu povo. E quando cheguei em New York para tocar pela primeira 
vez na Lincoln Center, queria conhecer a Times Square, mas acabei no Brooklyn. Aí eu digo: “Que porra de Times Square. Quero ficar no Brooklyn, no Harlem. Aí vou a uma feira afro e conheço o Ali, um cara de Senegal que estava vendendo uma bata. E eu compro e uso no show da Lincoln Center. Nessa bata havia o símbolo da sankofa. Um amigo meu comentou que aquilo era lindo e descobri que a sankofa era o último sinal para eu gravar esse disco. Um símbolo que significa continuar indo pra frente, mas sem esquecer suas raízes. Não deixar o elo se quebrar.

Rodrigo "Digão" Braz

EM – E ao mesmo tempo que reflete sobre o passado, você está pensando no futuro. O olhar para traz e o olhar para frente. O que eu quero dizer é que há atualmente uma luta sendo travada por espaço, por liberdade, por humanidade. Quero dizer, lutas do povo negro, indígena, LGBT, feminismo.
AF – É a luta pelas mulheres trans, feminista, das mulheres brancas, mulheres pretas, dos nordestinos, dos nortistas. O movimento indígena ocupa um espaço na política e tem nas redes sociais uma forma de protesto muito intensa. Veja, o Brasil evoluiu muito nesses temas, mas ainda é o país que mais mata mulheres, que mais mata mulheres trans, um país extremamente desigual...

EM – Riquíssimo e desigual.
AF – Sim. Imagina que um por cento da população brasileira recebe mais do que o resto. Existem escalas, mas é basicamente isso. Ainda falta muita coisa para mudar nesse país. 



EM - Em YY você foi além do ruído urbano, buscado os sons da floresta, dos rios e da ancestralidade amazônica. Você se distanciou do “mantra urbano” dos viadutos, buzinas e sirenes para o “mantra da natureza”? Fale um pouco sobre isso.
AF – Foi uma grande oportunidade. Inesperada. O Brasil é um país muito diverso. E essa diversidade se encontra em várias coisas. Um povo que tem vários rostos. Vários dialetos. Tem DNAs diferentes. Tem temperaturas diferentes. Tem uma cultura musical muito ampla. O samba e suas variações, maracatu, frevo, baião, coco, cavalo marinho, ciranda, caboclinho. Aí vamos ao Maranhão com tambor de crioula, semente, bumba meu boi. As lendas do norte, cazumbá, capinguari, uiara, o boto e todos os encantamentos. E aí vamos à culinária e à floresta. Então, é muito interessante, porque quando eu vejo o show de um inglês, de um israelense, percebo uma unidade. A primeira música não é diferente da segunda e que não é diferente da terceira. E na música brasileira eu começo tocando um improviso livre e depois toco um frevo e depois um maracatu e quem está fora do Brasil abre a boca de espanto. Estamos acostumados com essa diversidade, mas o mundo não. Talvez essa diversidade deveria ser mais o nosso orgulho. Olhando para o Brasil real e não o oficial, que é caricato, cafona, brega, ele separa as classes. O Brasil real é alegre, vai à luta, é o Brasil criativo. Aquele que resolve as coisas que parecem não ter mais jeito.
Respondendo a sua pergunta, quando chego na Amazônia, eu descubro um outro Brasil. Era pra eu ter ficado dois dias, mas 
troquei a minha passagem. Tema aquela coisa coletiva de você comer em círculo, olhando um para o outro, de igual para o igual. Ver como os indígenas tratam as árvores e os animais como se fossem parentes. E que eles dão nomes às árvores. Eles conversam e entendem os rios. Um deles me chamou e disse: “Amaro, você está vendo essa área? Aqui é a área do rio. De oito em oito anos o rio que você está vendo ali chega até aqui e a gente não invade”. Você entende?
Então eu estou aqui morando em São Paulo e quero desmatar a Amazônia, quero que o agronegócio funcione de maneira desenfreada. E aí os indígenas ensinam que é de lá que saem os rios flutuantes e que as próprias árvores são responsáveis por isso. E que o volume de água desses rios é maior do que o que o rio Amazonas despeja no oceano. E que essa água é responsável por chuvas equilibradas em São Paulo.

Sidiel Vieira 

EM – Gostaria que você falasse sobre o time que te acompanha hoje, o Digão na bateria e o Sidiel no baixo.
AM – A gente vem aprendendo muito juntos. Sou extremamente atento à vivência. Admiro muito o Digão e o Sidiel. Estou falando de dois artistas que têm seus discos 
lançados em diferentes formatos. São professores muito requisitados e têm um extremo profissionalismo em tudo o que fazem. Trabalho com o Digão há três anos e o Sidiel há um ano e sempre experimentando. Por exemplo, hoje você está vendo 
dois monitores ali para eu ouvir os loops e a voz, mas não tenho o som do piano nos monitores. Eu quero ouvir o som real e a gente passou alguns shows tentando chegar em uma sonoridade crua...

EM – Mas o baixo e a bateria chegam pra você no monitor?
AF – Nada. Vamos nos ouvir com o que temos ali. O baixo tem o “cheirinho”do som dele no monitor. Digão não tem nada no monitor dele e eu não coloco nada no meu.

EM – Por isso que vocês tocam juntinhos.
AM – Sim. É uma dinâmica. Antes da mixagem de Vinicius – técnico de som de Amaro – primeiro no palco, com a gente tocando. Eugênio, levou um tempo pra gente conseguir. Hoje me considero jogando na Champions League. Porque eu toco e logo depois vem o Chris Potter, toca o Gonzalo (Rubalcaba), na outra semana toca o Stefano Bollani. Aí eu vejo como as pessoas trabalham os sons. O mundo é um pouco menos ruidoso do que o Brasil. Somos muito quentes. Logo, tudo deles é um pouco mais baixo, mais tranquilo. Primeiro a gente estranha porque confunde intensidade com volume. E na prática você percebe que pode ser intenso sem machucar os ouvidos. Ser intenso e ser presente. Sem perder o controle do teu corpo. E é isso que tentamos fazer, ser tudo isso, e de uma forma muito elegante, manter o domínio dessa sonoridade.

EM – A última vez que a gente se encontrou eu te fiz a seguinte pergunta: “Estou reunindo entrevistas para um livro que pretendo lançar um dia, sei lá quando, e que vai se chamar Do Samba ao Jazz*. Se esse livro tiver 300 páginas e levando em conta que o samba está na página 01 e o jazz na página 300, onde fica a música de Amaro Freitas?”. Você respondeu que a música de Amaro Freitas é pós sambajazz, ou seja, depois da página 300. Meu próximo livro se chamará Música do Mundo. E volto a te perguntar: Onde fica a música de Amaro Freitas no mundo? Você reconhece esse rótulo de WORLD MUSIC?
AF – Acho que faço uma música que tem influência do que acontece no mundo. Que está conectada com a cena de jazz atual. Quando você pensa na música de Arooj Aftab, que é uma 
cantora paquistanesa; Tigran (Hamasyan), que é armênio; Shai Maestro, que é israelense; o Shabaka (Hutchings), um europeu/africano que vem da Inglaterra, acho que minha música está conectada com essa cena. Mas uma coisa que eu descobri é que na forma que eu falo, na forma que eu me visto e na forma como eu toco, quero ser mais brasileiro.

EM – O Brasil está na moda, Amaro? Tenho conversado com muitos músicos estrangeiros e todos tem vindo ao Brasil para aprender a nossa música. É um movimento inverso do que aconteceu nas últimas décadas.
AF – O Brasil sempre esteve na moda. Sempre rolou esse interesse. O Brasil sempre teve um problema muito grande. Não é o mundo que não queria aprender música brasileira, mas o Brasil que produzia algo genial e não tinha a capacidade de catalogar, registrar e ensinar isso aos outros. Europa e Estados Unidos fizeram isso de forma muito organizada. Tudo é uma escola. Acho que agora o Brasil tem uma estrutura e tem um repertório pensando os vários movimentos. A música de Moacir Santos, Milton Nascimento, Laércio de Freitas, Baden Powell, que deixou uma marca no violão. Que deixa um jeito de tocar piano, de ser compositor.

*O livro foi lançado em 2024 com o nome de Do Choro ao Jazz.



quinta-feira, 11 de junho de 2026

Morre aos 86 anos o indomável James “Blood” Ulmer

 

Ulmer em Londres, 16 de junho de 2009
. (Foto: Helen Boast PhotographyRedferns)

Esse obituário vem com atraso, mas com a reverência devida. Problemas da vida e a correria do trabalho me afastou do noticiário musical por um tempo e não li sobre a morte do grande James “Blood” Ulmer, aos 86 anos, no dia 03 de junho. Vamos a ele. 
Em um comunicado nas redes sociais, sua família informou sobre a morte do guitarrista e acrescentou: "Sua música era destemida, assim como seu espírito". A mais pura verdade.
Nascido Willie James Ulmer na Carolina do Sul em 1940, a carreira musical de Ulmer começou em bandas de funk, viajando de Pittsburgh a Columbus e Detroit – acompanhando músicos como Jewel Bryner e Hank Marr – antes de se estabelecer em Nova York no início dos anos 1970.
James “Blood” Ulmer não se prendia a um estilo. Além de tocar com Art Blakey, Joe Henderson e Rashied Ali, teve como mentor Ornette Coleman.
Esse espírito livre reinou por toda a carreira de Ulmer, caracterizada por uma execução instintiva e sem limites, mesmo quando começou a se dedicar à composição.
O próprio Coleman coproduziu eu álbum de estreia, Tales of Captain Black. Seu álbum seguinte, Are You Glad to Be in America?, foi lançado pelo selo britânico Rough Trade. 
O comentário social provocativo da faixa-título a tornou uma canção marcante, e ele acabou, vejam vocês, abrindo shows para bandas do pós-punk e rock, entre elas, Public Image Ltd e Captain Beefheart. Sobre o público nesses shows, ele disse mais tarde: "Eu ficava no microfone e mandava eles calarem a boca. Eles tinham cinco minutos para entrar no clima ou vazar!"
Após a passagem pela Columbia, assinou brevemente com a Blue Note para mais um álbum dando uma cutucada na América: America – Do You Remember the Love? (1987).
Continuou lançando álbuns de estúdio durante as décadas de 1990 e 2000, focando menos no jazz e mais no blues: "Blue Blood" (2001) contou com uma banda que incluia Bill Laswell, Amina Claudine Myers e Bernie Worrell, do Funkadelic. Lançado no mesmo ano, Memphis Blood: The Sun Sessions lhe rendeu uma indicação ao Grammy na categoria de melhor álbum de blues tradicional.
Ele também foi requisitado por outros artistas para contribuir com seu inimitável estilo de tocar guitarra: participou de gravações como a trilha sonora de Ry Cooder para o filme The End of Violence, de Wim Wenders (1997), e do álbum Phenology, do grupo de hip-hop The Roots.
Finalmente se aposentou em 2024, fazendo seu último show no festival de jazz de Detroit.
Consegui assistir James Blood Ulmer apenas uma vez. Foi em agosto de 2028 no festival Sesc Jazz (antes chamado de Jazz Na Fábrica). 
James "Blood” Ulmer e Memphis Blood Blues Band convidaram o ET Vernon Reid para apresentar um show de blues visceral e elétrico, misturando composições autorais com releituras clássicas de lendas do gênero, como Willie Dixon e Muddy Waters. Por sorte, o show foi gravado e está disponível no ambiente do Selo Sesc no Spotify.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Time Traders - 2001 - Peter Green/Splinter Group

 


O guitarrista inglês que despontou nos anos 60 com Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page, mas que nunca teve um décimo da fama destes, mesmo após substituir o próprio Clapton nos Bluesbreakers de John Mayall e fundar o grupo de blues/rock Fleetwood Mac, gravou seu melhor disco em anos. Green andava afastado da cena por causa do seu envolvimento com drogas pesadas, coisas da vida rock and roll.
Time Traders é, em todos os sentidos, um biscoito fino: produção, composições, arranjos e execuções. Tudo ancorado pelo ótimo Splinter Group. 
É a volta definitiva dele ao bom e velho blues, mas sem o fantasma da urgência ou de algum  virtuosismo vazio. O que se ouve aqui é a pura essência do gênero, filtrada pela sabedoria de quem já viveu o suficiente para cantar a dor com autoridade.
Acompanhado por Nigel Watson na segunda guitarra, Pete Stroud no baixo, Roger Cotton nos teclados e Larry Tolfree na bateria, Green encontra o colchão perfeito para desfilar seu fraseado econômico e expressivo.
A pedrada começa com Until The Well Runs Dry, uma dor de corno daquelas que só os blueseiros e os sertanejos brasileiros sabem cantar. 
Real World tem um Hammond B3 de fundo sob uma batida classuda daquelas que o batera toca olhando para os lados com cara de paisagem, mas que marca o tempo perfeito para a cantoria sobre os dias idos e perdidos e que não voltam mais. Green e Watson solam bonito. 
 O Splinter Group não funciona apenas como grupo de apoio, mas como uma engrenagem coesa que entende o tempo e o espaço que o mestre precisa para brilhar e deixar brilhar. Prova disso é a mudança de dinâmica de tirar o folego em Running After You.  
Enquanto temas mais diretos mostram que sua pegada rítmica continua impecável, tipo Shadow On My Door, um bluesão da porra. O som é limpo, quente e sem os excessos que muitos discos de blues na virada do milênio apresentaram.
Se voz de Green já carrega as marcas do tempo e dos excessos passados, ela ganha em expressividade e crudeza quando ele canta... you tell me lies, lies, em Lies. Com direito a backing vocals e metais.  
O repertório do álbum equilibra com maestria canções originais e releituras, como Underway, com uma atmosfera hipnótica e melancólica que tornou Green e sua icônica Les Paul lendas da música. Qualquer semelhança com Albatross pode não ser mera coincidência.
Longe dos holofotes, Time Traders se consolidou não apenas como um grande registro de estúdio da época, mas como o testamento de um sobrevivente que escolheu a música como sua redenção final. Com alma de blueseiro. 

Músicas:

1 - Until The Well Runs Dry
2 - Real World
3 - Running After You
4 - Shadow On My Door
5 - Lies
6 - (Down The Road Of) Temptation
7 - Downsize Blues (Repossess My Body)
8 - Feeling Good
9 - Time Keeps Slipping Away
10 - Wild Dogs
11 - Home
12 - Underway
13 - Uganda Woman


sexta-feira, 5 de junho de 2026

São Paulo ganha a primeira edição do Underground Jazz Fest em junho

 Improviso e ousadia. Músicos da cena de São Paulo, a cidade mais jazz do Brasil, se reúnem num evento em homenagem à liberdade artística


A proposta do Underground Jazz Fest é tocar música livremente para os amantes do improviso. E, de preferência, música autoral. 
Sim, respeitando e dando espaço aos músicos que tocam na noite paulistana e que têm o compromisso apenas com a música. São eles: Renato Alves Quarteto, Igor Bollos Trio, Stefano Moliner Quinteto e Sintia Piccin Quarteto. 
Segundo Stefano Moliner, organizador do Underground Jazz Fest, os festivais usam a nomenclatura “jazz”, mas não tocam jazz: “Tem pop, rock, reggae, soul tudo muito maquiado, muito blasé. Mas aquela urgência, aquele improviso, o som indigesto que pega fogo, a criatividade ativa em tempo presente ali na tua cara, não vejo nesses festivais”, polemiza o músico e produtor.
Portanto, o Underground Jazz Fest, desde sua primeira edição, será uma experiência indispensável para quem busca o jazz feito com alma, criatividade viva e total liberdade.

Renato Alves

Renato Alves – É guitarrista e compositor de Marília (SP). O músico apresenta os temas de seu mais recente álbum, Casa Viva. 
O show conta com composições autorais que transitam entre o jazz-fusion, grooves contemporâneos e a riqueza rítmica da música brasileira, criando uma sonoridade moderna e cheia de nuances. 
A guitarra conduz a narrativa musical, sempre abrindo espaço para a improvisação, a interação e o diálogo entre os músicos no palco. 
Além de Renato, a banda é composta por Adauto dias (baixo), Fernando Amaro (bateria) e Gabriel Gaiardo (piano e teclado).

Igor Bollos

Igor Bollos - Para o UJF, enfant terrible da guitarra apresenta pela primeira vez composições autorais que serão executadas com o novo trio formado por Igor Willcox (bateria), Jackson Silva (baixo). 
O show também marca a estreia ao vivo do single Cloud Nine, que está previsto para ser lançado ainda esse mês. Seu trio inclui Igor Willcox (bateria) e Jackson Silva (baixo).

Stefano Moliner

Stefano Moliner – Lança no festival seu terceiro álbum, Codex Ultra Deum, seguindo a trilha evolutiva traçada desde o primeiro trabalho, Miração de 2018, seguido por Apotheosis de 2022.
O trabalho segue a linha de jazz rock ou fusion, como preferir, ainda com referências bastante declaradas ao campeão Hermeto Pascoal, porém, agora assume um caráter ainda mais denso e pesado, flertando até com o heavy metal e texturas e harmonias soturnas de Wayne Shorter e Miles Davis.
Tal gama de influências traz ao Codex Ultra Deum uma digital bastante particular que busca romper bolhas sem tornar-se uma caricatura ou colcha de retalhos. O time de Stefano Moliner é Igor Bollos (guitarra), Rafael Abissamra (bateria) e Cassio Ferreira (saxofone).


Sintia Piccin – Apresenta Freedom of Mind, espetáculo que abraça a liberdade musical e a exploração criativa, estendendo-se ao território do jazz fusion. 
O grupo guia o público numa jornada sonora sinuosa, onde a improvisação e a composição se entrelaçam em um tapete sonoro imprevisível e cativante.
O groove é parte essencial dessa experiência musical, fornecendo uma base sólida para as explorações musicais do saxofone e da flauta de Sintia, combinando os talentos individuais dos sidemen, sempre sob a visão moderna da frontwoman.
No palco, Sintia Piccin (saxofone), Richard Fermino (trompete), Jackson Silva (baixo) e Fernando Amaro (bateria).

Serviço:
Evento: 1º Underground Jazz Fest
Local: Jai Club
Horário: das 15 às 22h
Endereço: Rua Vergueiro, 2676 – Vila Mariana
Ingresso: 1º lote = R$ 30,00; 2º lote = R$ 40,00; 3º lote R$ 50,00.
Vendas:  https://shotgun.live/pt-br/events/undergroundjazz