sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Sai Ilegal, o primeiro CD do grupo santista Contra Bando

Com letras espertas, o grupo manda um recado aos políticos e empresários que se juntam pra meter a mão na grana da população


Eles já andam por aí há algum tempo. Por isso dominam o palco como poucos. E eles tocam muito alto.
Formado por Lone (ex Angel, voz), Gerson Fajardo (Vulcano, guitarra), Oliver Kivitz (ex Aliados, baixo), e Bira Aguiar (bateria), o Contra Bando é um grupo santista de rock que mistura punk com metal, só que na beira da praia, o surf punk.
Nem sempre ensolarados, os dias de Santos podem ser cinza e sombrios, por isso a cidade sempre foi celeiro de bandas fortes na cena alternativa do rock and roll nacional, saíram daqui Harry, Vulcano,  Charlie Brown Jr, Garage Fuzz, Nitro Minds, Surra, Shadowside, Mauro Hector Trio, Medusa Trio, Dr Kaveira e muitos outros artistas importantes.
E com a certeza de que algo poderia ser dito e que o rock pode e deve retomar o seu posto de “música para mente” e não “para a bunda”, como a atual situação da música brasileira se encontra, os veteranos do Contra Bando se juntaram para criar essa nova postura dentro do som autoral e underground do Brasil, trazendo um som vigoroso, inteligente, crítico, com ironia nas letras que falam da situação política, social e religiosa do Brasil na atualidade.
A banda - Lone não é só um cantor, é um frontman com sua postura e voz indiscutíveis. Coisa rara no rock brazuca. Gerson é o ícone “rock star” que todo guitarrista procura ser e desempenhar num palco. Oliver tem a pegada e experiência de um baixista que passou pelo mainstream mas mantem suas características originais de um bass player gringo dos anos 80 e Bira é a bateria perfeita, que segura ao vivo o peso e ritmo como um relógio dentro das composições. 
Lançamento – Chegou às lojas e plataformas digitais em fevereiro de 2020 o CD ILEGAL. Trata-se de um trabalho lapidado, de alta qualidade, onde procuraram passar toda sua postura “013” de onde veio toda a influência da realidade que vivem na famosa cidade portuária de Santos, berço de talentos em todas as áreas e segmentos. 
A Contra Bando inicia a tour Ilegal inicialmente por todo o estado de SP, procurando manter um padrão digno de uma banda veterana em shows que prometem no mínimo “fazer a diferença” para fãs do verdadeiro e honesto Rock and Roll que hoje nos faz tanta falta.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Morre pianista Henry Gray aos 95

Henry Gray no Brasil - foto Eugênio Martins Jr

Morreu ontem, segunda-feira, dia 17 de fevereiro, o grande pianista de blues, Henry Gray, aos 95 anos.
Nascido em Baton Rouge, cidade próxima a New Orleans, onde tocou em festivais e clubes, ganhando a admiração dos moradores locais.
Na época que passou em Chicago 1946-1968, Gray trabalhou com os maiores artistas de blues de todos os tempos, Jimmy Reed, Howlin’ Wolf, Muddy Waters, Junior Wells, Jimmy Rogers, Buddy Guy, Little Walter, Morris Pejoe.
Além de tocar em festivais importantes nos Estados Unidos, como o New Orleans Jazz and Heritage, onde atuou 39 vezes, King Biscuit Blues Festival, Chicago Blues e outros, Gray viajou por Japão e Europa, onde tocou no Montreux Jazz Festival.
Adepto do blues e do boogie woogie, sua “pegada” era autêntica, sua mão esquerda martelava as teclas com paixão e precisão.
Uma curiosidade, foi convidado por Mick Jagger para tocar no seu 55º aniversário comemorado em Paris.
Em 2013 Gray tocou no Brasil, em um festival em Poços de Caldas, quando pedi uma entrevista, mas a má vontade e amadorismo da organização do evento fez de tudo pra eu não falar com Gray e Tail Dragger. Uma pena, hoje teríamos esse registro.

Consegui essa foto graças ao amigo Bob Corritone

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Cherry Cake (um funk bem safado na cozinha)

Mama in the kitchen
Making a cherry cake
Put in all my filling
And shake, shake, shake

Wait just a minute
The temperature is hot
Make that old movement
And just don’t stop

Baby you so sweety
A candy little pot
Take me to your kitchen
And show me what you got

Shake your money maker
Dancing to the floor
I’m nasty little dog, girl
I'm coming through the back door

Funk in the kitchen
Spreading the cream in the cake
Gimme another slice
And shake, shake, shake

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Minas Gerais abre o calendário 2020 com o Projeto Blues Verão


Nos dias 11 e 18 de janeiro o Barracão Antiguidades e Arte, em Casa Branca, Brumadinho-MG, região famosa pelas belezas naturais, recebe a sétima edição do Projeto Blues Verão

Auder Jr

Abrindo a programação, dia 11 de janeiro, “Auder Jr. & Blues Friends” prometem uma noite regada a clássicos do blues e músicas autorais. Auder Jr., blueseiro de Minas Gerais e integrante da Audergang, banda de destaque no cenário musical, se apresenta com Brazza (contrabaixo) e Túlio Bastos (bateria). No repertório, Freddie King, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, BB King, Muddy Waters e muito mais.

No dia 18 a banda mineira Soul Much Blues apresenta clássicos dos dois gêneros da música norte-americana que dão nome à banda.  No repertório, Etta James, Koko Taylor, B.B. King, Eric Clapton, Joss Stone, James Brown, Jimi Hendrix, entre outros. O grupo é formado por Laura Lima (voz), Artur Santos (guitarra), Leo Lima (teclado), Rod Vaz (baixo) e Benny Cohen (bateria).
“Nosso objetivo é fortalecer a cena do blues em Minas Gerais. A proposta é ousada, pois os shows acontecem no Barracão de Antiguidades, ambiente único, que remete a atmosfera dos famosos juke joints americanos, além da gastronomia e bar temático”, diz Marcos Kaoy, idealizador do projeto feito em parceria com a Marques Produções, comandada pelo guitarrista e produtor cultural Bruno Marques.
Gastronomia - A gastronomia também será um dos destaques do festival. Inspirada na culinária norte-americana, os visitantes poderão apreciar o Mississipi Burning (costelinha Creole, Frango Cajun e Batatas Doces fritas) e o Gumbo (guisado vegetariano sweet spice com legumes e verduras). O cardápio será elaborado pelo chef Luigi Russo, um dos fundadores do Restaurante Coletivo em Casa Branca.
Arte - Vai rolar ainda a mostra Mississippi e Seus Mojos, com foco no blues, de autoria de Marcos Kaoy. As telas, criadas com matérias-primas consideradas “lixo” para muitos, mas que se transformam em preciosidades nas mãos do artista plástico, foram destaques em grandes festivais de blues em 2019, como o “Ibitipoca Blues – 20 anos” (MG), 8º “Festival Internacional Dipanas Blues & Jazz” (MG) e “Rota do Blues (MG).“Tive contato com o blues desde cedo, tanto que virei gaitista e passei a admirar esse universo que tanto me inspira a criar quadros e peças relacionados ao gênero musical”, explica o artista.
Sobre o Barracão - Criado em 2012 pelo artista plástico e gaitista, Marcos Kaoy, o Barracão de Antiguidades e Arte está na rota das atrações culturais e turísticas mais badaladas de Minas Gerais. 
Com estilo de juke joint, funciona como loja também e reúne mais de mil peças, como radiolas, discos de vinis, máquinas de datilografia, placas demonstrativas de épocas, luminárias, entre outras. “Temos objetos de 50 a 80 anos. Outros foram criados por mim e são focados no blues, como instrumentos musicais, quadros e peças decorativas. Todos estão à venda”, diz Kaoy.
O espaço também passou por reformas e ganhou estrutura para proteger o público em caso de chuvas.

Serviço:

Evento: 7ª edição do “Projeto Blues Verão” em Casa Branca.
Shows: 11/01 (sábado) – às 20h – Auder Jr. & Blues Friends; 18/01 (sábado) – às 20h – Soul Much Blues
Ingressos – Os ingressos para o “Projeto Blues Verão” custam R$ 20 e podem ser adquiridos no site do Sympla (https://bit.ly/36m0SWD) ou nos dias dos eventos no Barracão de Antiguidades (rua Canela de Ema, 20, Casa Branca, Brumadinho/MG). Informações pelos telefones: (31) 99952-2045 e 98851-8153.
Local: Barracão de Antiguidades (rua Canela de Ema, 20, Casa Branca, Brumadinho/MG). Acesso pelo Parque da Serra do Rola Moça no Jardim Canadá.
*O melhor acesso ao local é feito pelo Parque da Serra do Rola Moça (Jardim Canadá). 

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Sweet Tea – 2001 – Buddy Guy


Quando Sweet Tea foi lançado Buddy Guy era o "príncipe" do blues. O rei, claro, o velho BB. Sempre mais popular e mais rico. Isso ninguém duvida. 
A diferença é que a partir dos anos 90 Guy passou a lançar um disco atrás do outro, uns geniais, outros menos, mas todos bons discos. Ao passo que King já havia atingido o auge na carreira e passado a lançar albuns repetitivos e não tão legais. Mas BB sempre será eterno.
Então, Sweet Tea, lançado pela gravadora Silvertone, veio no rastro desses trabalhos, mas é completamente diferente. E o que ficou constatado ao ouvi-lo, é que Buddy Guy não passa de um enganador. Explico.
Em Done Got Old, a primeira faixa do álbum, Guy canta que está ficando velho e que não faz mais as coisas que costumava fazer, isso leva o ouvinte a pensar que a coisa vai continuar calma porque o tema é mesmo um blues de raiz e, levando em consideração a quantidade de discos gravados antes de Sweet Tea, talvez ele quisesse um pouco de sossego. 
Mas é aí que está a enganação. A segunda música, Baby Please Don’t Leave Me, é um petardo de 7m30 com Guy cantando e mandando ver na guitarra, ancorado pela ótima banda de apoio, todos músicos feras de estúdio – Spam (Tommy Lee Miles, na bateria), Davey Faragher (baixista, colaborador frequente de John Hiatt), Jimbo Mathus (guitarra base) e os convidados Bobby Whitlock (piano, co-fundador dos Derek & The Dominos), Sam Carr (baterista lendário que tocou com Paul Butterfield), Pete Thomas (bateria), Craig Kampf (percussão).
Seguindo em frente, perdemos toda a confiança no ídolo, fomos mesmo enganados. É claro que ele está envelhecendo e ná época Guy havia completado 65 anos, mas continuava fazendo as coisas que costumava fazer, só que melhor. Pelo menos cantar e tocar guitarra em Look What All You Got parece não ter sido tão difícil. 
A partir dali, não existe mais calmaria, só tempestade em solos de guitarra sobre uma base crua, repetitiva, mas segura que remete aos inferninhos dos cafundós do Mississippi. Remete também a Muddy Waters e, principalmente, RL Burnside. Tanto no instrumental como nas letras que falam de amor, aliás no disco inteiro só se falha em mulher. 
Stay All Night combina perfeitamente aquele riffão pesadão, uma batida seca e voz de Guy com efeito seguida por Tramp, uma boa regravação de Lowell Fulson, outro medalhão do blues. She’s Got Devil in Her vem com o timbre conhecido de Guy com ele solando logo de saída e I Got You Try You Girl tem incríveis 12m09 sustentando uma batida hipnótica em uma viagem ácida ao fundo do blues. Podemos chamar Who’s Been Foolin’ You de um boogie que alegra a alma antes da reflexiva que é It’s a Jungle Out There, do próprio Guy.
No final da audição, enganados mas felizes, constatamos que o velhinho cometeu uma obra prima daquelas. 

Músicas: 
1 - Done Got Old
2 – Baby Please Don’t Leave Me
3 – Look All What You Got
4 – Stay All Night
5 – Tramp
6 – She’s Got The Devil In Her
7 – I Got a Try You Girl
8 – Who’s Been Foolin’ You
9 – It’s A Jungle Out There

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Relógio, chocolate e canivete. Marc Perrenoud, Marco Mueller e Cyril Regamey. Os dois trios mais famosos da Suíça

Marc Perrenoud Trio

Texto: Eugênio Martins Jr
Fotos: Divulgação

Conhecida por sediar um dos festivais mais importantes do mundo, o Montreux Jazz Festival, a Suíça possui uma nova e prolífica cena jazzística, da qual faz parte o pianista Marc Perrenoud. 
Ele começou na música clássica, mas logo bandeou-se ao jazz por causa do improviso e desde que começou a gravar foi considerado uma revelação no mundo do jazz. 
Seu trio trabalha com a precisão de um relógio, composto por Marco Müeller (baixo) e Cyril Regamey (bateria), está junto há 12 anos, contabilizando mais de 300 shows e sendo considerado um dos grandes trios de jazz acústicos da cena atual. 
Gravaram grandes discos, Logo (2008), Two Lost Churches (2012), o excepcional Vesty Lamento (2013) e Nature Boy (2016). Marc Perrenoud Trio tem um repertório com mais recurso do que um canivete: suas influências vão desde o trompetista norte-americano Chet Baker e o pianista canadense Oscar Peterson, passam pelo pianista e compositor russo Igor Stravinsky e o francês Maurice Ravel, e chegam até a banda inglesa de trip hop Massive Attack.
Ainda em carreira solo, Perrenoud avança no repertório erudito (Hamra de 2016 é bem isso), e nas parcerias, seu mais recente trabalho, Aksham (2019) traz a bela voz de Elina Duni.
Atualmente o grupo prepara o lançamento de seu quinto álbum, cujos temas foram apresentados em primeira mão na segunda edição do Sesc Jazz, que incluiu Santos no calendário, e onde essa entrevista foi realizada. 
Não dá pra não mencionar, Marc Perrenoud rasgou elogios às equipes que o atenderam em suas passagens pelo brasa. Para quem está acostumado a tocar no mundo todo não é pouca coisa.  
Outra coisa que não dá pra não mencionar, a Suíça também é conhecida pelo chocolate, mas isso eu não consegui enfiar na matéria.


Eugênio Martins Júnior – Seus pais eram dedicados à música clássica. Quando e como o jazz entrou na tua vida? Li que isso foi uma pequena revolução pra você. Poderia explicar isso? 
Marc Perrenoud – Sim, meus pais eram músicos profissionais. Cresci em Berlim, na Alemanha, e meus pais tocavam em orquestras lá. Então estava cercado por música clássica e músicos o tempo todo. E comecei a aprender piano, mas gostei da improvisação desde o começo e é por isso que eu digo que foi a minha pequena revolução. 

EM – E o clássico não permite improvisação.
MP – Não. Adoro música clássica, que tem uma abordagem diferente, mas adoro improvisar.

EM – Você lembra quais foram os primeiros artistas de jazz que ouviu?
MP – Comecei no jazz aos 14 ou 15 anos ouvindo Fats Waller e Oscar Peterson, mas ao mesmo tempo descobri o rock e outros estilos musicais. Até então só ouvia música clássica... e Beatles. (risos)

EM – Em 2016 você gravou seu primeiro disco solo após ter gravado alguns com o trio. Gostaria que contasse a história desse trabalho. Poderíamos dizer que misturou Bach com Monk?
MP – É uma mistura de muitas coisas. Além da música clássica, coloquei coisas pelas quais estava sob muita influência. Influências árabes, estava morando no Líbano naquela época. Fazendo muitos concertos solo. Iria gravar um disco com o trio que foi cancelado e acabei gravando o solo. Foi um projeto legal porque foi sem pressão, ninguém esperava um CD solo. Em 2016 gravei o CD solo e um com o trio. Todos diferentes entre si.


EM – Estamos em 2019. Como lidar com todas as influências que o jazz produziu nesses cem anos de história e ainda olhar para o futuro? 
MP – Pra mim a música não é a vida. É parte dela. Não sou particularmente influenciado pela música. Claro que ela tem sua parte, mas minha maior inspiração é o que vejo à minha volta. Os diferentes lugares, as pessoas que conheço, descobrindo coisas novas, ouvindo e falando sobre política, a partir disso criar as músicas. Há algumas influências de outros compositores, clássicos, do jazz, não posso dizer o quê, ou de onde vem. Talvez Ravel, Oscar Peterson, a viagem ao Brasil ou a África. Não sei. Pra mim é importante estar aberto para a vida. Um bom exemplo é a viagem entre São Paulo e Santos que é muito bonita, através da floresta. Isso me inspirou.   

EM – Li que você começa a compor de manhã e durante esse processo revisita teus sentimentos e até o teu ego. Parece que o teu processo de trabalho vem mais do bom e velho trabalho duro do que da inspiração divina. Gostaria que falasse sobre esse processo.
MP – Sim. Não entendo muito bem como isso acontece. Mas é como se fosse um garimpo atrás de ouro. Tento achar elementos que se encaixam. É sempre assim. Nunca tive inspiração divina. (risos)

EM – Ao longo dos últimos anos muitos grupos de jazz vem usando uma parafernália eletrônica nas apresentações, mas mais recentemente apareceu um movimento em direção ao jazz acústico com trios aparecendo cada vez mais. Inclusive esse festival que está recebendo Avishai Cohen, Amaro Freitas e vocês. O que tem a falar sobre isso?
MP – É verdade. Para nós no trio que estamos juntos a 12 anos nunca usamos eletrônicos. Mesmo fazendo muitas coisas tentamos manter assim. Trata-se da forma mais simples e natural de fazer música. Esse é o nosso conceito. 

EM - Você já tocou no Rio, São Paulo e agora volta para esse festival. Como tem sido sua experiência por aqui?
MP – Maravilhosa. Dessa vez tocaremos em dois Sescs, ontem tocamos em São Paulo e hoje estamos em Santos. Os instrumentos são perfeitos, o time muito profissional. Como eu te disse antes, gostaria que tivéssemos isso na Europa e na Suíça às vezes. São muito precisos com a luz o som. E adoro viajar, ir de uma cidade para outra é maravilhoso, podemos conhecer o país. Espero poder fazer mais vezes no Brasil.


EM – Você teve contato com a música popular brasileira ou o nosso jazz, o samba jazz?
MP – Sim, claro. O jazz é um estilo universal. Quando você tem uma música popular que pode improvisar, isso é jazz. Vocês chamam de jazz brasileiro. Mas nos outros lugares podemos chamar de jazz asíatico ou jazz do Oriente Médio.

EM – Sim. O que eu quis dizer, mas não expliquei, é que o Brasil é um páis com dimensões continentais e com muitos ritmos musicais e o brasileiro mistura todos eles, inclusive improvisando em cima. Samba jazz é um nome que usamos pro samba instrumental.
MP – É muito bom ver isso. Na Suiça existem muitas universidades e escolas onde muitos artistas são formados. 

EM – Você pode recomendar alguns?
MP – Sim, claro. Schnellertolermeyer, que é uma espécie de banda de jazz progressivo. As cantoras Elina Duni e Susanne Abbuehl. O pianista Nick Bertschy. Há muitos outros.

EM – Já que você fala sobre política. Você acompanha a escalada da extrema direita na política brasileira?  
MP – Sempre tenho o cuidado de falar sobre o que não conheço. Sou casado com uma siria, nos conhecemos na guerra, por isso conheço a situação do país. Sobre o Brasil, conheço pela mídia. Claro que sei sobre Bolsonaro, as coisas ruins que falam dele. Provavelmente, as verdadeiras e as falsas. Preciso conversar com mais brasileiros para entender qual é a situação. O que sei é que a música e as artes em geral estão em evidência, mas na maioria dos casos é por causa das políticas populistas. Na Suiça também temos partidos populistas que querem cortar o dinheiro para a cultura. Mas digo mais uma vez, é difícil dar uma opinião sem conversar mais com as pessoas no Brasil. Mas é estranho. Onde eu vivo há uma comunidade brasileira e conheço muitos jovens que votaram em Bolsonaro. Pessoas muito jovens. E fico pensando, o que levou esses jovens a votar nele.  

EM – Eu também não sei.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

A Blues Party

Pick up the guitar and play the blues
When the fellas joined it's to break the rules

One bottle of bourbon, one bottle of gin
Plug the amps and bring the beer

Play slow in the jukejoint
Yeah harmonica you get my point

Listen Buddy Guy and Burnside
Call it Muddy Waters blues don't die

The sun is hot as a barbecue
The sound is crazy we call it blues

Call my baby and the neighborhood
And tell everyone don't forget the food

The night is coming and people don't stop
Drums like thunder the party is hot

The music is high so even my mind
Two drunk man start a fight

A knife shines, a bottle neck cuts
A workman lies in his own blood

The party is over when police arrive
It was the end of a real blues night