sexta-feira, 14 de maio de 2021

Just Like You - 1996 - Keb Mo'


Trata-se de um dos grandes discos do blues moderno, no qual Keb Mo’ esbanja todos os ritmos que conseguiu juntar ao longo da estrada, de sua participação em uma banda de calipso no começo da carreira, ao blues tradicional do sul e elétrico do norte.
That’s Not Love começa calma, como uma manhã ensolarada de  domingo, harmônica e baixo marcantes, mas fala de desamor. Ou, pelo menos, de um relacionamento que não está mais legal para ambas as partes e ensina que quando isso acontece está na hora de partir.
Perpetual Blues Machine é um blues tradicional com voz, violão e harmônica, contrastando com o tema seguinte, More Than One Way Home, um verdadeiro épico.
Kevin Moore nasceu e cresceu em Los Angeles, em Compton o território das gangues. Seus pais eram migrantes do sul e por isso Mo’ teve muito contato com a música gospel que ouviam.
Aos 21 anos ganhou a estrada com a banda de Papa John Creach com quem gravou três álbuns, mas as cenas de infância nunca saíram de sua mente. Ao seu tempo, Keb Mo’ tornou-se um dos grandes compositores, cantores e instrumentistas do blues e toda essa descrição está em More Than One Way Home.
I’m On Your Side traz a batida seca da bateria de Laval Belle ponteada pelo teclado de Tommy Eyre que também acompanha o solo de Mo’, quando este sola contido, mas eficiente. Um bluesão gooxtoso de se ouvir.
Vem finalmente Just Like You, uma das canções mais lindas compostas por Keb Mo’ e que justifica a escolha do nome do álbum e o prêmio Grammy que ganhou como melhor disco de blues contemporâneo. É de arrepiar as participações de Bonnie Raitt e Jackson Browne nos vocais. Impressiona como esses artistas nos fazem crer que se trata de um encontro verdadeiro de dois amigos que viviam separados pelo tempo. 
You Can Love Yourself começa com o dedilhado em um volão de cordas de aço e é mais um blues tradicional auto-ajuda. Lembre-se, quando estiver para baixo, se ame. Bonitinho.
O slowzão Dangerous Mood vem completo com órgão, piano, solo de guitarra, e Mo’ mostrando que sabe falar sério com uma mulher. 
The Action é mais tema de domingo ensolarado, música de amor gostosa, leve como os backing vocals de Jackie Farris e Jean McClain.  
Mais violão e palmas em Hand It Over, um gospel que também manda um recado: tá fodido? Ajoelha e reza. Também com os vocais cheios de alma de Farris e McClain.
Soul rock em Standin’ At The Station, com a harmônica amplificada de Larry David e o aço do bottleneck sobre o aço das cordas do violão de Mo’ rasgando o couro. Pra ouvir alto.
Mais slide em Momma, Where’s My Daddy, também um blues tradicional, onde a ausência paterna é apresentada pela segunda vez nesse trabalho. A primeira foi em More Than One Way Home.
O caboclo Robert Johnson baixa em Keb Mo’ em Last Fair Deal Gone Down, mas de roupa moderna. O “cavalo” apresenta sua versão para esse tema clássico de um dos grandes ícone do blues. Volta e meia o caboclo Johnson reaparece indicando os caminhos da encruzilhada para que seus pupilos nuca se percam. Com John Porter (também produtos do disco) no dobro, Darrel Leonard no trompete, Jim Price no trombone e Jim Gordon na clarineta e Tommy Eyre assumindo a guitarra de onze cordas.
Lullaby Baby Blues é o que o nome diz, uma canção de ninar acústica com a voz de veludo de Mo’ nos embalando após ter ouvido um disco que passou a ser o marco divisório em sua carreira. Se hoje Kevin Moore é um monstro do blues, é graças a esse trabalho.  




Músicas

1 - That’s Not Love
2 -  Perpetual Blues Machine
3 -  More Than One Way Home
4 - I’m On Your Side
5 - Just Like You
6 - You Can Love Yourself
7 - Dangerous Mood
8 - The Action
9 - Hand It Over
10 - Standin’ At The Station
11 - Momma, Where’s My Daddy
12 - Last Fair Deal Gone Down
13 - Lullaby Baby Blues

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Morre aos 88 anos Bob Koester, criador da Delmak Records

 

Bob Koester - foto Tony Armour

Morreu hoje aos 88 anos Bob Koester, um dos grandes entusiastas pelo blues e o jazz de Chicago. Koester foi o fundador da loja de discos Jazz Record Mart e de um dos selos mais importantes do blues, Delmark Records.
Além de uma das lojas mais abastecidas da cidade, a Jazz Record Mart foi por décadas ponto de encontro de vários artistas e muitas carreiras iniciaram ali, pois havia um mural onde contratantes e artistas colavam seus recados e acertavam gravações e shows.
Em entrevista ao Chicago Sun Times o fundador da Alligator Records, Bluce Iglauer, declarou que Koester foi "o padrinho espiritual” de toda uma geração de empreendedores e que  colocou a música à frente do dinheiro.
“Bob merece o crédito pela popularidade do blues na América hoje, muito mais crédito do que ele jamais recebeu”, disse Iglauer. Completando que, sem ele, a Alligator não teria existido e tmbém a Living Blues Magazine porque foi o grupo que frequentava a Record Mart que começou a publicação. E provavelmente a Flying Fish - outra gravadora de Chicago - não teria acontecido porque seu fundador, Bruce Kaplan também fazia parte desse pessoal. 
Koester dirigiu a Jazz Record Mart por décadas em vários locais do centro de Chicago, chamando-a de "A Maior Loja Especializada de Jazz e Blues do Mundo". Ele disse que o aluguel alto contribuiu para sua decisão de fechar o estabelecimento em 2016, quando a loja ficava em 29 W. Illinois St.
No mesmo ano, ele abriu Bob’s Blues & Jazz Mart que hospedou concertos ao vivo e uma celebração de seu 87º aniversário no ano passado.
Após sofrer um derrame em 2018 e após 65 anos à frente do Delmark Records, Koester vendeu o selo para o casal Julia Miller e Elbio Barilari que prometem dar continuidade ao trabalho do fundador.
Exclusivo para o Mannish Blog Julia escreveu: “Bob Koester  era um defensor dedicado do blues e jazz. Ele ajudou a manter os gêneros vivos e a tornar as gravações acessíveis. Os artistas de blues de Delmark há muito são a base da cena de blues de Chicago e continuarão levar o blues de Chicago para o mundo! A Delmark disponibilizou quase todo o seu catálogo digitalmente - quase 12.000 canções - e continuará a gravar e lançar blues, jazz e música criativa improvisada nos próximos anos”.

Bob Koester ladeado por Julia Miller e Elbio Barilari 

 Delmark Records – é um dos selos de blues e jazz mais antigos dos Estados Unidos, inicialmente por Bob Koester em 1953 em St Louis sob o nome Delmar. Só recebeu o nome Delmark quando Bob levou seu selo definitivamente pra Chicago.Ao longo de sua história, Delmark Records gravou artistas importantes do jazz, Sun Ra, Sonny Stitt, Wynton Kelly, Curtis Fuller, Roscoe Mitchell e muitos outros. Grandes nomes do blues também passaram pela Delmark, entre eles, Junior Wells, Little Walter, T-bone Walker, Big Joe Williams, JB Hutto, Robert  Nighthawk, Luther Allison, Magic Sam, Jimmy Dawkins,  Sleepy John Estes, Arthur Crudup, Otis Rush, Roosevelt  Sykes, Carey & Lurrie Bell, Eddie C. Campbell, Big Time Sarah, Eddie Clearwater. Atualmente abriga Dave Specter, Steve Freund, Linsey Alexander, Tail Dragger, Studebaker John, Billy Flynn and Jimmy Burns. E todos os sábados o guitarrista Jimmy Johnson se apresenta online para deleite dos internaltas. Johnson é uma das lendas vivas do blues ainda na ativa aos 92 anos.

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Clube do Blues de Santos convida as minas com atitude para quatro shows em 2021

 Bidu Sous e as santitas Carla Mariani e Xandra Joplin apresentam talento e paixão no Clube do Blues de Santos. Em 2021 o evento já faz parte do calendário oficial da cidade de Santos. A produção é da Mannish Boy Produções e da Secretaria de Cultura de Santos

Bidu Sous

O cast - Esse ano as mulheres tomam conta do Clube do Blues, as santistas Carla Mariani e Xandra Joplin sobem ao palco com toda a graça, talento e feeling. Já do Vale do Paraíba, vem a revelação do bues nacional, a cantora Bidu Sous. 

Os cuidados Devido a pandemia não foi possível apresentar o Clube do Blues em abril, seu mês tradicional,. Como os altos índices de infecção de Covid-19 persistiram no país, abrigaremos as bandas no estúdio como fizemos no ano passado, respeitando todos as orientações de segurança e transmitiremos os shows nas plataformas online do evento. Em 2020 apresentamos Mauro Hector Trio, Medusa Trio e Willie de Oliveira e Banda Dog Joe. 

Bidu Sous - A cantora Bidu Sous, considerada uma revelação do Blues, cresceu ouvindo moda de viola e mais tarde se encantou pela música negra americana e se entregou à melodia chorosa e profunda do velho estilo do Mississippi. Bidu Sous já dividiu o palco com artistas internacionalmente reconhecidos, entre eles os guitarristas Nuno Mindelis, Lancaster Ferreira, o gaitista Robson Fernandes e o pianista Adriano Grineberg. Atualmente se apresenta com a Bidu Sous Band, que faz uma releitura de clássicos do blues, evidenciando os nomes de BB King, Koko Taylor, Etta James, Howlin Wolf e Junior Wells, entre outros, com muita autenticidade nas suas apresentações. Sua banda é formada por músicos do Vale do Paraíba traz influências das mais diversas vozes e timbres do blues, soul e R&B, são eles: Lucas Espildora (guitarra), Raoni Brascher (baixo), André Georges (bateria) e Bidu Sous (voz).  Já apresentou seu talento em diversas unidades do SESC, na emissora TV Cultura, Festivais de Blues pelo Brasil, como Blues Christmas, em Poços de Caldas (MG), Tales From The Blues, em Tremenbé (SP), Festival de Inverno, em Guararema e alguns outros.

Xandra Joplin

Xandra Joplin - iniciou sua carreira musical no começo dos anos 90. Apaixonada pelos blues, folks e o rock and roll de Robert Johnson, Bessie Smith, Otis Redding, Led Zeppelin e, claro, Janis Joplin. Formou sua 1ª primeira banda, a The Wiser, junto com seu padrasto e guitarrista Amaury Sobreira com composições próprias. No final dos ano 90 iniciou sua banda cover de Janis Joplin e participou da gravação do álbum Chronophagia da lendária banda Patrulha do Espaço.
Em julho de 2005 participou do programa Caldeirão do Huck da Rede Globo em homenagem ao dia do rock. Foi eleita a melhor cover do Brasil. Em 2005 e 2006 participou do programa Covernation da MTV. Em outubro de 2007, Xandra se apresentou no Programa do Jô em uma entrevista muito irreverente. Em 2010 gravou Trust Me, música que entreu na trilha sonora da novela Tempos Modernos da Rede Globo. Na edição de 2021 do Clube do Blues de Santos, Xandra recebe o apoio da banda de blues santista Dog Joe apresentando um repertório predominantemente de blues.

Carla Mariani Quartet

Carla Mariani - Segundo lugar no Prêmio Profissionais da Música 2019 na categoria Blues, ficando à frente de grandes nomes do estilo no Brasil, a cantora tem subido degraus a cada dia. Isso é visível em suas composições, que estão cada vez mais bem elaboradas e com a verdade que o Blues precisa. Carla sempre foi acompanhada de excelentes músicos, mas em 2018, a cantora tomou uma decisão: criar um quarteto com músicos especializados no blues. E assim surgiu o Carla Mariani Quartet, formado por ela, Yan Cambiucci (guitarra), Tanauan (baixo) e Heittor Jabbur (bateria). Em 2017 a artista lançou seu primeiro álbum, intitulado “Time”, com influências que vão do blues, jazz até o rock pop. No repertório, At Last, Sweet little Angel, Sweet Hazel Eyes e muitas outras. 

APOIOS: CAIS - Cerveja Artesanal, Digo Design e Jade Louback Criações 

O Clube do Blues de Santos será realizado com recursos de emendas parlamentares dos vereadores Lincoln Reis, Fabrício Cardoso e Telma de Souza, por meio da Secretaria de Cultura de Santos e Prefeitura de Santos

OS SHOWS SERÃO TRANSMITIDOS NOS DIAS 02, 03 E 04 DE JUNHO, SEMPRE ÀS 20H, NO CANAL DO YOUTUBE DA MANNISH BOY PRODUÇÕES E NAPÁGINA DO CLUBE DO BLUES DE SANTOS DO FACEBOOK

sexta-feira, 12 de março de 2021

A ideia que temos de nós

Em termos de ideia

Ideia nós temos

Só não fazemos ideia do quanto podemos


E vivemos nos matando

E vivemos nos matando

Nos despindo da alma e vestindo a miséria


Nas vielas da favela

Nas esquinas da quebrada

No pico da colina, no cimento da quadra


Seguimos nos matando

E seguimos nos matando

Não é o que queremos, mas é o que temos


Desde quando somos livres?

Desde quando estamos soltos?

Se o sistema é que manda, comandado por poucos


E é isso o que ele quer, 

uns contra os outros

E vivemos nos matando

E seguimos nos matando


São séculos subjugando

Nossa ideia do poder que temos

Nos fazendo acreditar 

Que escravos sempre seremos


E continuam nos matando

E continuam nos matando

E continuam nos matando

E continuam nos matando


sábado, 13 de fevereiro de 2021

Chick Corea, criador da Return To Forever e Elektric Band, morre de câncer raro aos 79

 


Me deparei com o nome Chick Corea na capa de In A Silent Way, álbum de Miles Davis lançado em 1969, mas que comprei aqui em Santos no começo dos anos 80. Foi meu primeiro Miles.
O nome Chick Corea estava ao lado de outros dois, Joe Zawinul e Herbie Hancock. Jovem e roqueiro, não entendi porque uma banda precisava de três tecladistas.
Só quando a agulha começou a ler os sulcos mágicos do vinil que eu comecei a entender a revolução que aquela música produzia. 
E ela já havia acontecido há, no mínimo, quinze anos. Eu é que estava chegando atrasado.
Mergulhei no mundo desses caras, os filhotes elétricos de Miles, Weather Report (Zawinul), VSOP (Hancock) e Mahavshnu Orchestra (do guitarrista John Mclaughlin). Curiosamente, não conheci o Return To Forever, mas a super banda nova de Chick Corea, cujos discos Elektric Band e Light Years haviam acabado de chegar ao Brasil. 
Com Dave Weckl (bateria), John Patitucci (baixo), Frank Gambale (guitarra) e Eric Marienthal (saxofone), a Elektric Band fazia um som despudoradamente moderno, com equipamentos altamente tecnológicos e uma abordagem jazzística que apontava para o futuro. Muitos chamaram de pop. Qual o problema?
Buscando e buscando, conheci a maravilha Now He Sings, Now He Sobs, segundo álbum de Corea, um trabalho irrepreensível do começo ao final. Com ele no piano Miroslav Vitous (baixo) e Roy Haynes (bateria) é um dos álbuns mais importantes gravados por um power trio de jazz. Sim, o termo power trio se aplica. 
Ontem fiquei sabendo da morte de Chick Corea. Ele teria morrido dia 09 de fevereiro, mas a família só divulgou sua morte por um câncer raro aos 79 anos dois dias depois.
O mundo da música perdeu mais um dos gigantes do jazz. Mas, como sempre, a obra fica. Vou ouvir hoje. 





segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O ano começa com CRIASOM, grande festival sobre economia criativa com conversas e muita música produzido pela Mannish Boy Produções Artísticas

Serão 18 conversas sobre os diversos campos da produção cultural, destinadas às pessoas que estão iniciando em áreas artísticas e executivas. E cinco shows, Blues Etílicos, Blues Beatles, Yuri Prado e Mardi Gras Brass Zookas, Igor Prado and Just Groove e Electric Miles

Blues Etílicos

Grandes nomes da produção cultural no Brasil discorrerão sobre suas atividades diárias, explicando os passos das produções que estão envolvidos;  quais projetos deram certo e quais deram errado; e o que os novos profissionais devem fazer para que um projeto saia do papel, além de contar suas histórias de vida e como chegaram ao patamar de excelência onde se encontram.
Cada bate papo terá entre uma hora e uma hora e meia de duração, com mediação do jornalista e produtor Eugênio Martins Júnior.
Tanto os shows quanto as palestras serão realizados online nas páginas da Mannish Boy Produções Artísticas e em páginas especialmente criada para o festival CRIASOM. Sempre às 20h

O CRIASOM é um projeto realizado pelo ProAC - Programa de Ação Cultural e Economia Criativa, Governo do Estado de São Paulo e da Lei Aldir Blanc, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal. Com produção executiva da Via Arte e co-produção de Digo Maransaldi

Introdução - O século 20 tem trazido inúmeros desafios para a classe artística e a explosão de novas linguagens de mídia, onde os artistas podem mostrar seu trabalho diretamente ao público, é uma estrada que está sendo percorrida há duas décadas.
No mundo da música, com o esfacelamento do velho formato das grandes gravadoras, os artistas tiveram de aprender a lidar com inúmeros formatos digitais, como MP3, Youtube, streaming (Spotfy, Deezer, etc), e mais recentemente com a pandemia do Covid-19, captação de imagem e som para as famosas lives, transmissões ao vivo com interação do público, sejam elas caseiras ou em estúdio.
Mas também há outros caminhos que o músico, ou mesmo os  interessados em trabalhar com música, podem percorrer. 
Essa cadeia não para de crescer e se renovar. Afinal de contas, criatividade não falta pra essa galera.
É só saber olhar. Há espaço e formato para todos. Além da criatividade, é só  coragem para fazer seu projeto andar.
O festival CRIASOM vai mostrar os vários lados dessa cadeia econômico/criativa da música.
Profissionais em várias áreas da música no Brasil vão falar sobre o início de suas carreiras e como chegaram ao patamar profissional em que se encontram. 
Serão abordados os seguintes temas: coletivos, formatação e gestão de projetos, curadoria, conceito artístico,  Leis de incentivo, produção executiva, produção artística, administração de espaços e empresas, contratação de artistas (nacionais e internacionais), gerenciamento de carreira (nacional e internacional), assessoria de imprensa, jornalismo cultural, gravação em estúdio e criação de festivais e se vale a pena abrir uma empresa.

Enfim, jovens e profissionais que queiram ingressar no mundo da música terão um um painel verdadeiro, uma visão global, desse campo que passa por crescimentos esporádicos, mas também sofre com as recorrentes crises econômicas do nosso país.

Segue a programação:

Terça-feira, 23 de fevereiro, às 20h - Herbert Lucas – Diretor artístico do Bourbon Street Music Club, um dos maiores produtores independentes do Brasil, à frente da Lucas Shows e Eventos e curador de vários festivais. Tema – Curadoria

Quarta-feira, 24 de fevereiro - Giovanni Papaleo – Produtor, músico e realizador dos festivais de Garanhuns, Gravatá e Oi Blues By Night. Também é baterista, fundador da Uptown Blues Band de Pernambuco. Tema – Conceito Artístico de um Festival

Quinta-feira, 25 de fevereiro - Stênio Mattos – Realizador do Rio das Ostras Jazz e Blues, o maior festival do gênero no país. Tema – Pré e pós produção. Os números de um grande festival como o Rio das Ostras Jazz e Blues

Sexta-feira, 26 de fevereiro – Show com Blues Etílicos

Segunda-feira, 01 de março - Jamir Lopes – Realizador do Santos Jazz Festival, Pós-Graduado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo; Pós-Graduado em Gestão Cultural – Itaú Cultural – MBA Gestão Pública (Unimonte). Tema – Captação de recursos via lei de incentivo

Terça-feira, 02 de março - Antonio Taveira – Especialista em gerenciamento de projetos e prestação de contas. Tema – Prestação de contas para Lei Rouanet e PROAC

Quarta-feira, 03 de março - Alexandra Linda – Mestra em Ciência da Informação, Bacharela em Regência. Tema - Processos educativos em Festivais Temáticos: dos estudantes de  música ao público

Quinta-feita, 04 de março - Nanne Bonny - Produtora cultural,  DJ e ativista. Criadora de projetos culturais e coletivos femininos. Tema – Coletivos, empoderamento, liberdade e arte

 Sexta-feira, 05 de março – Show com Yuri Prado e Mardi Gras Brass Zookas

Segunda-feira, 08 de março - Edgard Radesca – proprietário e diretor do Bourbon Street Music Club e um dos sócios da Casa Natura Musical. Tema – Gestão de um music club e seus derivados (spin offs), festivais, séries e turnês

Terça-feira, 09 de março – Cajaíba Jr - Atualmente é empresário artístico e produtor executivo de vários artistas. Tema - Gestão de carreira e produção executiva

Quarta-feira, 10 de março - Igor Prado – Músico (guitarrista) - À frente da Igor Prado Blues Band ganhou notoriedade e prêmios internacionais. Tema - Gerenciamento de carreira

Quinta-feira, 11 de março - Flávio Guimarães – Músico (gaitista) – Um dos grandes gaitistas em todo o mundo. Guimarães está à frente da banda Blues Etílicos há mais de 25 anos. Tema – Gerenciamento de carreira

Sexta-feira, 12 de março - Show com Igor Prado e Just Groove

Segunda- Feira, 15 de março - Lucas Krempel – Jornalista e editor do Blog n’Roll – Trabalha no jornal A Tribuna de Santos onde edita o caderno Galeria. Tema - Jornalismo cultural regional

Terça-feira, 16 de março - 4 - Carlos Calado – Jornalista e crítico musical – Trabalhou na Folha de S.Paulo por duas décadas. Tema - Jornalismo cultural

Quarta-feira, 17 de março - Maria Inês Costa – A frente da Maic Comunicações, é assessora de imprensa dos festivais, Bourbon Fest, BB Seguros e outros. Tema - Assessoria de imprensa em festivais e campanhas específicas

Quinta-feira, 18 de março - Flávio Naves – Músico (tecladista) – à frente da banda Blues Beatles tem trabalhado mais em outros países do que no Brasil. Tema - Gerenciamento de carreira e agenda internacional

Sexta-feira, 19 de março – Show com Blues Beatles

Terça-feira, 23 de março - Luiz Miguel Perez Oyarzún – especializado em edição de som, mixagem, gravação, técnico de estúdio – Atualmente integra a equipe de áudio do Sesc Santos. Tema – Viabilizando uma live com qualidade de som e imagem

Quarta-feira, 24 de março - Michel Pereira – Músico e produtor – Técnico de palco do Santos Jazz Festival, Festival do Café, Virada Cultural. Tema – Gerenciamento de palco em grandes shows e festivais

Quinta-feira, 25 de março - Alexandre Fontanetti – Produtor artístico vencedor do Grammy Latino e proprietário do estúdio Space Blues. Tema - Do vinil ao streaming – técnicas de estúdio

Sexta-feira, 26 de março – Encerramento – Show com Electric Miles

As bandas

Blues Etílicos - é a marca mais forte do blues nacional e a banda há mais tempo em atividade nesse segmento. Desde meados dos anos 80, a banda vem produzindo uma extensa obra autoral, além de gravar homenagens às suas principais influências, tendo lançado doze CDs e um DVD. Se o blues hoje no Brasil é um mercado consolidado com inúmeros festivais no país, muito se deve ao trabalho contínuo e consistente da banda, que é a maior responsável pela criação e manutenção de uma verdadeira legião de fãs desse estilo musical. Ainda assim, pode-se dizer que a música do Blues Etílicos não se limita a nenhum rótulo específico. A densidade do blues, a energia do rock e o balanço da música brasileira são os três elementos básicos que regem seu som. É música para ouvir, dançar e festejar.

Blues Beatles - Os Beatles como você nunca ouviu. A banda Blues Beatles é o encontro da sonoridade vocal do quarteto de Liverpool com o rítmo contagiante do blues. Músicas como Help, Ticket to Ride, Yesterday, We Can Work It Out, Come Together e outras receberam novos arranjos, onde alguns elementos marcantes são preservados e outros modificados para que o universo do blues entre em ação. O resultado é um show inovador onde as melodias familiares dos Beatles se misturam com solos de guitarra, Hammond, piano e saxofone que, seguindo a tradição do blues, são sempre improvisados. A Banda se apresenta com frequencia nas pricipais casas de show do país como Bourbon Street (São Paulo), Bolshoi Pub (Goiânia) entre outras, assim como nos principais fetivais de Blues. Banda: Marcos Viana (voz), Flávio Naves (Hammond B3 e piano), Bruno Falcão (baixo e voz), Lancaster (guitarra), Denilson Martins (sax e vocal), Fred Barley (bateria e voz).

Igor Prado e Just Groove - Há 17 anos na estrada, o guitarrista e produtor musical paulistano Igor Prado (único sul-americano indicado ao Blues Music Awards o Oscar do Blues americano) ao lado da banda Just Groove, mescla blues, soul, funk e música brasileira. No repertório, versões de peso-pesados da black music de Isley Brothers, The Meters e até mesmo Tim Maia, mesclado com material autoral que fará parte do próximo álbum do guitarrista que será lançado no Brasil e nos EUA. Além de Igor Prado na guitarra e voz, o show conta com Herbert (teclado), Junior Isidoro (bateria), Douglas Couto (baixo) e Rodolfo Crepaldi (guitarra). 

Yuri Prado e Mardigras Brass Zookas - “Nas minhas passagens por New Orleans comecei a perceber que o acento dos rítmos de rua de lá lebravam a nossa música nordestina, pra mim foi uma revelação”. Yuri Prado é baterista com mais de 20 anos de carreira e sempre teve o pionerismo acompanhando os seus trabalhos. Esse novo projeto não é diferente. Através do grande Know-How que adquiriu fora do país, durante anos de vivência com grandes músicos internacionais, participando dos grandes festivais dentro e, principalmente, fora do Brasil, inclusive atingindo a inédita marca de ser o primeiro artista sul americano a ser indicado ao Blues Music Awards (”Grammy do Blues nos USA”), deciciu juntar o sotaque musical gringo com a música brasileira e seu sangue latino, lançando o primeiro disco solo entitulado: “Jamboada”. O nome Jamboada foi criado da junção dos nomes dos pratos Jambalaya, um dos pratos mais tradicionais de New Orleans, com a nossa Feijoada. Ambos foram criados quase da mesma forma: classes mais pobres, para aproveitar as sobras, juntavam tudo num panelão, caprichavam nos temperos e acabaram, por pura necessidade, criando dois dos pratos mais famosos do mundo até os dias de hoje.

Electric Miles - Trata-se de um tributo a um dos maiores músicos de jazz de todos os tempos, cuja obra foi muito influenciada pelo blues do sul dos Estados Unidos, Miles Davis. Miles nasceu e cresceu em Saint Louis, tendo acompanhado toda a movimentação musical de sua época. Por sua vez, viajou para New York e juntou-se com a nata do jazz do século 20 e fez história. Na verdade, com seus famosos quintetos, ele próprio foi responsável por escrevê-la. Esse “tributo” dedica-se à fase elétrica de sua trajetória, a partir do final dos anos 60 até sua morte, em 1991. E também aos desdobramentos dela, com temas de Weather Report, Mahavishnu Orquestra e Return To Forever. O grupo é formado por feras do jazz de São Paulo escolhidos por causa de suas características musicais, são eles: Stefano Moliner (baixo), Felipe Aires (trompete), Thomaz Souza (saxofone), Saulo Martins (piano) e Ivan Lopes (bateria).

sábado, 26 de setembro de 2020

Great Guitars – 1997 – Joe Louis Walker


Quatro anos separam Great Guitars do grande álbum Blues Summit de BB King.
E por que estou citando o trabalho de BB pra falar desse de Joe Louis? Porque ambos partem da mesma premissa, reunir feras do blues num único volume em parcerias incendiárias.
E Great Guitars traz o que há de melhor da guitarra blues na época em que foi gravado: Bonnie Raitt, Litttle Charlie Baty, Clarence “Gatemouth” Brown, Steve Crooper, Buddy Guy, Robert Lockwood jr, Taj Mahal, Scooty Moore, Matt “Guitar” Murphy, Otis Rush e Ike Turner. Está bom pra você?
O prórpio Louis havia participado do disco de BB na faixa Everybody's Had The Blues
Talvez daí veio a ideia de gravar esse grande álbum que traz Low Down Dirty Blues abrindo com um dueto com a sempre magnífica Bonnie Raitt cantando e solando. Trata-se de um balanço irresistível que muda de andamento dois pares de vezes, com um Hammond B3 goxxtoso e slide pra todos os lados.
A banda que acompanha Joe Louis nesse disco, The Bosstalkers, faz bonito com Mike Eppley (órgão, piano e voz de apoio), Tom Rose (guitarra e voz de apoio), Joe Thomas (baixo, guitarra e voz de apoio) e Curtis Nutall (bateria).
First Degree é de uma base nervosa que resgata Ike Turner que andava meio por baixo depois que sua ex, aquela “cantorazinha”, Anna Mae Bullock, denunciou o malandro por agressão e outros assédios. Vamos combinar Ike, você toca e canta pra caralho, mas foi muito cuzão por não respeitar sua parceira que acabou virando uma estrela com o próprio talento. 
Todo o brilho dos The Johnny Nocturne Horns aparece em Mile-High Club e toda a elegância dos solos de Scooty Moore, Litttle Charlie Baty, Steve Crooper e Clarence “Gatemouth” Brown também. Solos e mais solos se apresentam. Mas, se liga, solos com notas soltas, elegantes, cheios de feeling, como só os coroas blueseiros sabem fazer.
Fix Our Love é um slow muito do dor de corno. Joe Louis pede pra mulher não ir embora. E que se ela fizer isso ele vai sofrer até morrer. E que se ela estiver insatisfeita, antes de ir embora, diz isso pra ele qua vai fazer de tudo pra consertar aquele amor. Perdeu mermão. Sem dor de amor não existe o blues. E de dor Otis Rush entende. Ele estiiiiiiiiiica as notas como ninguém. O Hammond também faz a sua parte nos colocando na posição de implorar por aquela mulher. O que sempre fazemos.
Every Girl I See é um tema que foi gravado por Buddy Guy algumas vezes. É um clássico do velho Buddy. Essa versão que começa com uma batida tribal e licks de guitarra, culminando com a voz de ambos cheias de expressão, dois timbres e estilos maravilhosos e distintos. Que versão foda. Buddy Guy, que colhia as glórias de Damn Right e Feels Like Rain, faz um daqueles solos cheios de notas que estava acostumado. O ponto alto do disco. Claro, na minha opinião de um mortal idiota.
O funkão Cold e Evil Night explode com os metais dos The Tower of Power Horns. Simplesmente... balançante. Blues com funk solado por Joe Louis usando um wah wah hipnótico e backings dos The Bosstalkers.
Hop on It é um shuffle, que ainda não havia apareceido em um disco de blues, o que mostra que blues não é só a velha batida de Chicago. Otis Grand e Joe Louis dominam esse tema instrumental cheios de slide e lap steel.
Nightime é um slow daqueles, com a aparição do velho Matt Guitar Murphy, mostrando como se joga as notas no ar para os nossos ouvidos pegar. 
Sugar é um tema moderno misturando blues e funk cujo  destaque vai para o baixo Joe Thomas, fazendo todas aquelas figuras com uma precisão impressionante. Como se fosse um relógio. Ou um motrônomo. Coisa linda de se ouvir.
Muitos blueseiros têm uma vida dupla, nas sextas e sábados nos botecos da vida e no domingo pagando a penitência na igreja. E Joe Louis correu um bom trecho fora do blues, investindo seu tempo e talento louvando Deus. Nesse Great Guitars ele convocaa a lenda Taj Mahal e sua National Steel para a pregação In God’s Hands. Um tema maravilhoso que nos eleva, mesmo sendo um adeu desgraçado como eu. Acredito na música.
Fechando essa viagem, Joe Louis chamou Robert Lockwood Jr, um dos pilares do blues, na época com 82 anos – ele morreu com 91 anos em 2006 – para apresentar o blues tradicional High Blood Pressure. Wallace Coleman aparece na gaita reforçando a base e em um solo matador.  

Músicas:
1 - Everybody's Had The Blues
2 - First Degree
3 - Mile-High Club
4 - Fix Our Love
5 – Every Girl I See
6 – Cold Evil Night
7 – Hop On It
8 – Nightime
9 – Sugar
10 – In God’s Hands
11 – High Blood Pressure

Blues Summit – BB King - http://mannishblog.blogspot.com/2010/09/em-disco-de-1993-bb-king-promove.html

Entrevista Joe Louis Walker - https://mannishblog.blogspot.com/2017/09/o-blues-contemporaneo-de-joe-louis.html