terça-feira, 28 de maio de 2019

Começam os grandes festivais de jazz e blues espalhados pelo país. Rio das Ostras e BB Seguros são os primeiros

Tem blues para todos os gostos, Flávio Guimarães e Blues Groovers,  Big James & The Simi Brothers e os grandes Lucky Peterson e Roy Rogers tocam em Rio das Ostras. 
Jimmy Burns toca nos dias 09/06 em Belo Horizonte e  15/06 em Curitiba. E São Paulo recebe Robert Cray em 27/07 no BB Seguros 

Lucky Peterson

Junho chegou trazendo o frio e a temporada de festivais espalhados pelo país. BB Seguros e Rio das Ostras Jazz e Blues (ROJB) são dois deles, misturando atrações nacionais e internacionais.
Itinerante, o BB estará em Curitiba no dia 15 de junho e o Rio das Ostras Jazz e Blues acontece tradicionalmente no feriado de Corpus Christi, entre os dias 20 e 23 de junho.
Ambos são produzidos com leis de incentivos fiscais e terão entrada gratuita, provando que investir nesse tipo de evento ainda é um ótimo negócio para todos: o patrocinador dá visibilidade a sua marca; a cidade incrementa o turismo, gera renda e movimenta a economia local e, acima de tudo, difunde cultura no público de todas as idades e classes sociais.
Mas nos últimos anos os festivais de blues e jazz, têm perdido calorias em relação às atrações internacionais.
Entre os fatores que contribuíram para isso foi a Lei Rouanet ter virado vidraça de quem realmente rouba esse país, políticos e empresários burros e corruptos; em consequência disso, a queda de patrocínio de grandes empresas aos festivais desse tipo de música; a alta do dólar e, como era de se esperar, a incompetência do governo atual em fazer a economia deslanchar.
O ROJB tem lutado corajosamente e é um dos poucos que está conseguindo manter um line up misto com dignidade. O BB, o nome acusa, tem o suporte do Banco do Brasil Seguros, mas vai saber até quando.
No Blues, o BB Seguros recebe o guitarrista Jimmy Burns, músico nascido em Dublin, Mississippi, que fez o nome tocando o som tradicional de Chicago. O ROJB recebe Lucky Peterson, um dos grandes blueseiros vivos, tecladista, guitarrista e cantor personalíssimo e pesadíssimo. Um verdadeiro gênio da música. Pela terceira vez o festival recebe Roy Rogers e o Delta Blues e ainda Big James e Simi Brothers.
A quinta edição do BB Seguros recebe dia 15 de junho, no Parcão do MOM, o encontro de dois grandes guitarristas, Ségio Dias e Luiz Carlini, o baixista Thiago do Espírito Santo convida o trombonista Raul de Souza, o blueseiro André Christovam a Décadas Brass Band e O Bando (tocando Jimi Hendrix).
Enxuto, mas com os palcos completos, inclusive o da Praia de Tartaruga, Rio das Ostras recebe o grande gaitista brasileiro Flávio Guimarães acompanhado pelos Blues Groovers, nada menos do que a Otávio Rocha e Beto Werther (Blues Etílicos), a banda holandesa The Jig e os brasileiros do Bixiga 70.

Roy Rogers - Rio das Ostras 2007 (foto Cezar Fernandes)

Seguem as programações:

BB Seguros Curitiba:
11h - Décadas Brass Band
12h - Banda de Curitiba a ser divulgada
13h10 - O Bando com o blues de Jimi Hendrix
14h10 - André Christovam
15h15 - Thiago Espirito Santo recebe Raul de Souza
16h20 - Sérgio Dias convida Luiz Carlini
17h40 - Jimmy Burns
A 5ª. Edição do Festival BB Seguros este ano passará por oito capitais: 9/6 – Belo Horizonte, 15/6 – Curitiba, 27/7 – São Paulo, 3/8 – Brasília, 10/8 - Porto Alegre, 14/9 – Goiânia, 21/9 – Manaus, 19/10 – Recife


Rio das Ostras Jazz e Blues
Quinta-feira – 20 de junho
11h15 - Palco São Pedro – Novos Talentos  - The Mo’zart Jazz Band
14h15 – Iriry – Flávio Guimarães e Blues Groovers com part. Especial de Fernando Magalães
17h – Tartaruga – Serginho Trombone
20h – Costazul – Camerata Sesi ES, Chico Fraga Acordeon Trio, Big James & The Simi Brothers e Vox Sambou

Sexta-feira - 21 de junho
11h15 – São Pedro – Novos talentos – Gabriel Silva Blues
14h15 – Iriry – Roy Rogers
17h – Tartaruga – Big James e Simi Brothers
20h – Costazul – Orquestra de Sopros de Rio das Ostras, Romero Lubambo convida Dianne Reeves, Bob Franceschini  All Star Band, Bixiga 70 e Lucky Peterson

Sábado – 22 de junho
11h15 – Palco São Pedro – Novos Talentos – Sonja Blues Band
14h15 – Iriry – Vox Sambou
17h – Tartaruga - Bob Franceschini  All Star Band
20h – Costazul – The Mo’zar Jazz Band, Jonathan Ferr, Roy Rogers & Delta Blues, The Jig

Domingo – 23 de junho
11h15 – Palco São Pedro – Novos Talentos – Segundo Set Instrumental
14h15 – Iriry – Lucky Peterson
17h – Tartaruga – The Jig


Flávio Guimarães e Otávio Rocha - Búzios 2007 (foto Cezar Fernandes)

Atrações Rio das Ostras 2019

Romero Lubambo Convida Dianne Reeves Quarteto - A ideia do show é mostrar o desenvolvimento do trabalho que já completou mais de 20 anos com shows, gravações, viagens e diversas experiências musicais entre os artistas. Nesses últimos anos, Dianne ganhou cinco prêmios Grammy em CDs com participação do Romero, além de terem feito juntos centenas de shows em formatos variados como duo ou com orquestras sinfônicas.
Abrangendo vários estilos, Dianne se sente confortável cantando Blues, Swing, Pop Music, R&B e música brasileira. Romero também tem se destacado pela mesma versatilidade como guitarrista e violonista e sempre se apresenta com diferentes grupos, com apelos musicais muito diferentes, a começar pelo trabalho em duo com Cesar Camargo Mariano ou Leny Andrade, até os trabalhos com Mike Stern, Kenny Barron e Yo-Yo-Ma, provando que sua música é sempre muito eclética.
Nos shows que serão realizados no Brasil, Romero e Dianne vão apresentar uma gama de influências musicais que vão do mais pesado Blues, passando pelos ritmos e improvisações rápidos e agressivos, até a mais serena e sensível interpretação para os clássicos da Música Brasileira e do Jazz Americano. Com esse repertório, eles têm passado pelos melhores palcos de Jazz do mundo, incluindo o Carnegie Hall, sempre levando energia e muita inspiração para o público.

Romero Lubambo - Conceituado violonista, guitarrista, compositor e arranjador carioca que vive nos Estados Unidos desde os anos 1980. Com Dianne Reeves, ele tocou e fez arranjos em quatro dos cinco álbuns em que ela faturou o Grammy de melhor cantora de jazz. Levou para os EUA a nova sonoridade do violão de jazz brasileiro. Suas interpretações são uma simbiose da sua herança de ritmos e estilos brasileiros com a fluência na tradição do jazz norte-americano, criando assim um peculiar novo som. Romero se sente à vontade tanto nos ritmos do Brasil, quanto no hard bop ou em qualquer outro estilo jazzístico. Solista excepcional e mestre do improviso, gravou e apresentou-se com alguns dos maiores nomes da música contemporânea, como Michael Brecker, Diana Krall, Herbie Mann, Wynton Marsalis, Gal Costa, Kurt Elling, Kenny Barron, Luciana Souza, Ivan Lins, Grover Washington Jr., Flora Purim e Airto, Paquito D’Rivera, Gato Barbieri, Leny Andrade e Cesar Camargo Mariano.

Bob Franceschini All Star Band - Bob Franceschini (sax tenor); Rodney Holmes (bateria); Lincoln Goines (baixo); Ivo Senra (teclados). Participação Especial: Romero Lubambo (guitarra). O quinteto do saxofonista americano, Bob Franceschini, vai mostrar no festival a força do jazz contemporâneo. O jazz que rompe fronteiras, com forte influência do be-bop, do blues e do rock. Essa é uma das características do jazz de NY. Essa cidade, que é o berço do jazz no mundo. Na sua banda formada por estrelas internacionais nos seus instrumentos, há participações de dois músicos de destaque no cenário mundial: o baterista Rodney Holmes e o guitarrista Romero Lubambo. Um quinteto composto por vencedores de 9 Grammy’s.

Bob Franceschini - Saxofonista tenor, compositor e arranjador americano. Ele também toca clarinete e flautas étnicas. Músico com uma sonoridade marcante, e grande improvisador. Seu som tem forte influência do blues. Saxofonista extremamente versátil, é um dos grandes músicos da atualidade no seu instrumento. Seus solos tem uma linha melódica instigante e uma concepção avançada. Já participou de mais de 100 discos de artistas como: Mike Stern, Paul Simon, Ricky Martin, Celine Dion, Lionel Richie, Victor Wooten, Dennis Chambers entre outros.

Rodney Holmes - Vencedor de oito Grammy’s, baterista, compositor, produtor. Foi o baterista do aclamado CD e DVD Supernatural (Santana) que vendeu mais de 10 milhões de cópias. É um dos maiores bateristas da atualidade. Virtuoso e de uma técnica extraordinária, seus surpreendentes solos são aplaudidos de pé por plateias do mundo inteiro. Trabalha com alguns dos músicos mais talentosos e respeitados no mundo do Rock e Jazz, como: Santana, Steve Lukather, Michael Brecker, Randy Brecker, Wayne Shorter, Maceo Parker, entre outros.

The Jig (Holanda) - Banda de jazz-funk instrumental de Amsterdã. Com o seu novo álbum Aargh!, o grupo THE JIG estabelece a sua reputação como uma banda original, quente e com um jazz-funk próprio. THE JIG é uma das poucas bandas do jazz-funk genuíno na Europa. É uma máquina instrumental com uma atitude Rock & Roll, conhecida por seus shows poderosos e emocionantes. Inspirado por heróis como Bootsy Collins, Lettuce e James Brown, The JIG cria seu próprio som original, vintage e atual ao mesmo tempo. Soul, Afro, Jazz e Rock & Roll são mantidos de perto. Nos últimos dois anos, The JIG atuou em mais de 100 shows por palcos de renome e festivais na Holanda, Espanha, Inglaterra e Leste Europeu.

Chico Chagas Acordeon Trio - Chico Chagas é acordeonista, pianista, baixista, compositor e arranjador.  Em suas apresentações, Chico faz uma combinação entre música brasileira com releitura de jazz. O músico mostra um repertório que varia entre o clássico, jazz e a MPB. O Acordeom Trio criado por ele propõe criar um som que tenha uma “cara nova” na música instrumental brasileira. Com a formação de acordeom, baixo e bateria, Chagas começou então a compor temas que saíssem da música folclórica e, como resultado, os músicos trazem boleros, tango e baiões com uma pegada menos tradicional, frevo com pitadas de jazz e outras fusões. Com Chico Chagas (acordeom), Alexandre Cavallo (baixo) e Cristiano Galvão (bateria).

Jonathan Ferr - É um dos novos talentos da música instrumental carioca. Já fez shows em clubes e festivais na Europa e é uma das atrações confirmados no Rock in Rio 2019.  Primeiro de seu gênero, Ferr lidera um movimento de música instrumental urbana no Rio de Janeiro, junto com o projeto Jazz Out. Em março/19, o artista abriu o show do consagrado Kamasi Washington, no Circo Voador (RJ), com uma performance arrebatadora. Ferr vem a Rio das Ostras lançar seu último trabalho Trilogia do Amor, uma suíte de urban jazz afrofuturista. Se fôssemos personificar o jazz, diríamos que ele é alguém que nasceu nas ruas, cresceu e foi para o mundo todo; virou música de luxo, chegou às maiores salas de concerto, e agora, maduro, faz o caminho inverso de retorno às suas origens. Assim floresce o Jazz Urbano de Jonathan Ferr, um talentoso pianista de Madureira, bairro que já virou referência de qualidade de cultura e arte no Rio de Janeiro.

Bixiga 70 - Com 10 integrantes, a banda é conhecida por quebrar o que muitos chamam de “sisudez” do gênero instrumental. Fazendo um som com influências do Afrobeat, é marcada por uma dançante mistura de estilos, transitando dos ritmos africanos aos latinos e mesclando elementos do funk, jazz, reggae e música eletrônica, sem jamais impor limites de gêneros.
O ritmo dançante da música instrumental do grupo se constrói em solos, harmonias e dinâmicas, claves e improvisos, desenvolvendo uma sonoridade bastante peculiar, inédita e muito criativa. São variações de jazz, rock, samba, reggae e percussões tribais sempre adornada pela inserção de sintetizadores. Uma colorida mistura de ritmos e fórmulas instrumentais.

Serginho Trombone - Trombonista e arranjador, possui uma enorme folha de trabalhos realizados na música brasileira. Músico original desde os sete anos de idade, quando recebeu um dos mais antigos registros da Ordem dos Músicos do Brasil. Autodidata, toca vários instrumentos, como trombone, teclados e baixo. Serginho Trombone transformou-se num símbolo da MPB dada a variedade de estilos e artistas com os quais trabalhou, como, por exemplo, Luiz Melodia, Tim Maia e Ed Motta. Participou de turnês pela Europa, Japão e Estados Unidos, incluindo o festival de Montreux (quatro edições) com Moraes Moreira, Gilberto Gil e Jorge Ben Jor. No Brasil, tocou nos festivais Rock in Rio, Rock in Rio II, Hollywood Rock e quase todas as versões do Free Festival.

Big James & the Simi Brothers - Cantor e trombonista de Chicago, Big James tem uma voz tão grande quanto sua cintura. Vindo pela primeira ao Brasil, ele combina blues, soul, R&B e funk em sua música encharcada de grooves. Sua música é fortemente influenciada por James Brown, Little Milton, Albert King, Bobby "Bland Blue" e Prince. Já tocou com Little Milton, Albert King, Otis Rush, Buddy Guy e também dividiu o palco com Eric Clapton, Lou Rawls, Koko Taylor, Derek Trucks e muitos outros. Big James foi por 3 vezes vencedor do Critic's Choice Award da Revista Living Blues pela Most Outstanding Horn Player na Blues Industry!. Vem acompanhado pela banda “The Simi Brothers”, formada pelos irmãos guitarristas e produtores Danilo e Nicolas Simi, em um show que promete agitar toda a galera.

Lucky Peterson - Gravou seu primeiro disco aos 5 anos de idade, produzido por ninguém menos que Willie Dixon. Americano, nascido em Buffalo (NY), ele traz consigo a mistura do canto Gospel com o Soul e o sentimento Blues. Lucky Peterson é um dos artistas mais proeminentes da era moderna, um guitarrista escaldante, organista fantástico e vocalista de primeira linha. É um dos mais influentes artistas no cenário de Blues atual. São muitos talentos num só artista. Com mais de 18 discos gravados e participações em praticamente todos os grandes festivais de Blues do mundo, ele não poderia deixar de aportar no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.

Vox Sambou - Já foi chamado de “embaixador do hip hop haitiano” e de “a eterna voz do Haiti”. Letrista habilidoso e perspicaz, o artista apresentará o repertório do seu recente CD The Brasil Session. Com letras em criolo, francês, inglês, espanhol e português, Vox Sambou envolve o público com melodias contagiantes e letras sobre unidade, solidariedade e o legado dos seus ancestrais. Musicalmente, faz uma mistura de hip hop com afrobeat, grooves latinos e batidas de reggae, além de buscar elementos de gêneros do Haiti.

Roy Rogers & Delta Blues - Com duas indicações ao Grammy, Roy Rogers é um dos nomes da guitarra slide, conhecido por suas performances ao vivo.  Além de tocar no circuito Europa, EUA e Canadá, ele tem participado de festivais como o Montreux Jazz (Suíça), North Sea Jazz Festival (Holanda), Notodden (Noruega), Byron Bay (Austrália), New Orleans Jazz & Heritage Festival (EUA) e o Montreal Jazz (Canadá). Em 2003, Rogers foi indicado ao prêmio W.C. Handy como melhor guitarrista de blues. Seu virtuosismo e seu estilo “slide guitar” são reconhecidos internacionalmente. Californiano, começou a tocar com 12 anos e logo foi seduzido pelo blues. Participou da John Lee Hooker 80’s Coast to Coast Band por quatro anos e mais tarde gravou com a banda os dois álbuns vencedores do Grammy "The Healer" e "Mr. Lucky".

Flávio Guimarães e Blues Groovers com part. Especial de Fernando Magalhães – Blues contemporâneo com uma pegada rock `n`roll é o que se espera desse show inédito juntando expoentes da música brasileira. 

Flávio Guimarães - é gaitista, cantor e pioneiro do blues no Brasil. Com mais de 30 anos de carreira, lançou 25 álbuns entre sua carreira solo e o Blues Etílicos.  Gravou e tocou com Alceu Valença, Djavan, Cássia Eller, Ed Motta, Erasmo Carlos, Frejat, Luiz Melodia, Paulo Moura, Renato Russo, Rita Lee, Titãs, Zeca Baleiro e Zélia Duncan, entre outros. Realizou shows de abertura para Ben Harper, B. B. King e Robert Cray, além de compartilhar o palco com algumas lendas vivas do blues, como Buddy Guy, Charlie Musselwhite e Taj Mahal.  Apresenta-se em importantes festivais em todo Brasil, Europa e Estados Unidos.

Blues Groovers - É a cozinha de Blues/Rock mais experiente e atuante do Brasil. Com Otavio Rocha na guitarra, Beto Werther na bateria e Cesar Lago no baixo, a banda possui uma identidade própria em seu trabalho, sempre carregada de energia, dominando diversas variantes do Blues e respeitando a essência melódica e suas raízes.

Fernando Magalhães - É o Guitarrista da banda Barão Vermelho desde 1985, já gravou dezenas de álbuns, participou de praticamente todas as tours, tocou em vários festivais, como Rock in Rio, abriu os shows dos Rolling Stones, na tour Voodoo Lounge em 1995, e fez shows em Portugal e USA. Lançou 2 álbuns solo, instrumentais, e com este trabalho, abriu shows no Brasil para Joe Satriani e REM.

Palcos 

Concha Acústica da Praça de São Pedro [11h] - Palco criado para a apresentação de novos talentos do jazz e do blues. Fica no centro de Rio das Ostras, ao ar livre e em frente ao mar.

Lagoa do Iriry [14h] - No palco da Lagoa de Iriry, o público estará lado a lado com o artista em um anfiteatro circundado por vegetação típica de restinga. A Lagoa de Iriry fica no Jardim Bela Vista, em Costazul.

Praia da Taratruga - [17h] - Localizada em uma pequena enseada, situada entre as praias do Abricó e Praia do Bosque, a Praia da Tartaruga abriga o palco mais charmoso do festival. Na Tartaruga, o público assiste aos shows sob o pôr-do-sol. O palco é montado sobre uma pedra que, literalmente, invade o mar.

Costazul [20h] - Palco principal do festival, abriga uma praça de alimentação com restaurantes e bares, quiosques de produtos artesanais da cidade, venda de CDs, revistas e camisetas e telão que transmite os shows ao vivo, uma área especial de acessibilidade e área para motorhomes. Ainda em Costazul, há a Casa do Jazz e do Blues, que receberá shows de bandas locais.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Aquarela do Brasil

80 tiros cor de chumbo
Mataram um homem preto
Dentro de um carro branco

Mentindo de verde e amarelo
Odiando o índio vermelho
Ergueram um governo laranja

O sangue do homem preto
Tingiu o asfalto cinza
E o ar da cor de lágrima

E a bandeira verde e amarela
Está mais vermelho sangue
A cada dia que passa

terça-feira, 19 de março de 2019

Pela quinta vez o blues brasileiro invade Santos no mês de abril. A Mostra Blues 2019 chega com shows e oficinas

Produzida pela Mannish Boy Produções, Sesc e Prefeitura de Santos, a mostra com os melhores blueseiros do país. Também acontece em bares espalhados pela cidade

Jefferson Gonçalves 

Em 2019 serão 12 shows na Comedoria do Sesc Santos, na Concha Acústica e em bares espalhados pela cidade. Também haverá cinco oficinas no Sesc e no Centro Esportivo e Cultural da Vila Progresso. 
O objetivo dessas oficinas é despertar no jovem a vontade de tocar um instrumento e mostrar que é possível fazer música individualmente ou em dupla. E também apresentar a atividade da luthieria como uma fonte de renda possível.
Esse ano serão quatro shows no Sesc Santos, entre eles, Los Breacos (SP), Big Chico e Banda (SP), Duca Belintani e Banda (SP) e Jefferson Gonçalves e Banda (RJ). 
A Concha Acústica do Canal 3 recebe os santistas da Dog Joe e o convidado Muniz Crespo (guitarra) e os paulistanos Val Tomato (harmônica) e Lucas Wild (guitarra), Fábio Brum (guitarra) e Baby Labarba (harmônica) e Márcio Scialis (guitarra) e Little Will (harmônica). Nos bares a conta fecha com Ivan Márcio e Daniel Kaveira, Dog Joe Duo, Pedro Bara e Mauro Hector e Marcos Paulo.
O objetivo da Mostra Blues de Santos é trazer à cidade os melhores músicos de blues brasileiros e fomentar a cena local,  promovendo a integração entre artistas e público por meio de oficinas e conversas informais.
A mostra, que já promoveu shows e oficinas com Igor Prado Band, Big Chico Blues Band, Jefferson Gonçalves, Artur Meneses, Robson Fernandes, Caviars Blues Band, Big Joe Manfra, Big Gilson, Márcio Abdo, Giba Byblos, Ari Borger, além dos artistas locais Dog Joe, Muniz Crespo e Mauro Hector, chega a sua quinta edição como referência no país.
O mês de abril foi o escolhido em comemoração ao nascimento de Muddy Waters, artista revolucionário do Blues mundial e o nome que sintetizou o blues rural do Mississippi na música urbana de Chicago, influenciando milhares de músicos ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Los Breacos - Foi uma banda criada em 2012, em formato power trio, e que já alterou diversas vezes sua formação. A atual é uma verdadeira usina sonora com Baixo, bateria, guitarra, e uma forte seção de metais. Sua linguagem é voltada ao funk e soul music e suas principais influências são James Brown, Earth Wind & Fire, All Green, Michael Jackson, Fred Wesley, JB’z, Funkadelic, Ray Charles, Herbie Hancock , Wild Cherry, THE Meters, Prince, mas também Jorge Benjor e Tim Maia. Pura diversão. Los Breacos é Rafael Adolfo (guitarra e voz), Leonardo Santiago (trombone de vara e maestro), Lincoln Martins (trompete), Rodrigo Estevam (bateria) e Júlio Nascimento Fiel (contrabaixo).

Duca Belintani - Veterano e apaixonado pelo blues, Duca Belintani é um professor que e coloca dezenas de jovens guitarristas no mercado brasileiro da música todos os anos. A discografia de Belintani mostra que o paulistano fez fama tocando Blues/Rock, mas que também parece impossível ignorar os ritmos brasileiros. Seus discos, cheios de influências de samba, batidas nordestinas e fusion jazz, mostram a versatilidade de Belintani e que, mesmo casado com o blues, frerta toda hora com outros ritmos.

Big Chico e Banda - O cantor, gaitista e guitarrista Big Chico apresenta seu novo trabalho, uma grande homenagem a um dos músicos que pode ser considerado uma de suas maiores influências na harmônica, Ro d Piazza.
Nos Estados Unidos e no Brasil, Big Chico conviveu, tocou e arrancou vários elogios deste que pode ser considerado um ícone em seu instrumento: “ Chico has really got feeling and soul of the blues! His attack and tone are real! He’s kepping it alive.” Disse Rod Piazza após ouvir Chico tocar sua gaita.  Com o repertório que passa pelo blues tradicional de Chicago e o suingue, mais conhecido como Jump Blues – uma mistura de blues com elementos das big bands de jazz – Big Chico faz releituras de temas do grande Rod Piazza, conduzindo sua super banda aos instrumentais e clássicos do blues, levando o público ao delírio em um show extremamente dançante, cheio de energia e animação.

Big Chico

Jefferson Gonçalves e Banda - Show - Do Mississippi ao Cariri – a união de Sotaques, sons e ritmos fez com que Jefferson Gonçalves se tornasse uma das principais referências dentro do cenário da gaita no Brasil e no mundo. O Músico optou em fazer uma sonoridade própria, tecendo e misturando sons, desmontando e construindo ideias, fazendo misturas autênticas, onde estilos diferentes se unem para criar uma atmosfera tipicamente brasileira. Sua gaita faz um mix entre a música negra norte americana e o regionalismo dos ritmos nordestinos como o forró, o baião, o xaxado, o maracatu, entre outros. Acompanhado por Kleber Dias (guitarras), Fabio Mesquita (baixo), Marco BZ (bateria) e Marco Arruda (percussão).

Dog Joe - formada por Digo Maransadi, Eduardo Eloi e Sérgio Inácio (antigo baixista) e manteve por muito tempo o nome Delta Blues. Original do litoral paulista (Santos/Guarujá), entre 1993 até 2001 tocando em vários bares, casas de shows, encontros de motociclistas e festivais do gênero, sofrendo uma pausa por questões de mudança dos integrantes e outros trabalhos musicais individuais, voltando a ativa em 2012 com o novo baixista, Rogério Duarte. 
Já como Dog Joe, acompanhou grandes nomes do blues mundial, como os norte-americanos Lurrie Bell no Bourbon Street Music Club, em São Paulo e Lazy Lester, no Ipiabas Jazz e Blues Festival, em Barra do Piaraí (ambos em 2014) e abriu shows para Kenny Brown e John McDonald. Em 2017 lançou o EP Blues Rock Hotel.

Val Tomato e Lucas Wild – A parceria, que ultrapassa uma década, nasceu de um projeto gráfico para o primeiro álbum ao vivo de Val Tomato, criado pelo então estudante de design Lucas Wild. 
Como cantor, compositor e gaitista, Val Tomato é considerado um mestre do Blues no Brasil, traz na bagagem mais de 20 anos de carreira musical, participações em grandes festivais pelo país. Tem quatro CDs lançados, um DVD, uma vídeo aula e um método para gaitistas iniciantes. Coleciona trabalhos ao lado de grandes nomes nacionais e internacionais. Guitarrista e violonista desde os 13 anos de idade, Lucas Wild iniciou sua participação na cena musical paulistana em 2003. Desde 2015 atua na cena blues paulistana prestando homenagem às origens do gênero.

Fábio Brum - Guitarrista há três décadas, sempre gostou da boemia e tocar em bares desde 1989. Aficionado por blues e todas suas variações, acha que nada era mais blues que literatura beatnik e Bukowski. Foi fundador da Blues Band em 1990, em Campo Grande-MS, depois de enfiar na cabeça todos os licks de Freddie King e, lá, tocou com dois compositores que admira, Geraldo Espíndola e Jerry Espíndola. Foi da primeira formação do Bando do Velho Jack e guitarrista e parceiro de copo do saudoso Renato Fernandes e seus Bêbados Habilidosos. Radicado em São Paulo há 10 anos fez de tudo um pouco e até tocou guitarra com Robson Fernandes, Alex Valenzi, Made in Brazil e tem seus trabalhos mais pessoais registrados na sua Saco de Ratos e Los Breacos. Um dia vai embora, mas vai assobiando e tocando guitarra em cima de um skate.

Ivan Márcio e Daniel Kaverna – Aos 13 anos, Ivan Marcio iniciou sua carreira tocando em pequenos Bares do ABC de São Paulo, e aos 18 anos teve uma curta passagem pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul onde estudou harmonia e teoria, inserindo os conhecimentos à gaita. É formado em Pedagogia e trabalhou como professor de música pela Prefeitura de São Bernardo do Campo em um projeto social formando mais de 300 jovens em 5 anos. Durante 20 anos de carreira tocou em diversos festivais pelo Brasil e Exterior, além de possuir mais de 10 discos gravados no gênero destacando-se os álbuns gravados nos EUA: Chicago Blues Sessions Volume 1 e 2, Brazilian Blues Bash e Goin’ To Delta nos quais assina também a produção.

Fábio Brum

Pedro Bara - guitarrista nascido na cidade de São Paulo começou a tocar guitarra sozinho aos nove anos e aos 12 começou a ouvir blues/rock, Eric Clapton, Jimi Hendrix, Fleetwood Mac, Rolling Stones, entre outros. Aos 14 anos começou a estudar guitarra com Marcos Ottaviano e definiu seu estilo no R&B, Blues Britânico e Blues de Chicago. Seu primeiro álbum, Heading To The Moon, foi gravado entre 2017 e 2018 no estúdio Space Blues em São Paulo, pelo produtor musical Alexandre Fontanetti, ganhador do Grammy Latino 2017. O álbum traz 11 canções autorais compostas em parceria com o novaiorquino Carlos Sander e o produtor Alexandre Fontanetti.

Mauro Hector - Como professor, coloca no mercado uma legião de guitarristas de blues, rock e jazz. Traçando sua trajetória da forma mais independente possível, segue, desde 1985, o guitarrista canhoto, discípulo de Jimi Hendrix e morador de Santos. Ao longo dos anos vem consolidando seu nome na cena blueseira e jazzística a custa de muito trabalho, seja tocando, gravando ou dando aulas diariamente em seu estúdio, em um apartamento na orla da praia. Um grande marco da sua carreira foi a gravação do CD Sonoridades (2002) que deu início à sua carreira solo voltada para o blues, jazz e rock, assinalando sua identidade na composição. E que mais tarde se solidificou com a gravação de seu segundo CD Atitude Blues (2007) e seu mais recente trabalho Live in Santos (2015), cujos shows foram produzidos pela Mannish Boy Produções, no Teatro do Sesc e no Teatro Guarany, ambos em Santos, respectivamente.

Programação  da Mostra Blues 2019:

Quinta, 04 de abril às 15h – oficina Sesc Santos com Faísca
Quinta, 04 de abril, às 21h – Sesc Santos – Los Breacos
Sexta, 05 de abril, às 19h30 – Breja’s Store – Eugênio 
Sábado, 06 de abril, às 19h – Concha Acústica – Dog Joe e Muniz
Quinta, 11 de abril, às 21h – Sesc Santos – Big Chico e Banda
Sexta, 12 de abril, às 20h – Quintal da Véia – Mauro Hector e Marcos Paulo
Sábado, 13 de abril, às 19h – Concha Acústica – Val Tomato e Lucas Wild
Sábado, 13 de abril, às 21h – Pedro Bara - Monkeys

Quinta, 18 de abril, às 15h – oficina Sesc com Duca Belintani
Quinta, 18 de abril, às 21h – Show Duca Belintani e Banda 
Sexta, 19 de abril, às 16h – Oficina no Morro com Ivan Márcio e Daniel Kaverna
Sexta, 19 de abril, às 20h - Tekoá – Ivan Márcio e Daniel Kaverna
Sábado, 20 de abril, às 19h – Concha Acústica – Márcio Scialis e Little Will 

Quinta, 25 de abril, às 15h – oficina Sesc – Jefferson Gonçalves
Quinta, 25 de abril, às 21h – Sesc Santos – Jefferson Gonçalves
Sexta, 26 de abril, às 10h – Oficina no morro com Kleber Dias
Sábado, 27 de abril, às 19h – Concha Acústica – Fábio Brum e Baby
Sábado, 27 de abril, às 20h30 – Mucha Breja – Dog Joe Duo

Endereços:
Sesc Santos - Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida
Concha Acústica - Av. Vicente de Carvalho, s/n (ao lado do Canal 3)

Breja's Store - Av. Senador Feijó, 686 - Encruzilhada
Quintal da Véia - Rua Júlio Conceição, 263 - Vila Mathias
Monkeys Beer Pub - Rua Guanabara, 298 - Boqueirão - Praia Grande
Tekoá Cervejaria - Av. Almirante Cochrane, 88 - Aparecida
Mucha Breja - Rua Rei Alberto I, 161 - Ponta da Praia

Ingressos:
Sesc Santos - R$ 5,00, R$ 8,50 e R$ 17,00
Concha Acústica - Grátis 
Bares - Sujeito a política da casa

Dog Joe

Los Breacos

Pedro Bara

Muniz Crespo

Mauro Hector

Duca Belintani

Ivan Márcio

Val Tomato

Baby Labarba

domingo, 17 de março de 2019

Orquestra Jovem Tom Jobim estreia em março temporada 2019


Sob a batuta do maestro Tiago Costa, a Orquestra Jovem Tom Jobim, grupo ligado à Emesp Tom Jobim, abre em 22 e 24 de março a temporada 2019 com concertos no Theatro São Pedro, Em São Paulo.
Na estreia, o grupo divide o palco com o premiado pianista Amilton Godoy -  um dos responsáveis por trazer a linguagem jazzística ao samba na década de 1960 com a música instrumental do Zimbo Trio - e a flautista Léa Freire.  
O programa será inteiramente dedicado a álbuns, compositores e estilos que marcaram sua época na música brasileira, mas com arranjos elaborados especialmente para a orquestra. 
As composições de Amilton, escritas originalmente para trio com piano, contrabaixo e bateria, ganharam para estes concertos arranjos cuidadosamente adaptados por Tiago Costa, Nelson Ayres, Rodrigo Morte e Fernando Correa para formação de orquestra. 

Programa: 
Amilton Godoy: 
Tudo Bem - (arr. Tiago Costa) 
Teus Olhos (arr. Rodrigo Morte) 
Choro (arr. Fernando Correa) 

Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Morais
Jobim Lado B
O boto  
Pato preto  
Quebra pedra (arr. Tiago Costa) 
Suíte Canção do Amor Demais 
Chega de saudade  
Serenata do adeus  
As praias desertas  
Caminho de pedra  
Luciana  
Janelas abertas  
Eu não existo sem você  
Outra vez  
Medo de amar  
Estrada branca  
Vida bela Modinha  
Canção do amor demais - (arr. Rodrigo Morte) [18m] 

Milton Nascimento 
Suíte Milton 
Travessia 
Ponta de areia 
Teia de areia  
Fé cega faca amolada  
Nada será como antes  
O que foi feiro de vera  
Certas canções  
Maria maria (arr. Nelson Ayres)

Léa Freire
Risco (arr. Nelson Ayres)
Vento em Madeira (arr. Léa Freire e Felipe Senna) 

Serviço: 
Datas: 22 e 24 de março 
Horários: sexta, às 20h e domingo, às 11h 
Local: Theatro São Pedro 
Endereço: Rua Barra Funda, 161 – Barra Funda, São Paulo/SP 
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) para todos os setores (Plateia Central, 1º e 2º Balcão)  
Classificação indicativa: Livre 
Duração: 80 minutos sem intervalo (aproximadamente) 
Mais informações: (11) 3661-6600 
Capacidade: 636 lugares 
Acessibilidade: Sim

sexta-feira, 1 de março de 2019

Wee Willie Walker, a alma de Memphis


Texto: Eugênio Martins Júnior
Foto Willie: Doug Knutson
Fotos Memphis: Sérgio Poroger - Extraídas de seu livro Cold Hot

Assim como Chicago é relacionada ao blues elétrico e New Orleans ao jazz, é impossível falar em Memphis e não lembrar dos seus muitos estilos musicais e seus artistas. 
Já mencionando W.C. Handy, a quem é creditado Memphis Blues, uma das primeiras gravações, publicada em 1912, a cidade foi prolífica em lançar nomes fortes no começo do século passado, entre eles, Memphis Minnie, Furry Lewis, Frank Stokes, Joe McCoy, Gus Cannon. 
Mas foi após a Segunda Guerra Mundial que Memphis explodiu musicalmente dando ao mundo BB King, Rufus Thomas, Big Walter Horton, Howlin’ Wolf, Bobby “Blue” Bland, Junior Parker, Johnny Ace, Little Milton, Roscoe Gordon, Ike Turner e muitos outros.
Nos 50, o som de Memphis mudou para sempre a música pop, de lá saiu Elvis Presley, Johnny Cash, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis e o o mais importante de todos, Chuck Berry. Todos gravados pela Sun Records. A gravadora Stax de Don Covay, Wilson Picket, Bar-Keys, Otis Reding, Booker T. & the MG’s e Albert King também é de lá. O Memphis Sound fez fama e é reconhecido no mundo inteiro. 
Nesse ambiente cresceu Willie Walker. Além da diversidade musical, Memphis também era um grande centro urbano no sul do país que atraiu brancos e negros em busca de oportunidades, para onde seus pais migraram.
Lá o jovem Willie teve contato com o ambiente musical das ruas, onde os conjuntos vocais de doo wop cantavam nas esquinas e a Beale Street era o eldorado dos artistas.
Os anos passaram e Walker atingiu um certo reconhecimento, mas nada comparável aos artistas já citados. 
Porém, após alguns anos afastado, percebeu que seu nome ainda ecoava na memória musical das pessoas e “relançou-se”, agora sim, com êxito. 
Tem gravado regularmente discos muito bons, viajado pelo mundo e sendo indicado aqui e ali para prêmios nos circuitos blueseiros. After a While, álbum gravado em 2017 com a banda do guitarrista Anthony Paule, recebeu cinco indicações ao Blues Music Award, incluindo vocalista do ano e artista do ano de soul e blues.
Aqui no Brasil, acampou na Chico Blues Records e a parceria com Igor Prado já rendeu participação em Soul Connection e diversos shows pelo Brasilzão. 
A entrevista foi realizada em 21 de fevereiro de 2019, di do show Willie com a Just Groove na Café Society, casa de shows paulistana que vem abrindo espaço para o blues e soul music. O Just Groove é Igor Prado e Jesiel Oliveira (guitarra), Rael Lúcio (baixo) e André Azevedo (bateria).


Eugênio Martins Júnior - Quando encontro um artista com sua experiência de vida, sempre pergunto como foi sua infância e adolescência. E como foi seu contato com o blues?
Willie Walker – Minha infância foi dura. Lutando todos os dias. Meu primeiro contato com o blues foi pelo rádio. Amava aquilo que ouvia e cantava junto. Com o tempo acabei trabalhando com alguns músicos que me mostraram a verdadeira luz, porque aprendia muito mais do que cantar. Eram músicos muito qualificados. Nasci no Mississippi, mas cresci em Memphis, no Tennessee.  

EM – Muitos jovens cantavam nas igrejas aos domingos, mas havia o blues que também disputava a atenção deles. Isso aconteceu com você?
WW – O blues veio da igreja. É basicamente a mesma coisa, as mesmas mudanças, mesma melodia e forma artística. 

EM – Mas a mensagem não é a mesma.
WW – Sim, a mensagem não é a mesma. Você só muda de Jesus para baby. (risos)

National Civil Rights Museum

EM - Você começou a viajar cedo com uma banda, aos 15 anos? A estrada pode ser dura para um garoto dessa idade. Poderia falar sobre isso? 
WW – Todos os verões viajava com um grupo gospel. Eram viagens duras. Cinco ou seis pessoas dentro de um carro. Mas quando se é jovem você não se importa. Aí vai ficando mais velho e não quer mais viajar com tantos homens em volta. (risos)  

EM - Fale um pouco sobre Memphis nos anos 60, você gravou seu compacto em 1965, como era a cena blues com todos aqueles grandes nomes.
WW – A cena blues era importante, mas a soul music era mais popular entre os jovens. Preferíamos o doo wop. Eram quatro ou cinco rapazes cantando juntos à capela nas esquinas, nos parques, em qualquer lugar. Por isso muitos de nós desenvolvemos a habilidade de cantar. Formávamos os grupos de doo wop e imitávamos os grupos consagrados. 

Sun Studio

EM - No compacto 329 da Goldwax você gravou de um lado com There Goes My Used To Be e do outro Ticket to Ride. Gostaria que falasse como essa gravação foi recebida na época.
WW – É interessante. Havia um produtor de New York que queria que eu gravasse Ticket To Ride, mas essa não era a minha favorita. There Goes My Used To Be era minha favorita e que acabou se tornando a preferida da audiência também. E eu nunca tive a chance de me certificar disso naquela época, só quando fiquei mais velho. Nunca tive a pretensão de ter uma carreira. Simplesmente aproveitei a oportunidade de gravar. Morava em Minessotta nessa época, onde fiz algumas apresentações.  

EM – Li em sua biografia que a Goldwax sonegava os créditos das canções. As coisas não eram fáceis para os músicos naquela época. Elas mudaram  ao longo de todos esses anos?
WW – Não escrevia canções naquela época. Nem estava interessado. Cantava a música dos outros. Os direitos autorais nunca significaram muito pra mim. Mas muitos outros compositores que conheci tiveram esse problema. Outras pessoas lhes davam alguns dólares e eles aceitavam porque estavam com fome e aquelas pessoas ficavam com a autoria das músicas. Quem produzia os discos era quem levava os créditos. Não conheci nenhum que era compositor. Os compositores daquela época eram negros e pobres, apenas lutando para sobreviver. Eles vendiam suas canções por vinte e cinco dólares porque tinham família para alimentar. Escolheram esse caminho. Conheci compositores que cometeram suicídio depois de perceberem quanto dinheiro sua música havia gerado e ele próprio não ter recebido nenhum crédito ou dinheiro. Muitos se sentiram inúteis. 

EM – Por um lado eles te davam uma oportunidade, por outro eles te roubavam.
WW – Exatamente. No meu caso, eu não perseguia a música. Mas uma oportunidade apareceu depois que me aposentei. Daí pude sentir o quanto as pessoas lembravam de mim e da música que fiz nos anos 60. Foi uma coisa muito boa. Estou melhor agora do que muitos dos meus amigos que estavam no topo, na época que o circuito era forte. E infelizmente muitos estão mortos.


EM - Você tem uma parceria com o Igor Prado que já rendeu uma gravação e várias turnês. Após todos esses anos de estrada, o que achou de encontrar em um outro país uma comunidade de jovens que levam a sério o blues e a soul music?
WW – É revigorante. É outro mundo. Encontrá-los aqui foi impressionante. Estou apaixonado por esses jovens e temos muito o que fazer juntos.  

EM - Gostaria que falasse sobre seu mais recente álbum com a Anthony Paule Orchestra. After a While é um grande álbum com 13 faixas. 
WW – Foi uma satisfação e uma grande experiência. Assim como o que fiz com o Igor. Entregamos ao público o melhor produto que pudemos fazer. 

Stax Records

EM – E por causa desse álbum você foi indicado como Melhor Cantor de Blues Masculino, 2018 pela revista Living Blues.
WW – Foi uma grande honra. Mesmo que você não ganhe, a indicação lança muitas luzes sobre o seu trabalho.

EM - Houve uma época em que a soul music era música de protesto. Lá estavam Curtis Mayfield, Gil Scott Heron e o grande cantor e compositor Marvin Gaye. Parece que atualmente essa função tem sido com rap e isso também já está mudando. Não há mais música de protesto nos Estados Unidos com todos esses problemas raciais acontecendo?
WW – Veja bem. Não eram canções de protesto, mas sobre a verdade. De como as coisas realmente são, mostrando com elas são estranhas. A coisa mais perto disso que temos hoje é o rap. E costumam ser músicas muito raivosas e eles despertam somente isso. Eu não gosto. Não é o meu jeito. Mas há alguns rappers que são grandes vocalistas. Pra mim é competição e eu não gosto. Não tocam as minhas músicas no rádio. (risos)
Sun Studio

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Março e abril de 2019 com Blues no Bourbon Street

Em março e abril de 2019, em comemoração aos seus 25 anos, o Bourbon Street sedia o The Blues Festival, com nomes importantes do Blues das cenas nacional e internacional

Flávio Guimarães

Entre os brasileiros, sem dúvida a presença de Flávio Guimarães, que se vivesse na gringa seria considerado um dos maiores gaitistas do mundo, será a mais importante.
Flávio se apresenta ao lado do guitarrista Little Joe McLerran (EUA) e dos Simi Brothers, lá de São José dos Campos.
Da cena internacional, a apresentação da cantora Terrie Odabi, apontada como uma das grandes revelações do blues, será a mais festejada. Ladeada por Flávio Naves (teclados), Fred Sunwalk (guitarra), Denilson Martins (sax), Bruno Falcão (baixo) e Fred Barley (bateria), não por acaso, a base da banda Blues Beatles, a cantora de San Francisco apresenta temas de seu ótimo álbum My Blue Soul.
The Cinelli Brothers são dois italianos radicados em Londres que têm inspiração nos blues de Chicago e Texas, dos anos 1960 e 1970. Seu primeiro disco, Babe Please Set Your Alarm, contém músicas autorais e interpretações de clássicos, como Back Door Man, de Willian Dixon, e temas pop como Kiss, do cantor Prince. 
The Blues Festival, que acontece desde 2005, já trouxe para São Paulo Tommy Castro Band, Rod Piazza & The Might Flyers, Chicago Blues Ladies & Blue Jeans, Magic Slim, Coco Montoya, Eddie C. Campbell.

Terrie Odabi
  
13/03 – Terrie Odabi & Alabama Johnny
20/03 – The Cinelli Brothers
03/04 – Flávio Guimarães com Little Joe McLerran & The Simi Brothers
Gui Cicarelli – Hostess e participação especial

Serviço:

Show: Terrie Odabi e Alabama Johnny
Data: Quarta-feira, dia 13/03
Horário: 22h

Show: The Cinelli Brothers
Data: Quarta-feira, dia 20/03
Horário: 22h

Show: Flávio Guimarães com Little Joe McLerran & The Simi Brothers
Data: Quarte-feira, dia 03/04
Horário: 22h

Local: Bourbon Street
Endereço: Rua Dos Chanés, 127 – Moema – SP
Bilheteria Bourbon Street: Rua dos Chanés 194 – de 2ª a 6ª feira, das 10 às 20h, sábado e feriado das 14 às 20h.
Fone para reserva: (11) 5095-6100 (Seg. a sexta) das 10 às 18h

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Dave Hole, a slide guitar blues que veio da Austrália


Texto: Eugênio Martins Júnior
Foto: Site Many Fantastic Colors

Uma forma rústica de tocar guitarra chamada slide é conhecida desde os primórdios do blues, mas ela não foi inventada pelos músicos do sul dos Estados Unidos.
Os primeiros registros históricos dão conta de que a slide – que literalmente significa deslizar - veio do Havaí, popularizada por Joseph Kekuku, nos idos 1890.
Já no seu livro Deep Blues, o historiador Robert Palmer relatou que a técnica pode ter vindo da África, herdada de um instrumento de uma só corda, o diddley bow, frequentemente manipulado por crianças com o auxílio de pedras e pedaços de metal. Semelhança com o nosso berimbau não é mera coincidência. 
Certo. Charlie Patton, Bukka White, Son House, Tampa Red, Blind Boy Fuller, Leadbelly, Robert Johnson, Mississippi Fred McDowell, Curley Weaver não foram os inventores da slide guitar, mas ficaram conhecidos como mestres nessa técnica.
Às vezes usavam uma faca, às vezes o gargalo de uma garrafa, deslizando-o pelo braço da guitarra até os dedos sangrarem. A vida naquela época não era fácil cumpadi e o blues de raiz era selvagem.
Ao longo dos anos a técnica mágica foi apurada pelos mestres das gerações seguintes: Elmore James, JB Hutto, Muddy Waters, Duane Allman, Hound Dog Taylor e nossos contemporâneos, Roy Rogers e Dave Hole.
Robert David Hole nasceu na Inglaterra, mas jovenzinho foi com a família para Perth, cidade interiorana da Austrália.
E não foram os bumerangues que aplacaram a solidão do garoto e sim a guitarra elétrica. Após ouvir os discos dos Rolling Stones, e depois do pai deles, Muddy Waters, David aprendeu sozinho a tocar o instrumento.
Durante anos fez parte da cena australiana de blues e rock and roll, formando diversas bandas com algum sucesso local, até sofrer um acidente que mudaria sua vida. Impossibilitado de tocar da maneira tradicional, Hole inventou uma forma estranha de fazer a slide na sua guitarra que permanece até hoje.
Após ser contratado pela maior gravadora independente de blues de Chicago e a manufatura de Short Fuse Blues, seu disco de estréia, aos 42 anos, Hole começou a construir sua fama na cena mundial. Nos anos que se seguiram a prolífica parceria Hole/Alligator Records rendeu Working Overtime (1993), Steel on Steel (1995), Ticket to Chicago (1997), Under the Spell (1999), Outside Looking In (2001) e The Live One (2003), todos acima da média. Seu mais recente trabalho foi o auto-produzido Goin’ Back Down (2018).



Eugênio Martins Júnior – Você nasceu na Inglaterra, mas cresceu em uma pequena cidade na Austrália. Qual foi seu primeiro contato com o blues?
Dave Hole – Conheci o blues ouvindo os primeiros discos dos Rolling Stones. Eles faziam covers de Jimmy Reed e Howlin’ Wolf e fiquei curioso para descobrir mais sobre essa coisa que eles chamavam de blues. A primeira coisa realmente profunda que ouvi foi o álbum Folk Singer, de Muddy Waters. Fiquei imediatamente impressionado com o poder absoluto e o desempenho de Muddy. Mesmo que não conseguisse entender as letras, era óbvio para mim que ele estava cantando com um sentimento real. Havia uma intensidade emocional que eu nunca ouvira antes. Estava totalmente cativado e iniciei uma busca para descobrir discos de tantos bluesmen quanto pudesse.

EM - Você é considerado o maior representante do blues da Austrália. Existe uma cena aí? Você tem conhecimento de novos artistas de blues?
DH - Há definitivamente uma cena de blues aqui na Austrália e nós temos excelentes artistas. Existem vários festivais de blues por todo o país e, embora a maioria deses seja de música pop, há alguns blues and roots também. Ouço um monte de bons artistas jovens de blues e é muito compensador vê-los mantendo o blues vivo.

EM – Uma acidente mudou a sua forma do tocar a guitarra. Gostaria que falasse sobre isso.
DH - Logo depois de ter introduzido alguns números de slide no meu repertório, quebrei o dedo mindinho da mão esquerda, justamento o que estava usando para fazer slide. Tive de imobiliza-lo por dois meses e durante esse tempo foi difícil tocar qualquer tipo de guitarra. Conseguia tocar um pouco de slide com o primeiro dedo da mão esquerda, com o bottleneck pendurado. Quando o dedo saiu do gesso tentei voltar ao modo usual de tocar slide, mas não me senti tão confortável quanto o estilo over the top que havia descoberto. Então fiquei com esse estilo e tenho usado desde então.



EM – Nos primórdios do country blues a slide era usada por Tampa Red, Charlie Patton, Blind Boy Fuller, Leadbelly, Bukka White e o próprio Robert Johnson. Você ouvia esses artistas? Ou você já passou para o próximo nível da slide, Elmore James e Earl Hooker?
DH - Ouvi e fui influenciado por quase todos os grandes músicos de blues do passado. Elmore James foi realmente o primeiro deles que ouvi, seguido de perto por Robert Johnson. Então ouvi Charlie Patton, Son House, Earl Hooker, Mississippi Fred McDowell, Blind Lemon Jefferson, Blind Willie Johnson, etc.

EM – No álbum Ticket to Chicago você reuniu um time de feras da cidade. Poderia contar como foram aquelas sessões?
DH - Ticket to Chicago foi gravado na Windy City com a ajuda de alguns músicos realmente maravilhosos. Eu tinha Johnny B. Gayden no baixo, Ray "Killer" Allison na bateria, Tony Zee nos teclados e uma grande seção de metais, organizada pelo  lendário Gene Barge. Billy Branch também participou de algumas faixas adicionando ótimos licks de harmônica. As sessões foram co-produzidas por Bruce Iglauer, da Alligator Records, e foi um momento memorável para mim. Um privilégio e uma emoção tocar com um grupo tão talentoso. A experiência foi ainda melhor pelo fato de que eles eram todos muito agradáveis. Foi um prazer trabalhar com eles.

EM – Você já era um veterano quando finalmente gravou Short Fuse Blues e obteve o reconhecimento fora de seu país. Poderia falar sobre isso?
DH - Na época em que gravei meu primeiro álbum tinha 42 anos e tocava profissionalmente há mais de vinte. Minha carreira até então tinha se passado quase inteiramente em Perth, tocando em pubs e clubes e em algumas das cidades mineradoras na remota Austrália Ocidental. Short Fuse Blues foi gravado e mixado em 3 dias em um estúdio local em Perth. O objetivo era apenas satisfazer as demandas de alguns fãs que perguntavam em meus shows sobre algo gravado. Por um capricho mandei uma cópia para a revista Guitar Player e, para minha surpresa, recebi um telefonema às três horas da manhã de Jas Obrecht, o editor, falando sobre o meu álbum e dizendo: "Vou dar a melhor crítica que já dei em anos”. Fiel à sua palavra, ele deu uma resenha brilhante e, em seguida, seguiu com uma reportagem sobre mim no mês seguinte. Ele também me colocou em contato com Bruce Iglauer que assinou um contrato comigo para seu selo Alligator Records, de Chicago. Ele lançou o álbum para a audiência mundial. Essa é a história da pura sorte que permitiu tornar-me conhecido internacionalmente.


EM – Como foi sua chegada em Chicago, a Meca do blues mundial?
DH - Meus primeiros dias na América foram como um sonho que se tornou realidade. Cheguei com minha banda em Chicago, a cidade que deu origem a tantos dos blues que eu amo, e na noite seguinte tocamos nosso primeiro encontro no Buddy Guy's Legends. Foi uma multidão com muitos membros da imprensa presentes. Apesar de estar muito nervoso, tudo correu bem e uma crítica elogiosa apareceu no “The Chicago Tribune” no dia seguinte. O que se seguiu foi uma turnê de nove semanas com shows todas as noites ao redor do país, um verdadeiro batismo do fogo para as turnês internacionais!

EM – Tenho entrevistado artistas dedicados ao blues de todos os lugares do mundo, Guy King (Israel), Aki Kumar (Índia), Artur Meneses e Celso Salim (Brasil) E todos estão morando nos Estados Unidos, vivendo da música que escolherem. Gostaria que falasse sobre a força dessa música centenária que nasceu com a opressão e que cativa tantos corações.
DH - Embora eu tenha viajado pelos Estados Unidos muitas vezes, nunca fiquei lá permanentemente, a Austrália sempre foi meu lar e eu adoro morar aqui. Quando se trata de música, no entanto, meu coração está na América. Como o blues pode ter um efeito tão poderoso em alguém como eu do outro lado do globo é um testemunho de seu poder. Para mim é uma expressão crua das mais intensas emoções humanas. E acho que é por isso que tem um apelo universal. A opressão e as injustiças que prevaleciam nos campos de algodão, que deram origem ao blues, não estão mais lá. Pelo menos não da mesma maneira. Mas todos nós ainda temos vidas cheias de altos e baixos e parece que tocar blues e cantar sobre nossos problemas nos fazem sentir muito melhor. 

EM - Você assina a produção de Goin Back Down, no qual controlou todas as etapas da produção. Gostaria que falasse sobre isso. 
DH - Com “Goin’ Back Down ”, queria me dar ao luxo de escrever e desenvolver as músicas em um ritmo calmo, sem a pressão habitual de uma data de lançamento fixa. Também queria tocar a maioria dos instrumentos e criar as gravações eu mesmo. Claro que tudo isso leva tempo e acabou sendo um projeto de três anos. Muito desse tempo foi gasto aprendendo as habilidades necessárias, mas achei o processo todo muito agradável. Foi muito libertador poder gravar apenas quando me apeteceu e estou muito satisfeito com o resultado.