Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.
Músicos: Igor Willcox (bateria), Clayton Souza (saxofone), Erik Escobar, Vini Morales, Bruno Alves (teclados), JJ Frannco, Rubem Farias, Glácio Nascimento, Fernando Rosa (baixo), Carlos Tomati (guitarra), Bocato (trombone), Marcus Cesar (percussão).
O lendário trompetista Leroy Jones, conhecido pelos amantes da música como o responsável por manter acesa a chama do Jazz Tradicional de New Orleans, se apresenta na terça-feira, dia 26, no Bourbon Street, em São Paulo.
Trata-se de um dos grandes músicos nascidos na cidade berço do jazz, responsável por expor a audiências de todo o mundo a autêntica música de Louis Armstrong, Buddy Bolden, Danny Barker e todos os grandes que ajudaram a criar o rico caldeirão sonoro da big easy, sem deixar de colocar sua marca em todos os temas.
Leroy Jones começou a estudar trompete aos 10 anos de idade e aos 13 já se apresentava em casas de show e conduzia a banda de sua igreja. Membro do New Orleans Jazz Hall of Fame, seu som é descrito como a mistura da sofisticação de Louis Armstrong com o bebop do virtuoso de Clifford Brown.
O repertório inclui as tradicionais Bourbon Street Parade, Sleepy Time Down South, Basin Street Blues, Do you Know What it Means (to Miss New Orleans) e muito mais.
A banda vem com Leroy Jones (trompete e voz), Victor Atkins (piano), Nobu Ozaki (baixo), Barnaby Gold (bacteria).
Serviço:
Show: Leroy Jones
Local: Bourbon Street
Endereço: Rua Dos Chanés, 127 – Moema – SP
Data: 26/09/2017 – terça-feira
Horário: 21h30
Bilheteria: de 2ªf.a 6ª.f das 9h às 20h, sábado e feriado das 14h às 20h
Fone para reserva: (11) 5095-6100 (Seg. a sexta) das 10h às 18h
Abertura da casa: 20h30
Couvert Artistico: R$ 75,00
Venda também pela Ingresso rápido - 11 4003 1212 - www.ingressorapido.com.br
Classificação indicativa: 18 anos e 16 anos acompanhado de responsável
Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.
Músicos – Marcos Viana (voz), Lancaster Ferreira (guitarra), Humberto Zigler (bateria), Flávio Naves (Hammond/piano), Bruno Falcão (baixo), Denillson Martins (saxofone) e Ivan Márcio (harmônica em Help).
Produção – Marcos Viana e Flávio Naves Gravação e mixagem – Space Blues Studio, São Paulo, Brasil - 2017 Produzido e masterizado – Alexandre Fontanetti Álbum design e fotos - Alexandre Cândido (Pamplace)
Músicas
1 – A Hard Days Night
2 – Eleanor Rigby
3 – You Can't Do That
4 – Stand By Me
5 – I've Got a Feeling
6 – Ticket to Ride
7 – Yellow Submarine
8 – The Word
9 – Help
Larry McCray e Vasco Faé (Ilhabela 2017) Foto: Eugênio Martins Jr
Foram 11 anos de muitos shows legais. Criando projetos, formando parcerias, respirando cultura 24 horas por dia.
Não existe outra forma de produzir que não seja com tesão. As dificuldades são muitas, inimagináveis, e sem tesão você não levanta nem do sofá.
A Mannish Boy sempre optou pela qualidade. Esse é nosso jeito de fazer. E nem sabemos fazer de outro. A independência nos deu essa liberdade e a lista de shows da Mannish Boy mostrada abaixo fala por si. Nosso produto sempre foi bom.
Mas não dá mais. Por uma série de fatores, nos últimos dois anos a Mannish Boy não tem conseguido colocar os shows nos locais que antes conseguia e dívidas com contador, bancos, impostos municipais e federais foram acumulando até que inviabilizaram a empresa.
Os fatores: incompetência em fazer política e investir mais no marketing, confiar em produtores e tomar calotes homéricos e, no fim, incapacidade em separar as contas pessoais das empresariais.
A alta do dólar, todos sabem que a Mannish Boy também trabalha com artistas internacionais; a falta de ética de alguns donos de casa de shows que sempre estão "atravessando" os nossos contatos; “alguns” músicos mercenários que fazem perder tempo com eles e na hora de fechar um show te dão um pé na bunda; pessoas que falam imbecilidades sobre cultura em geral, Lei Rouanet, apropriação, meia entrada, ECAD, OMB, mas não têm a capacidade de ler um livro; amigos que pagam 500 reais em show gringo, mas não pagam 50 nas tuas produções (às vezes nem isso) e vivem pedindo ingressos.
Outra coisa que incomodou muito foi lidar com pessoas alheias à cultura em cargos chave em empresas e prefeituras. Na política, cabides de emprego. Nas empresas, gerentes de marketing e pseudo produtores. Tudo isso foi minando a vontade e a economias da empresa.
E, acima de tudo, o desmonte que vem ocorrendo na cultura nesse desgoverno usurpador que assolou o país nos últimos meses, transformando o cenário político em balcão de negócios. E o pior, com a população calada e a classe média sob o cabresto ideológico da FIESP, MBL e fundamentalistas religiosos. O Brasil chegou ao fundo do poço cultural.
Porém, a Mannish Boy nunca ficou devendo a nenhum contratado. Os músicos com quem trabalhamos podem atestar isso. E agradecemos a todos por terem acreditado no trabalho durante todo o tempo que a Mannish Boy ficou ativa.
Não tenho mais como manter uma estrutura, ainda que pequena, com o volume de shows e renda que a empresa vem amealhando nos últimos meses.
Infelizmente anuncio aqui o fim da Mannish Boy Produções Artísticas. O fim do sonho que tive em fazer boa música.
Hoje, aos 51 anos, estou desempregado. Engordando as estatísticas.
Espero continuar fazendo eventos com a cerveja artesanal CAIS. E também algumas produções de shows esporádicas. Sempre com a mesma qualidade. Conhecimento não me falta.
Continuo com o Mannish Blog, que esse mês, completa oito anos no ar. Jornalismo que me dá prazer, mas também não dá dinheiro.
Agradeço a todos que cruzaram o caminho da Mannish Boy Produções Artísticas e que foram leais à empresa e à boa música em todos esses anos.
Shows: 2006 - Mauro Hector, Leo Gandelman, Big Time Orchestra, Big Joe Manfra, Ana Caram, Eric Gales, John Pizzarelli e Stanley Jordan. 2007 - Traditional Jazz Band, Blue Jeans e Magic Slim, Big Time Orchestra, Rosa Passos, Gilson Peranzzetta, Kenny Brown, Freddy Cole e Peter Madcat. 2008 - John Pizzarelli (Virada Cultural), Kenny Brown, Os Cariocas, Lô Borges, Rosa Passos, Francis Hime, Bad Plus, Big Time Orchestra, Marina De La Riva e Stanley Jordan 2009 - Mart’nalia, Traditional Jazz Band, Badi Assad, Izzy Gordon, Vânia Bastos, Daisy Cordeiro, Igor Prado Blues Band, Robson Fernandes Blues Band, Caviars Blues Band, Big Chico Blues Band, Luccas Trevisani, John Pizzarelli, Pedro La Colina e Sexteto Cañaveral, Havana Brasil, Dixie Square Band, Projeto Café com Música, Sepultura, Leo Gandelman, Big Joe Manfra, Big Gilson e Arnaldo Antunes. 2010 - James Wheeler e Igor Prado Band, Ary Holland e Maria Diniz, Bruna Caram, Adriana Peixoto, Giana Viscardi, Lynwood Slim e Igor Prado Band e Tom Zé, Choro de Bolso, Os Fulanos (teatro), Hermanoteu na Terra de Godah. 2011 - Maurício Sahady e Ivan Márcio Blues Band, John Pizzarelli e Banda, Big Time Orchestra, Shirley King South American Tour 2011 (com Gerald Noel e Ivan Márcio Blues Band) e Roda de Samba do Ouro Verde e Wandi Doratiotto (Tarrafa Literária), Meu Caro Amigo (teatro), Hamilton de Holanda (aniversário de Santos) e Maria Rita. 2012 – Giba Byblos, Bluesonicos, Lurrie Bell e Big Chico, Soundtrackers, Vanessa Jackson, Cláudio Celso Quartet, Igor Prado Blues Band, Shirley King South American Tour 2012 (com Gerald Noel e Giba Byblos Blues Band), Big Jam – Tributo a Celso Blues Boy, Lobão. 2013 – Harry (Virada Cultural São Paulo, Shirley King (Virada Cultural Jundiaí e São João da Boa Vista), Caviars Blues Band, Clube do Blues em Mongaguá, Cláudio Celso (Jazztimes e Jazz.br), Hamilton de Holanda Trio (Tarrafa Literária). 2014 – Big Chico, Orleans Street Band, Jon McDonald, Camisa Listrada, Giba Byblos Blues Band, Jam For a Dime, Shirley King (Santos Jazz), Igor Prado (Santos Jazz), Cláudio Celso, Zuzo Moussauer (Rio das Ostras Jazz e Blues), Larry McCray e Banda, Lurrie Bell, Lazy Lester, Peter Madcat, Los Breacos. 2015 – Claudio Celso e Orquestra Sinfônica de Santos, Gravação de DVD de Zuzo Moussawer, Harry, Igor Prado Blues Band convida Tia Carroll, Filippe Dias Project, Rearranjos – Elis e Tom; Mauro Hector Trio - gravação do CD Ao Vivo; Rearranjos – O Grande Encontro; Giba Byblos – Clube do Blues Acústico, Oficina – Uma História do Blues; Rearranjos – Ventura; In The Level, Orleans Street Jazz Band, Oficina – Jazz a Música Transcendental, Delta Blues. 2016 – Koko Jean Davis e Igor Prado Band, Raphael Wressnig e Igor Prado Band, Osmar Barutti Trio, Divazz, Izzy Gordon, Jefferson Gonçalves, Artur Menezes, Filippe Dias, Vasco Faé acústico, Ivan Márcio e Roger Gutierrez, Sax Gordon e Igor Prado Band, Big Time Orchestra, Big Chico Tributo a BB King, Orleans Street Jazz Band, Mauro Hector e Zuzo Moussawer, Dog Joe, Gustavo Figueiredo. 2017 – Larry McCray, Blues Beatles, Divazz, Aki Kumar, Dog Joe, Love in a Void.
Após os cariocas, agora os paulistanos, paulistas e até são paulinos, poderão reviver os melhores momentos de uma das bandas mais influentes da música contemporânea, a exposição Nirvana: Taking Punk to the Masses, que já alcançou mais de 3 milhões de visitantes nos seis anos em que esteve em cartaz em Seattle, aterrissa em São Paulo dia 12 de setembro e fica em cartaz até 12 de dezembro no Lounge Bienal.
Localizado no Parque do Ibirapuera, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, o Lounge Bienal dá vida ao cenário underground do Nirvana, reunindo registros que resgatam o surgimento da revolucionária banda em 1987, o processo criativo do último disco - In Utero, além de um mural que reúne 21 discos que fazem parte do acervo pessoal do baixista Krist Novoselic.
Parte das atividades do calendário 2017 da plataforma Samsung Conecta, que tem por objetivo oferecer experiências únicas, na música e no esporte para os consumidores brasileiros, o Samsung Rock Exhibition - Nirvana: Taking Punk to the Masses será distribuída numa área de aproximadamente 800 metros quadrados, reunindo mais de 200 peças entre instrumentos icônicos, fotos, vídeos, depoimentos, álbuns, objetos pessoais dos integrantes, cartazes, entre outras peças que vão desde a origem do grupo, em Aberdeen, às grandes turnês internacionais. “Será maravilhoso ter a oportunidade de compartilhar com os fãs do Brasil, onde o Nirvana tocou para seu maior público na história da banda”, diz Jacob McMurray, curador da exposição.
Registros do Rock - Os anos 80 registraram o surgimento de artistas independentes, e nessa década (1987), Kurt Cobain e Krist Novoselic formaram o que viria a ser o Nirvana. Registros resgatam esse momento, as primeiras composições, instrumentos e o surgimento da Sub Pop, gravadora que impulsionou discos como Soudgarden, Mudhoney e o próprio Nirvana.
Em 1991 o lançamento do álbum Nevermind transformou o Nirvana na primeira banda com mensagem underground a atingir o mainstream. No final deste ano, o Nirvana vendia 400 mil discos por semana, e no ano seguinte atingia o primeiro lugar na Billboard, superando o até então imbatível Michael Jackson.
A exposição narra também o processo criativo do disco In Utero, o último da banda, e a morte de Kurt Cobain, em 1994, além de um mural com os 21 discos que fazem parte do acervo pessoal do baixista Krist Novoselic.
Serviço:
Lounge Bienal – Av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Ibirapuera, São Paulo – SP.
Passarela Ciccillo Matarazzo - Parque Ibirapuera.
(11) 5576-7640.
Horários de visitação: de terça a sexta: das 10h às 19h.
Sábados, Domingos e Feriados: das 10h às 20h.
Ingressos: www.ingressorapido.com.br
R$ 25,00 de terça a quinta; R$ 35, sexta a domingo.
Em um intervalo de um mês assisti a um show de Joe Louis Walker, onde consegui essa entrevista, e produzi três de Larry McCray. Dois dos maiores representantes do blues contemporâneo. Dois caras cheios de soul. Peguei Joe Louis numa noite inspirada, de bom humor e com a guitarra afiada. Grande show no Bourbon Street, em sampa.
Conheci-o no álbum de BB King de 1993, Blues Summit. Mas seu som bateu forte com o Great Guitars (1997), uma paulada na moleira que, fazendo jus ao nome, tem Otis Rush, Ike Turner, Taj Mahal e outros como convidados. Às vezes duelando entre si.
Ele nasceu e cresceu na San Francisco dos anos 60, o olho do furacão da contracultura. Reinou por lá ao lado de Santana, Mike Bloomfield, Country Joe e Jerry Garcia.
Mas afastou-se da turma devido aos excessos e bandeou-se para o lado da gospel music, se formou na faculdade e se aprumou na vida, se é que você me entende.
Em 1986 o blues reclamou sua alma e Joe Louis lançou Cold is The Night, um dos melhores discos do ano. Desde então, o guitarrista da dourada e enfumaçada costa oeste americana vem lançando vários discos básicos em qualquer coleção: The Gift (1988), Blue Soul (1989), Live at Slim’s Vol.1 e Vol.2, Preacher and the President (1998), In The Morning (2002), Hellfire (2012) e Everybody Wants a Piece (2015).
Ao lado de Larry McCray e mais meia dúzia de caras inovadores e cheios de alma tornou-se um dos grandes representates do blues atual. Os inovadores do passado, Robert Johnson, Muddy Waters e o velho Jimi devem estar rindo de satisfação lá no céu dos guitarristas.
Podem acreditar, coisas estranhas acontecem mesmo. Larry McCray me ligou no meio da entrevista para acertar uns detalhes de sua miniturnê em julho no Brasil. Quando Louis percebeu com quem eu estava falando pediu o telefone e levou o maior lero com Larry. Fiquei a escutando as paradas musicais que eles falavam. Classe A.
Eugênio Martins Júnior - Você começou a tocar guitarra na infância já influenciado pelo blues?
Joe Louis Walker – Fui influenciado pelo blues desde bebê porque era o que meu pai e minha mãe ouviam. Eles sempre tocavam discos de blues. Eles me sentavam à mesa para escutar o que estava tocando na vitrola.
EM – Então você já cresceu em um ambiente musical? Quais artistas você ouvia?
JLW – Sim. Ouvia Howlin’ Wolf, Meade Lux Lewis, Pete Johnson, Muddy Waters. Minha mãe tocava BB King, BB King, BB King, BB King (risos). Éramos em cinco irmãos que cresceram ouvindo essas músicas.
EM – Crescer nos anos 60 em San Francisco influenciou você de que forma?
JLW – Bem, ia ao Fillmore antes de os hippies chegarem. Meus primos tinham uma banda quando eu tinha uns 12 anos. E um deles se tornou profissional e depois fiquei em seu lugar. Tocávamos por toda a Califórnia. Minha família incentivou porque nos queria longe de problemas. Não praticávamos esportes, a única coisa que fazíamos era música. Todos os dias.
EM - É impressionante a lista de pessoas com quem você tocou naquela época, John Lee Hooker, Otis Rush, Thelonious Monk, Willie Dixon, Earl Hooker, Muddy Waters e Jimi Hendrix. Pode-se dizer que você estava no lugar certo, na hora certa?
JLW – Abri shows para Thelonious Monk. Mas aprendi muito assistindo e falando com ele. Ouvindo ele tocar, era como se estivesse em uma escola.
EM – Qual foi a lição mais importante que teve tocando com todos esses artistas?
JLW – Alguns me disseram a mesma coisa: faça sempre a sua música. Não tente ser como eu. Não tente ser como BB King. Acho que foi o melhor conselho que tive. E não foi difícil, porque já tocava por um tempo. Mas todos esses músicos tiveram sua influência sobre mim. Blues, soul music, os caras do blues, Lowell Fulson, Jimmy McCracklin, os hippies, Jefferson Airplane, Jerry Garcia, Bob Weir. Faço um mix de tudo isso.
EM – Você chegou a tocar com o Jimi Hendrix, como foi?
JLW – Foi uma jam session. Em um lugar onde as bandas ensaiavam. Eu era jovem, lá conheci Mike Bloomfield que tocava no Electric Flag, cujo baterista era Buddy Miles e nos tornamos grandes amigos. Através dele conheci Jimi, pois Buddy sempre falava dele antes de ser famoso. Fazíamos jams e íamos a festas. Posso dizer que já era um jovem criativo. Se houvesse quatro guitarristas, eles tocariam uma música igual, mas se ele ouvisse os quatro tocando, faria diferente de todos.
EM – Tinha sua própria voz, como BB e Carlos Santana.
JLW – Sim, Jimi sempre trabalhou nisso. Conheci Santana na mesma época e ele também fez isso. Sabia que o primeiro nome da banda de Santana tinha o “blues band”? Então Carlos começou a escutar Tito Puente, Eddie Palmieri, Mongo Santamaria. Oye Como Va, uma canção tradicional, e Black Magic Woman, não foram escritas por ele. O que ele fez foi trazê-las para a sua cultura. Muitas pessoas esperavam por esse som, em Honduras, Nicarágua, México. Ritmos como salsa já existiam, mas de forma tradicional, não com a guitarra no topo. Ele colocou e funcionou. Misturou com as coisas que estavam acontecendo na época, com as músicas dos hippies e o blues.
EM – No Brasil os músicos fazem isso o tempo todo.
JLW – Eu sei, mas Carlos estava no lugar certo na hora certa. Antes de Woodstock meu primo Robert Willians tocou com Chapito Arias e Michael Carabello e todos conheciam e tocavam juntos com seu irmão, Jorge Santana. Bem, Jorge tinha uma voz ótima, emplacou um grande hit (nesse momento Joe começa a cantar Suavecito mi linda...), um super hit. Era muito mais melódico do que Carlos. Mas Carlos passa a tocar toda semana no Fillmore. Não sei se foi por causas empresariais, mas muitas coisas acontecem por acidente. Veja, tivemos Woodstock que fez a diferença para muitas bandas. Santana e Sly Stone foram duas delas. Eles ganharam o mundo depois de tocar lá.
EM – Fale sobre a sua amizade com Mike Bloomfield.
JLW – Um amigo em comum nos apresentou. Eu e Johnny vivíamos juntos e quando fui para o Canadá, Mike foi morar na casa. Era um ponto de encontro de músicos. Às vezes tínhamos vinte pessoas à mesa. Country Joe, a banda do Muddy, todos.
EM - Depois disso você ficou um tempo fora do blues. Porquê tomou essa decisão?
JLW – Fiquei chateado. Todos estavam fazendo muito dinheiro. Era uma vida de excessos. Passei a tocar gospel. Queria terminar meus estudos. Estava tentando ser eu mesmo.
EM – Conheci a tua música com o grande álbum Great Guitars, que tem Bonnie Raitt, Buddy Guy, Matt Guitar Murphy, Robert Lockwood. Gostaria que falasse sobre esse álbum em especial e como foi realizado.
JLW – Sou sortudo em poder trabalhar com todos os meus heróis (risos). Gigantes, únicos. Fiquei amigo de Gatemouth Brown, Scott Moore, Robert Jr Lockwood. Aprendi muito sobre guitarra e acabei viajando com eles. Steve Crooper foi o co-produtor. Não é só música, eles inventaram algo. Tentei chamar Johnny Guitar Watson, Johnny Winter e John Lee Hooker, mas eles andavam com problemas de saúde na época. Gravar esse disco foi a realização de um sonho. E não só meu, Little Charlie tocava coisas de Scott Moore, mas não o conhecia e coloquei os dois juntos. Ao final das sessões Robert Jr disse que queria gravar um disco comigo. Foi uma grande experiência.
EM - O blues existe há mais de cem anos, o que ele ainda pode dar para a cultura americana?
JLW –Coloque assim. O blues nunca foi inventado. O que os Ten Years After, os Rolling Stones e os Beatles tocavam? Se Chuck Berry não tivesse inventado o rock and roll e os outros caras não tivessem tocado blues, o que eles seriam? Frank Sinatra? Não, eles queriam sem Howlin’ Wolf.
EM – Como os ritmos brasileiros, o blues vem dos ancestrais.
JLW – Sim. Como Cuba, que é semelhante ao Brasil. Começa com a batida dos tambores. Na Europa é diferente, quando tocam tambores fazem assim... (imita a batida de bandas marciais). Mas se fechar os olhos, o som da Jamaica, África, samba, têm o mesmo ritmo.
EM – Você pode misturar tudo que funciona.
JLW – Sim, está provado que funciona. Mas como o Muddy dizia, você não pode nascer com um milhão de dólares e cantar sobre ser pobre. Mas se você for pobre e ganhar um milhão de dólares, vocâ ainda pode cantar sobre ser pobre. Tem o sentimento. Você não pode sair por aí cantando: “A vida é tão boa, meu carro é novo, como é bom ser um milionário” (risos). O indicativo de o blues ser nossa música é esse tipo de sofrimento. Na economia musical, os ricos mandam e ganham dinheiro com a música dos outros. Ravi Shankar, Bob Marley, Marvin Gaye, todos pobres. Os Beatles eram pobres em Liverpool. A música do Brasil, de Cuba. Essa é história que precisa ser contada.
EM – Já que estamos mais ou menos nesse asssunto, gostaria que comentasse essa afirmação: “"Não tenha medo de acrescentar outras culturas em seu som."
JLW – Sempre tento incorporar novos elementos na minha música. Mas tento procurar as pessoas certas. Se eu for tocar samba, vou procurar músicos brasileiros e ver o que acontece. Mas sem querer me apropriar da música dos outros para ficar famoso. Não sou Paul Simon, não sou David Byrne, não sou Peter Gabriel. No fim do dia a questão é: Onde está sua música?”. Todos os músicos que tocaram em Graceland já eram famosos antes de tocar com Paul Simon. Todos os músicos que tocaram com Peter Gabriel também. Youssou N’Dour era muito famoso. Sem desrespeito ao sucesso desses músicos, mas isso soa como merda na minha opinião. Me desculpe.
Essa seção surgiu da vontade em divulgar os lançamentos e prestigiar os artistas de blues e jazz brasileiros que trabalham duro para gravar um CD autoral. E também, mostrar todos os profissionais envolvidos na produção.
Nunca antes na história desse país a cena independente foi tão forte. A popularização dos meios de gravação e veiculação, com o advento da internet, proporcionaram isso.
Surfando nessa onda, o Mannish Blog continua com sua missão de divulgar a boa música do Brasil.
Aqui o assunto é música - todos os gêneros - e alguma literatura. Não vejo sentido em reproduzir o que já foi colocado na rede, por isso, produzo meu material. Produzo shows, entrevisto artistas e escritores e garimpo notícias e quando não tenho o que dizer, não digo nada. As postagens não obedecem uma periodicidade. O Nome Mannish Blog foi tirado da música Mannish Boy, de Muddy Waters, blueseiro do Mississippi considerado o elo entre o blues rural e o blues moderno. Espero que gostem do espaço e colaborem enviando informações.
Todas as despesas desse blog são custeadas pelo meu trabalho. Se você acha que deve pagar por essas informações, deposite qualquer quantia em: Banco Itaú - AG: 0268 CC: 31501-7 CNPJ: 14.240.073/0001-65. Obrigado e abraço.
Produtor cultural, criador dos Projetos Jazz, Bossa & Blues, Clube do Blues de Santos e Jazztimes. Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Católica de Santos. MTB - 33.533
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