Marco Bosco e sua parafernália
Texto e fotos: Eugênio Martins Júnior
Marco Bosco rodou o mundo com a música. A música do Marco Bosco rodou o mundo. E cada pedaço do mundo mora na música de Marco Bosco. Ouvi-la, é presenciar um fenômeno, no qual as fronteiras geográficas simplesmente não fazem sentido.
Com seu cúmplice, o tecladista Paulo Calasans, Bosco opera uma central que une sintetizadores a equipamentos rústicos de percussão, criando artérias sonoras que ligam o pulsar do Japão ao coração da África, passando pela ancestralidade da China e os sons vivos da floresta amazônica.
Essa fusão, no entanto, não é fruto do acaso, mas da natureza intrínseca da percussão brasileira, uma linguagem com portas sempre abertas.
No tabuleiro da música do mundo - world music - o Brasil não apenas participa, ele fornece a gramática rítmica que permite a conversação entre diferentes continentes.
Quando Marco Bosco utiliza o couro de um tambor ou o metal de um chocalho, ele convoca uma herança que já nasceu mestiça, capaz de absorver a complexidade dos ritmos orientais sem perder a identidade.
E desculpe a redundância, nesse cenário a percussão deixa de ser apenas marcação de tempo para se tornar a própria arquitetura sonora. É o elemento que humaniza o sintetizador e dá textura ao caldo sonoro global.
Ao priorizar a batida da terra, Bosco reafirma que a música do mundo não se faz apenas com tecnologia, mas com a sensibilidade de entender que o balanço do maracatu ou o choro de a cuíca possuem frequências que transformam a diversidade geográfica em um elemento compartilhado.
Sua discografia é tão grande quanto diversa. Ouvir Metalmadeira (2014) e Metalmadeira II (2025) é essencial. Online (2016) com Paulo Calasans foi um disco gravado...online. Mais uma possibilidade da tecnologia à serviço da música.
No Spotify ainda é possível achar pérolas avulsas colocadas lá para o nosso deleite e o do mundo: Flora Brasileira (com Flora Purim), Inventando Moda, Electricwood I e Electricwood III.
Uma passada nessa discografia também nos encontramos com Airto Moreira, Egberto Gismonti, Oscar Castro Neves, Ruriá Duprat, César Camargo Mariano, Dominguinhos, Marlui Miranda e muitos outros.
Marco Antônio Bosco nasceu hoje, 28 de abril, há 70 anos atrás. Essa matéria é uma homenagem a esse grande músico que leva o nome do Brasil para onde vai.
Abraço, Bosco. Feliz aniversário.
Eugênio Martins Júnior - Como foi a tua infância musical?
Marco Bosco – Olha. Desde meu avô paterno, que era violeiro, todo mundo canta. Tinha minha tia Selma rodou o mundo como bailarina espanhola. Os caras iam ensaiar em casa e lembro de ouvi-los tocando. O tio Nenê era o Frank Sinatra brasileiro. Minha mãe fala que quando cheguei em Aparecida do Norte para ser batizado escolhi uma violinha como presente. Já no ginásio havia uma fanfarra. Aí pensei: “É essa parada aí que eu quero”. Virei corneteiro, trompetista.
Em São Paulo fui morar na Peixoto Gomide, esquina com a Itararé, onde ensaiava a (escola de samba) Vai Vai. Aquele baita barulhão. Aí fui lá, né? Com 16 anos fui tocar na avenida Ibirapuera. O shopping não existia, só casas de samba.
EM – Deixa eu me situar. Você já tinha ido morar em São Paulo com a tua família?
MB – Meu pai morreu quando eu tinha três anos. Saímos de Torrinha e fomos para São Paulo. Onde cresci, casei e servi o exército. Mais tarde, já na música, fui estudar em Campinas. Estava tocando em uma casa noturna e tinha um show do Zé Rodrix na cidade. Ele me pediu os timbales emprestados e eu disse: “Emprestar eu não empresto. Eu toco”. Quando acabou o show ele disse que estava montando uma banda em São Paulo e me chamou. Eu disse: Só se for agora”. Fui para São Paulo. Mas aí conheci o seu Liu, da dupla Liu e Léu. Ele todo chique e tal. Ele gostou de mim e me colocou para gravar com todos os sertanejos. Gravava três discos por dia com o Julião Batera, que me ensinou pra caramba. Toquei com o Zé Rodrix, Luiz Ayrão, um monte. Daí estou um dia na RCA Victor quando chega uma delegação do Japão. O Reinaldo Barriga não sabia falar inglês e eu fui como intérprete. Conversa vai, conversa vem eu disse que era primo da Sônia Rosa, uma cantora que ganhou tudo o quanto era festival da época. Ela era conhecida por ter participado da feira de Osaka em 1970. Ela e o João Bosco. O Sadao Watanabe a adotou e ela nunca mais voltou.
EM – Essa tua prima foi com uma banda e o João Bosco?
MB – Não. Só ela e o João Bosco. Ela cantava bossa nova, era compositora, ganhou festivais, inclusive com a Odete Lara cantando uma música dela. Ela gravou um disco no Japão com o Sadao que vendeu seis milhões de LPs.
EM – Se deu bem logo de cara.
MB - Então, mas naquele dia, na RCA Victor o japonês pediu meu contato e depois me chamou. Em 1980 montei uma banda chamada Grupo Acaru, com o Ruriá Duprat e o Leandro Brás. Mas o Leandro saiu. Ficou o Turquinho Alves, Zé Américo Antônio e o Ruriá. E fomos para Tóquio.
EM – Espera um pouco, já vamos chegar no Japão. Quero voltar um pouco. Nunca tinha ouvido falar de Torrinha até te conhecer. Parece que a cidade não mudou em décadas. Ainda possui somente nove mil habitantes. A cidade ainda te inspira de alguma forma?
MB – Nove mil no município. Na cidade tem sete mil. É do ladinho de Brotas. Velho, eu sou da viola. Cresci aqui. Onde ninguém fala você. Todo mundo fala “Cê”. Vou fazer 70 anos e meu projeto novo vai se chamar “Cê Tenta em Casa”. Com os violeiros a Orquestra de Campinas e convidados.
EM - Nos anos 2000 você realizou um projeto musical com jovens da cidade. Fale sobre isso.
MB – É o seguinte (risos). Minha mãe estava muito doente em São Paulo e eu pensei: “Vou levá-la pra roça para ela morrer em paz no cantinho dela”. O médico falou que ela tinha seis meses e aqui ela durou mais dois anos. Aqui tem muito eucalipto e eu conheci o maior produtor local de óleo de eucalipto. E descobri que ele tinha um depósito de latas de óleo daquelas de 20 litros. Mas tinha umas quinhentas. Arrumei um caminhão e peguei todas. Aí fiz esse projeto com a molecada, desde pintar a lata até tocar. Não tinha outro instrumento, só lata.
EM – Para quem quisesse participar?
MB – Sim. E a estação do trem estava desativada e a gente ensaiava lá.
EM - Pesquisando para fazer essa entrevista li que você produziu trilhas para dança, teatro e cinema. Eu ia te falar mesmo que acho a tua música bem visual. Posso estar falando groselha e se estiver me corrija, mas gostaria que falasse sobre isso.
MB – Acertou na mosca. Sou percussionista, mas gosto do Pink Floyd. Porque as imagens sonoras são as que ficam. Saio aqui na porta e tem seriema, tucano e eu gravo tudo. Minha vida inteira foi reproduzir os sons da natureza. Voltando ao Zé Rodrix, fui com ele tocar em Vitória. Quando acabou o show conheci o Maurílio Coelho. Manja esse cara?
EM – Não.
MB – Ele me deu uma caixa de madeira, grande, linda, com quarenta e oito cantos de passarinhos. É o que uso até hoje. Quando você coloca um reverb ou um delay parece que você está no mato. Cresci no mato, mas gosto de Pink Floyd, Santana. Como é que eu vou tocar conga como o Giovanni Hidalgo? Impossível. Mas se tocar do meu jeito ele também não vai tocar o que eu toco. Fui construindo assim. Você chega no lugar e não é o que você quer tocar, é o que o cara quer. Você está lá para isso. Já gravei com Deus e o mundo. Aprendi muito com vários artistas. Pô, gravei o original de Fuscão Preto. Trabalhei com Liu e Léo, Zico e Zeca, Pena Branca e Xavantinho, Chitãozinho e Xororó. Chegava no estúdio: “Hoje é esse, vamo simbora”.
Marco Bosco e Leo Susi no Bourbon Street
EM - Vejo em muitas das tuas composições uma fusão de elementos eletrônicos e instrumentos acústicos. Posso citar alguns exemplos aqui: 33 e o EP mais recente, o Metalmadeira II e a música Sol da Manhã que parece que tem um berimbau com wha wha. Isso foi um planejamento no sentido de “eu quero falar com o mundo”, “eu quero fazer isso mesmo” ou foi acontecendo naturalmente?
MB – É um berimbau com arco de violino. Em 1980 eu fui para o Japão para ficar quatro meses, que era o máximo que podia. Levei instrumentos brasileiros velhos, sabe como é. Quando cheguei lá comprei uma bateria eletrônica da Yamaha. Uma de cartucho. Na época não existia midi. Me aprofundei na bateria eletrônica, nas levadas que eu queria, como queria. Por exemplo, esse disco que saiu agora, o Metalmadeira II, é de 1983.
MB – Como chama aquele cara que foi produtor do U2?
EM – Daniel Lanois?
MB – Não.
EM - Steve Lillywhite?
MB – Não, aquele outro famosão. Na bienal de São Paulo de 1984 eu dei um disco para ele, assinado e tal. Passaram-se trinta e poucos anos o John Gomes, DJ fodão lá da Inglaterra, encontrou esse disco assinado num sebo e comprou.
MB – Lembrei, Brian Eno. Você falou todos menos ele. (risos)
O Brian Eno tinha aquele disco Music For Airports que eu pirava.
Mas então o DJ achou o disco e entrou em contato comigo. Ele produziu um álbum duplo no qual tenho três músicas. Cara, esse álbum vendeu quarenta mil cópias. Uma DJ brasileira que nasceu em Curitiba e mora em Milão comprou o Metalmadeira e via gravadora Soundway Records juntou vários DJs para gravar alguns remixes. Diziam que eu fui o primeiro cara da música a fazer o que eu faço hoje. Porque lá nos anos 70, eu e o Paulo Calasans, ainda moleque, fazíamos um som acompanhando um ao outro com bateria eletrônica, sequencer, era uma onda. Você trocava o programa com a fita cassete. A cada duas músicas alguém tinha que falar alguma coisa para dar tempo de trocar. Fomos caminhando assim desde o começo.
EM - Fale sobre essa parceria com o Paulo Calasans. Ele completa o lado eletrônico do teu som. Programações, sinths, teclas.
MB – Tenho 16 álbuns e ele tocou em 14. No álbum Online de 2015 fizemos tudo online. Até ensaiar. Só nos encontramos no dia do show. O lance com o Calasans foi o seguinte. Íamos tocar em Jundiaí e o pianista deu o cano. Mas o equipamento dele estava com a gente. E quando acabou o show em questão fomos comer e beber em um lugar onde o Paulinho estava tocando. Nós perguntamos se ele queria seguir turnê com a gente e ele aprenderia as músicas no ônibus e ele foi.
EM – Tá de sacanagem?
MB – É. Aí o Sá e Guarabyra também o chamou. Depois o Lô Borges.
EM – Você fez com ele a mesma coisa que o Zé Rodrix fez contigo. Chamou o músico e deu uma chance.
MB – Exatamente. E ele tocava pra caramba. O pai dele tocava violoncelo e os irmãos violino, baixo e viola. Tinham um quarteto clássico.
EM – Que história legal. Mudando de assunto, muita gente chama isso que você faz de world music. Você reconhece esse rótulo?
MB – Faz sentido. Não faço música para nenhum lugar específico. Quando estou gravando não penso em nada. Eu recebo algumas gravações, edito e gravo do meu jeito. Ninguém se encontra mais pra tocar.
EM – Por um lado isso legal. A tecnologia encurtou as distâncias, mas o calor do estúdio, da troca de ideia ao vivo se perdeu.
MB – É, você pode testar, mudar, editar. Bicho, tocar em disco é uma coisa e ao vivo é outra. O tratamento é diferente em cada música.
EM - O teu kit de percussão é o maior que eu já vi até hoje. Você tem noção de quantos instrumentos tem?
MB – Ah não sei. Tem o básico, né? Timbales, conga, djembe, bongô e o resto. Sei lá. Fui para Portugal e um cara fez um monte de sino de barro. Outro dia estava andando aqui no pasto e trombei com um cavalo morto e roubei o queixo dele. Está aqui. Vou te mostrar. (ele pega o negócio coloca em frente à tela do computador, é um trambolho que nem dá pra ver direito). É um dos instrumentos mais antigos do mundo. A primeira vez que ouvi foi na música Disparada. É o pai do vibraslap.
E agora ganhei um berimbau feito em São Paulo que é o melhor do planeta, feito pela Berimbau Brasil. É um absurdo. Com tarraxa de contrabaixo, corda de pianos que afina. Você vai juntando instrumentos, cabaças da África, sementes.
EM – Bosco, você teve uma vida musical prolífica no Japão. Não sei nem por onde começar, você fez muita coisa lá naquele país. Gostaria que contasse um pouco dessa história.
MB – A primeira vez fiquei quatro meses. Só que esse disco que gravamos lá, Live at Hot-Crocket, o lugar onde a gente trabalhava, vendeu sessenta mil cópias. Pô, comprei um apartamento. Tirava até foto do dinheiro e tal. Depois, em 1989/90 mandei uma trilha que fiz para um balé em São Paulo sobre danças indígenas. A Odeon do Japão, que tinha um selo com um nome brasileiro, me chamou. Fui e gravei mais algumas faixas, num disco que se chama Hánêréa (The Power of Nature), usando algumas coisas que gravei em Manaus. E foi pintando trampo e eu fui ficando. Mas tinha que arrumar alguma coisa para fazer lá. Naquele momento entre o Brasil e o Japão havia começado a modalidade de “visto cultural” e eu me matriculei numa escola chamada Edo Sukerocu Daiko. Fui aprender a tocar instrumentos japoneses, o taiko. Fiquei cinco anos com eles. No disco chamado Tokyo Diary coloco junto com a galera do samba.
Depois conheci um cara chamado Nick Wood, que era sócio do Simon Le Bom do Duran Duran. Eles têm uma produtora chama SYN Productions e eu comecei a gravar com eles e fui ficando. Fiquei mais de 20 anos.
EM – A família foi junto?
MB – Não. Fiquei viúvo aos 37 anos. Minha filha ficou morando com as tias e só foi quando ficou adolescente. Minha mãe estava muito doente e eu voltei em 2000, mas ela acabou falecendo. Em 2004 voltei para o Japão e depois voltei ao Brasil em 2012. Depois fui para a Europa, Portugal, Macedônia, um lugar maravilhoso. No final de 2019 voltei para trocar o meu visto e estourou a pandemia e eu vim para Torrinha. E estou aqui desde então.
EM - Tokyo Diary é um álbum com uma constelação de bambas. Já que você tocou no assunto, gostaria que falasse sobre esse álbum.
MB – A parada é a seguinte. Minha prima Sônia que morava lá e está viva até hoje, era muito amiga do Sérgio Mendes e do Oscar Castro Neves. O Sérgio me chamou para trabalhar com ele. Também fiquei muito amigo do Oscar Castro Neves, ele era o professor, né? Me ensinou tudo.
Depois conheci um cara chamado Jun Otsu, que era programador de uma grande rádio, porque no Japão há quatro grandes rádios estatais. E naquele tempo o programador saia para comprar discos. Ele comprou o Hánêréa - The Power of Nature e passou a tocar. E nada é por acaso, velho. O Seigen Ono, que era engenheiro de som me apresentou ao Otsu que disse: “Olha, eu recebi uma herança e quero fazer seu disco. Mas quero fazer um “puta” disco”. Eu Disse: “Você paga? Ele concordou. Falei com o Oscar e ele montou uma banda de cair para trás: Airto (Moreira), Flora (Purim), César Camargo Mariano, Ruriá Duprat, Don Grusin, Alex Acuña. Muitas percussões coloquei depois aqui no Brasil. Tinha que apresentar um trabalho pelo tempo que estudei lá. Daí escrevi uma peça com os toques deles e misturei com samba.
EM – Foi malandro. Juntou as duas coisas, a tese com a gravação.
MB – A primeira vez que eu fui, cabeludo, barbudo, era parado na rua e as pessoas pegavam na minha barba. Quando cheguei no lugar havia trinta e seis brasileiros. Quando saí tinha mais de 300 mil. Logo de cara conheci o Tsuyoshi Yamamoto, inclusive temos um disco gravado. Ele está vivo até hoje e naquela época já era importante. Quando o Acaru gravou no Japão me disseram que precisava ter um convidado e quando o ouvi tocar já disse que seria ele. Somos amigos até hoje.
EM – Você também morou na China? Sei que cruzou o país com o Leo Susi. Conta essa história.
MB – Fui doze anos seguidos para a China. Na última vez que eu fui com o Randy Brecker, antes da pandemia, tocamos em 48 cidades, ficamos sessenta dias, quase morremos de tanto tocar.
EM – Imagino. A China é gigante igual ao Brasil.
MB – Por isso que eu falo, se aquilo é comunismo eu não vejo a hora de chegar aqui.
EM – A lista de músicos importantes que você tocou é infindável. Mas não dá para não perguntar essa. Você tocou com a Nina Simone. Como foi isso? Só se encontravam na hora de tocar? Como ela era?
MB – Não, viajávamos juntos. Era bem louco. Tinha um moleque que viajava com ela, e que nós apelidamos de Miltinho por parecer com o Milton Nascimento, que andava com um cooler em uma bolsa chique e uma taça de cristal, champanhe e um monte de baseado.
A gente ensaiava, mas os caras tocavam com ela há vinte, trinta anos. Ela só ia no final do ensaio. Quando chegava na hora do show ela mudava tudo. Foda-se o ensaio. Quando veio tocar no Brasil ela lembrou que eu era daqui. Eu disse que não tocava aqui havia uns oito anos. Na hora do show, naquele lugar enorme, não lembro onde foi, um lugar conhecido. Ela disse: “Olha tem um cara que não toca aqui há muito tempo e vai tocar agora pra vocês”. E ela saiu e me deixou sozinho. E eu mandei pau. Aí ela aparece com um adereço da África e eu tocava e ela ficava dançando e fazendo umas rezas em cima de mim. A casa veio abaixo.
EM – E no trato, no dia a dia? Como era ela?
MB – Convivência normal. Ficava muito na dela. E tinha umas coisas malucas, assim, dela. Antes do show ficava no camarim e a gente no nosso. Mas todos os músicos tinham que ir ao camarim dela e falar: “Nossa, como você está bonita!” Era só isso. Muito louco, bicho!
EM – Bosco, estamos chegando no final da entrevista. Como está a tua vida hoje?
MB – Em 2024 lancei um projeto chamado 40 e Manos, que é um álbum duplo chamado Em Canto, só cantado. E outro chamado Em Toque, que é só tocado. E um detalhe importante: tem um cara brasileiro chamado Carlos Freitas, que é o gênio da masterização no mundo. Ele mora em Miami, mas era do time do lendário estúdio Vice e Versa, em São Paulo. Recentemente fizemos um Single em Atmos chamado Awá, sobre a história de um índio da Amazônia, cuja família foi assassinada. Fizemos eu e o Jether Garotti com a orquestra dele, ficou legal. E agora estou preparando os singles, um chama Abraçando Vida, Natural Mentes e outro, Acordado no Sono. Essa coisa eletrônica que eu sei fazer. Vamos ver. Agora eu faço 70 anos e estou preparando um projeto para sair o ano que vem que se chama Cê Tenta em Casa. Com os violeiros, só que do meu jeito, com eletrônica e a Orquestra de Cordas do Jether Garotti.
EM – Fazendo a fusão que é a tua assinatura?
MB – Exatamente. Tentando manter a música viva.
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